domingo, 29 de junho de 2014

Tags: , ,

Vamos Falar de Futebol?



Prometi para mim mesmo que não cairia na tentação de postar futebol aqui no blog mas me deparei com este excelente e oportuno texto:

A chatice dos comentários sobre “o emocional” dos jogadores do Brasil já era esperada. A imprensa esportiva adora temas sobre os quais pouco domina só para criar mitos. Não só a imprensa, mas o meio esportivo tem necessidade de mitos.

Talvez exista algo de fato e talvez não seja nada. A questão central é que aquele bando de homens amarelões querem muito pouco: resultados. Encontraram o ambiente, o grupo e a oportunidade para conseguir resultados. Mas vivem a sombra da derrota e da desclassificação muitos próximas o tempo todo. Como só são treinados para vencer e não para jogar bem, sofrem.

Os moleques amarelos da Colômbia são o extremo oposto, a fantasia e o gosto pelo jogo jogado encontramos neles. Nada mais relaxante e agradável depois de Brasil e Chile que ver a Colômbia e o Uruguai jogarem. Os colombianos, talvez poucos tenham notado, tornou um jogo difícil em fácil. Quem não assistiu acha que foi fácil, mas não. Foi duro e desafiador, mas a molecada só queria jogar o que sabe, como um time em recomeço que resolveu deixar os pesadelos do passado e do presente para trás.

O time colombiano desdramatizou o jogo. Isto porque o Uruguai, que se dizia ferido e furioso, foi o filho rebelde completamente amansado depois de envolvido pelos braços da mãe. Desarmada alma, restava à celeste impor seu jogo e não conseguiu. A seleção uruguaia vive de mitos mais que qualquer outra seleção. Os uruguaios precisam de entrar em campo pilhados o tempo todo, vivem da entrega e de paixão.

A Colômbia ofereceu leveza (cadência), jogo de pé em pé (diversão), carinhos na bola (técnica), firmeza de propósito (tática) e da atuação impecável desse James Rodríguez. O seu primeiro gol, depois de uma troca de passes de cabeça, foi uma pintura. O primeiro gol mais bonito feito no novo Maracanã.

Aqueles meninos colombianos vieram ao Brasil jogar um futebol que tanto admiravam. Vieram rendar uma homenagem ao jogo jogado pelos “canarinhos” de antanho. Oferecem ao torcedor a arte, a beleza e a leveza dos melhores jogadores colombianos, ainda que, como o Uruguai, sintam a ausência de Falcão Garcia, cortado da copa, seu principal jogador. A dores e a tristeza ficaram fora de campo e da copa com Falcão. Não virou drama e nem um peso. Nem saberemos que diferença Falcão realmente faria, já que poucos centroavantes realmente fazem alguma.

A Colômbia estaria jogando um futebol moderno? Preventivamente, digo, sem pestanejar: não. E isso não tem qualquer importância. Nesta copa, aliás, poucos mitos e conceitos estão importando.

Confesso que não sei o que os cronistas esportivos querem dizer com “futebol moderno”. A cada década ou a cada copa esse conceito fluido ganha uma conotação diferente. Aqui no Brasil sempre serviu para se referir a uma exceção, aquilo que não somos ou não fazemos. É a velha tese rodrigueana do “complexo de vira-latas”. Os colombianos não têm esse complexo e olhe que não lhes faltariam dramas nacionais; ao contrário dos uruguaios, que precisam sempre reinventar 1950 para si mesmos. Esses são os paradoxos que nos fazem refletir sobre esse tal “lado emocional” e “futebol moderno”.

Sugiro a leitura de Gilberto Freyre “Além do apenas moderno” cujo subtítulo é bem interessante: “sugestões em torno de possíveis futuros do homem, em geral, e do homem brasileiro, em particular”. Que futuros são possíveis para nosso futebol?

A pergunta de Mauro Cezar Pereira é pertinente: será que essa discussão toda sobre “instabilidade emocional” não está funcionando como nuvem de fumaça para esconder o fato de que a Seleção Brasileira é, sempre foi, mal treinada?

Respondo sem chorar. Minha resposta preliminar é de que sim. Mas a questão remete para problemas mais estruturais que estamos discutindo todos os dias e que os atletas de Felipão, que não jogam mais no Brasil, não convivem, mas se contaminaram e não entendem o próprio sofrimento.

