quarta-feira, 7 de novembro de 2018

Edifícios Mais Luxuosos do Rio

Aluga-se Apartamento no Prédio Mais Caro do Brasil...

Semana passada tirei uns dias de folga e fui passear com a família no Rio de Janeiro. Fiquei hospedado em um hotel em Copacabana a dois quarteirões da praia, o objetivo era deixar o Uozinho brincar à vontade na praia já que ele só tinha ido uma vez e nem se lembrava mais. Enquanto ele estava lá brincando na areia, fiquei observando aqueles prédios da Av. Atlântica tentando imaginar o valor de um apartamento ali. Retornando a BH, por curiosidade, andei pesquisando sobre estes edifícios da orla de Copacabana, Ipanema e Leblon. Descobri então que o prédio mais luxuoso do Rio e também do Brasil está localizado na Av. Vieira Souto. Se chama Edifício Cap Ferrat. Entre moradores e ex-moradores deste edifício estão André Esteves (BTG Pactual), Júlio Bozano (Bozano Simonsen) e Arthur Sendas (Sendas). Em 2014, um apartamento neste prédio estava sendo negociado por R$ 70 milhões. Pesquisando na net, encontrei um apartamento disponível para aluguel neste edifício, o valor mensal é de módicos 140 mil reais (link aqui). Algumas fotos:






Confira a seguir os edifícios mais caros do Rio:

Edifício Juan Les Pins 

 


Edifício Juan Les Pins - Av. Delfim Moreira nr 458, Leblon.

É considerado o prédio mais chique, mais elegante e mais caro de todo o Leblon. Construído pela Sérgio Dourado Empreendimentos Imobiliários por volta de 1974 (o prédio portanto tem 36 anos de idade) ainda hoje, apesar do decurso do tempo, continua sendo um ícone do luxo no Rio, só perdendo prestígio e status para seu "arqui-rival" o CAP FERRAT.

Situado na Av. Delfim Moreira nr 458, esquina com Cupertino Durão, o JUAN LES PINS é um residencial com apartamentos enormes (um por andar) e com uma piscina privativa em cada um deles. Conta com três elevadores, sendo um social, outro para banhistas e um terceiro apenas para os empregados

A história de sua construção é envolta em polêmica. Toda a orla de Ipanema e Leblon tinha um gabarito extremamente restritivo, somente sendo permitida a construção de prédios baixinhos. Contudo, um prefeito carioca de nome Marcos Tamoio flexibilizou a legislação a fim de permitir a construção de grandes hotéis. E logo depois dos hotéis, o controvertido prefeito também flexibilizou o gabarito para construção de prédios residenciais. Diziam na época que o apartamento de cobertura do JUAN LES PINS em que o Marcos Tamoio passou a residir teria sido um "presente" da Sérgio Dourado pela liberação do gabarito na orla de Ipanema / Leblon.

Sérgio Dourado, para quem não é do Rio, foi imortalizado por Tom Jobim numa famosa canção, que parodiava a letra da música "Carta do Tom" (ao Vinícius). Leiam a letra da paródia.

Carta Do Tom
Composição: Antonio Carlos Jobim / Chico Buarque

Rua Nascimento Silva, 107
Eu saio correndo do pivete
Tentando alcançar o elevador

Minha janela não passa de um quadrado
A gente só vê Sergio Dourado
Onde antes se via o Redentor

É, meu amigo
Só resta uma certeza
É preciso acabar com a natureza
É melhor lotear o nosso amor "


Edifício JK

 


Edifício JK - Avenida Vieira Souto, 206 – Ipanema 

O texto abaixo foi retirado da Revista Piauí, edição de novembro/2007. Os autores são a dublê de escritora e socialite DANUZA LEÃO (doravante simplesmente DL), e o arquiteto paulista FERNANDO SERAPIÃO (doravante simplesmente FS).

"A legislação carioca da época em que o Edifício JK foi construído só permitia edifícios em Ipanema com pilotis e mais quatro andares. No JK, no número 206, o maior apartamento ocupa os dois últimos pisos mais a cobertura. Há diversos edifícios do mesmo tamanho e perfil na Vieira Souto (outro interessante é o número 350, que foi desenhado por Álvaro Vital Brazil), mas o JK é o único edifício residencial da orla que foi desenhado por Oscar Niemeyer. Se estivesse em Nova York, seria o equivalente a uma town house no Upper East Side, de frente para o Central Park e desenhada por Philip Johnson, um dos papas da arquitetura moderna.

Se a legislação foi sábia ao demarcar um gabarito baixo - o que poupou Ipanema de ter, para o bem ou para o mal, o destino de Copacabana -, ela também restringiu a criatividade dos arquitetos. No JK, baixou o santo de Mies van der Rohe para conter a voluptuosidade do projetista que acabara de desenhar Brasília. O que se vê no pequeno prédio é só a essência: um prisma de vidro, de 20 metros de largura x 14 de altura, suspenso por pilotis com três apoios centrais. E só. A assinatura de Niemeyer - suas famosas curvas - está um tanto quanto escondida. Uma abertura sinuosa e uma escada escultórica interligam, visual e fisicamente, os dois últimos andares do prédio. Se os reflexos ajudarem, o curioso do calçadão consegue enxergar o gesto de Niemeyer.

