sábado, 19 de março de 2016

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Estudos Sobre Carteiras de Investimento de Ações


Boa noite a todos!

Tenho visto alguns colegas eufóricos com a valorização das suas carteiras de ações neste mês de março. Porém, o gráfico abaixo apresenta a triste realidade, estamos exatamente no mesmo nível de 31/07/2015. Em outras palavras, estamos no mesmo nível de quase um ano atrás e ainda perdendo para a poupança.


Mas esta é uma conclusão muito simplista da coisa e apenas uma visão de curtíssimo prazo. Em um horizonte de investimento de 20, 30, 40 anos, um período de 8 meses não quer dizer absolutamente nada. Por curiosidade, resolvi fazer um estudo rápido a respeito das minhas carteiras de investimento neste período. Tabelei, como pode ser visto na figura a seguir, as três carteiras teóricas que tenho hoje em monitoramento. Vamos chamá-las de carteira azul, carteira verde e carteira cinza.


Realizei a coleta das cotações dos papéis em 4 momentos distintos: 31/07/2015, 20/01/2016 (fundo do IBOV no período), 18/03/2016 (fechamento de ontem) e a menor cotação do papel no período.

Com as cotações registradas, calculei a variação percentual até ontem (18/03/2016). Calculei também a variação de cada papel no dia que o IBOV marcou o fundo (20/01/2016). E com a menor cotação de cada papel neste período calculei a maior queda respectiva.

Observação: para simplificação não considerei os dividendos do período, então as variações percentuais de cada ativo estão abaixo da real.

De posse das variações individuais de cada papel, calculei também as variações por carteira até o fechamento de ontem e no dia do fundo do IBOV.

Uma surpresa que tive foi que a carteira cinza, que a princípio seria a carteira mais fraca, se mostrou como sendo a carteira de melhor desempenho no período. Performou com +5,85% de valorização contra -0,08% do IBOV. No dia do fundo do índice, esta carteira apresentava queda de -9,07% contra -27,21% do IBOV.

Observação: quando digo "mais fraca" entenda como algo subjetivo, não usei nenhum critério matemático ou fundamentalista para dividir os ativos em carteiras, apenas fiz uma balanceamento entre setores e distribuí os ativos segundo uma preferência particular.

A carteira verde, que a princípio seria a carteira de preferência intermediária, apresentou o pior desempenho. Performou -12,29% até o fechamento de ontem. No dia do fundo do IBOV apresentava queda de -23,92%.

A carteira azul, que a princípio é a carteira prioritária de aportes, apresentou desempenho médio. Performou -8,79% até ontem e -20,90% no fundo do IBOV.

O gráfico a seguir apresenta a variação de cada ativo em relação ao IBOV no período. Até o dia de ontem, as maiores variações eram de LEVE3 (+24,69%), CTIP3 (+15,06%), LAME3 (+6,87%), SULA11 (6,78%) e TBLE3 (5,68%). Em outras palavras, a LEVE3, por exemplo, valorizou 24,69% acima do IBOV. Vale destacar que o desempenho da LEVE3 neste período é no mínimo surpreendente se considerando a atual crise no setor automobilístico. Já o bom desempenho da CTIP3 não foi surpresa.

Por outro lado, as maiores desvalorizações em relação ao IBOV até ontem são de VLID3 (-25,76%), PSSA3 (-25,32%), BRFS3 (-23,62%), WEGE3 (-22,08%) e CIEL3 (-17,9%). Neste momento o leitor pode estar intrigado sobre estes fracos desempenhos perante o IBOV dado que são todas empresas com ótimos fundamentos. Porém, todos estes ativos apresentavam em julho do ano passado uma valorização extremamente alta, e a partir de agosto foi iniciado um movimento corretivo no mercado de uma forma geral. E o Sr. Mercado foi impiedoso com estes ativos, como eram os que estavam mais sobrevalorizados, sofreram então as maiores correções. Uma hora ou outra a normalidade aparece, o preço desconta tudo.


O gráfico a seguir apresenta a variação de cada ativo em relação ao IBOV no dia do fundo do período (20/01/2016). Naquele dia, muitos ativos não estavam deslocados do índice: LEVE3, CTIP3, SULA11, LINX3, SNSL3, dentre outros. Enquanto o IBOV caia -27,07%, estes ativos apresentavam quedas relativamente pequenas. Porém, naquele momento apenas dois ativos estavam no campo positivo: CTIP3 e LEVE3.


Apresento a seguir, a título de curiosidade, as maiores quedas no período. Os ativos que sofreram mais foram PSSA3, CIEL3, BRFS3, ALUP11, BBSE3, VLID3, WEGE3 e MDIA3. Não obstante, os mesmos ativos que apresentavam valorizações monstruosas até o mês de julho do ano passado: quem vendeu... vendeu, quem não vendeu... não vende mais, rs.


É meu amigo, o mercado se mostra como aquele cara malvado que oferece doce para a criança e depois tira da boca dela. Mas repito, estamos aqui falando de curto prazo, não me surpreenderia ver altas valorizações novamente nos próximos meses, mas excessos sempre teremos, tanto na alta quando na baixa. Há quem diga que preço não importa, dependendo da estratégia de aporte pode realmente fazer pouca diferença, mas estes excessos não deveriam passar desapercebidos, sempre é bom comprar "aos baldes" no desespero dos que estão dentro e vender um "tiquim" na euforia dos que estão de fora.

Bom final de semana!

22 comentários:

  1. Boa análise UO,parcimônia e longo prazo são fatores preponderantes oara o sucesso.
    UO, respondi sua pergunta, passa lá no blog.

    Abraço!
    Rk

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  2. UO, por que vc possui em carteira ALUP11 e não possui Energias Brasil?

