segunda-feira, 9 de maio de 2016

Ambev - História e Composição Acionária


Nesta Semana Fundamental abordaremos uma das empresas que mais deram alegrias aos investidores nos últimos anos: Ambev. O gráfico abaixo apresenta a evolução da cotação do papel na bolsa de valores brasileira. Sem considerar os dividendos, o preço teve uma elevação de mais de 700% desde 2008.


História
Fonte: RI

A Ambev (Companhia de Bebidas das Américas)  é a sucessora da Companhia Cervejaria Brahma e da Companhia Antarctica Paulista Indústria Brasileira de Bebidas e Conexos. A Antarctica foi fundada em 1885 e a Brahma em 1888. A Ambev foi constituída como Aditus Participações S.A. ("Aditus") em 14 de setembro de 1998. A Ambev é uma sociedade anônima brasileira, de capital aberto, constituída segundo as leis da República Federativa do Brasil.

O principal negócio da companhia é o de cervejas, em que é líder em diversos mercados com marcas como Skol, Brahma, Antarctica, Quilmes, Labatt, Presidente, entre outras. Além disso, a empresa tem também operações de refrigerantes, não-alcoólicos e não-carbonatados com marcas próprias como Guaraná Antarctica e Fusion, entre outras, no Brasil e através de uma parceria com a PepsiCo em diversos países.

Em 1997, a Brahma adquiriu os direitos exclusivos para fabricar, vender e distribuir os refrigerantes da Pepsi no Nordeste do Brasil e em 1999, obteve os direitos exclusivos para fabricar, vender e distribuir os refrigerantes da Pepsi em todo o Brasil. Desde outubro de 2000, a Ambev detém direitos exclusivos de distribuir e engarrafar os refrigerantes da Pepsi no Brasil. Em janeiro de 2002, expandiu a parceria com a PepsiCo para incluir a fabricação, venda e distribuição do Gatorade.

Cervejas pelo Mundo - Fonte: O Contador de Cervejas

Atualmente o portfólio de bebidas não-alcoólicas inclui também as marcas H2OH!, no mercado de águas com sabor, e Lipton Ice Tea, no mercado de chás gelados, também vendidas sob licença da PepsiCo. O contrato de franquia com a PepsiCo no Brasil vence em 2017, com renovações automáticas por prazos adicionais de dez anos. Adicionalmente, tem-se contratos de franquia com a Pepsi na Argentina, Bolívia, Uruguai, Peru e República Dominicana.

A expansão da companhia nas Américas começou em 1994, quando a Brahma deu início à sua presença internacional através de operações no segmento de cerveja na Argentina, Paraguai e Venezuela. Em 2003, após a formação da Ambev, a companhia acelerou sua expansão fora do Brasil através de uma transação com a Quinsa, estabelecendo uma presença de liderança nos mercados de cerveja da Argentina, Bolívia, Paraguai e Uruguai. Ainda em 2003 e também ao longo de 2004 a Ambev efetuou uma série de aquisições em mercados como América Central, Peru, Equador e República Dominicana. No ano seguinte, a Companhia passou também a operar no mercado de cervejas do Canadá através da incorporação de uma controladora indireta da Labatt. Por fim, em maio de 2012, a Ambev expandiu suas operações no Caribe através de uma aliança estratégica com a E. León Jimenes S.A..

Atualmente a Ambev tem operações em 18 países: Brasil, Canadá, Argentina, Bolívia, Chile, Paraguai, Uruguai, Colômbia, Guatemala, República Dominicana, Cuba, Equador, Peru, El Salvador, Nicarágua, Saint Vincent, Dominica e Antigua.

Fonte: Freunde Bier

Brasil

A Brahma era uma companhia controlada pelos senhores Jorge Paulo Lemann, Marcel Herrmann Telles e Carlos Alberto da Veiga Sicupira por meio de algumas companhias controladoras (o "Grupo Braco"), que detinham em conjunto uma participação votante de 55,1% na Brahma antes da operação Brahma-Antarctica. Já a Antarctica era controlada pela Fundação Zerrenner, que detinha 88,1% da participação votante na Antarctica antes de a operação Brahma-Antarctica acontecer.

