domingo, 31 de agosto de 2014

O IBOV, as Crises, os Presidentes e seus Ministros...

Uma análise gráfica e ilustrada da história recente do IBOV...


e seus protagonistas...







Bom domingo a todos!

Fonte: Enfoque

sábado, 30 de agosto de 2014

A Bolsa Subiu, E Agora?

Olá colegas investidores!

Fim do mês e todo mundo aí rindo de orelha a orelha. Em plena temporada de recessão técnica, a bolsa brasileira dar o ar da graça. Este mercado é mesmo bipolar.

Tenho percebido que alguns colegas iniciaram um movimento de venda de ativos, julgando que esta alta é meramente especulativa. Será?

Vejo também os colegas holders legítimos comprando ações como se nada estivesse acontecendo, para eles quanto mais "caro" melhor. Será?

E você leitor, está comprando, vendendo ou só observando?


Segundo reportagem recente em um veículo de mída especializada em mercado, os fundos de ações estão segurando cada vez mais dinheiro em caixa.

A matéria mostrou que os fundos de ações tinham 18,34% do patrimônio líquido em caixa em junho contra 12,55% no mesmo mês do ano passado.

Em janeiro deste ano os fundos possuíam 10,49% em caixa e 8,8% em novembro de 2012 (minimo da série histórica). Durante todo o ano de 2012 foi mantido em caixa algo entre 10% e 12%.

Um gestor de fundo que não quis ser identificado relatou que estão segurando dinheiro em caixa em função do momento conturbado e o nível deste caixa é o maior da história do fundo.

A rentenção de caixa é maior nos fundos long biased. Em junho foi verificado um caixa de 73% contra 66% no mês anterior. Em dezembro último o caixa era de 29%.

Meu caixa hoje está em 17% (7% em conta corrente e 10% em LCI de curto prazo) mas estou vendo poucas oportunidades de compra.

Realizei hoje um levantamento gráfico das 14 ações que pretendo comprar daqui em diante, a grande maioria está bem "esticada" como pode ser visto nos gráficos abaixo. Baseado nas médias móveis de longo prazo, defini para mim os próximos pontos de entra (seta amarela). Vamos então aguardar as cenas dos próximos capítulos.















Bom fim de semana!

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Aranha, O Homem é o Lobo do Homem...

Consulta rápida ao Wikipédia: Homo homini lupus é uma sentença latina que significa: o homem é o lobo do homem. Foi criada por Plauto (254-184) em sua obra Asinaria. Bem mais tarde foi popularizada por Thomas Hobbes, filósofo inglês do século XVIII.

A expressão “o homem é o lobo do homem” pode ter os mais diversos significados. Atrevo-me a dizer que o homem, no alto da sua “superioridade”, por motivos histórico-sociais, acaba por denegrir, ridicularizar, humilhar e tentar diminuir um indivíduo da própria raça.

Após a vitória do Santos diante do Grêmio na quinta-feira última, na Arena Grêmio, em duelo válido pelas oitavas de final da Copa do Brasil, o goleiro Aranha deixou o gramado acusando a torcida gaúcha de racismo. Segundo o jogador, torcedores do Grêmio xingaram de “preto fedido”.

As câmeras de televisão da ESPN Brasil registraram o momento em que os torcedores imitam macaco em coro das arquibancadas para provocar o jogador. O mais curioso é que pelas imagens da TV podemos ver, no grupo de torcedores, várias pessoas negras se manifestando. Além disso, as imagens mostram uma torcedora xingando o goleiro de macaco.


Horas depois, como não podia deixar de ser, a garota foi bombardeada nas mídias sociais com frases do tipo: "é uma vaca", "é uma branquela horrorosa", "é uma desgraçada" bla, bla, bla... e também os próprios gremistas foram vítimas de insultos como: "os homens do sul não gostam de aranha" e bla bla bla. Ou seja, insultos gerando insultos, discriminação racial gerando homofobia, uma verdadeira guerra entre pessoas.

Fatos Recentes

Não é de hoje que estamos vendo pelos noticiários estes lamentáveis episódios no futebol e também em outras esferas da sociedade. Recentemente, a jornalista potiguar Micheline Borges fez um comentário em sua página pessoal no Facebook sobre a aparência de médicos cubanos que chegaram ao Brasil. A postagem ganhou repercussão nacional e fez com que a jornalista apagasse o perfil nas redes sociais.