Tendem, inclusive, a individualizá-lo. Deixou de existir um drama para virar 23, sem incluir o próprio Felipão e a comissão técnica.

É o goleiro que faz uma excelente atuação no jogo e em seguida desanda a chorrar; o capitão que tem tendências ao isolamento; o craque que joga para si mesmo quando é marcado de perto e cai de produção pois se alimenta dos índices de desempenho; os laterais que não conseguem mais desempenhar papel algum, sempre protegidos e sempre vulneráveis; os meias que são mais desarmadores que armadores; os mais inúteis centroavantes da copa, pois nem tocar pandeiro sabem; e um treinador obtuso, paizão à moda antiga, mais protetor que educador e um motivador desmotivado. Isso é caos, não é psicologia.

Enquanto isso, na mesma tarde de sábado, os moleques amarelos colombianos fizeram o seu torcedor chorar.

Dentro de campo, ofereceram os mais belos dos espetáculos que poderiam. Fortes, convictos, convincentes e leves. Com suor e sem tantas lágrimas desnecessárias. Jogam um jogo por vez. O resultado não importa para eles, pois jogam pela fantasia, mas sem realismo fantástico. Ou melhor, seu bom futebol é um fantástico realismo.

A Colômbia jogará contra o Brasil como um amante do bom futebol.

Isso nos lembra que Copa do Mundo é exatamente para isso: falar de futebol. Todos os demais assuntos são extremamente chatos.

POR HUMBERTO MIRANDA
professor de Economia da UNICAMP
Continue lendo

sábado, 28 de junho de 2014

Tags:

Escalação da Seleção Brasileira: Ações


Bem amigos da Rede Bobo!

Sai Paulinho para entrar Fernandinho? Pode isto Arnaldo? Sim Gavião, a regra é clara. Foi, foi, foi dele... Corta pra mim Percival.

Bom pessoal, brincadeiras à parte, estamos aí em plena copa do mundo (da Fifa como eles mesmo dizem pois 'nossa' tenho certeza que não é) mas o assunto aqui não será futebol e sim carteira de ações.

No esquema tático mostrado na figura abaixo apresento minha escalação de jogadores para o mundial. O time entrará em campo no esquema 4-4-2, ou seja, bem defensivo para enfrentar o maior adversário atual: PT Futebol Clube. A ordem é jogar retrancado e aproveitar as oportunidades de contra-ataque que o governo possa permitir pois sabemos que há muitos pernas de pau lá, para não falar caras de pau, rs


As posições em campo são as seguintes:

Gol: CMIG3

Zagueiro 1: BBAS3
Zagueiro 2: CIEL3

Lateral 1: ABEV3
Lateral 2: GRND3

Volante 1: RENT3
Volante 2: TOTS3

Meia 1: MDIA3
Meia 2: PSSA3

Atacante 1: CTIP3
Atacante 2: UGPA3

E no banco:

LEVE3 (Zaga)
CCRO3 (Lateral)
ITUB3 (Volante)
BRFS3 (Meia)
EZTC3 (Ataque)

Sabemos que será um jogo duro mas com paciência e disciplina as chances de vitória serão grandes.

Bom fim de semana a todos!
Continue lendo

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Tags: , , ,

DIMED - 1T2014


Tenho andado sumido da blogosfera nestes últimos dias em função do nascimento do Uorrem Bife II mas em compensação tenho visitado muitas farmácias nos últimos dias. rs. Impressionante como os cuidados com um filho recém nascido e uma mãe recém parida exige tantas idas e vindas a farmácias. Durante todo o período de tratamento para engravidar, bem como todo o período de gravidez, as visitas às farmácias se tornaram frequentes mas nos últimos dias se itensificaram.

Antes de comprar qualquer remédio sempre procuro visitar pelo menos 3 farmácias para pesquisar o menor preço, e encontra-se diferenças bem significativas. A não ser quando o remédio é de extrema urgência e neste caso vou direto a uma farmácia em específico, seja a mais perto ou aquela que apresentou menor preço na última compra.

Aqui no meu bairro geralmente compramos nas drogarias Pacheco, Araújo, Drogra Raia e Pag Menos. Esta última tem feito jus ao nome e apresentado os melhores preços.