A criação da Ambev consistiu em uma aliança da Brahma e da Antarctica e foi realizada no decorrer de 1999 e 2000. Como resultado da aliança, a Ambev tornou-se titular de 55,1% das ações com direito a voto da Brahma e de 88,1% das ações votantes da Antarctica, enquanto o Grupo Braco e a Fundação Zerrenner possuíam, respectivamente, 76% e 24% das ações votantes da Ambev. Subsequentemente, os acionistas minoritários da Antarctica (setembro de 1999) e da Brahma (setembro de 2000) trocaram suas ações da Antarctica e da Brahma por ações da Ambev, fazendo com que ambas as companhias se tornassem subsidiárias integrais da Ambev.

Em abril de 2000, a criação da Ambev foi aprovada pelo CADE sujeita a certas restrições, conforme descrito no termo de compromisso celebrado com a Ambev. O CADE não impôs restrições em relação aos refrigerantes ou outras bebidas produzidas pela Ambev. Em 2008 o CADE decidiu que todas as obrigações constantes desse termo de compromisso foram consideradas cumpridas.


América Latina Sul

Em janeiro de 2003, a Ambev realizou a aquisição de uma participação na Quinsa, controladora indireta da Cervecería y Maltería Quilmes, a maior cervejaria argentina, e na Quilmes International (Bermuda) Ltd. ("QIB"), subsidiária da Quinsa, controladora de todas as subsidiárias operacionais da Quinsa na Argentina, Bolívia, Paraguai e Uruguai. Durante 2003, a Ambev adquiriu ações da Classe B adicionais da Quinsa no mercado aberto, aumentando a participação econômica total da Companhia na Quinsa para 49,7% em 31 de dezembro de 2003.

Em abril de 2006, a Ambev concordou em adquirir as ações remanescentes da BAC (Beverages Associates Corp.) na Quinsa. Com a conclusão da operação, que ocorreu em 8 de agosto de 2006, a participação acionária da Ambev na Quinsa aumentou para aproximadamente 91% de seu capital social total.

Em 28 de dezembro de 2007, a Ambev lançou oferta voluntária para comprar as ações em circulação que não eram detidas pela Ambev ou suas subsidiárias e em 12 de fevereiro de 2008, quando a oferta voluntária de compra expirou, a participação da Ambev no capital votante da Quinsa aumentou para 99,56% e sua participação econômica aumentou para 99,26%. Durante o ano de 2008, a Ambev, por intermédio de sua subsidiária Dunvegan S.A., continuou a comprar ações Classe A e Classe B dos acionistas minoritários da Quinsa aumentando sua participação com direito de voto na QIB para aproximadamente 99,83% e sua participação econômica para aproximadamente 99,81%.

Em março de 2009, a Quinsa adquiriu da SAB Miller plc, 100% do capital social de Bebidas y Aguas Gaseosas Occidente S.R.L., tornando-se a engarrafadora exclusiva da Pepsi na Bolívia.

Em 20 de outubro de 2011, a Ambev, por meio de sua subsidiária Labatt Holdings A/S, sendo titular de mais de 95% das ações emitidas da QIB adquiriu a totalidade das ações detidas pelos acionistas minoritários remanescentes da QIB, em razão do que a Ambev, em 20 de outubro de 2011, aumentou sua participação societária na QIB para 100% das ações emitidas.

Em 17 de abril de 2015, a CRBS S.A., subsidiária integral da Companhia, fechou uma operação por meio da qual a Ambev S.A. passou a deter indiretamente 100% das ações das empresas colombianas BOGOTÁ BEER COMPANY SAS ("BBC") e CERVECERÍA BBC SAS ("Cerveceria BBC"), com uma fábrica de cervejas artesanais em Tocancipá e 27 pontos de venda de cerveja artesanal.


América Latina Norte

Em outubro de 2002, a Ambev e The Central America Bottling Corporation, engarrafadora âncora da PepsiCo na América Central, concordaram em estabelecer uma joint venture 50/50 - chamada de Ambev Centroamérica - para atuar, dentre outras coisas, na fabricação, importação, distribuição, comercialização e venda dos produtos da Ambev, especialmente cerveja, na Guatemala e em outros países da América Central e Caribe.

Em outubro de 2003, a Companhia concordou em adquirir, por meio de sua subsidiária Ambev Peru, alguns ativos de produção e distribuição da Embotelladora Rivera, inclusive duas fábricas engarrafadoras de refrigerantes. Entre os ativos adquiridos estavam a franquia dos produtos Pepsi em Lima e no norte do Peru. Em outubro de 2009, a Companhia por meio de sua subsidiária Monthiers S.A., aumentou sua participação na Ambev Perú de 85,62% para 100%.

