quarta-feira, 26 de agosto de 2015

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Bate-Bola Entre Investidores: Pobre Poupador Brasileiro x Warren Buffett Brasileiro


Pessoal, hoje teremos um post diferente. Teremos um bate-bola entre o Pobre Poupador Brasileiro and me mesmo, o Warren Buffett Brasileiro, vulgo Uorrem Bife, ou Uó para os mais íntimos, rs, brincadeira. A oportuna iniciativa partiu do colega Jonatam Gebing, grande personalidade do mundo das finanças e torcedor apaixonado do Internacional.

Jonatam César Gebing é blogueiro e consultor financeiro, eleito um dos 30 investidores mais influentes da internet em 2015. O seu portal de finanças (Portal Pobre Poupador), está há mais de três anos no ar e atualmente conta com mais de 30.000 leitores assíduos. Seu objetivo é disseminar conteúdo diferenciado sobre educação financeira e investimentos, primando sempre pela solidez, diversificação e riscos envolvidos em cada tipo de investimento estudado.

Vamos ao bate-bola...

Olá Pobre Poupador. Recentemente você foi eleito um dos 30 investidores brasileiros mais influentes da internet. Isto é o resultado do trabalho sério e dedicado que tem realizado através do portal Pobre Poupador. Como você avalia a sua contribuição para com os milhões de “pobres poupadores” brasileiros? Pobres na sua maioria, porém longe de serem poupadores? Infelizmente o tema Educação Financeira ainda está longe de fazer parte das grades curriculares das nossas escolas, e desta forma resta aos cidadãos brasileiros procurar esta educação através de outros meios como pesquisa na internet. Acredita que o trabalho que você e outras pessoas têm desenvolvido frente a portais de investimento possa realmente ajudar a grande maioria da população brasileira que é praticamente analfabeta em termos de poupança e investimentos?

A nossa contribuição vai de encontro com o problema mais profundo enraizado hoje em nossa cultura: o desconhecimento financeiro. Como você mesmo disse, o tema Educação Financeira ainda está longe de nossas crianças e escolas, fazendo com que os cidadãos cresçam sem o pensamento voltado para estas questões. Nosso trabalho foca, muitas vezes, no investidor mais básico. No ensinamento mais precário. É esta a grande carência que vejo no dia a dia (trabalho em uma instituição bancária). As pessoas não tem o mínimo conhecimento sobre juros, sobre limites, sobre consumo, sobre o quanto uma dívida pode comprometer o seu orçamento. Lá em nosso espaço tentamos alertar para estes pontos. Nosso principal objetivo é levar a educação financeira básica aos quatro cantos do Brasil e, felizmente, a internet é nossa aliada nesse aspecto. Uma das sessões que recebemos mais dúvidas de leitores é a de Planejamento Financeiro e Orçamento Doméstico, o que nos deixa, de certa forma, muito felizes. Evidenciamos o crescente número de famílias e pessoas preocupadas com o futuro financeiro. Este é o ponto de partida para a maioria da população: a conscientização do orçamento e contenção de despesas/gastos supérfluos. Ainda temos postagens específicas para investidores, mas até mesmo estas postagens que tratam de investimentos costumam primar por uma linguagem básica, de fácil entendimento. Temos sempre que começar praticamente do zero em tudo que nos propomos explicar e sempre que ter em mente que o mercado ainda é muito incipiente e os ensinamentos que parecem básicos para nós, não são para mais de 90% da população Brasileira.

Primeiramente, gostaria de lhe parabenizar pelo seu trabalho, Uorrem. Lembro-me de quando você iniciou seu blog. Naquela época o Pobre Poupador ainda estava na blogosfera. Lembro muito bem de várias histórias legais e dos contos do grande Zé Mobral. Bons tempos. Com o passar do tempo seu blog foi se tornando menos ‘informal’ e você foi aperfeiçoando cada vez mais suas postagens e artigos, chegando no excelente nível de qualidade em que se encontra hoje. Após esta introdução, vamos ao questionamento: O momento da bolsa de valores Brasileira é conturbado. Corrupções e lavagens se espalham e ganham mídia a todo o momento. Temos ainda o fantasma da perda do grau de investimento que assombra cotidianamente os investidores. Há quem diga que tudo isto já está precificado. Há quem defenda que o tombo em nossas empresas seria grande. Qual é sua opinião sobre tudo isto? Quais as principais diretrizes para escolher uma boa empresa para se investir no cenário atual?