Agora vem a seguinte questão: seria interessante investir em algum grupo do setor de farmácias já que remédios e produtos afins são itens obrigatórios na vida de qualquer cidadão?

Muito se fala das margens baixas deste setor, e isto é real, mas por outro lado trata-se de um setor não cíclico, o que poderia tornar a carteira de investimentos mais robusta, porém com menos potencial de crescimento.


No passado estudei dois grupos: Drogra Raia (Raia Drogasil) e PanVel (Dimed), acabei optando por investir no segundo face os melhores múltiplos. Até postei aqui minha última compra que desde então já se valorizou 32%.

Ocorreu que com o enxugamento da carteira os aportes neste grupo não mais serão executados, Porém não pretendo vender as cotas atuais pois preço médio está muito bom. Mesmo assim resolvi avaliar os números do grupo e postar aqui para possíveis interessados. Irei apenas colocar as tabelas e gráficos para os próprios colegas investidores tirarem suas conclusões.

De qualquer forma, mesmo com a eliminação da Dimed da lista de ativos monitorados, estarei investido no setor de farmácias através da aquisição de ações do grupo Ultrapar que é controlador do grupo Extra-Farma.

Desempenho da Dimed


Alavancagem da Dimed


Abaixo transcrevo um interessante artigo (um pouco antigo mas esclarecedor sobre a política atual do grupo) à respeito do grupo Dimed retirado do portal Valor Econômico:

A Dimed, empresa gaúcha que atua no setor farmacêutico, foi fundada há 38 anos e há 35 tem ações negociadas na bolsa. Apesar de listadas, as ações da empresa possuem liquidez mínima - ainda assim os papéis estão no radar dos investidores.

 A Investidor Profissional (IP), gestora de recursos carioca, é sócia da empresa há 10 anos. Ano passado, a BR Pharma, rede de farmácias comandada pelo BTG Pactual, tentou comprá-la. E propostas de aquisição já chegaram também do exterior, conta o presidente Julio R. Mottin Neto.

 "Um grupo estrangeiro fez uma oferta, mas ela não foi condizente com a perspectiva que enxergamos para a companhia no futuro. Acreditamos muito no negócio", afirma o executivo.

 O alinhamento estratégico entre os acionistas mais antigos - três famílias que comandam a empresa e a IP - foi selado em janeiro, com a assinatura de um acordo de acionistas. Pelos termos, em um prazo de cinco anos, se algum dos quatro grupos de acionistas decidir vender ações terá de contar com a aprovação dos outros três, que têm preferência para a compra dos papéis. A única exceção está no caso de a IP ter de atender a solicitações de resgate de seus cotistas. Quando a gestora iniciou o investimento em Dimed, a ação ON valia cerca de R$ 5 e a PN, R$ 4. Atualmente, ajustados por dividendos, os papéis estão valendo R$ 139 e R$ 100, respectivamente.

 A Dimed reúne 290 farmácias (a rede Panvel, que é líder no sul do país), além da distribuidora de medicamentos (que leva o nome Dimed) e de laboratório que apoia a operação de marcas próprias (Lifar). Atua no Rio Grande do Sul, onde é líder de mercado, Santa Catarina e Paraná.

Ano passado, a receita líquida da Dimed cresceu 13% em relação a 2010 e somou R$ 1,34 bilhão. O lucro líquido teve alta de 22% para R$ 37,4 milhões.

 O negócio da empresa mistura drogarias com a produção própria de itens de higiene e beleza. Foi a primeira rede de farmácias do país a comercializar marca própria em suas lojas, em 1989. Desde 2007, esses produtos são vendidos também pela internet - filão que a empresa também pretende explorar com as suas linhas de produtos de beleza a preços baixos.

 A empresa quer focar ainda seu crescimento orgânico no varejo por localidades da região Sul, sem grandes preocupações em transformar-se em um ator nacional. Crescer via aquisições está praticamente descartado.

"O setor de farmácias ainda tem muita informalidade. Há redes com passivos tributários e trabalhistas, que não justificam os preços pedidos pelos donos", afirma Mottin Neto.

 Por ser uma companhia aberta e com balanços auditados, a Dimed acaba atraindo a atenção dos concorrentes. "Nesse segmento informal, já temos a casa de pé, por essa razão somos também muito cortejados", diz.