Em dezembro de 2003, a Companhia adquiriu 80% da participação econômica da Cervecería Suramericana e alterou sua razão social para Compañía Cervecera Ambev Ecuador S.A. ("Ambev Ecuador"). Em 2007 adquirimos os 20% remanescentes.

Em fevereiro de 2004, a Ambev adquiriu 66% da participação na Embotelladora Dominicana, C. por A. (passando a se chamar Ambev Dominicana), engarrafadora da Pepsi na República Dominicana. A Ambev iniciou negócios no segmento de cerveja em 2005 após a construção de uma cervejaria. Em agosto de 2009, a Companhia, por meio de sua subsidiária Monthiers S.A., aumentou sua participação na Ambev Dominicana para 100%.

Em outubro de 2010, a Ambev realizou uma operação de combinação de empresas com Cervecería Regional a fim de criar um competidor mais forte e dinâmico na Venezuela, o segundo maior mercado de cerveja da América do Sul. Após essa operação, os acionistas controladores da Cervecería Regional detêm participação de 85% no empreendimento combinado e a Ambev detêm os 15% restantes. Com isso, a Ambev deixou de consolidar a participação nos resultados operacionais do investimento venezuelano.

Em maio de 2012, a Ambev e a E. León Jimenes S.A. concluíram a transação para formar uma aliança estratégica para criação da empresa de bebidas líder no Caribe. Como resultado, a Ambev Brasil Bebidas S.A., uma subsidiária de capital fechado da Ambev, detém uma participação indireta de 41,76% na Cervecería Nacional Dominicana S.A. ("CND"), e a Ambev começou a consolidar os resultados da CND. A Ambev também adquiriu uma participação de 9,3% na CND que pertencia à Heineken N.V. ("Heineken"). Os negócios combinados incluem operações de cerveja, de malta e de refrigerantes na República Dominicana, Antígua, São Vicente e Dominica, assim como exportações para 16 outros países no Caribe, para os Estados Unidos e para a Europa.

Em janeiro de 2014, adquiriu da ABI participação societária de 50% na Bucanero, sociedade cubana do segmento de produção e venda de cerveja. Os 50% remanescentes do capital social da Bucanero são detidos Governo de Cuba. Suas principais marcas são Bucanero e Cristal. Embora a produção da Bucanero seja principalmente vendida em Cuba, uma pequena parcela de sua produção é exportada para, e vendida por certos distribuidores em, outros países fora de Cuba (mas não os Estados Unidos). A Bucanero também importa e vende em Cuba uma pequena quantidade de cervejas fabricadas por algumas de nossas afiliadas não americanas que totalizaram menos do que cinco mil hectolitros em 2014.

Canadá e operações InBev-Ambev


Em agosto de 2004, a Ambev e a Interbrew (como era à época denominada), uma cervejaria belga, concluíram uma combinação de negócios que envolveu a incorporação de uma controladora indireta da Labatt, uma das cervejarias líderes do Canadá, na Ambev. Ao mesmo tempo, os acionistas controladores da Ambev concluíram a conferência de todas as ações de uma controladora indireta que detinha participação representativa de controle na Ambev para a Interbrew em troca de ações recém-emitidas da Interbrew. Após essa operação, a Interbrew alterou sua denominação social para InBev (e, desde 2008, para A-B InBev) e tornou-se a acionista majoritária da Ambev por meio de subsidiárias e controladoras.

As "operações InBev-Ambev" consistiram em duas operações negociadas simultaneamente: (i) na primeira operação, o Grupo Braco trocou suas ações na Ambev por ações na Interbrew S.A./N.V. ("Interbrew"); e (ii) na segunda operação, a Ambev emitiu ações para a Interbrew em troca de uma participação de 100% da Interbrew na Labatt.

Em março de 2004, várias entidades controladas pelo Grupo Braco celebraram um contrato com a Interbrew e várias entidades representando as participações das Famílias Fundadoras da Interbrew para trocar sua participação controladora na Ambev por ações com direito a voto recém-emitidas, representando 24,7% das ações com direito a voto da Interbrew.

