sexta-feira, 25 de outubro de 2019

Como Aumentar o Salário?

Você está satisfeito com seu salário? Não precisa responder, já sei que você não está satisfeito com seu salário. Mas ninguém está mesmo, nada de errado, ninguém deve estar satisfeito com seu salário, você deve querer mais, sempre mais. Mas como aumentar o meu salário? A pergunta não deveria ser esta, deveria ser algo do tipo: "Como ter uma renda ativa além do meu salário?", "Como não precisar do meu salário?", "Como conseguir monetizar ao máximo minha força de trabalho?"


Apenas para fazer um preâmbulo a este post, tenho que mostrar a diferença entre satisfação e gratidão. Iniciei o artigo dizendo que você não deve estar satisfeito com o seu salário, mas deve estar grato pelo seu salário. Satisfação e gratidão são coisas diferentes. A gratidão é um sentimento poderoso e você deve praticar isto. As vidas das pessoas costumam ser medíocres por pura falta de gratidão. Você deve ser grato a tudo: a você mesmo, às pessoas, à natureza, à vida como um todo.

A cada dia você deve olhar para trás e agradecer o que conquistou e o que ganhou. Deve olhar para o lado e fazer a mesma coisa. A gratidão é um sentimento genuíno, fundamental, engrandecedor. Portanto, seja grato sempre!

Mas voltando ao tema do salário, você já parou para pensar a respeito do seu "valuation"? Sei que já parou para analisar o valuation das empresas da qual você é sócio, mas empresas nada mais são que pessoas trabalhando. No fundo você está calculando o valuation de um grupo de pessoas que executam certas atividades. Mas qual o seu valuation? Até quanto de $$$ você pode chegar?

Sei que este conceito agora é novo para você, então pare para pensar por um momento, reflita.

(pausa para pensar)

Bom, eu já refleti sobre isto. Cheguei à conclusão de que meu valuation é 10 mil dólares mensais. Claro, estou chutando um valor, redondo, mas na real não vai fugir muito disto não. Então, se eu explorar minhas potencialidades ao máximo, sem com isto me abdicar do meu "life style", poderia chegar a um "salário" de 10 mil dólares mensais.

E porque não recebo isto hoje? O que me trava? Quais as dificuldades?

Primeiro precisamos considerar que o ser humano é ineficiente por natureza, por mais que tenha potencialidades, nunca conseguirá explorá-las ao máximo. Existem por aí cursos de "alta performance" mas desconfie, somos seres muito preguiçosos, que tendem naturalmente a ir para a zona de conforto.

Mas tenho que me contentar com minha situação atual então? Não. Não tem, você precisa se esforçar.

Voltando ao meu caso, vou me usar como exemplo. Acredito que poderia sim chegar nos 10 mil dólares, não estou muito longe disto. Não tenho salário, nunca tive, mas tenho renda ativa. Somando tudo dá algo em torno de 6 mil dólares mensais. Estou falando na média, porque tem mês que recebo 4 mil, outros 8 mil, e vai variando.

Porque estou dolarizando meu salário? Recebo em dólares? Apenas parte dos meus rendimentos é dolarizada, algo em torno de 35%. Mas como este é um post que ficará para a história e alguém poderá ler isto daqui algumas décadas, então ficará menos distorcido em termos de correção monetária. E eu gosto de pensar em dólares. Por enquanto é uma moeda forte, rs.

Por que limitei meu valuation em 10 mil dólares? Não poderia ser 60, 80, 100? Poder até que poderia, mas para isto teria que abdicar do meu estilo de vida atual. Estou aqui de short e sem camisa escrevendo este post em uma manhã de sexta feira. Acredito que para receber mais do que 10 mil teria que esta no mínimo vestido de calça e camisa social e enfurnado em uma sala de reunião neste momento. Teria que ter funcionários trabalhando para mim. Teria que ter preocupações com causas trabalhistas. Preocupações com o custo Brasil. Viagens a trabalho desgastantes e enfadonhas. etc.

Estou em uma fase que quero ver meu filho crescer. Não quero perder estes momentos únicos. Só tenho um filho e é o único que terei, não há dinheiro que compre isto.