Para ela, a postagem não foi preconceituosa. Mas a opinião pública logo se espalhou pelas redes sociais. Muitos internautas reproduziram a postagem e fizeram comentários criticando a frase da jornalista, que mesmo assim continuou se defendeu na rede social durante algumas horas.

"Se eu chegar numa consulta e encontrar um médico com cara de acabado ou num escritório de advocacia e o advogado mal vestido vou embora", comparou, antes de encerrar a conta no Facebook.

Se você leitor é negro, tenho certeza que já foi vítima de algum tipo de discriminação racial na vida. Eu não sou negro, mas sou mestiço e tenho muitos parentes que são negros. E a pergunta que não quer calar é: quando este tipo de comportamento irá acabar?

Cada um terá sua resposta a esta pergunta, a minha é: “daqui décadas, séculos ou mesmo milênios quando a raça humana será extinta”. Meu pensamento pessimista vem da minha constatação de que o ser humano está em uma guerra permanente, invisível, velada e subestimada. Sou partidário do pensamento de Hobbes que desmonta o valor retórico da liberdade e da igualdade. Para ele, a igualdade leva à guerra de “todos contra todos”.

No lamentável episódio da partida de futebol, esporte este que vez ou outra transforma os estádios em campos de batalha, dentro e fora do gramado, a torcedora não admite que seu time apresentou menor desempenho no campo e parte para o ataque com a única arma que tem naquele momento: “seu grito inflamado”. Grito este que não é articulado pela razão e sim pela emoção, sendo esta o resultado de anos e anos de distorções sociais introjetadas na sua mente.

Conceituação

"Racismo" é um termo amplo utilizado para descrever variados tipos de crenças e atos que negam a igualdade fundamental de todos os seres humanos, em função da percepção de diferenças de "raça", ascendência, cor ou aparência.

A maioria das pessoas usa a idéia de raça, ou de aparência relacionada à raça, como maneira de identificar a si mesmos ou aos outros. Entretanto, a ciência nos ensina que existe apenas uma raça: a raça humana, ponto final!

A discriminação racial é o racismo em ação: Qualquer distinção, exclusão, restrição ou preferência baseada em raça, cor, ascendência ou origem nacional ou étnica que tenha como finalidade ou efeito anular ou impedir o reconhecimento, gozo ou exercício, em pé de igualdade, de direitos humanos e liberdades fundamentais nos campos político, econômico, social e cultural, entre outros, da vida pública.

História

O racismo, como o percebemos hoje, é algo relativamente recente na história na humanidade. Até por volta da Idade Média, os principais fatores de discriminação eram religiosos, políticos ou referentes à nacionalidade e à linguagem do indivíduo.

No século XV, quando os europeus desembarcaram na África, e principalmente com o início do tráfico negreiro, usaram a ciência a favor do colonialismo e desenvolveram teorias de superioridade evolutiva, baseadas em diferenças biológicas, que justificavam seus interesses de expansão e poder.

Estava criado o racismo etnocêntrico, fundamentado em doutrinas bíblicas, filosóficas e científicas que não resistiram à evolução dos tempos, mas que deixaram marcas indeléveis e profundas nas sociedades que as usaram para justificar a escravidão, como é o caso da sociedade brasileira.

O Racismo Invisível no Brasil

No final do século XIX, com a abolição da escravatura e ainda sob forte influência das teses de superioridade europeia, começa a ser colocado em prática um projeto de construção de uma nova nação brasileira, que deveria ser melhorada através do “embranquecimento” de seu povo.

Algumas décadas mais tarde, esta teoria lugar à da miscigenação, que acabou criando um dos mitos mais prejudiciais à luta contra o racismo: o mito da democracia racial. Foi ele que, durante décadas, impediu o Brasil de se tornar um país realmente democrático, com tratamento e oportunidade iguais para todos, ao negar reconhecimento a um problema que atinge mais da metade da nossa população.

Mas até hoje pessoas preferem dizer que não existe racismo no país (o pior cego é aquele que não quer ver). Telegramas entre diplomatas americanos e o governo dos Estados Unidos que o site Wikileaks vem vazando, dizem o contrário. Em um pacote de 25 telegramas da embaixada dos Estados Unidos em Brasília e do consulado em São Paulo redigidos entre 2004 e 2009, diplomatas americanos informaram ao seu governo que “Muitos (brasileiros) alegam que o racismo não existe, apesar das evidências esmagadoras do contrário“.


Provavelmente, os americanos, um dos povos mais racistas do mundo, fazem referência ao livro do diretor de jornalismo Ali Kamel: “Não somos racistas”. No livro, publicado em 2006 pela Nova Fronteira, o autor garante que não há discriminação racial no Brasil e que todos vivem em harmonia.