 Uma oferta de ações e a adesão ao Novo Mercado, principal nível de governança da bolsa, também já foram oferecidos à empresa pelos bancos de investimento. Mottin Neto acredita que isso pode acontecer, mas ainda não é hora. "Daqui a dois ou três anos, talvez."

 A razão para a empresa dispensar alternativas de financiamento para crescer também nacionalmente está na crença de que o processo de consolidação do setor de farmácias no Brasil ainda levará alguns anos.

"Não vejo necessidade imediata de captar. Temos recursos próprios e vamos continuar crescendo assim. O nosso foco é a manutenção da qualidade de nossas lojas", diz o executivo. Ele destaca que, enquanto nos Estados Unidos as cinco maiores redes concentram 80% do mercado. No Brasil, as cinco maiores têm 20%.

 A opção pelo crescimento cuidadoso nas lojas Panvel vem de uma percepção dos executivos de que a classe C que ascende no consumo brasileiro não quer apenas comprar mais, mas também usufruir de bons serviços.

 "O nosso foco na qualidade do atendimento, na escolha dos pontos para as lojas e na logística vem da observação que, no varejo, quem cresceu demais e não manteve o cuidado em serviço teve problemas e está fazendo o caminho inverso", afirma. Ele cita como exemplo os supermercados hipermercados, que estão agora querendo focar em lojas de menor porte. A intenção da empresa é aprimorar a sua rede farmácias, que hoje representa 70% de suas receitas.

 "O atacado mantém as taxas, enquanto o varejo tem mais possibilidades de crescimento. Além disso, nessa operação em farmácias o pagamento é à vista e não a crédito, como no atacado, em que há risco maior", diz.

 O empecilho para a expansão tem sido a dificuldade de encontrar bons pontos para abrir as lojas. Mottin Neto conta que antes as farmácias vendiam basicamente medicamentos e produtos de higiene. Agora, aumentaram a oferta para itens de perfumaria e cosméticos. "Cada vez mais atendemos ao mercado de beleza. Esse novo mix obriga as farmácias a ter área física maior", explica.

 A exigência da empresa em buscar pontos que considere como excelentes para seu negócio tem sido uma crítica dos analistas à capacidade atual de expansão. O questionamento é se a empresa não deveria abrir mão um pouco de suas exigências para ampliar suas receitas mais rapidamente.

 Na avaliação da Dimed, o cuidado na escolha dos pontos explica-se pelo fato de que uma farmácia pode demorar em média dois ou três anos para dar retorno ao investimento. Como o tempo de maturação é demorado, se o ponto escolhido for ruim, poderá pesar para os negócios.

 "Tamanho grande não significa necessariamente boa rentabilidade", afirma Mottin Neto, reforçando que enxerga boas perspectivas para crescer regionalmente. Por enquanto, tem fechado parcerias para abrir farmácias em redes de supermercado e postos de combustíveis.

 Os passos inicias da consolidação, ele explica, ao contrário de serem fonte de preocupação têm favorecido os negócios. A BR Pharma adquiriu no sul a Mais Econômica, principal concorrente da Panvel.

 "Para nosso negócio, a aquisição foi muito boa. A concorrência agora tem de estar no mercado formal com nós e estamos e já estamos recuperando margens em algumas localidades do interior", diz. Na mesma avaliação, ele acredita que a profissionalização do segmento levará as pequenas a desaparecer, abrindo espaço no mercado. 


Por Ana Paula Ragazzi
Fonte: Valor Econômico 29/05/2012
Continue lendo

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Tags: ,

Giroflex-forma: Cadeira não é Cerveja




Uma notícia triste chegou ao mercado ontem: a tradicional fabricante de móveis corporativos Giroflex-forma, famosa por suas cadeiras de escritório, vai decidir nos próximos dias se entra com um pedido de recuperação judicial ou de falência. A fábrica da empresa em Taboão da Serra (SP) parou ontem. Para muitos foi uma surpresa, para mim nem tanto, pois uma amiga que fazia parte da área de gestão da empresa já no ano passado pediu demissão da empresa por não concordar com os métodos utilizados e por sentir que a coisa não ia bem.