Obrigado P.P. pelos parabéns! Não tenho a pretensão de me tornar um educador financeiro e uso o meu blog apenas para mostrar meus erros e acertos. Acredito que compartilhar experiências sempre é benéfico tanto para quem escreve quanto para quem lê. Sobre a questão de um possível rebaixamento do país, sou da corrente de que o mercado na maioria das vezes se adianta, se este é o caso agora sinceramente não sei. O fato é que temos algumas poucas empresas de excelência do Brasil, mas no final todo mundo acaba sofrendo com fuga de capital estrangeiro que é o que move este nosso mercado. Porém, as empresas com melhor gestão e melhor presença de mercado sofrem menos, e é nelas que o investidor deve estar posicionado. Mas aí vem a pergunta de 6 milhões de dólares: “Quais as principais diretrizes para escolher uma boa empresa?”. Esta resposta daria uma série de posts e não vou usar este espaço para aprofundar no assunto. Mas adianto que a resposta está na ponta do dedo ou na livraria mais próxima. Temos uma infinidade de artigos na internet e livros nas prateleiras que ensinam os passos para se escolher empresas com bons fundamentos. Para não ficar no ar vou citar os fundamentos que eu mais gosto: lucros consistentes e crescentes, ROE e margens altas, dívidas equilibradas. O investidor deve também procurar não cair na armadilha do preço barato, como já foi dito muitas vezes por aí, não a nada tão barato que possa baratear mais como também não há nada tão caro que possa ficar mais.

Você tocou em um dos principais temas que trata da escolha de empresas para investimento e das consequências de um rebaixamento do país sobre estas empresas. Outro tema muito comum é a interferência do governo atual em determinados setores. Até pouco tempo atrás você era um grande entusiasta do setor de educação, setor este que logrou muitos lucros nos últimos 4 anos mas que desde dezembro último amarga uma grande derrocada nos preços dos ativos desde que o governo começou a apertar as regras de crédito educativo. Até o momento as receitas das escolas com capital aberto em bolsa não refletiram a mudanças das regras, mas os analistas são unânimes em prever grandes reduções nos próximos balanços. A pergunta que fica é: até que ponto é interessante investir parte do capital em setores cuja influência do governo é direta como o de educação e o elétrico? E quais são os setores que sofrem menos com as interferências do governo?

Belo questionamento. Primeiramente, vou explicar um pouco de minha estratégia. Até outubro do ano passado, mês das eleições, minha alocação de ativos era 40% ações, 30% fundos imobiliários e 30% renda fixa. Com a reeleição do governo, decidi remanejar um pouco minha forma de investimento. Acreditei fortemente nos indícios (que acabariam se concretizando) de ajustes fortes, queda da atividade econômica, alta do desemprego, alta dos juros, etc. Com isso, indaguei-me sobre a relação retorno vs risco das empresas em que eu investia na época, incluindo as do setor educacional. O resultado da equação me fez zerar posição em todas as ações que eu havia e voltar-me somente aos fundos imobiliários e a renda fixa. Felizmente, consegui zerar grande parte das educacionais antes das surpresas da “pátria educadora” que reduziu os repasses do FIES e impôs regras ao ingresso via ENEM (sou totalmente a favor desta medida). Sobre a resposta, hoje, digo que o risco atrelado a empresas com forte influência governamental não vale o retorno que estas companhias podem dar aos investidores. Como vimos no caso das educacionais e em outros diversos casos, basta um espirro por parte do governo para que o preço dos papéis caia 30, 40, 50%. Acredito que não há nenhum setor imune as mirabolantes ideias de nosso governo. Uma estratégia interessante que vejo alguns amigos adotando é seguir a tendência de mercado e dançar como a música toca. Setores de exportação podem apresentar bons frutos no curto e médio prazo (Grendene vem apresentando bons resultados. Fras-le apresentou alta nas receitas no comparativo mensal com 2014). A ideia é tentar alavancar os resultados encima deste ciclo da economia, pois, mesmo com a crise, temos oportunidades interessantes. Para quem quiser se aprofundar na bolsa, esta é a minha dica.

Seguindo ainda na linha da economia e da influência governamental sobre nossos investimentos. Passamos por vários problemas de conjuntura externa que podem respingar por aqui: desaceleração da China, aumento dos juros americanos, problemas na Grécia, dentre outros. Como você vê a atual estratégia do governo na intenção de retomar o rumo do crescimento? Acredita que os pontos citados a respeito da conjuntura externa, podem exercer um fator importante nesta reviravolta?

