Rompimento das Barragens da Samarco - O Que de Fato Aconteceu?

watch_later terça-feira, 10 de novembro de 2015
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A última vez que postei aqui sobre uma tragédia foi em julho do ano passado poucos dias antes de começar a copa do mundo (relembre aqui). Naquela ocasião a cidade ainda era um canteiro de obras mas uma delas sequer foi inaugurada. A queda do viaduto Batalha dos Guararapes chocou a cidade.

A falta de apoio dos responsáveis e a impunidade aumentam o sofrimento das famílias, especialmente das mães da motorista Hanna Cristina dos Santos e do servente Charles Frederico Moreira do Nascimento. Os dois morreram na tragédia e outras 23 pessoas ficaram feridas.

Em outubro último, segundo a imprensa, o juiz Marcos Henrique Caldeira Brant, da 11ª Vara Criminal, acatou a denúncia do Ministério Público de Minas Gerais contra 11 pessoas pela queda do Viaduto. Os acusados agora viraram réus do processo.

De acordo com o Fórum Lafayette, o magistrado acatou a denúncia contra todos acusados. Entre eles, estão engenheiros e diretores da Consol e Cowan, que projetaram e executaram as obras do elevado, e funcionários da Superintendência de Desenvolvimento da Capital (Sudecap).

O promotor Marcelo Mattar, responsável pelo caso, ressalta que a Cowan e a Consol estavam cientes dos problemas do viaduto, mas, mesmo assim, decidiram em continuar a obra, “assumindo o risco do resultado”. Já a Sudecap, de acordo com o MP, falhou na fiscalização da obra.

A Consol alega e que foram feitas mudanças significativas do projeto que não foram submetidas a aprovação do projetista. Com isso, de acordo com o posicionamento, ocorreram problemas construtivos, além da mudança do projeto, entre eles, o uso de concreto vencido.

Em nota, a Cowan disse que ainda não teve acesso à decisão de recebimento da denúncia. O texto relata que "a companhia reitera sua confiança na isenção dos seus colaboradores denunciados na causa da queda do viaduto e a convicção de que sua inocência será comprovada no curso do processo."

Rompimento das Barragens da Samarco

Já é de conhecimento de todos a tragédia ambiental e humana que ocorreu aqui em Minas Gerais na semana passada. O rompimento de duas barragens de rejeitos da mineradora Samarco causou um tsunami de lama que inundou e destruiu várias casas no distrito de Bento Rodrigues, em Mariana, na Região Central de Minas, na tarde da última quinta-feira (5). A lama continuou avançando causando também muitos estragos em outros distritos como Barra Longa e Paracatu de Baixo.


Inicialmente a mineradora havia divulgado o rompimento da barragem de Fundão. Isto foi no final da tarde. Já no período da noite o diretor-presidente da empresa informou que duas barragens romperam na unidade de Germano, localizada entre as cidades históricas de Ouro Preto e Mariana. A segunda barragem é a de Santarém. Há ainda no complexo mais uma barragem que agora está com monitoramento redobrado.


A empresa não poderá operar a mina de Germano, de onde extrai minério de ferro, até que repare todos os danos causados pelo rompimento de duas barragens. Durante o período de embargo, a Samarco só poderá fazer ações emergenciais, que minimizem o impacto do rompimento e previna novos danos. Em Ubu, no litoral do Espírito Santo, onde a empresa tem a usina de pelotização de minério para exportação, as operações também serão suspensas assim que acabar o estoque de minério, informou a empresa.

Não é a primeira vez que uma barragem de rejeitos se rompe causando transtornos. Em 2014 um acidente na barragem da mineradora Herculano localizada em Itabirito (a 58 km de Belo Horizonte), deixou três trabalhadores mortos. Entre 2001 e 2014, cinco desastres semelhantes deixaram ao menos oito mortos, além de uma avalanche de danos ao meio ambiente no estado. No pior da série histórica, em Cataguases, cerca de 1,4 bilhão de litros de lixivia negra, resíduo da produção da celulose, contaminaram o Rio Paraíba do Sul e córregos até 200 quilômetros distantes, segundo informações do Estado de Minas.