Tenho um custo de vida relativamente baixo. Graças a um estilo de vida frugal meus gastos médios giram em torno de 2 mil dólares. Com este valor dá para ter uma vida digna, sem maiores luxos, mas confortável. Então, considerando a minha renda de 6 mil dólares que ainda se soma à renda da minha esposa que é funcionária pública, tenho uma vida pra lá de confortável. Mas isto não me satisfaz, vou me esforçar para chegar aos 10 mil, ainda tenho potencialidades não exploradas que posso aproveitar. Além disto posso ser mais eficiente, gastando menos tempo com redes sociais por exemplo.

Vou ficando por aqui. Depois me conte na área de comentários qual é seu valuation. Daqui uns 4 anos vou revisitar este post, para saber o que aconteceu comigo e com você.

Bom fds!

quarta-feira, 16 de outubro de 2019

3Fs: Family, Friends and Fools

No mundo do empreendedorismo e das startups existe um conceito muito difundido: 3 F’s - Family, Friends and Fools...


Family, Friends and Fools é uma expressão muito utilizada no âmbito do empreendedorismo e das startups e representa o conjunto de pessoas a quem o empreendedor pode recorrer em primeiro lugar para obter recursos quando pretende desenvolver uma ideia de negócio. Geralmente são pessoas com quem se têm laços familiares e/ou de amizade e que acreditam no potencial da sua ideia de negócio.

O motivo pelo qual os tolos (fools) estarem neste grupo está relacionado ao risco associado a empréstimos ou investimentos em um negócio ainda incipiente. Geralmente, esses indivíduos não são investidores sofisticados, ao contrário, investem de maneira tola ou extravagante.

O dinheiro proveniente do grupo 3F é comumente chamado de "love money". Em contrapartida, o dinheiro proveniente de investidores profissionais é chamado de "smart money". O dinheiro do amor (love money) é recebido principalmente das pessoas no ambiente de fundadores, como amigos e familiares, enquanto o dinheiro inteligente (smart money) está um passo adiante e fornece, além do dinheiro, conhecimento e know-how importante.

Os investidores de smart money geralmente são pessoas de negócios sofisticadas, que trazem uma compreensão dos mercados financeiros, redes fortes e uma intuição para identificar tendências antes de outras pessoas. Em contrapartida, as vantagens do dinheiro do love money são óbvias: boas taxas, padrões de crédito brandos e a chance de investidores FFFs participarem do sucesso do empreendedor iniciante.

No entanto, existem algumas desvantagens notáveis no love money que também devem ser consideradas. Primeiramente, as relações podem sofrer. A conexão pessoal pode levar os investidores amorosos a ignorar a incerteza de um empreendimento comercial de alto risco. As expectativas em relação ao reembolso, por exemplo, podem ser muito altas, o que leva à decepção, se o amigo ou membro da família não tiver sido claro sobre os possíveis riscos.

Outro problema pode ser a falta de documentação. Se um acordo não for muito claro e não for devidamente documentado, poderá causar problemas mais tarde. Além disso, se os termos e condições estiverem documentados, outro obstáculo em potencial pode estar deixando de segui-los. A melhor papelada é inútil, se você não se importa com a supervisão.

3Fs no Dia-a-Dia


Podemos extrapolar este conceito dos 3Fs e levá-lo para o dia-a-dia das pessoas comuns. Se você é um leitor deste blog, trabalhador, poupador, estudioso, planejador e investidor consciente provavelmente tem hoje uma vida financeira equilibrada e livre de grandes riscos.

A realidade nua e cura é que você faz parte de um percentual muito pequeno da população do nosso país. Isto é, a maior parte das pessoas em sua volta são "Family and Friends" em risco financeiro eminente. E neste contexto fatalmente você terá que entrar com algum recurso para socorrer alguém deste grupo.

Então onde fica o Fool neste história? Ao acordar de manhã e for lavar o rosto no banheiro você estará olhando para ele. Este é o ônus das pessoas financeiramente equilibradas. Vez ou outra deverá encarnar o papel do Fool para socorrer algum Family or Friend em situação financeira caótica.

quarta-feira, 9 de outubro de 2019

Você é Um Acumulador Compulsivo? Conheça a História da Bernadeth!

No meu último post, o colega Calvin que escreve no Blog do Calvin deixou o seguinte comentário...


Fico feliz de escrever algo que toca uma determinada pessoa em um determinado momento da sua vida. Muitas vezes a pessoa está angustiada com alguma situação mas na verdade está apenas precisando ouvir algo para que as coisas passem a fazer sentido.

