segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

Conhecer a História do Queen? Não Veja Bohemian Rhapsody!

Finalmente fui ao cinema ver Bohemian Rhapsody. É impressionante a bilheteria que este filme está tendo nos cinemas brasileiros. Em época de Anita e Pablo Vitar, pensei que ninguém mais se lembrava mais de bandas como esta. O filme está em cartaz há semanas e ainda continua atraindo público, é difícil ver isto acontecer no Brasil. Noto o interesse pelo filme principalmente no meu site Web Informado, pois fiz um post sobre o filme alguns meses atrás e a média de acessos tem sido em torno de 1.500 page views diários desde que estreou nos cinemas.


Mas confesso que não estava muito interessado no filme, por isto demorei tanto tempo para ir. Algo me dizia que este filme me traria alguma decepção, que de fato ocorreu. Para quem é fã do Queen e principalmente para o fã brasileiro, o filme soou quase como um sacrilégio. Freddie Mercury deve ter se contorcido na sepultura. O mais intrigante é que Brian May e Roger Taylor participaram ativamente do filme, chegando ao ponto de pedirem para demitir o primeiro diretor, e mesmo assim deixaram passar erros grotescos de cronologia da banda.

Mas tudo bem, o cinema tem licença poética não é mesmo? Sendo assim, se você não viu o filme ainda, não espere conhecer a história do Queen neste filme, há muitos documentários melhores por aí. O erro que mais me chamou atenção foi o fato do show do Rock in Rio se passar nos anos 70 no filme, sendo que na realidade o show foi em 85. É engraçado ver o Freddie relatando para sua namorada como a multidão cantou a música Love of My Life, e este relato no filme ocorre quando Freddie estava sem bigode, e se você for ver o show real verá o Freddie cantando com seu famoso bigodão.


Se você fizer uma pesquisa na internet verá diversos sites relatando os erros do filme, mas um erro em particular você não verá nestes sites, acho que só eu notei este erro, ou talvez tenha me enganado. Talvez um fã do Queen que more no Rio poderá me confirmar esta observação. Este erro ocorre quando é apresentada uma cena onde Freddie Mercury está hospedado no Rio, logo após o show do Rock in Rio. Nesta cena, ele está em um quarto de hotel, acompanhado de dois "amigos", e aparece na janela do quarto a imagem de uma praia. A praia mostrada neste filme é a de Ipanema, pois aparece ao fundo o morro Dois Irmãos. Não encontrei esta cena do filme na internet para mostrar aqui mas a visão é como esta da imagem abaixo:


Visão da praia de Ipanema

Contudo, todos nós sabemos que o Freddie se hospedou no Copacabana Palace, ou seja, além de terem adiantado o show do Rio em pelo menos uns 7 anos, também mudaram a praia onde o cantor se hospedou.


Visão da praia de Copacabana a partir do Copacabana Palace

Mas detalhes são detalhes, apesar destes erros, valeu o preço do ingresso só pela última cena do filme que reproduz com riqueza de detalhes o show Live Aid. Este é de fato o ponto alto do filme, confesso que escorreu uma lágrima vendo esta cena. Rami Malek chegou bem perto do Freddie, seria exigir muito do ator uma performance mais real. Outro Freddie Mercury nunca existirá. Difícil comparar com a encarnação de Ray Charles pelo ator Jamie Foxx, este sim um dos melhores filmes biográficos que já vi até hoje.


Freddie Mercury no Copacabana Palace 

Para finalizar, relembre a antológica entrevista que Freddie Mercury concedeu a Gloria Maria. Uma verdadeira aula histórica de como não entrevistar uma lenda do rock. 

13 comentários:

  1. essa reportagem da gloria maria .. uhauhahuahu PQP !!!

    quanta vergonha alheia ...

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  2. Gostei da parte onde mostra eles montando a Bohemian Rhapsody! O filme em si tem muitos furos como bem notou, mas mesmo assim, gostei MUITO.

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    1. Acho que vale a pena assistir sim, apesar dos pesares, rs

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  3. até onde eu sei, o Queen fez 2 shows no Rio. Em 81 e em 85.
    Eu tenho o show de 85 no RIR, e ele diz no show, na hora que vai cantar love of my life, que a música que cantarão a seguir, é uma música muito importante pra eles na América Latina, em especial, porque viram que foi no Brasil que essa música mais fez sucesso em terras sulamericanas. O que pra mim, casa com o show de 81.

    Sobre a praia, vc está certo. Mostrou a de ipanema.
    Mas é tão do lado uma da outra, literalmente, que não vale se desgastar. Acredito que foi mais para poder mostrar que estava no Rio. Na praia de copacabana, dentro do proprio copacabana palace, nao tem como identificar que é o Rio, olhando apenas o mar, diferente de ipanema, onde todos sabemos que o 2 irmãos é banhado pela praia de ipa.

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    1. Verdade, o pessoal do cinema faz estas mudanças para deixar o filme mais poético, rs. Não adianta estressar. Sobre os shows, em 81 estiveram só em SP...

      "O livro “A Verdadeira História do Queen - Os bastidores e os segredos de uma das maiores bandas de todos os tempos” (Ed. Seoman - R$58), de Mark Blake, lançado no Brasil neste ano, revela que o grupo via o continente como um lugar exótico ou uma verdadeira selva.