Ambevização

A empresa, que era controlada por uma ONG até o fim de 2011 (isto mesmo, você não leu errado, uma ONG) foi vendida para Galícia Investimentos, fundo de private equity formado por ex-executivos da AMBEV e Gafisa. O grupo de investidores adquiriu 51% da empresa, após a saída da Aceco, que detinha um terço das ações. Com a reformulação societára, a companhia saiu dos mercados de pisos elevados e arquivos deslizantes (fabricados pela Aceco), que representavam 20% do faturamento da empresa, voltando a focar somente nos segmentos de cadeiras e estações de trabalho. Desde então a empresa passava por um processo de choque de gestão, o que o mercado chamou carinhosamente de “ambevização”.

A “revolução” na companhia começou quando Sergio Saraiva, um dos sócios da Galícia, sentou na cadeira de presidente após vinte anos na AMBEV. A história teve início quando no fim de 2010 a Galícia foi procurada pela Associação Beneficiente Tobias (ABT), a tal ONG então controladora da Giroflex, para fazer uma avaliação de melhorias na empresa. Mas a Galícia só aceitou a missão com uma condição de ter a opção de compra da empresa. “Não prestamos consultoria, procuramos boas empresas para investir”, disse Saraiva, um dos sete sócios da Galícia.

No grupo controlador estão também Magim Rodriguez Junior, ex-presidente da AMBEV, e Luiz Claudio Nascimento, ex-presidente da Gafisa. O grupo foi fundado em 2008 para comprar companhias com potencial de crescimento. Além da Giroflex, a Galícia é sócia da Eazylearn, de ensino de idiomas à distância, e da 2Get, de recrutamento de executivos.

No processo de reestruturação da empresa mudanças foram introduzidas como o fim das vagas demarcadas no estacionamento para executivos, salas particulares foram eliminadas, modernos softwares de gestão foram implantados, e claro, a implementação de métricas e métodos de administração a lá AMBEV que visa estabelecer metas para tudo que é possível.

Novos Rumos

Do ponto de vista de produção, as maiores mudanças foram duas: atuação em novos segmentos de mercado e terceirização da produção.

Para entrar em novos segmentos a empresa pegou carona na copa do mundo através do fornecimento de cadeiras de estádio. Até então as cadeiras giratórias eram o carro chefe da empresa, junto com poltronas para cinemas e teatros e assentos coletivos representavam 70% do faturamento.

Já a estratégia de terceirização da produção, na definição do próprio presidente, “a fábrica virou montadora”. Tinha-se um processo de produção verticalizado e quase todos componentes dos móveis eram fabricados pela própria empresa. Com a terceirização de aproximadamente 30% do processo ganhou-se em produtividade.

O Custo Brasil

Apesar da liderança e reconhecimento no mercado doméstico, a Giroflex-Forma também faz parte do grande grupo de empresas que só conseguem crescer dentro do país. A marca possui representações em 9 países da América Latina, mas as exportações representavam apenas 1% do faturamento da companhia.

Em entrevista no ano passado, o presidente já dizia: “A gente está focando no mercado brasileiro, que tem a maior base e é o que mais cresce”, E qual é dificuldade para se tornar um player global? “Custo Brasil", respondeu o executivo, citando mão de obra, carga tributária elevada, financiamento e a burocracia.

"Tudo aqui é moroso. É uma catraca gigantesca, que não existe muito em outros países", criticou o presidente da companhia. “A gente não quer esconder a nossa ineficiência e que o governo seja protecionista. O que a gente quer é que exista alguma forma de equalizar a diferença de custo Brasil com os produtos importados", acrescentou.

O que deu Errado?

Dados do ano passado mostravam um aumento de 35% na eficiência e uma redução de 33% nas despesas fixas. Mas não foi suficiente. Nem mesmo o contrato de 79 mil assentos do estádio do Maracanã foi suficiente para salvar a Giroflex. As dívidas somam R$ 80 milhões. Os planos eram ambiciosos. A meta era quintuplicar de tamanho e chegar em 2017 com um faturamento de R$ 1 bilhão. "Tentou-se uma reengenharia administrativa, mas a empresa vinha, há um bom tempo, acumulando muitos prejuízos operacionais", diz o advogado da companhia Ivan Vitale. "Era uma operação fadada ao insucesso."

Vitale diz que os 300 funcionários deverão receber suas indenizações e que a dívida é com fornecedores e bancos. Segundo ele, uma das causas dos problemas foi a falta de pagamento por parte de governos e prefeituras. "Tinham muitos contratos públicos, mas não receberam e isso comprometeu o fluxo de caixa", afirmou.