Esta questão do aporte, da acumulação, é algo que aflige quem está em busca da liberdade financeira no futuro próximo. Mas temos que ter em mente que nem sempre será possível aportar o que queremos. E qual o problema disto? Nenhum.

Eu mesmo já fiquei, em alguns momentos da minha vida, meses e meses sem aportar nenhum tostão nas corretoras. Nem por isto deixei de viver. O importante é termos a consciência de entender que a vida é composta de momentos diferentes e, se não estamos ganhando dinheiro, com certeza estaremos ganhando experiência de vida. Afinal, dinheiro é apenas um papel pintado, experiência de vida vale muito mais do que isto.

Mas sim, precisamos acumular. A dúvida que surge é: em qual medida? 10%? 20%? 60% dos rendimentos? Não há resposta, aporte o que der, o que sobrar. Não pode é cair na cilada da acumulação compulsiva, despropositada, patológica.

Me lembrei agora de um caso curioso, que foi mostrado em uma reportagem do Fantástico. Transcreverei abaixo parte da reportagem:

Imagine uma pessoa guardar objetos de todos os tipos dentro de casa. Mas de todo tipo mesmo, milhares de coisas empilhadas até o teto. E, no meio dessa confusão, dólares e barras de ouro.

Uma funcionária pública aposentada do Rio Grande do Sul fazia exatamente isso: escondia um tesouro no meio de uma bagunça gigantesca. Mas, enquanto ela estava viva, ninguém sabia. A verdade só surgiu depois que a mulher morreu. Uma morte misteriosa, que intriga a família e os amigos.

Bernadeth se formou em medicina veterinária. Passou em um concurso público e se tornou fiscal do ministério da Agricultura. Foram 24 anos de carreira, até se aposentar. Bernadeth era solteira, não tinha filhos e escondia um grande segredo. “Ninguém tinha acesso à casa dela. Ela não abria a porta para ninguém”, diz a amiga de Bernadeth

A aposentada tinha um transtorno psiquiátrico: era uma acumuladora compulsiva de objetos.

Os três quartos do apartamento estão cheios de roupas, malas, cobertores, sacolas e outros objetos. Mas o mais impressionante é o banheiro. O box está lotado. Não é possível nem entrar para tomar banho. “A pessoa perde a noção de higiene, não se alimenta adequadamente. Isso vai em uma bola de neve até que você se isola do mundo”, afirma Patrícia Picon.

Amigos e parentes dizem que Bernadeth não fazia nenhum tipo de tratamento médico. “Ela juntava coisas na rua, no lixo. Mas ela sempre dizia que era para doar para alguém”, conta a vizinha que não quis ser identificada.

A vida secreta da aposentada só foi descoberta depois que ela morreu, em julho de 2012, aos 67 anos. A Dona Bernadeth dormia em um quarto, que tem uma coleção de jarros, copos, pilhas de papéis, livros, dezenas de almofadas de todos os tipos e tamanhos. É difícil até de caminhar dentro. E ela foi encontrada morta no quarto ao lado, embaixo de uma pilha de roupas que, segundo a perícia, chegava a quase dois metros de altura.

As roupas cobriam o corpo dela. Os laudos da polícia gaúcha apontaram que o apartamento não foi arrombado, que a aposentada estava morta havia de três a cinco dias e que o corpo não apresentava sinais de violência.

No apartamento, no meio de toda essa bagunça, a aposentada guardava mais de três quilos de ouro e 37 mil dólares, que equivalem a cerca de R$ 115 mil. Uma fortuna que estava dentro de potes de café. Somando isso tudo e mais imóveis e aplicações financeiras, Dona Bernadeth tinha um patrimônio estimado em R$ 2 milhões. 


Então amigo, cuidado para não se tornar uma Bernadeth. Acumular é importante mas deve ser o meio e não o objetivo. Sei que é difícil encontrar um equilíbrio entre o gasto e a acumulação. Mas encontrei um jeito simples: eu alterno meu pensamento de tempos em tempos. Hora faço coisas como se eu fosse morrer amanhã, hora me comporto como se fosse morrer com 100 anos de idade, assim consigo abranger os dois espectros comportamentais, do carpe diem ao frugal life style (risos).