    Abraço

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    1. Boa pergunta, sabia que nunca tinha olhado os fundamentos dela? Fui dar uma checada gostei. Esta aí me passou desapercebida. Vou ficar atento.

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  3. Uo teria que replicar com dividendos recebidos, fiz exatamente esta pesquisa algum tempo atrás com e sem dividendos.
    Quem seguiu índice de mercado nos últimos 3 anos se muito ficou no 0x0, infelizmente vencer índices de mercado no Brasil se revela coisa para poucos.
    Dividendo e bonificações turbinarão tal resultado principalmente se for usado TIR= Taxa interna de retorno com replicação dos dividendos.


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    1. Uma simulação de longo prazo carece de considerar os dividendos. Mas meu objetivo aqui foi analise este curto período de volatilidade, como os ativos se comportaram em relação ao IBOV, e considerando que as empresas estão pagando quase nada, considerar os dividendos teria pouca diferença em tão curto período. Estava mais interessado em quantificar a volatilidade e o "beta" de cada ativo do que fazer uma simulação precisa de rentabilidade.

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    2. Uo muitas das variações no grupo advém de empresas com forte receita em dólar, tal variável acontece exatamente quando existe perspectiva de desvalorização do real,perceba que corretoras vivem montando carteiras baseados nestas 2 variáveis.
      Real vai desvalorizar compra-se empresas com forte geração em dólar, desvalorizar inverte-se a ponta compradora.
      Trade puro, diria que ideal seria comprar empresas com geração em dólar apenas quando existe normalização do cenário cambial.
      Se comprar num deste momentos de estilingada do dólar leva bucha quando mão inverter.
      Já no setor financeiro é a mesma correlação dólar vai valorizar?
      Deprecia-se empresas do setor financeiro, dólar arrefecer desvaloriza empresas com geração em dólar, lembrando que estou falar da migração de capital dentro da bolsa, ainda existe fator externo dos gringos jogando dinheiro por aqui.
      Nos 2 topos em junho do ano passado e agora foi mesma novela, deu sinal verde de mudança política econômica bolsa disparou.
      Complicado operar em nossa bolsa volátil, por estas e outras que não acredito na teoria de mercado eficientes.
      Mercado para mim é como um maníaco depressivo hora na euforia logo depois na completa depressão.





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    3. Sim, o mercado é bipolar, hora esta eufórico hora esta depressivo. Mas ele segue uma certa lógica. Mas é difícil 'prever' qual será a próxima estação, geralmente pegamos o bonde andando, qd não descemos antes ou qd não pegamos na última estação. Mas para uma viagem mais longa, a estação de entrada pode importar pouco.

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  4. Ola Uo.

    Excelente analise, mas, sem considerar dividendos para quem faz B&H o resultado nao e conclusivo.

    Abraco

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    1. Expliquei acima qual foi o caráter da análise. Mas para o B&H é fundamental considerar o reinvestimento dos dividendos, inúmeras simulações que encontramos na internet mostra isto.

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  5. "Em um horizonte de investimento de 20, 30, 40 anos, um período de 8 meses não quer dizer absolutamente nada."

    Ora, então qual o motivo de você viver jogando na minha cara que comprei Petro a 11 reais? Então o curto prazo não significa nada quando é você quem faz os supostos mau investimentos, mas, quando se trata dos outros, então o curto prazo é muitíssimo importante?

    Troller

    Obs: nunca vendi uma ação de PETR4, logo também não entendo onde está o lucro ou o prejuízo de minhas operações.

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    1. Vc faz B&H com Petro, ou seja, vc não faz análise fundamentalista, vc faz especulação, e para especular não se pode comprar Petro a 11, rs.

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    2. Qual objetivo em fazer buy&holder numa empresa falida com dívida bruta de 500 bilhões de dólares?
      Não engana troller tu ta querendo especular com petro lixo KKKK

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    3. Sem dúvida, ele deu um tiro especulativo vendendo tesouro e comprando Petro com o dinheiro. Pode chegar a 11 novamente? sim, pode. Pode chegar a 22 novamente? sim pode. Mas não há racional neste tiro, a apenas 'sentimental', ele tem o sentimento que pode ter lucro, mas não passa de sentimento, nada racional.

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  6. Parabéns pela análise, Uó!

    Pensando pelo lado cheio deste copo, parabenizo também a todos que não tiveram receio e investiram na bolsa neste período. Claramente se abriu - e talvez já esteja fechando - uma extraordinária janela de compras desse mercado no Brasil.

    Abraço!

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    1. Janelas se abrem toda semana, basta ficar atento, rs.
      Abraço!

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  7. O estudo é bom.

    O problema é justamente que o mercado é imprevisível. Quem poderia prever este movimento como foi? qual a chance de alguém acertar o timing baseado no preço?

    Os modelos de alocação de ativos (tipo TSDB) neste momento mandam comprar justamente estas que ficaram pra trás ...

    Abraços

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    1. Problema é qd o TSDB manda comprar Petro por exemplo pq ela ficou pra "trás". Antes de tudo o TSDB precisa estar bem fundamentado, pq comprar só por comprar, pra rebalancear, não quer dizer muita coisa.

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  8. Bom estudo, Uó! A verdade é que o curto prazo é absolutamente imprevisível, não adianta.

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  9. Boas,

    Muito bom esse estudo. Podemos acreditar que a PSSA3, CIEL3 e BRFS3 estão "baratas" ainda em relação a esse grupo de ações e ao IBOV ?

    :D

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    1. Coisas que aprendi na bolsa: não há ação barata que não possa ficar mais barata e ação cara que não possa ficar mais cara...

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