Escrito em plena batalha pela implantação das cotas nas universidades, o livro serviu como instrumento da direita para combater as políticas do governo Lula. Para o jornalista, o racismo não teria peso na cultura nacional e não contaria com o aval das instituições públicas e privadas. Nesse sentido, teorizava o autor, a implantação das cotas raciais teria um efeito inverso, negativo, estimulando o racismo. Eu particularmente tenho um outro ponto de vista para esta questão, mas seria assunto para outro post.

O Racismo no Inconsciente

Se hoje já se admite que o Brasil é um país racista, é preciso admitir também que nossos pensamentos e atitudes são condicionados por essa cultura e essa ideologia racista, pois crescemos introjetando e reproduzindo o que já está estabelecido socialmente.

Um estudo mostrou que as crianças são abertamente preconceituosas, e que essa característica perde força a partir da maturação das estruturas cognitivas que permitem que ela deixe de julgar as pessoas com quem se relaciona apenas pela aparência e passe a levar em conta conceitos como bondade ou amizade.

Mostrou também que o racismo, longe de desaparecer com a idade e a necessidade de socialização, caso não haja nenhuma iniciativa por parte de pais e/ou educadores, é introjetado e velado pelo aprendizado das normas sociais vigentes, passando a se manifestar de forma indireta e, em muitos casos, inconsciente.

Imperativos para o Crescimento Econômico

No mundo atual as forças globais emergentes concorrem para moldar o futuro. Algumas forças ameaçam dividir, empobrecer e criar "vencedores" e "perdedores", enquanto outras acenam com possibilidades de um futuro em que a inclusão torne-se uma necessidade econômica e prática para servir ao bem comum.


Não temos outra alternativa senão combater os efeitos negativos e tirar proveito dos aspectos positivos. Na economia global, a pobreza, a falta de saúde, o desemprego e a falta de acesso à escola para os indivíduos (negros e outros segregados em sua maioria) são obstáculos que atrasam a realização das metas do desenvolvimento nacional.

Estimativas recentes sugerem que Brasil, África do Sul e Estados Unidos poderiam ganhar um aumento conjunto de produtividade econômica equivalente ao Produto Interno Bruto (PIB) da 15a maior economia do mundo, se eliminassem a discriminação racial.

Cada uma das nações precisa dos talentos e habilidades dos negros e de outras pessoas menos favorecidas para poder competir efetivamente por investimentos e crescimento econômico no mercado global.

Fontes consultadas:

Artigo
Reportagem

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Giannetti x Mansueto: Dois Pesos, Uma Medida!

Tomo emprestado a célebre expressão do filósofo Sócrates "um peso, duas medidas", que significa ter condutas diversas diante de situações idênticas, para dar título a este post. Mesmo que o assunto não seja direito e sim política econômica, penso que o título exemplifica bem o que será apresentado: dois pesos pesados posicionados em lados diferentes no contexto da oposição política mas convergindo em idéias e propostas acerca dos problemas da economia brasileira.


Mansueto Facundo de Almeida Jr é formado em economia pela Univeridade Federal do Ceará, Mestre em Economia pela Universidade de São Paulo e cursou Doutorado em Políticas Públicas no MIT, mas não defendeu a tese. Já assumiu os seguintes cargos em Brasília: coordenador-geral de Política Monetária e Financeira na Secretaria de Política Econômica no Ministério da Fazenda (1995-1997), assessor da Comissão de Desenvolvimento Regional e de Turismo do Senado Federal (2005-2006) e Assessor Econômico do Senador Tasso Jereissati. É funcionário de carreira do IPEA em Brasília, mas a partir de junho de 2014 passou a gozar de licença sem vencimento do instituto.

Mansueto, como é mais conhecido o conselheiro de Aécio Neves, nos últimos anos erigiu para si um púlpito no debate econômico nacional ao dissecar as manobras fiscais do governo Dilma em seu ‘Blog do Mansueto‘, que rapidamente se tornou leitura obrigatória para o mercado financeiro.

Cearense, Mansueto mudou-se para São Paulo nos anos 90 para fazer mestrado em economia na USP. Nos últimos anos, sua expertise em contas públicas e os efeitos negativos da política industrial fizeram dele uma voz requisitada junto a empresários e investidores preocupados com o rumo macroeconômico do País.