Saraiva deixou a presidência, mas desavenças entre a Galícia e o sócio minoritário (Associação Beneficente Tobias), criaram uma situação insustentável.

Fala do presidente:


Continue lendo

terça-feira, 10 de junho de 2014

Tags:

Olhe para cima e para os lados...


Para refletir...

Continue lendo

domingo, 8 de junho de 2014

Tags:

Compromisso e Coerência


Qual padrão comportamental leva um investidor a comprar um determinado ativo, digamos assim, ruim, e defender com unhas e dentes esta tomada de posição? Qual força mental o impele tentar justificar o injustificável para si mesmo e para os demais? Se você colega leitor já não passou por isto, tenho certeza que já viu alguns casos assim por aí...

Lendo o excelente livro de Robert Cialdini “As Armas da Persuasão - Como influenciar e não se deixar influenciar” me deparei com um capítulo “Compromisso e coerência” que veio de encontro à questão levantada acima. Neste capítulo ele pontua um estudo realizado por uma dupla de psicólogos canadenses (Knox e Inskster, 1968) que mostrou algo fascinante sobre os apostadores de corridas de cavalos: logo após fazerem suas apostas, eles estão muito mais confiantes nas chances de vitória do que antes. Claro que nada muda nas chances reais do cavalo, mas na mente desses apostadores, as perspectivas melhoram substancialmente depois de adquirido o bilhete de aposta.

Este padrão comportamental é explicado por nosso desejo de ser (e parecer) coerentes com o que já fizemos. Depois que escolhemos uma determinada opção ou tomamos uma posição, deparamos com pressões pessoais e interpessoais exigindo que nos comportemos de acordo com o compromisso. Tais pressões nos fazem reagir de forma a justificar as decisões. Simplesmente nos convencemos de que fizemos a escolha certa na busca silenciosa por um bem-estar, mesmo que falso, quanto à decisão tomada.

Tomemos como ilustração um determinado investidor que tenha feito um aporte, por exemplo, na empresa de energia Eletropaulo. Não necessariamente na época em que a empresa era a queridinha dos caçadores de dividendos, talvez em uma época posterior quando a mesma já estava chafurdando na lama. Neste ponto, o investidor já considerava a empresa ‘barata’ e pactuou consigo mesmo: “bom, esta empresa já foi muito boa no passado recente, olha só como a cotação dela caiu, então agora é um bom momento de comprar, se ela já foi boa e pagou muitos dividendos então ela voltará a ser como antes, vamos pensar  positivo.” À partir do momento em que tal investidor executa a famigerada ordem de compra o mesmo está iniciando uma relação de amor e ódio com a companhia.

Se questionado por algum colega à respeito da tomada de posição ele a defenderá com unhas e dentes, procurará sempre pontuar os aspectos positivos que o levaram àquela escolha, ou seja, buscará ser (e parecer) coerente perante à sua decisão, mesmo que para isto tenha que travar diariamente batalhas mentais para sustentar tal posição e manter-se confortável com a mesma.

Para entender porque o desejo de coerência é tão latente no ser humano devemos analisar o seu oposto. A incoerência é comumente vista como um traço de personalidade indesejado. A pessoa cujas crenças, palavras e ações não condizem é vista como confusa, hipócrita, volúvel e até mentalmente doente. Por outro lado, um alto grau de coerência costuma estar associado à força pessoal e intelectual. É a base da lógica, da racionalidade, da estabilidade e da honestidade.

Na maior parte das vezes, nos sairemos melhor se a nossa abordagem dos fatos estiver acompanhada de coerência. Caso contrário, os argumentos tornam-se instáveis, dúbios e desconexos.

Compromisso como Arma de Persuasão

Fugindo um pouco do tema “investimento”, mas ainda discorrendo sobre o incrível poder da coerência em direcionar a ação humana, uma questão que o escritor Cialdini lança no seu livro é: “Como este padrão comportamental pode ser usado para influenciar pessoas?” Segundo ele, os psicólogos sociais acham que sabem a resposta: compromisso. Se consigo levar você a assumir um compromisso, que seja tomar uma posição ou expressar uma opinião, terei preparado o terreno para sua coerência automática e imponderada com aquele compromisso anterior. Bingo!