Colega P.P., o governo, na tentativa de reverter o placar do jogo agora no segundo tempo, colocou em campo um jogador credenciado pelo mercado (Joaquim Levy). Na posição de meia-atacante, este deveria ser o articulador das jogadas em busca dos gols, porém, vejo em campo um jogador isolado que recebe passes errados e que não tem para quem passar a bola. Brincadeiras à parte, ainda é cedo para validar as ‘novas ’ políticas econômicas deste segundo mandato de Dilma e quarto do PT, mesmo porque a maior parte delas sequer saiu do papel. O fato é que o governo atual gasta muito e isto é um dos impeditivos para o azeitamento da máquina. Tivemos uma piora acelerada das contas públicas nos últimos anos, para se ter uma ideia, em 2014 o superávit primário se transformou em déficit e o buraco ficou equivalente a 6,7% do PIB. Os gastos do governo federal subiram de 864 bilhões em 2011 para 1.068 bilhões em 2014, ou seja, 51 bilhões / ano. Portanto, a irresponsabilidade da política econômica do governo levou a uma situação perigosa do ponto de vista fiscal. A “presidenta” coloca a culpa da situação atual do país na crise “econômica do mundo”. OK, a economia no mundo não está mil maravilhas, mas como já disse meu xará, quando a maré abaixa é que vemos quem está nadando pelado. Estamos nadando pelados, este é o diagnóstico: o governo, além de destruir o superávit primário, conseguiu registrar o maior déficit fiscal desde 1998, elevando a dívida pública para mais de 63% do PIB. Veja outra política questionável do governo: desde meados de 2013 o BC vinha intervindo no mercado de câmbio com a justificativa de reduzir a volatilidade. Mas ficou claro que a intenção principal era outra: segurar a inflação. Como o BC estava relutante em usar a taxa de juros para conter a inflação, segurar o Dólar seria uma saída. Com isto ele apenas retardou a correção cambial, que veio no início deste ano com a explosão da moeda americana. Do ponto de vista doméstico, temos uma crise política severa que está emperrando as novas medidas econômicas. Temos também uma indústria produtiva assolada pela baixa produtividade face aos salários elevados ao longo dos últimos anos. A última bandeira do governo está caindo, que era a manutenção do pleno emprego. Mas não há escapatória, não é possível colocar o trem na linha novamente sem que alguns se machuquem. O trem é pesado e exige muito esforço. Teremos aumento do desemprego pois com taxas de juros maiores o consumo cai e a produção diminui em seguida gerando desemprego. Teremos aumento da inflação pois não há como continuar represando artificialmente os preços de combustíveis e energia elétrica. Bom, eu falei, falei, falei e não respondi a sua questão que diz respeito à eficácia da estratégia atual do governo. Como cidadão brasileiro, torço para que funcione e em dois anos retomemos o crescimento (não espere crescimento em  2015 e 2016 porque é utopia), mas como “analista-econômico-amador” tenho lá minhas desconfianças. Veja o caso mais recente da revisão (para baixo) da meta fiscal: com um grau de endividamento elevado o país pode cair na avaliação das agências internacionais de classificação de risco e, desta forma, afugentar mais ainda os investimentos estrangeiros no país aumentando assim a crise interna. A intenção inicial da equipe econômica era ajustar as contas para alcançar um superávit fiscal suficientemente elevado para evitar o crescimento da dívida. Com a revisão para baixo da meta fiscal para insignificantes 0,15% do PIB adiamos este propósito. Lembrando que no final de 2014 o ministro Levy anunciou que a meta seria de 1,2% do PIB em 2015 e maior que 2% a partir de 2016. Naquela ocasião este anúncio soou como música para os ouvidos do mercado, foi considerado um número factível, não tão forte, porém não tão baixo. Com a nova meta de economizar 8,7 bilhões em uma arrecadação de 1,112 trilhão o governo deu um tiro no pé. Estamos naquela situação em que mexe de um lado e atrapalha do outro. Por exemplo, para controlar a inflação o governo vem aumentando a taxa de juros provocando o encarecimento do serviço da dívida pública. Os financiamentos bancários mais escassos e onerosos aprofundou a recessão fazendo diminuir a arrecadação. Sobra apenas a alternativa de reduzir os gastos da máquina pública, mas sem apoio político o governo simplesmente fica estagnado. Sobre a outra pergunta que diz respeito aos fatores externos como desaceleração Chinesa e calote Grego, para o primeiro o impacto será grande, já está sendo como observado na queda do preço do minério que afeta em muito a arrecadação. Para o calote Grego e outros problemas pontuais no mundo o impacto é mínimo.