Eduardo Giannetti da Fonseca (Belo Horizonte, 23 de fevereiro de 1957) é um economista brasileiro, formado na Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade e em Ciências Sociais pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas ambas da Universidade de São Paulo.

Doutorado em economia pela Universidade de Cambridge, onde foi professor entre 1984 e 1987 e de 1988 a 2001. Lecionou na FEA/USP. Atualmente é professor integral no Insper (Instituto de Ensino e Pesquisa), conhecido anteriormente como Ibmec São Paulo. É autor de diversos livros e artigos, tendo ganhado dois prêmios Jabuti: em 1994, com o livro Vícios privados, benefícios públicos? (Cia. das Letras, 1993) e, em 1995, com As partes & o todo (Siciliano, 1995).

Giannetti é prata da casa entre os empresários da FIESP e um intelectual combativo no debate de ideias. Frequentemente reconhecido como filósofo, é autor de livros como “Auto-engano”, “O Valor do Amanhã” e “A Ilusão da Alma”. Desde a campanha de 2010, o economista pela USP e doutor por Cambridge se tornou o principal assessor econômico de Marina Silva.

Homens com trajetórias diferentes, representando diferentes partidos de oposição, poderiam divergir mas o que se vê é o oposto: Mansueto e Giannetti essencialmente falam a mesma coisa e quase completam as frases um do outro.

Anos de contabilidade criativa, hipertrofia do gasto público e uso temerário do balanço do BNDES produziram, para o Governo Dilma, a união inequívoca da oposição, se não nas candidaturas, na crítica à chamada ‘Nova Matriz Econômica’, que tem gerado inflação alta e crescimento baixo.


Mansueto dedica-se a desconstruir as chicanas que o Governo criou para esconder da sociedade a explosão de seus gastos. Seu maior talento é explicar como todos nós pagamos pelos estímulos que o Governo tenta fazer parecer serem “de graça.” O caso clássico: a fábrica de ‘almoços grátis’ chamada BNDES.

Para permitir que o BNDES emprestasse mais, o Tesouro Nacional teve que injetar dinheiro no banco repetidas vezes nos últimos anos. Não tendo dinheiro vivo, o Tesouro emitiu títulos, que o banco então pôde usar como capital.

O custo dessa dívida, parte do que a oposição chama de ‘Bolsa-Empresário’, faz com que o custo da dívida líquida do setor público hoje seja o mesmo de 2002 — um ano em que a dívida do governo era quase o dobro do que é hoje.

“Ou seja, apesar da dívida ser quase a metade do que era, o custo continua alto, 17% ao ano, porque o subsídio dos sucessivos aportes de recursos do Tesouro nos bancos públicos e o custo de acumulação de reservas aparecem no custo,” diz Mansueto.

Nos últimos dias, Mansueto descobriu a última malandragem do Tesouro, envolvendo o Bolsa Família, que é pago pela Caixa com recursos repassados pelo Tesouro.

Quando o Tesouro atrasa os repasses, seu saldo no final do mês fica negativo na Caixa. (Quem nunca?) Mas, na contabilidade pública, isso faz parecer que existe mais dinheiro no caixa do Tesouro do que de fato há, inflando artificialmente o tamanho da economia que o Governo fez no mês, o chamado superávit primário, e iludindo a sociedade.

De 2007 a 2011, o governo atrasou repasses para a Caixa uma única vez. Em 2012 e 2013, atrasou quatro vezes por ano. E neste ano, quatro vezes em cinco meses.


Giannetti, em palestra recente, apontou o que seriam os quatro paradoxos do governo atual:

1. O governo estatizante quebrou as duas principais estatais do país (Petrobrás e Eletrobrás), deprimindo seu valor patrimonial e tolhendo sua capacidade de investimento.

2. O governo com viés nacional desenvolvimentista foi responsável pela maior desindustrialização da história do país.

3. O governo com a bandeira de reduzir os juros vai entregar o país com a Selic maior do que pegou. Movido pela intenção louvável de reduzir o custo dos investimentos, o governo fez da queda da Selic sua grande bandeira. Mas não criou condições estruturais para isto, e ao forçar uma redução prematura, viu a inflação extrapolar o teto da meta. Resultado: o Brasil volta a ostentar a maior taxa de juros do planeta.

4. O governo com bandeira de crescimento entregou o menor crescimento do PIB de todo regime republicano, excetuados os governos de Floriano Peixoto e Fernando Collor. No acumulado de 2011 a 2014 nosso crescimento deverá ficar em 61% do verificado na América Latina.