Impacto no Espírito Santo

Além de estar sendo considerado o maior desastre ambiental do estado de Minas Gerais, a lama proveniente das barragens atingiu o Rio Doce e já está chegando em municípios do Espírito Santo. Um grupo de moradores de Baixo Guandu, na região Noroeste do Espírito Santo, aguarda a chegada da lama vinda do rompimento da barragem de Mariana, em Minas Gerais, nesta terça-feira (10). Por volta das 5h, alguns moradores começaram a chegar na ponte sobre o Rio Doce, no município. De acordo com o Serviço Autônomo de Água e Esgoto, a água turva, que vem antes da lama, chegou ao município por volta das 22h desta segunda-feira (9).


O Espírito Santo se prepara para receber a lama com rejeitos de mineração da Samarco e, em Linhares, a foz do Rio Doce começou a ser aberta, na manhã de segunda-feira (9), no distrito de Regência, região Norte do estado. O local, ponto onde as águas do Rio Doce desaguam no mar, estava fechado por bancos de areia devido à estiagem de chuvas no estado. A ação tem por objetivo dar vazão à lama.

Repercussão no Mercado Financeiro

A mineradora Samarco foi fundada em 1977 e atualmente produz pequenas bolas de minério de ferro (pelotas) usadas na produção de aço. O minério de ferro extraído e beneficiado em Minas Gerais é transportado via minerodutos parta o Espírito Santo onde é transformado em pelotas para exportação. A Samarco é atualmente controlada através de uma joint-venture entre a Vale e a anglo-australiana BHP Billiton. Ela opera em Minas Gerais e no Espírito Santo e é hoje a 10ª maior exportadora do país.

Após a tragédia, tanto as ações da Vale quando da BHP sofreram quedas fortes no mercado financeiro. O fato ocorrido é negativo para as mineradoras por três razões: perda de fluxo de caixa, limpeza e os custos legais e danos à reputação.

"A Samarco representa apenas 3% do excedente bruto operacional da BHP Billiton no exercício 2015. Assim, o impacto imediato não será imenso, mas as consequências podem ser em caso de ações judiciais por negligência, etc", afirmou o analista Simon Davies, da Canaccord Genuity.

Analistas do Deustche Bank mencionaram a possibilidade da "Samarco permanecer fechada por vários anos e a hipótese do custo de limpeza superar um bilhão de dólares".

O Credit Suisse divulgou um relatório em que afirma que um eventual fechamento da Samarco custaria 3 bilhões de dólares para a Vale e a empresa australiana BHP Billiton, que deteem, cada uma, 50% da Samarco. Isso porque só a dívida líquida da Samarco é de 2 bilhões e 930 milhões de dólares, sem contar as despesas ocasionadas pelo desastre nos próximos dois anos.
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Complicado amigo Uó.
É um jogo de empurra-empurra e quem paga, no final, somos nós. Isso tudo ainda vai dar muito pano pra manga... Infelizmente.

Abração!
http://www.pobrepoupador.com

delete 11 de novembro de 2015 01:04
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É triste ..... o mais triste é não ser uma fatalidade... escutei uns caras na bandnews falando que 43% das barragens hoje (não lembro se somente em minas ou em todo o Brasil) tem o laudo de estabilidade.... e o maior descaso né ... continua funcionando assim mesmo ... uma beleza ...

delete 11 de novembro de 2015 08:46
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Uo, Minas e Rio de Janeiro estão tranquilos e seguros. Votaram no PT!
Portanto creio que o mar de lama sempre existirá. Tenho compaixão das pessoas que morreram e dos que perderam tudo. O restante a história dirá...
Parabéns pelo post!

Abraço, sucesso!

delete 11 de novembro de 2015 21:19
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Uorrem Bife person

Justamente PP, os pequenos acabam pagando pelos grandes.
Abraço!

delete 12 de novembro de 2015 06:46
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Uorrem Bife person

Não é fatalidade mesmo, negligência total. Pior que a população vai perder duplamente, com a destruição e com a falta de dinheiro no município já que 80% da arrecadação vem da mineração.

delete 12 de novembro de 2015 06:49
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Uorrem Bife person

Minha esposa é funcionária publica do estado, funcionaria do Pimentel, a coisa não tá muito boa por aqui não, vai faltar dinheiro, em dezembro devem escalonar os salários.

delete 12 de novembro de 2015 06:50



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