P.P., falamos até aqui de inflação alta, estagnação da produção do país, crise política dentre outros problemas. Vou fazer uma pergunta bem direta face a este cenário de estagflação atual: O que o investidor deve fazer para proteger seu patrimônio da inflação? Quais os melhores investimentos e a melhor alocação de ativos para os próximos 4 anos? Veja que nem estou falando aqui de vencer o CDI, estou falando apenas de proteção contra inflação.

Uó. Primeiramente, meus parabéns pela sua última resposta. Sua explanação contempla, de forma reduzida, todo o cenário apocaliptico no qual nos encontramos e rumamos. Vamos à resposta da sua pergunta: Acredito fortemente na seguinte premissa: a crise gera oportunidades. Sou um entusiasta do mercado de ações. Leio fervorosamente balanços e releases a cada trimestre. Tento separar o joio do trigo neste emaranhado de empresas ruins e corruptas. Mas, no momento atual, na minha opinião, não há joio para separar. Quando comecei a investir e a me interessar sobre o tema, lá pelas bandas de 2006, lia em vários lugares e ouvia de várias pessoas que se encontrassem um investimento que aliasse uma relativa segurança a uma rentabilidade interessante (em torno de 1% ao mês), não investiriam mais em outra modalidade de investimento. Pois bem, o cenário de crise atual nos presenteia com oportunidades que não eram imagináveis a 3 ou 4 anos atrás, quando tínhamos a SELIC em patamares historicamente baixos – e não condizentes com a realidade Brasileira. Temos, no dia que escrevo esta resposta, uma taxa de 13,64% a.a. no CDI. Conseguimos montar uma carteira de fundos imobiliários com contratos seguros e duradouros, com uma rentabilidade de 0,9% ao mês, ou 11,35% a.a. (capitalizados). Isso sem contar que temos a correção pela inflação na maioria destes contratos de aluguel, logo, teríamos os 11,35% a.a. capitalizados + a correção destes valores pela inflação acumulada no período. Não gosta de ativos de renda fixa e fundos imobiliários? Tudo bem, temos Tesouro Prefixado 2018 (LTN) pagando 13,04% a.a.. Temos também Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2050 (NTNB) pagando juros de 6,35% a.a. mais IPCA. Veja que, em todas as explanações, o foco é em ativos com rendimentos que visam a alimentação da tão sonhada ‘bola de neve‘. Acredito que este é o foco atual, devemos aproveitar os juros elevados para alimentar nossos rendimentos mensais e trabalhar o aumento de capital via compra de mais cotas/aplicações com estes rendimentos recebidos. Já recebi questionamentos no seguinte tom: “Mas, o momento é bom para comprar ações, você está dizendo que devemos comprar somente quando os juros cederem? Perderemos o ganho de capital desta forma”. Volto à resposta a melhor alternativa de investimento que vejo na atualidade: os Fundos Imobiliários. Raciocine comigo: é comprovado que, historicamente, os rendimentos dos fundos imobiliários acompanham de perto a variação dos juros futuros da economia. Atualmente, temos fundos rendendo de 0,9 a 1% ao mês, valores parecidos com os encontrados em títulos de renda fixa atrelados ao CDI. Montando uma boa carteira de Fundos Imobiliários hoje, além de receber estes gordos rendimentos mensais e alimentar nossa bola de neve, estaremos nos habilitando a ganhos de capitais interessantes no médio prazo. Imagine que todos os ajustes fiscais tenham efeitos sobre a situação da economia e a SELIC caia a 11% em julho/2017, teríamos, neste cenário, uma redução dos atuais 13,75% para 11% na taxa básica de juros. Uma queda de 20% nos rendimentos dos títulos de renda fixa atrelados ao CDI e, consequentemente, nos rendimentos dos Fundos Imobiliários. A grande questão é que para fazer com que os rendimentos dos Fundos Imobiliários caiam, o preço das cotas deve subir, ou seja, ganho de capital. Perde-se nos rendimentos mensais, mas ganha-se na valorização das cotas. A resposta já ficou longa e este assunto merecia uma postagem totalmente a parte. Só para finalizar com a questão da alocação de ativos: minha estratégia é renda fixa + fundos imobiliários. Sempre com um olho no mercado de ações, buscando garimpar boas empresas a preços muito baixos. Muito mesmo, pois para valer o risco o desconto tem que ser grande.