O prédio foi construído por Sebastião Paes de Almeida, presidente do Banco do Brasil e ministro da Fazenda (interino) de JK. Paes de Almeida emprestou um apartamento para o ex-presidente morar, o que causou a JK um processo por corrupção, do qual foi inocentado. Por isso, Juscelino não guardava boas lembranças do edifício." FS

"Em junho de 1964, Juscelino pretendia pedir asilo numa embaixada antes de partir para o exílio. Começaram entendimentos para que se refugiasse na residência do embaixador da Espanha. Seria muito prático, já que ambos moravam no mesmo edifício da Vieira Souto. A Espanha não tinha com o Brasil acordo que permitisse asilo político, mas o embaixador Jaime Alba Delibes, depois de consultar seu governo, recebeu JK. Dias depois Juscelino embarcou para Madri, iniciando um exílio - interrompido por dois breves retornos - que duraria até 9 de maio de 1967.

Nos últimos anos, os mais famosos moradores do prédio foram Caetano Veloso e Paula Lavigne, que entregaram a reforma do imóvel a Claudio Bernardes. Com a separação, em 2004, o baiano instalou-se a 100 metros da mulher e dos filhos, num flat com um décimo do tamanho - suíte, quarto, cozinha e banheiro - no Apart-hotel Residence Service, onde mora também seu ex-sogro, o advogado Arthur Lavigne."

Edifício Franklin Sampaio 



Edifício Franklin Sampaio - Av. Prefeito Mendes de Morais nr 808, São Conrado

Construído no início da década de 70, ele é um dos prédios mais velhos do bairro de São Conrado. Apesar de ter aproximadamente 40 anos de idade, o Edifício Franklin Sampaio não perdeu a pose e continua pontificando como um dos mais luxuosos residenciais do Rio de Janeiro. Localizado dentro de um dos melhores e mais lindos campos de golfe do Brasil, o Gávea Golf Club, o prédio destaca-se na paisagem da orla do bairro.

Edifício Apolo 11



Edifício Apolo 11 -  Av. Delfim Moreira nr 12

Ele foi listado pelo Paulo César Ximenes, dono de uma das mais conceituadas empresas de corretagem de imóveis de luxo do Rio, como sendo o terceiro edifício mais caro para se morar em toda a Cidade Maravilhosa.

Com apenas 5 andares, e destinado à residência de somente 3 únicas famílias (o apartamento do terceiro andar abrange também os dois últimos andares), o APOLO 11, pela sua excepcional localização (Delfim Moreira quase esquina com Borges de Medeiros), número reduzidíssimo de moradores, e tamanho generoso das plantas dos apartamentos (cada apartamento padrão tem 537 metros quadrados), é inequivocamente um residencial TOP do Rio.

Edifício Chopin



Edifício Chopin - Av. Atlântica, nr 1782, Copacabana.

Ele não possui os maiores, nem os mais caros apartamentos de Copacabana. No entanto, não há no bairro prédio residencial mais famoso e mais festeiro. Claro que estou me referindo ao Chopin, endereço dos mais glamurosos, exclusivos e badalados do Rio de Janeiro, situado na Av. Atlântica nr 1782, exatamente ao lado do Hotel Copacabana Palace.

Falar do Chopin é falar das mais concorridas e disputadas festas de reveillon do Rio de Janeiro. O condomínio, que não possui salão de festas, chega registrar a cada dia 31 de dezembro, acreditem, mais de 3.000 (três mil) não-moradores entre convidados, garçons e seguranças nas várias celebrações de virada de ano. É lá que a aristocracia carioca, os globais ou os pretendentes à globais, os famosos e poderosos, as new-celebrities (BBB´s), os ricos e os novos ricos, as socialites de carteirinha, os bicheiros, os políticos e suas (ou seus) amantes se encontram no dia 31 de dezembro, para celebrar o Ano Novo.

As grandes vantagens de se morar no Chopin são, além da visão para o marzão de Copacabana, vista eterna para a piscina mais famosa do Brasil: a do Hotel Copacabana Palace. Aliás, sobre o tradicional hotel carioca, graças a um acordo de cavalheiros, todos os moradores do Chopin têm direito a usufruir dos serviços e dependências do hotel como clube e playground, desde que paguem uma taxa anual. Assim, além de poderem usar a piscina e a fantástica quadra de tênis que fica em cima do teatro, os “sócios” ainda penduram as contas para o fim do mês nos suntuosos restaurantes Cipriani e Pérgula, no badalado Bar do Copa, no tranquilo Piano Bar, no sofisticado Copacabana Palace Spa e no exclusivo salão de cabelereiro Care Palace.

Edifício Zanubio



Edifício Zanúbio - Av. Rui Barbosa, nr 394, Flamengo.