Segundo o economista, os motivos que impedem o país de atingir o chamado crescimento sustentável são tanto estruturais como conjunturais.

Ele destaca como estruturais os oriundos da Constituição de 1988: "A carga tributária do país era de 24% do PIB em 1988, normal para um país de renda média. Mas, hoje, é de 36,5%. Como o Estado (União, estados e municípios somados) gasta 3,5% do PIB a mais do que arrecada, cerca de 40% do PIB transita pelo setor público, mas entrega em investimento apenas 2,5%.”

Entre os fatores conjunturais, de acordo com ele, está a piora da política econômica. A gestão do “tripé macroeconômico” (formado por câmbio flutuante, metas de superávit primário e de inflação), na visão de Giannetti, mantido no primeiro mandato de Lula, se deteriorou. “Com crescimento baixo, não deveria ter inflação preocupante”, exemplifica.

Sobre o controle da inflação, Giannetti faz um diagnóstico incisivo: "A inflação tecnicamente está acima da meta, porque está artificialmente controlada. As medidas que têm de ser tomadas de imediato é uma correção plena e imediata dos preços que ficaram defasados. Se não se fizer isso imediatamente, as expectativas de inflação futura vão ficar altas e isso realimenta a inflação".

Termino o post usando as palavras do Giannetti filósofo: “o passado não pode ser mudado - é lenha calcinada. Mas o futuro será o que fizermos dele - é promessa de combustão. Daí que todas as nossas escolhas na vida prática, como ensina George Shackle, se dão sempre entre pensamentos, pois será sempre tarde demais para escolher sobre os fatos”.

Palestra com o Giannetti economista:


Bate papo com o Giannetti pensador:

 

Fontes consultadas:

Folha 1
Folha 2
Rede Brasil Atual
A Tarde
Veja

sábado, 16 de agosto de 2014

O Inferno são os Outros

Um tema pelo qual tenho me interessado muito é a Intersubjetividade: a capacidade do homem de se relacionar com o seu semelhante. Jean-Paul Sartre resumiu seu ponto de vista sobre este assunto em uma frase presente na sua peça de teatro Entre Quatro Paredes: “o inferno são os outros”.

Para Sartre, a principal característica do homem é a sua liberdade fundamental. Sendo assim, mesmo alguém mantido sob a pior forma de dominação, no fundo permanece livre em seu ser, em sua consciência. Em outras palavras, um homem jamais conseguirá dominar completamente o outro.

Isto explica, em parte, porque as relações humanas são em geral conflituosas: na presença do outro há um confronto entre minha liberdade e a dele. E porque o outro também é livre, não podemos controlar o que ele pensa e o que ele nos diz. Porém, ao mesmo tempo preciso dele, de seu olhar crítico, ainda que, muitas vezes, esse olhar veja algo em nós que não gostamos.

Esta questão da liberdade dos indivíduos me remete a uma entrevista que vi recentemente no Youtube do grande Mario Sérgio Cortella. Neste vídeo, o filósofo discorreu sobre o conceito de ética e liberdade fazendo um paralelo com o seriado Chaves. Irei transcrever na íntegra a sua fala para que o leitor não perca nenhum detalhe:

"No contexto da discussão sobre ética. Você tem que lembrar que o Chaves, o personagem da TV, ele é alguém que se inspirou num pensador clássico chamado Diógenes. Diógenes foi um filósofo grego pós-socrático que morava num barril. Tal como Sócrates viveu solto na praça, discutindo, e o Chaves mora num barril, Diógenes, que era um alguém da escola cínica na Filosofia, morava num barril e vivia nu. Aliás, porque ele não tinha propriedade alguma pra não ser propriedade de nada. Se você já observou na série “Chaves”, ninguém tem animal de estimação naquela vilinha, porque o único ser ali que é um animal de estimação é o próprio Chaves. Segundo, é o único que é livre, o único que pode dizer o que quer, ele não tem nada a perder."


O Cortella só cometeu um pequeno equívoco pois o Chaves não mora no barril segundo palavras dele mesmo:
"Eu não moro no barril, eu só entro no barril porquê... bem, você sabe... pra... "
"Só por esporte."
"Isso!"
(Diálogo entre Chaves e Kiko)

E qual o motivo de um texto filosófico em um blog de finanças? Bom, estamos por aqui com o intuito de prosear sobre mercados, indicadores, ativos, dentre outros temas, e vez ou outra recebemos alguns comentários um tanto quanto mais exaltados (para não dizer ofensivos). Até já falei sobre este tema em um post recente. E sempre que isto ocorre procuro entender o que está por trás daquelas mal grafadas linhas. Muitas vezes o indivíduo está tão transtornado que a frase é confusa, desconexa e repleta de erros de português.