Uó, na pergunta anterior falei um pouco sobre a minha estratégia de alocação de ativos para o cenário em que vivemos. Ao acompanhar seu blog, vejo muitos êxitos em suas operações de compra/venda de ativos. Confesso que sou totalmente leigo nesta área e que talvez eu possa estar perdendo algumas oportunidades, se não de ganho de capital, mas com toda a certeza de aprender mais sobre este incrível nicho de mercado. Como o foco de meu portal não é direcionado a este tipo de operações, acredito que meus leitores também não possuam este conhecimento. Peço que explique, em algumas linhas, quais são e como funcionam estas operações que você realiza. Talvez consigamos cativar alguns de meus leitores para, assim como eu, acompanhar suas operações e movimentações cotidianas.

P.P., gostei bastante da sua resposta e por coincidência notei que estamos alinhados no que diz respeito à alocação de ativos no momento atual. Desde o início do ano venho paulatinamente aumentando minhas exposição em renda fixa e FIIs. Em termos de renda variável estou hoje na proporção de 2×1 se comparando os FIIs com as ações, ou seja, tenho o dobro em FIIs. Estou também comprando tesouro direto em momentos oportunos. No momento tenho um certo capital em Tesouro SELIC (LFT) e um pouco em Tesouro IPCA  (NTN-B Principal 2035). Mas você tocou em um assunto interessante que é a questão de compra/venda de ativos no sentido de adotar uma estratégia ativa de investimentos. Vou te dizer que já fui bem mais “ativo” no passado e hoje tenho reduzido bastante minhas operações de compra e venda. Tenho adotado uma estratégia mais passiva, isto é, comprando e carregando para o longo prazo. Mas não se pode confundir Buy and Hold com Buy and Forget, ou seja, compre o peixe mas fique de olho no gato. Hoje adoto uma estratégia mista e que varia de acordo com o ativo, explico: para FIIs a regra é comprar um pouco todo mês e nunca vender (estratégia passiva), o foco deste tipo de investimento é criar fluxo de caixa com objetivo principal de independência financeira. Em ações a regra é comprar apenas nos momentos de mercado depressivo e vender um pouco em momentos de mercado eufórico (estratégia ativa), o foco do investimento em ações não é fluxo de caixa com dividendos e sim crescimento de capital. Para a renda fixa vai o dinheiro que sobrar no mês, ou seja, se comprei pouca coisa ou se vendi alguma ação o dinheiro vai automaticamente para um ativo de renda fixa a ser escolhido de acordo com o prazo desejado. Hoje por exemplo estou comprando basicamente LFT, pois vejo oportunidades na renda variável no curto prazo e poderei precisar do dinheiro em breve. O importante é deixar claro para o leitor que não existe uma receita de bolo a ser seguida. Cada investidor possui um perfil de investimento próprio, e deve encontrar para ele a melhor forma de investimento. A maior parte das pessoas não tem tempo de ficar analisando gráficos ou mesmo não querem fazer isto, então, neste caso, a melhor forma de se posicionar no mercado é adotando uma estratégia de aportes mensais e periódicos. Também será muito complicado para o investidor comum definir a melhor proporção de ativos dado um cenário macro-econômico, neste caso ele poderá adotar uma estratégia simplista de proporções iguais, por exemplo 1/3 em ações, 1/3 em FIIs e 1/3 em renda fixa. Explicando um pouco as operações de compra e venda em ações, basicamente procuro identificar canais nos gráficos de preços. Realizando compras nas linhas de tendência inferiores e vendas nas linhas superiores, é difícil explicar sem a ajuda do gráfico, mas em linhas gerais basta você considerar que nenhuma ação sobre em linha reta, sempre há momentos de alta acima da média e momentos de queda abaixo da média, então procuro comprar quando os preços estão abaixo e vender um pouco quando estão muito acima. Muitos colegas já fizeram simulações e concluíram que este tipo de postura ativa trás pouco incremento de rendimentos no longo prazo, outros colegas já concluíram também que podemos adotar uma metodologia de aportes baseada no preço que trará significantes incrementos de rendimento no logo prazo, um exemplo é a metodologia dos aportes dobrados. Novamente irei dizer que a metodologia a ser adotada irá depender do perfil do investidor. Não existe uma melhor que outra, cada um deve escolher aquela que melhor ser adéqua ao seu perfil. Não irei discorrer aqui sobre outro tipo de operação que venho fazendo no mercado que é a compra e venda de mini-contratos de índice e dólar (o famoso day-trade), estou ainda testando este método no intuito de rentabilizar mais ainda meus investimentos, porém ainda é cedo para tirar maiores conclusões, mas estou gostando do que vi até o momento.