A má notícia é que os psicólogos não são os únicos a entender a ligação entre o compromisso e a coerência. As estratégias de compromisso são usadas contra nós por todo tipo de profissional da persuasão - os chamados Vendedores. Os procedimentos que visam à criação de compromissos assumem diversas formas. Alguns são mais diretos, outros mais sutis. Por exemplo, uma técnica ardilosa foi desenvolvida por solicitantes de contribuições para caridade por telefone. O solicitante (agente de persuasão) inicia a conversa indagando sobre sua saúde e bem estar. Seu intuito não é parecer cordial e atencioso, é fazer com que você responda de forma educada mas superficial “Tudo bem, obrigado!”. Depois da sua declaração fica mais fácil para o solicitante induzi-lo a ajudar aqueles que não estão bem mais ou menos assim: “Graças a Deus. Fico contente em ouvir isto porque estou ligando para perguntar se o senhor poderia fazer uma doação para ajudar as vítimas de...”.

Se o exemplo acima não lhe pareceu convincente, então veja este mais perverso ainda, tomemos o exemplo do pai que, após diversos pedidos do filho, resolve assumir o compromisso com este de que irá comprar um novo brinquedo moderno e caro que a mídia bombardeia insistentemente na época próxima ao natal.

Após assumir o compromisso com o filho, este se prepara para não tardar muito na compra devida a possibilidade de os estoquem esgotarem, mas, mesmo se planejando é surpreendido nas lojas que informam que o estoque acabou e, mesmo tentando insistentemente até o natal, recebe sempre a mesma notícia de que o brinquedo veio com pouco estoque e já acabou. Frustrado com a impossibilidade de atender o desejo do filho, este compra um outro brinquedo na mesma faixa de valor e, negocia com o filho que logo no inicio do ano comprará o tão desejado brinquedo que, volta em estoque ao final do ano.

Como o leitor pode imaginar, compromissos com filhos são difíceis ou quase impossíveis de se furar e, aqui vemos uma sorrateira prática de lojas de brinquedos para persuadir, com o princípio do compromisso e coerência, grande parte dos pais a gastar mais em seus estabelecimentos.

Apesar dos aspectos negativos em certas situações, o principio coerência-compromisso faz parte dos padrões comportamentais do ser-humano é deve ser visto como algo natural, pois, se em todas as ocasiões tivéssemos que analisar detalhadamente cada decisão pelo risco de estarmos sendo manipulados, viveríamos à beira da insanidade. Porém o perigo está nas posições exageradas, nos dogmas internos e no desejo recorrente de provarmos a nós mesmos que tomamos as decisões realmente certas.

Agora você leitor, que tem ações da Eletropaulo, me diga por que comprou. Logo após sua resposta terei uma oferta irrecusável para você, rs.

Um bom domingo a todos!

Continue lendo

quinta-feira, 5 de junho de 2014

Tags: ,

Planilha de Controle Financeiro Pessoal


Conforme solicitado pelo colega General, estou disponibilizando meu modelo de planilha de controle. Não é assim uma Brastemp mas dá para manter as finanças em ordem.

Clique aqui para baixar.

Esta planilha é composta por várias seções de controle, na primeira seção "Cotações" o usuário poderá clicar o botão "Atualizar" para obter as cotações do mercado em tempo real como mostrado na figura abaixo:


Outras seções da planilha:

Radar: Radar atualizado do mercado
Top Ações: Melhores ações para investir
Top FIIs: Melhores FIIs para investir
Meus FIIs Atual: FIIs no mês atual
Meus FIIs Anterior: FIIs no mês anterior
Minhas Ações Atual: Ações no mês atual
Minhas Ações Anterior: Ações no mês anterior
Mirae: Controle de corretora
MyCap: Controle de corretora
Rico: Controle de corretora
Spinelli: Controle de corretora
Proventos: Controle de proventos recebidos
Evoluções: Evoluções em renda fixa e renda variável
Capital: Controle do capital total
Rentabilidade: Controle de rentabilidade
Alocação: Alocação de ativos
Índices: Monitoramento de índices
Gastos: Controle de gastos

Bons investimentos!
Continue lendo

domingo, 1 de junho de 2014

Tags: ,

Gráficos bem Costurados


O blogueiro Geração 65 que vinha até então apresentando resultados bem consisentes na sua carteira de ações acaba de comunciar ao mercado a alienação de todos os seus ativos. Por outro lado, o blogueiro AdP manifestou seu desejo de parar de divulgar valores em R$ nos seus balanços mensais.

