quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Tags:

TD: Emprestando Dinheiro ao Governo...

Edição em 25/01/2014: A estratégia descrita neste post foi abandonada. As compras de tesouro direto (títulos do governo) agora são executadas apenas nos momentos de altas taxas de juros praticadas pelo governo, e não mais periodicamente mês a mês. O objetivo é maximizar o retorno deste investimento, uma vez que podemos constatar no histórico de preços dos títulos que os períodos de taxas altas são mais curtos se comparados com os períodos de taxas baixas.

Suponhamos que tenho hoje 30.000,00 em poupança e coloque mensalmente lá 1.000,00. Quanto terei no início de 2035 quando estiver com 60 anos já pensando em aposentadoria? Faça suas contas. Aqui na minha planilha encontrei o valor de 692.200,00 considerando uma valorização mensal média da poupança de 0,51%.

Suponhamos agora que em vez de colocar 1.000,00 fixos todo mês eu resolva reajustar este valor mensalmente de acordo com a inflação mensal. Vamos ser um pouco pessimistas, para não falar realistas, e colocar uma inflação ao mês de 0,66%. Desta forma meu próximo aporte já seria 1.006,60 e estaria aportando no início de 2035 o valor de 5.829,83. Neste período meu valor acumulado estaria em 1.410.672,00.

Para fechar a conta vamos supor que eu pegue os 30.000,00 da poupança e compre hoje NTNBs para 2035. E à partir do próximo mês continue realizando as compras sempre reajustando os 1.000,00 iniciais de acordo com a inflação mensal. Quanto terei no fim do período? Bom, vou fazer uma conta um pouco diferente: já que deixando o dinheiro na poupança eu teria 1.410.672,00 espero então que comprando títulos do governo eu tenha uma valor superior a isto. Poderia ser algo entre 1.600.000 e 1.800.000 mas vou arredondar para  2.000.000,00 que é um valor bem razoável para uma aposentadoria tranquila. A planilha então fica assim:


Bom, esta planilha me fornece um dado muito importante que é o seguinte: para ir dos 30.000,00 atuais até 2.000.000,00 em 2035 eu precisarei de um ajuste mensal de 1,2% (diferença de um mês em relação ao anterior). Este valor de ajuste contemplaria então de 3 variáveis:

1 - o rendimento dos títulos já comprados
2 - o reajuste do aporte em função da inflação
3 - um valor adicional de aporte naquele mês (já considerando que diminuirei progressivamente os aportes em ações e FIIs alocando mais dinheiro em TD)

Dito isto agora posso descrever minha 'estratégia' em TDs: No início de cada mês apuro o valor atual dos títulos já comprados. Em seguida apuro a diferença deste valor atual em relação ao valor de fechamento do mês dado pela planilha de projeção. A diferença encontrada é então o valor que deverei aportar na corretora (tenho uma corretora exclusiva para investimento em TDs), realizo a compra da quantidade possível e a sobra fica na conta corrente da corretora como crédito para a próxima compra mensal.

Conforme bem já escreveu nosso amigo AdP em Informações sobre o Tesouro Direto, são muitas as estratégias possíveis em TD. Eu escolhi a mais simples possível, desejo com esta modalidade apenas me 'proteger' da inflação e por isto escolhi o NTNB Principal para 2035, tenho até um pouco de NTNB Principal para 2019 mas este se constitui de uma parcela da minha reserva de emergência, por isto o prazo menor. Tem gente que prefere escolher os títulos de acordo com a política de juros vigente, balanceando entre eles no momento da compra como pode ser visto aqui e aqui, mas assim a complexidade das análise já aumenta consideravelmente.

Para completar o assunto, sugiro uma lida no post da economista Monica Baumgarten de Bolle sobre o controle inflacionário do governo. Quando se trata de investimentos de longo prazo com títulos atrelados à inflação, sempre é bom ficar à par do que está por trás dos mecanismos de controle por parte do governo.
Continue lendo