P.P., já falamos até o momento de cenário macro-econômico, ações, FIIs e renda fixa. Acho que chegou o momento de discutirmos um pouco sobre independência-financeira. Afinal, pra quê tudo isto? Por que estamos aqui diariamente analisando balanços, gráficos, planilhas, possibilidades de investimentos, conjuntura política, enfim, uma infinidade de informações maçantes e sem fim que muitas vezes nos deixam mais perdidos do que confiantes. Acredito que muitos estão pensando agora: “ora, meu objetivo é alcançar 1 milhão de dólares até os 30 anos e depois curtir a vida” . Aí farei uns questionamentos: o que é independência financeira? O que é curtir a vida? 1 milhão de dólares é suficiente para se aposentar? E depois de atingido este 1 milhão, você não vai querer o segundo milhão, o terceiro? Não vai continuar trabalhando loucamente até os 40 anos? E ao chegar nos 40 anos se olhará no espelho vendo uma pessoa obesa, estressada e nem conseguirá lembrar-se de como foi os primeiros anos dos filhos pois estava viajando a trabalho na maior parte do tempo. Enfim, como devemos nos portar para equilibrar a vida pessoal x profissional e usar os estudos em investimentos para nos ajudar a ter um futuro melhor? E uma pergunta final que poderá ajudar os milhares de brasileiros endividados: como equilibrar os gastos/receitas de modo que sobre pelo menos 10% do salário todo mês na conta do banco?

Uó, a questão da independência financeira é uma pergunta que deve ser respondida por cada pessoa em separado. Todas devem possuir uma definição diferente sobre o assunto. A minha é: gerar renda recorrente mensal a fim de sanar todas as minhas necessidades básicas, ou seja, meus investimentos devem gerar renda mensal para pagar todas minhas contas, sem que eu dependa de remunerações paralelas. Este é meu principal objetivo e é nele que eu foco meus esforços. Tenho plena consciência que não irei parar de trabalhar nos 40 anos, até porque trabalho com o que eu gosto, logo, considero isto um hobbie e não um trabalho. Não sou daqueles que franze a testa ao ouvir a expressão “trabalhar”. A ideia de acumular patrimônio é aumentar a segurança e a manutenção do padrão de vida na velhice… Trabalhar e se esforçar hoje, para ter um amanhã próspero. Sempre cuidando para não deixar o hoje de lado para viver o amanhã. A chave é sempre o equilíbrio entre as partes. Sobre as dívidas, o primordial é o controle. Para uma situação de endividamento as pessoas devem anotar absolutamente todas as suas receitas e despesas, fazer um planejamento e efetuar cortes, ao menos até o momento em que elas consigam retornar ao patamar sustentável de suas finanças. Lá no blog temos inúmeros artigos de Educação Financeira que podem ajudar as pessoas neste sentido.

Uó, para concluir este excelente bate-papo, rico em informações que serão de muita valia a todos os nossos leitores, lhe pergunto: Quais são os seus principais projetos para o Blog do Uó? O que vem de novo por aí? Aproveito para parabenizar você pelo excelente conteúdo de suas respostas. Foi um prazer trocas estas ideias contigo. Um grande abraço!

P.P., sobre sua última resposta, concordo em gênero, número e grau. O principal exemplo que poderemos passar aos nossos leitores é este: controlar as despesas, procurar ter uma boa fonte de renda de preferência realizando uma atividade prazerosa, e muito estudo para aplicar corretamente o dinheiro que irá sobrar todo mês. Assim, a independência financeira será uma consequência natural. Sobre os projetos para o blog, quero retomar as análises fundamentalistas das empresas que mais gosto, analisar também detalhadamente os fundos imobiliários que irei aportar daqui pra frente, e continuar colocando lá assuntos do meu dia-a-dia que nem sempre têm ligação com finanças como futebol e fotografia. Meu blog é um local onde coloco informações que julgo ser útil para outras pessoas, digamos que é uma terapia, rs. Aproveito para parabenizá-lo pela iniciativa deste bate-bola. Pretendo fazer outros bate-bolas como este, vou ver se consigo fazer um com o Luiz Barsi que é um grande exemplo para todos nós. Abração!