Estes dois colegas, através dos seus gráficos consolidados que podem ser visualizados abaixo, conseguiram demonstrar para mim que investimentos em renda variável podem trazer boas rentabilidades se selecionados os ativos de forma otimizada e coerente.

Desempenho G65
 

Desempenho AdP


Eu, como sou um analista de gráficos nato, rs, não pude deixar de notar que os gráficos dos dois colegas são bem parecidos, porém o G65 sofreu maior volatilidade e o AdP esteve acima do CDI desde 2012.

Questionando o AdP sobre o sucesso da sua carteira em seu último post obtive uma resposta sensata e realista:

"Sendo sincero com você, e sem falsa modéstia, não considero minha carteira como vencedora. Se você olhar de novo, verá que minha carteira de ações não estão muito diferente do CDI (Apesar de ser um CDI bruto. Teria que descontar os impostos). Ou seja, corro um risco grande para ter uma rentabilidade semelhante. Eu somente estou sendo vencedor em relação ao Ibov.
Mas como o período é curto, vou deixar o tempo passar para ver se realmente serei vitorioso.
Mas respondendo a pergunta sobre minha performance, acredito que seja o investimento em empresas lucrativas. Muitas estão com preço médio acima do preço de mercado, mas esta tabela não considera os dividendos.
A não diversificação também é muito importante, pois quanto mais ações eu adiciono na carteira, mais próximo ficarei do mercado, ou seja, a linha da minha carteira seria deslocada para baixo. Só tenho que tomar o cuidado na escolha da empresa.
Mas vamos ver como será daqui para frente. Está um pouco cedo para tirar conclusões. Como estou aumentando a participação de empresas com baixo valor de mercado, espero que eu consigo aumentar minha rentabilidade no longo prazo."


Concordo com o AdP que um período de 3 anos e meio é pouco tempo para se tirar maiores conclusões, mas o gráfico não mente e as rentabilidades dos dois blogueiros na minha opinião são muito boas principalmente se comparadas ao IBOV no período.

E você leitor (pequeno investidor), pensa que vale à pena investir em renda variável no Brasil? Ou neste mercado só sobrevivem os grandes tubarões?

Estamos observando desde a grande úlima crise uma debandada massiva de investidores pessoas físicas da bolsa brasileira. Vejam no gráfico abaixo (linha azul) que estamos em níveis mínimos de P.F. na bolsa. Por outro lado, o investidor estrangeiro nunca esteve tão numeroso na bolsa quanto agora (linha verde). Será que estão vendo algo que nós brasileiros não estamos?

Sim, os estrangeiros estão entrando com força nos últimos meses... estamos em um momento de divergência nunca vista antes entre o desempenho do IBOV e o fluxo estrangeiro como pode ser demonstrada pelo gráfico abaixo:


Esta divergência fica mais evidente quando visualizamos o número de contratos abertos no mercado futuro:


Arrisco a dizer que estamos vivendo um momento ímpar na bolsa brasileira, mais para o viés positivo do que para o negativo, frente ao grande volume estrangeiro verificado nos gráficos. Entretando, estamos precisando apenas de um efeito catalizador, e todos sabemos qual não é mesmo? Não preciso nem falar.

Enquanto nada se define (por enquanto) o pequeno investidor continua fugindo da bolsa, imaginem quando a sardinhada acordar, quando começar a surgir na mídia (de novo) as capas de revista: "Fulando Aposentou na Bolsa", "Ciclano Agora Vive de Bolsa" e bla bla bla... Aí vem todo mundo correndo novamente, comprar suas OGX e afins, rs.

Abaixo temos um outro gráfico com período um pouco maior que retrata muito bem a situação atual: estrangeiro entrando, pessoa física saindo, instituições financeiras em cima do muro, investidor institucional em cima do muro, empresas saindo de vagar e IBOV caindo.


Enfim, sigo aportando, mais em alguns momentos, menos em outros. Colocando um pouco na renda fixa, um pouco em imóveis, um pouco em ações, ou seja, dançando conforme a música. Não podemos é ficar parados, oportunidades surgem todo o dia.

Bom domingo a todos!
Continue lendo