quinta-feira, 10 de julho de 2014

Sondagens e Índices de Confiança - FGV/IBRE


Passada a ressaca moral do pior evento esportivo já presenciado pelos brasileiros nos últimos tempos (pior do que isto só o GP em que o Ayrton Senna faleceu), vamos então dar uma espiadinha nos índices de confiança da economia brasileira produzidos pelo IBRE. Mas cuidado, não garanto que você leitor se sentirá melhor após a leitura deste post. Tonturas e náuseas foram verificadas em leitores de um grupo de controle, rs.

Criado em 1951, o Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV/IBRE), dedica-se à produção e à divulgação de estatísticas macroeconômicas e pesquisas econômicas aplicadas. Dentre as estatísticas econômicas produzidas pelo IBRE, destacam-se, além dos índices de preço, as sondagens de tendência e ciclos de negócio.

As sondagens de tendência realizadas pelo instituto são levantamentos estatísticos que geram informações usadas no monitoramento da situação corrente e na antecipação de eventos futuros da economia. São amplamente utilizadas mundialmente como indicadores antecedentes de atividade econômica.

Sondagem da Indústria

A Sondagem Conjuntural da Indústria de Transformação é um levantamento estatístico de natureza qualitativa que fornece, mensalmente, indicações sobre o estado geral do setor industrial no país e suas tendências.

A divulgação da Sondagem dá ênfase aos resultados dos quesitos que tratam do presente e do futuro próximo. A maioria das previsões é realizada para o trimestre que se inicia no mês da pesquisa, tendo como período de comparação o trimestre imediatamente anterior.


O Índice de Confiança da Indústria (ICI) da Fundação Getulio Vargas recuou 3,9% entre maio e junho de 2014, ao passar de 90,7 para 87,2 pontos1. Após a sexta queda consecutiva, o índice distancia-se da média histórica, de 105,4 pontos, atingindo o menor nível desde maio de 2009 (86,4 pontos).

A queda do índice em junho foi motivada principalmente pela piora das expectativas em relação aos meses seguintes. A queda adicional da confiança e a expressiva diminuição do nível de utilização da capacidade no mês sinalizam o aprofundamento do quadro de deterioração do ambiente de negócios que vinha sendo observado ao longo do segundo trimestre. A piora persistente das expectativas, por sua vez, mostra que o empresariado industrial ainda não vê sinais de melhora no curto prazo.

Pelo quinto mês consecutivo, a previsão de produção foi o quesito que mais contribuiu para a queda do IE. A proporção de empresas que preveem aumentar a produção nos três meses seguintes aumentou de 22,4% para 23,6%; mas a parcela de empresas prevendo reduzir a produção aumentou em magnitude superior, de 15,3% para 22,7%.

O Nível de Utilização da Capacidade Instalada (NUCI) diminuiu de 84,3% para 83,5% entre maio e junho, atingindo o menor patamar desde novembro de 2011 (83,3%). A queda de 0,8 ponto percentual (p.p.) na margem foi a maior desde janeiro de 2009 (-1,6 p.p.) e parece refletir a combinação de demanda enfraquecida e feriados pontuais relacionados à Copa do Mundo. 

Sondagem do Consumidor

O consumo de uma economia é determinado tanto pela capacidade quanto pela pré-disposição dos agentes econômicos para o gasto. A capacidade de consumo é determinada por nível de renda e disponibilidade de ativos. Já a disposição de consumo é determinada pelas perspectivas futuras da economia.

Quando o consumidor está satisfeito, e otimista em relação ao futuro, tende a gastar mais; quando está insatisfeito, pessimista, gasta menos. Desta forma, a confiança do consumidor atua como fator redutor ou indutor do crescimento econômico.

O monitoramento do sentimento do consumidor tem o objetivo de produzir sinalizações de suas decisões de gastos e poupança futuras, constituindo indicadores relevantes na antecipação dos rumos da economia.



O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) da Fundação Getulio Vargas subiu 1,0% entre maio e junho de 2014, ao passar de 102,8 para 103,8 pontos1. O resultado positivo no mês é, contudo, insuficiente, para alterar a tendência declinante, iniciada em novembro do ano passado, do indicador de médias móveis trimestrais.

Sondagem de Serviços

A Sondagem de Serviços produz mensalmente um conjunto de indicadores, que informa as tendências de curto prazo e o estado geral das empresas do setor. A maior parte das previsões é realizada para o trimestre que se inicia no mês da pesquisa, tendo como período de comparação o trimestre imediatamente anterior.


O Índice de Confiança de Serviços (ICS) da Fundação Getulio Vargas recuou 0,7% entre maio e junho, considerando-se dados com ajuste sazonal. Após a quarta queda consecutiva, o índice atingiu o menor nível desde abril de 2009 (103,5 pontos).

O resultado de junho mostra um quadro desfavorável para o setor no segundo trimestre, embora haja uma suavização na tendência declinante do indicador em junho. Prevalece a percepção de um cenário de deterioração no ritmo de negócios, embora a ligeira alta do Indicador de Tendência dos Negócios nos seis meses seguintes tenha sido um sinal favorável depois de alguns meses de expectativas em queda.

Sondagem do Comércio

A Sondagem do Comércio produz, mensalmente, informações usadas no monitoramento e antecipação de tendências econômicas.  Criada em consonância com as melhores práticas internacionais, a pesquisa pretende ser referência como indicador coincidente e antecedente do nível de atividade e das expectativas empresariais do setor.


Pelo quarto mês consecutivo, o Índice de Confiança do Comércio (ICOM) da Fundação Getulio Vargas apresenta tendência de queda, considerando-se a base de comparação interanual.

A diminuição da confiança foi influenciada pela piora das expectativas em relação aos próximos meses. O resultado geral da pesquisa confirma a tendência de desaceleração do nível de atividade do setor no segundo trimestre de 2014, e a diminuição do otimismo do empresariado em relação à possibilidade de recuperação no horizonte de abrangência da pesquisa (entre três e seis meses).

Sondagem da Construção


O Índice de Confiança da Construção (ICST) da Fundação Getulio Vargas recuou pelo quarto mês consecutivo, registrando variação interanual de -9,8%, no trimestre findo em junho de 2014. O resultado confirma a tendência de desacelaração para o segundo semestre: em março, a variação foi de -3,3%, em abril, -5,9%; e em maio, -8,7%.

Assim como em maio, a queda da confiança em junho foi mais influenciada pela piora das expectativas. Dos onze segmentos pesquisados, dez apresentaram queda na métrica interanual trimestral. Os destaques negativos foram os segmentos de Preparação do Terreno, cuja taxa passou de -5,2%, em maio, para -9,3%, em junho; e Obras de Acabamento, de -5,5% para -9,0%, respectivamente, nos mesmos períodos.

Fonte: Portal FGV/IBRE

8 comentários:

  1. Muito bom, Uó! |o|

    Não conhecia estes índices, sentia muita falta de ferramentas como esta para o nosso mercado!

    Muito obrigado por ensinar mais esta! :-bd

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  2. A humilhação do Brasil nunca foi no futebol...

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    1. de acordo com um MEMe que está circulando por aí a Alemanha está de 102 a 0 contra o Brasil em prêmios Nobel. 7 a 1 é fichinha.

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