26 comentários:

  1. Muito bom o bate-bola! Parabéns aos dois!
    Apenas uma opinião: em qq estratégia de alocação, não podemos esquecer do câmbio (moeda estrangeira e/ou ouro). É essencial para as realocações. Os mini-contratos que vc está fazendo, Uó, tem tempo de vida limitados.
    Abraço!

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    1. Concordo André, ainda preciso evoluir mais na questão câmbio, é algo novo para mim. Ouro também preciso monitorar mais.
      Sobre os mini-contratos, podem ser usados como hedge de carteira em prazos de swing, no intra-day não é pra qualquer um.
      Abraço!

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  2. Até bem pouco tempo atrás o Pobre Poupador esta quase Al In no setor educacional, e preconizava algo muito promissor. Quem seguiu se ferrou. Até eu que não sou formado na area de finanças percebia está incompatibilidade.
    Parabéns pela iniciativa de ambos!

    Abraço
    Bagual
    .

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  3. Obrigado pela entrevista Uó! Um grande abraço!

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  4. Gostei muito da ideia de uma entrevista com o barsi.
    Sempre tive curiosidade de conversar com um grande investidor.
    Se ele concordar, avise para sugerirmos algumas perguntas (tenho algumas que sempre quis fazer e certamente consigo pensar em muitas outras)

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  5. seria otimo uma entrevista com o barsi: mas por favor nao faça perguntas bestas como: quando vc começou investir? o que vc acha da dilma? kkkk etc

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    1. Tem gente que vai perguntar pra ele se a Eternit está barata, rs

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  6. Só passando para lembrar que o galo veio cantar no terreno do poderoso de SC e saiu frito!!!

    Saudações alvinegras de Floripa ehehehehe

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  7. Parabéns aí pelo bate bola, agora eu entendi que o conhecimento do mercado é inversamente proporcional a beleza, eu também não sou nenhum Brad Pitt, mas os dois ai em cima, tá loco, Uozinho deve levar um susto todo dia que olha para o pai. kkkkkkkkkkk
    Abraços Son of gun

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    1. Parabéns pela entrevista!Amigos estou tentando fazer uma carteira para meu rebento.Gostaria de fazer num ambiente mais seguro.O BB não aceita menores como investidor!Os amigos tem alguma experiencia neste sentido?Tenho que partir pra uma corretora?tenho que declarar esses ativos no IR?Lembrando que os aloprados tão querendo taxar grandes fortunas(pelo critério deles,acima de 1 milhão)e herança em até 20%.Então para evitar estes custos com impostos e com inventário e advogados(que podem chegar a valores superiores a 20%),penso que devemos nos movimentar pra evitar esta perda de quase 50% no patrimônio.Como tem feito com uorenzinho UO?Acionista25

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    2. kkk, o Uo\zinho não terá problema de beleza porque puxou a mãe que é linda, mas tem traços meus também, digamos que é uma versão melhorada do pai.

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    3. Acionista, sua pergunta merede um post, me dê um tempo.

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    4. Acionista, solução um seria fazer uma holding familiar (procure saber). Solução dois seria fazer a doação de imoveis em vivo em esquema de usufruto. Solução tres seria mudar de país e pagar o mesmo imposto, porem recebendo saude, segurança, educação, etc.

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  8. Uó,

    Parabéns pela postagem! São trabalhos como esse que enaltecem a blogosfera financeira.

    Abraços.

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  9. Valeu UO,ficarei no aguardo do post!Anônimo,esse negocio de holding é pra quem tem uma boa quantia.Essa de imóveis é o que eu farei.O pro são investimentos em bolsa e TD.Qual o ambiente mais seguro e simples,pois se eu vier a faltar,minha mulher é leiga no assunto.Como declarar no IR?Etc.Acionista25

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    1. Tb tenho estas duvidas, terei que estudar.
      Abraço!

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  10. Parabéns Uó!

    Muito interessante o bate-bola, iniciativa muito legal de vocês.
    Agregou bastante pra mim!

    Abraços!

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