Após o fechamento dessa operação em agosto de 2004, (i) o Grupo Braco recebeu aproximadamente 44% do capital com direito a voto da Stichting, que, em consequência, passou a deter aproximadamente 56% das ações ordinárias da Interbrew, e (ii) a Interbrew recebeu uma participação votante de aproximadamente 53% e uma participação econômica de 22% na Ambev.

Essa participação no capital votante estava sujeita ao Acordo de Acionistas pré-existente da Ambev, conforme alterado em relação às operações InBev-Ambev. Além disso, a Interbrew foi renomeada InBev.

De acordo com o Protocolo de Incorporação, a Labatt Brewing Canadá Holding Ltd. ("Mergeco") foi incorporada à Ambev por meio de uma incorporação nos termos da lei brasileira. A Mergeco detinha 99,9% do capital social da Labatt Holding ApS ("Labatt ApS"), uma companhia constituída de acordo com as leis da Dinamarca, e a Labatt ApS detinha a totalidade do capital social da Labatt. Após a conclusão da incorporação, a Ambev detinha 99,9% do capital social da Labatt ApS, e indiretamente, da Labatt. Em razão da aquisição da Labatt, a Ambev emitiu ações ordinárias e preferenciais para a Interbrew.

Com a conclusão desta operação em agosto de 2004, (i) a Labatt tornou-se uma subsidiária integral da Ambev, e (ii) a Interbrew aumentou sua participação na Ambev para aproximadamente 68% das ações ordinárias e 34% das ações preferenciais.

Com a conclusão das operações InBev-Ambev, 56% das ações votantes da InBev passaram a ser controladas pela Stichting, 1% passou ao controle das Fundações InBev, 17% passaram a ser controladas diretamente pelas entidades e pessoas físicas relacionadas às Famílias Fundadoras da Interbrew e os 26% remanescentes constituíram as ações no mercado.

O Grupo Braco passou a deter 44% das participações votantes da Stichting, ao passo que os 56% remanescentes passaram ao controle das Famílias Fundadoras da Interbrew. Além disso, o Grupo Braco e as entidades representando as participações das Famílias Fundadoras da Interbrew celebraram um acordo de acionistas ("Acordo de Acionistas da InBev") que prevê, dentre outras coisas, a influência conjunta e igualitária sobre o exercício dos direitos de voto da Stichting na InBev.

Com a conclusão das operações InBev-Ambev, a InBev passou a controlar aproximadamente 68% das ações votantes da Ambev, a Fundação Zerrenner passou a deter aproximadamente 16% dessas ações e o remanescente passou a ser detido pelo mercado.

De acordo com a Legislação Societária Brasileira, foi exigido que a empresa então denominada InBev realizasse, após a conclusão das operações InBev-Ambev, uma oferta pública obrigatória ("OPO") para a aquisição de todas as ações ordinárias remanescentes em circulação da Ambev. A OPO foi concluída em março de 2005, e a InBev (como era à época denominada) aumentou sua participação na Ambev para uma participação votante de aproximadamente 81% e uma participação econômica de 56%. A Fundação Zerrenner não ofertou suas ações da Ambev durante a Oferta Pública Obrigatória.

Composição Acionária


Os dois acionistas controladores diretos: a Interbrew International B.V., ou IIBV, e a AmBrew S.A., ou AmBrew, ambas subsidiárias da Anheuser-Busch InBev, ou AB InBev, juntamente com a Fundação Antonio e Helena Zerrenner Instituição Nacional de Beneficência, ou Fundação Zerrener, detém, respectivamente, 53,71%, 8,11% e 9,84% da totalidade do capital social votante (excluindo-se ações em tesouraria) em 05/05/2016.

A AB InBev é uma companhia aberta com sede em Leuven, Bélgica. É a cervejaria líder global e uma das cinco maiores companhias de bens de consumo do mundo.

A Fundação Zerrener tem como missão prestar prioritariamente assistência médica, hospitalar e educacional a empregados e dependentes de sua patrocinadora - inicialmente a Companhia Antarctica Paulista e, a partir de 1999, a Ambev e suas controladas com sede e operação no Brasil. A Fundação atua neste sentido desde setembro de 1936, com o apoio do patrimônio deixado pelo casal Helena Mathilde Ida Emma Zerrenner e João Carlos Antonio Frederico Zerrenner, este um dos fundadores da antiga Companhia Antarctica Paulista.