Poderia simplesmente excluir o comentário maldoso e deixar passar batido, mas excluindo penso que a pessoa ficará ainda mais exaltada, pois se sentirá tolhida na sua liberdade de falar. E se o espaço é aberto a comentários então eu não devo censurar, seria uma incoerência, não estou correto?

Mas voltemos às finanças, e já que o assunto são eleições, no próximo post falarei sobre os investimentos dos candidatos. Aguardem.

Bom fim de semana a todos!

Ah, abaixo a entrevista citada, para quem não conhece o cara, sugiro assistir outras entrevista e palestras do mesmo no Youtube porque são imperdíveis...

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

A Verdadeira Riqueza!

Olá pessoal, tudo bem com todos?

Deveria ter feito este post no domingo último mas no fim de semana viajei para a cidade dos meus pais e não sobrou tempo. De qualquer forma, nunca é tarde para parabenizar os colegas e leitores que também já são papai como eu. A mensagem que fica é: tomamos conhecimento da nossa verdadeira riqueza quando nos damos conta de que possuímos algo que não trocaríamos por dinheiro nenhum do mundo!

Grande abraço e bom feriado a todos!

Uorrem Bife II

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Todos os Assuntos do Mundo...


Todos os assuntos, seja futebol, economia ou política, até mesmo os menos polêmicos como culinária e arte barroca, são discutidos em quatro salas: a dos chatos burros, a dos chatos inteligentes, a dos divertidos burros e a dos divertidos inteligentes. E isto sempre foi assim, desde que o mundo é mundo.

Por vaidade, a maior parte das pessoas acredita que está na sala dos divertidos inteligentes (opa, estou dentro, rs). Menos os chatos burros - aqueles que se orgulham da própria chatice - mas esses também se enganam ao achar que estão na sala dos chatos inteligentes. E no mundo das mídias sociais atuais, estes chatos burros que se acham chatos inteligentes recebem a singela denominação de Trolls.


Os Trolls são criaturas mitológicas originadas das lendas nórdicas, e que se tornaram parte do folclore da Escandinávia e norte da Europa. Geralmente são retratados como seres maus e perigosos, embora às vezes eles interajam pacificamente com as pessoas e anonimamente, na calada da noite, agem como legítimos perturbadores da ordem social.

Sendo assim, nos blogs e em outras mídias da Internet, os trolls são editores, na maior parte das vezes anônimos, que promovem tentativas deliberadas e intencionais de perturbar as atividades dos demais editores. O trollismo pode então ser considerado uma violação deliberada das regras implícitas de convivência social da internet.


Retornando à parábola inicial, das quatro salas, a mais respeitada é a dos chatos inteligentes. Porque os chatos inteligentes fundamentam tudo o que dizem, com muita coerência e perspicácia. Porém, a sala dos divertidos inteligentes são as mais populares, é lá que os assuntos fluem de forma leve, ponderada e despretensiosa. Por serem tão populares são então o maior alvo dos chatos burros. Raramente você verá chatos burros incursionando pelas salas dos chatos inteligentes, pois lá eles serão sempre desmascarados.

Frequentemente, a sala dos chatos burros estará vazia, pois os seus ocupantes estarão navegando pelas outras salas, na ânsia serem reconhecidos como chatos inteligentes. Então não se assuste se receber comentários mal educados no seu espaço de debate, são os chatos burros exercendo o que fazem de melhor. Não pense que são chatos inteligentes contribuindo com o seu debate, pois chatos inteligentes estão ocupados demais nas suas próprias salas.

Mas e a sala dos divertidos burros? Bom, esta é a sala por onde todos nós começamos, é a sala de passagem para as demais salas, pois nascemos burros porém divertidos. Ninguém nasce chato ou postulando teoremas. As pessoas se tornam chatas ao longo da vida. E não é porque você já está em uma das demais salas e lá deve permanecer. Sempre bom dar uma passadinha na sala dos burros divertidos pois desta forma os chatos têm a chance de se tornarem mais divertidos, os divertidos de se tornarem ainda mais inteligentes e os inteligentes de se tonarem ainda mais sábios.

E não terá fechamento mensal mesmo, agora sou um chato inteligente, rs.

Livre adaptação do texto As Quatro Salas publicado em 9/5/2003 por Alexandre Soares Silva no site Digestivo Cultural.