      O autor conta que a banda enfrentou diversas dificuldades tanto na Argentina como no Brasil, com promotores locais incapazes de bancar o alto cachê, além de policiais corruptos que exigiam suborno para tudo.

      No Brasil, o Queen fez show só no Estádio do Morumbi, mas tentou várias vezes conseguir autorização para tocar no Maracanã. Todas as tentativas foram negadas pelo governador Chagas Freitas. Para tentar convencê-lo, a banda ofereceu em troca doações em dinheiro para obras de caridades da primeira-dama do estado. O governador, no entanto, declarou que o estádio só poderia receber “eventos de relevância desportiva, religiosa ou cultural” (como a visita do Papa e o show do Sinatra, ambos em 80.

      A turnê começou pela Argentina. Freddie Mercury queria reproduzir no continente o mesmo show que fazia na Europa e nos Estados Unidos com as 100 toneladas de equipamentos. Para isso, a banda abriu um escritório em Buenos Aires que ficou responsável por negociar as apresentações na América Latina. Em uma declaração publicada no livro, o fotógrafo da banda, Peter Hince, disse que “as coisas se desenrolaram da maneira costumeira. Você paga a alguém e eles deixam você entrar. Todas as transações eram feitas em dólares norte-americanos, e o escritório do Queen providenciava para estes circulasse em quantidade suficiente”.

      Quando finalmente os músicos chegaram na Argentina, eles foram alertados para não usarem drogas. Disseram para a banda: “Bem, isto aqui não é um paraíso para os usuários de drogas. As leis, aqui, são muito severas; e, por favor, não se esqueçam de que este é um país católico”.

      De acordo com o livro, o Queen ainda tinha apresentações marcadas em Córdoba e Belo Horizonte, mas que foram desmarcadas por “qualquer motivo”. Na ocasião, a Argentina passava por um período de reorganização política após os duros anos da ditadura militar. Por conta disso, pediram para a banda não tocar “Don’t Cry For Me Argentina”. “Havia uma preocupação de que, com uma plateia tão vasta, o evento pudesse assumir um caráter político”, disse Mercury.

      Finalmente a vez do Brasil chegou e a banda tinha que transportar as 100 toneladas de equipamento por terra da Argentina até São Paulo “atravessando selvas”. “Ao chegarem à fronteira brasileira, os homens se depararam com oficiais alfandegários que pareciam estar determinados a examinar cada peça do equipamento. De algum modo, um acordo foi estabelecido - presumivelmente envolvendo certa quantidade de dólares norte-americanos”, diz o autor.

      No Morumbi, a iluminação pifou e foi preciso alugar novos spots. Eles perceberam que os spots alugados eram da banda Earth, Wind and Fire porque havia neles pinturas com o logo da banda. “Depois descobriu-se que se tratava de equipamento confiscado à banda homônima na turnê do ano anterior”, revela o autor.

      Para também não terem os equipamentos confiscados, os produtores do Queen agiram logo que os shows acabaram. Uma equipe transportou as 100 toneladas direto para o aeroporto e um dos integrantes do staff da banda passou 18 horas montando guarda até que tudo pudesse ser embarcado em uma avião de carga para os Estados Unidos, com escala em Porto Rico.

      Embora, de acordo com o relato do livro a turnê tenha sido um caos, o Queen ficou satisfeito com o resultado. Ao todo, o grupo lucrou US$3,5 milhões de dólares com a turnê pela América Latina. Em 1985 eles voltariam ao Brasil para o primeiro Rock in Rio e o resto é história. "

      Fonte: https://musica.uol.com.br/noticias/redacao/2015/10/12/primeira-turne-do-queen-no-brasil-teve-suborno-e-esquadrao-da-morte.htm

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  4. Filme é filme, não é pra ser fidedigno, é para entreter. De qq maneira esse filme é um dos melhores que já assisti.

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    1. Bem montado, mas vai convencer mais àqueles que não eram fãs ardorosos das banda. Que é a maioria do publico.

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  5. Mano, estou rachando de rir com a reportagem da Gloria Maria, nunca tinha visto, QUE PÉROLA!!! kkkk
    Ainda não tive a oportunidade, mas verei o filme!
    Grande abraço e parabéns pelo post, Uó!!
    www.acumuladorcompulsivo.com

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    1. Mesmo assim se transformou numa das repórteres mais famosas da emissora, rs Recentemente ela falou sobre a entrevista...
      https://www.huffpostbrasil.com/2018/11/05/gloria-maria-relembra-entrevista-e-gafe-com-freedie-mercury-em-1985_a_23580711/

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  6. Também senti vergonha alheia com a entrevista...kkkk Mas, apesar de o filme ter esses erros temporais (normal no mundo cinematográfico, mesmo que incomode quem conhece bem a história), o lado bom é o resgate dessa super banda, das suas músicas fantásticas para que as gerações atuais possam conhecer música de qualidade, além da personalidade excêntrica do grande Freddie Mercury! Valeu pelo texto, Uó! Abraços, Família Sou Poupador.

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    1. Fala Poupador!
      Seus comentários são sempre muito sensatos.
      Grande abraço!

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