A AB InBev detém, indiretamente, ações da Ambev que representam 61,9% da totalidade do capital social votante (excluindo-se ações em tesouraria). Dessa forma, a AB InBev tem controle sobre a empresa, embora (1) a AB InBev ainda esteja sujeita ao acordo de acionistas da Ambev firmado entre a IIBV, a AmBrew e a Fundação Zerrener, datado de 16 de abril de 2013, ou o Acordo de Acionistas da Ambev e (2) a AB InBev seja controlada conjuntamente pelos Srs. Jorge Paulo Lemann, Marcel Herrmann Telles e Carlos Alberto da Veiga Sicupira, ou o Grupo Braco, e pelas famílias fundadoras que eram os ex-acionistas controladores da Interbrew N.V./S.A. (como a AB InBev era denominada à época), ou Famílias Fundadoras da Interbrew.


Operações

1999: Fusão Antarctica + Brahma
Fonte: Revista Gestão

A união da Antarctica com a Brahma ocorreu num momento em que o mercado brasileiro de cerveja começava a dar sinais de estagnação e o de refrigerantes apresentava um quadro de contínua perda de mercado das marcas líderes para as marcas independentes. O mercado de cerveja vivia ainda uma guerra entre empresas rivais, que eram obrigadas a fazer elevados investimentos em marketing para manter a participação de mercado. O cenário era, assim, desafiador: por um lado, sobreviver num mercado estagnado e recessivo, com tendência à redução do poder de compra e de consumo, aliada ao crescente poder de penetração de mercado das marcas independentes; por outro lado, defender-se de concorrentes estrangeiros e tentar competir no mercado internacional com marcas líderes mundiais já consolidadas no  mercado.

A união entre as duas empresas foi apresentada como uma fusão entre iguais para aumentar a  competitividade, ganhar escala para crescer e internacionalizar-se. Até a aprovação final em 30 de março de 2000 pelo SBDC foram várias as batalhas travadas contra concorrentes e 273 dias de esforços visando convencer os órgãos de análise, os consumidores e a opinião pública em geral sobre a importância estratégica da união das duas concorrentes para a economia brasileira, que deu origem à “primeira multinacional verde-amarela”, num discurso nacionalista


O CADE impôs restrições para diminuir a participação das marcas da empresa no mercado interno, consideradas maiores do que as esperadas, mas acatadas pela empresa. Dentre essas restrições, a de maior impacto foi a obrigação da Ambev de vender a marca de cerveja Bavária e cinco de suas fábricas, a fim de oferecer infra-estrutura operacional e logística à empresa compradora para que ela se fixasse no mercado, preservando assim um mínimo de concorrência no segmento cervejeiro. A empresa canadense Molson adquiriu a marca Bavária e mais tarde a Kaiser, aquisição na qual competiu com a Interbrew.

Pode-se dizer que foi uma aquisição da Antárctica pela Brahma, em razão da vulnerabilidade  econômico-financeira da primeira no momento da união, estruturada como uma fusão para evitar a tributação dos acionistas na negociação. Foi uma fusão doméstica, envolvendo duas empresas brasileiras, motivada por fatores estratégicos e operacionais, principalmente a busca por sinergias e o crescimento internacional.

2004: Fusão Interbrew + Ambev
Fonte: Exame


Depois de cinco meses de negociação, a complexa troca de ações e ativos entre a Ambev e a Interbrew resultou na compra da companhia brasileira. Anunciado em 3/3/2004 com conferências em Bruxelas e em São Paulo, o acordo tornou o grupo belga acionista majoritário da cervejaria brasileira, com 71% do capital votante e 51,6% do capital total. Apesar de majoritária, a Interbrew concordou em manter a gestão compartilhada da Ambev até 2019, prazo que poderá ser renovado. A operação não criou nenhuma nova empresa: tanto Ambev quanto Interbrew continuam operando independentemente.

O controladores da Ambev saíram da sociedade ao venderem para a Interbrew a Braco S/A, empresa que detinha 52,8% do capital votante da cervejaria brasileira. Em troca, os donos da Braco receberam 24,64% do capital da Interbrew e o direito de participar das decisões do grupo europeu com 50% dos votos do conselho de administração. Isso significou que a fatia brasileira das ações da cervejaria belga não ficou nas mãos da Ambev mas sim de seus ex-controladores.

Em troca do repasse do capital para os belgas, a Ambev recebeu ativos do grupo Interbrew: a cervejaria canadense Labatt, participações na Femsa Cerveza S/A, do México, e na Labatt USA, nos Estados Unidos.

2008: Fusão InBev + Anheuser-Busch
Fonte: G1

A InBev comprou a rival americana Anheuser-Busch, dona da marca Budweiser, por US$ 52 bilhões. Com a aquisição, a empresa se tornou-se líder mundial na indústria cervejeira e uma das cinco maiores empresas de produtos de consumo do mundo. O anúncio da compra foi feito em 14/07/2008. Depois de resistir à ofensiva da InBev durante um mês e recusar uma oferta de US$ 46 bilhões, o conselho de administração da Anheuser-Busch aceitou a oferta de cerca de US$ 70 por ação.

A operação enfrentou uma forte resistência dentro dos EUA, onde a Budweiser é vista como um produto tipicamente nacional. Os políticos locais não foram exceção. Na época, o governador de Missouri, Matthew Blunt, afirmou estar "muito preocupado" e pediu que as autoridades antitruste dos EUA entrem em ação. O próprio, Barack Obama, candidato democrata à Presidência na ocasião, chegou a declarar que seria "uma vergonha se estrangeiros se tornarem donos da Bud".


No entanto, não foi a primeira vez que uma grande cervejaria americana foi arrebatadas por estrangeiros. Em 1999, a Miller foi comparada pelos sul-africanos da SAB, e em 2005 a empresa canadense Molson adquiriu a Adolph Coors.

A fusão criou uma nova empresa: “Anheuser-Busch InBev” com marcas como Stella Artois, Beck´s e Budweiser. Antes da fusão, o grupo InBev era a segunda maior cervejaria do mundo em volume de vendas, e perdia apenas para a britânica SABMiller. Já a americana Anheuser-Busch era a terceira maior cervejaria do mundo e líder nos Estados Unidos, onde monopoliza 48,5% do mercado com marcas populares como a Budweiser e a Bud Light, entre outras.

2015: Fusão AB InBev + SABMiller
Fonte: Estadão

Em Novembro de 2015 a Anheuser-Busch InBev anunciou o fechamento de um acordo para a compra da SABMiller por US$ 105,5 bilhões. Uma transação que criará uma gigante no setor de bebidas no mundo já que a AB InBev é hoje a número 1 do mundo e a SABMiller a número 2. Com esta união o grupo passará a controlar 30% do mercado mundial com um faturamento estimado em mais de US$ 60 bilhões por ano.

Como parte do acordo, a SABMiller irá vender sua participação de 58% na joint venture MillerCoors ao parceiro Molson Coors Brewing que detém outros 42%. A empresa também venderá o negócio internacional da Miller. Como resultado, a Molson passará a ser a segunda maior cervejaria nos E.U.A. com 25% do mercado contra 45% da AB InBev. Esta venda é necessária para a AB InBev receber aprovação regulatória nos E.U.A.

A AB InBev e a SABMiller são complementares mundialmente. Somente na China e nos E.U.A poderá haver sobreposição de negócios. Veja o mapa de atuação das duas empesas...

Fonte: Aletp

6 comentários:

  1. Acompanho seu blog e quero dar parabéns pelos post's, principalmente pelos últimos onde destrincha as empresas.
    Sobre a empresa, Ambev é uma empresa que compro e quero continuar comprando pelo resto da vida. Do tipo que compro independente do preço da ação.
    Gosto da gestão, administração, forma de pensar, controle de custos, enfim, nota 10.
    Espero não me decepcionar no futuro.

    Você tem ITUB? O que acha dela? Estou comprando mensalmente e é outra empresa nível Ambev ao meu ver.
    Hoje fiquei sabendo que na cidade onde moro uma das agencias estava dando prejuízo. Já mandaram fechar.

    Att,
    Giovanni

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    1. Olá Giovani, obrigado!
      Realmente é uma empresa que tem dado bons resultados aos investidores nos últimos anos, a performance caiu um pouco nos últimos trimestres mas continua sendo uma boa empresa.

      Tenho Itaú sim, é o melhor banco. Sempre bom ter um banco na carteira. Vamos ver como serão os próximos resultados.

      Abraço!

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  2. Parabéns pelo excelente trabalho!

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