A Rui Barbosa já foi o endereço preferido de nove entre dez famílias cujos sobrenomes soavam como grife. Nos anos 50 e 60, quando o Rio fervia em nababescos eventos sociais, a avenida cintilava. E a expressão maior do luxo e da ostentação na Rui Barbosa era (e ainda é) o Edifício Zamúdio.

Construído por Dr. Antônio Sanchez de Larragoite, dono do império de seguros Sul América S/A, conta com um apartamento por andar e possui os maiores apartamentos padrão de toda a avenida, apartamentos estes que possuem 7 (sete) quartos. Dr. Larragoite ao construir o prédio reservou para si os 3 últimos andares. Como de praxe, o apartamento contava com elevador privativo para levá-lo direto da portaria ao primeiro piso de seu imóvel, além evidentemente de uma piscina privativa, situada no último andar. O nome do prédio homenageia a aldeia onde Dr. Larragoite nasceu.

O Zamúdio abrigou durante décadas o crème de la crème da sociedade carioca, além de membros do jet set internacional. Entre seus moradores mais ilustres, além do próprio Dr. Antônio Sanchez de Larragoite estavam o Príncipe Dom João Maria de Orléans e Bragança, a Princesa egípcia Fátima Scherifa Chirine (casada em primeiras núpcias com o Príncipe de Alexandria Hassan Omar Toussoun e, após o divórcio, mulher do último rei do Egito Farouk I), além de Dona Niomar Moniz Sodré Bittencourt, dona do jornal CORREIO DA MANHÃ e fundadora do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro.

Edifício Ana Carolina



Edifício Ana Carolina - Avenida Delfim Moreira, nr 816, Leblon.

Ele é TOP entre os TOPS. Foi relacionado pelo corretor de imóveis especializado em mercado imobiliário de luxo Paulo César Ximenes entre os 10 mais caros prédios para se morar em toda a cidade do Rio de Janeiro.

Debruçado sobre o mar do Leblon, com generosas varandas com piscina em cada uma delas, o edifício Ana Carolina possui os maiores apartamentos de todo o bairro do Leblon (apartamentos maiores inclusive do que o super badalado edifício Juan Les Pins), todos com área privativa de 685 (SEISCENTOS E OITENTA E CINCO) metros quadrados e 5 (cinco) vagas de garagem.

Construído na década de 80 pelo banqueiro Jorge Paulo Lehman, então dono do Banco Garantia, e pelo dono da Construtora Mauá, o prédio não teve um único apartamento ofertado ao mercado, sendo cada uma das unidades cedidas a membros das famílias que o construíram.

Edifício Tancredo Neves

 


Edifício Tancredo Neves - Av. Atlântica, nr 2016, Copacabana

Este prédio em particular me chamou atenção em Copacabana. Por eu ser mineiro, o passado deste prédio me mostrou histórias curiosas. Veja a seguir a transcrição de duas reportagens sobre este edifício publicadas no jornal Estado de Minas:

República de políticos mineiros reinou em Copacabana durante décadas
No entra e sai dos apartamentos da orla articulou nos bastidores pactos que afetaram a história do país

Era o início dos anos 1960. A capital do país acabava de ser transferida do Rio de Janeiro para Brasília. Mas para um grupo de importantes políticos mineiros o centro do poder permanecia na capital da Guanabara, mais especificamente em Copacabana, em particular a tradicional e luxuosa Avenida Atlântica. Seria assim ainda por muitas décadas. Foi lá, na Princesinha do Mar, que uma confraria de mineiros articulou, selou pactos, integrantes se desentenderam e, alcançando ou não acordos, chegaram a resultados que afetaram profundamente a política em Minas e no Brasil. Foi mesmo ao estilo da conversa ao pé do ouvido, no entra e sai dos apartamentos na glamourosa avenida, em encontros regados a café, pão de queijo, biscoito de polvilho, que se travaram os embates de ideias e de estratégias para a conquista ou reconquista dos palácios.

“Hoje, os milicos estão comigo na cabeça”, saudou Juscelino Kubitschek, referindo-se ao fato de que, naquele dia, 21 de abril de 1968, era comemorado o oitavo aniversário de Brasília. JK, que morava no Rio, chegara para o almoço na casa do amigo Joaquim Mendes de Sousa, ex-deputado federal do PTB por Minas Gerais. O endereço aonde acabara de chegar era velho conhecido do ex-presidente da República, fundador de Brasília e senador cassado: Avenida Atlântica, 2.016, 10º andar. Ali, no 4º andar, também vivia o ex-udenista Magalhães Pinto, que fora governador de Minas e, em 31 de março de 1964, ajudara a patrocinar o golpe militar. Ainda no mesmo prédio, no 8º andar, estava Tancredo Neves, derrotado por Magalhães nas eleições de 1960 ao governo de Minas, e que, logo após a renúncia de Jânio Quadros em agosto de 1961, tornara-se primeiro-ministro na rápida e forçada experiência parlamentarista brasileira.

JK também viveu lá no renomado bairro carioca. A princípio, na Rua Sá Ferreira, 38, 7º andar, mudando-se depois para a Atlântica, 2.038, 9º andar. Assim como ele, o colega de PSD, José Francisco Bias Fortes, ex-morador da Sá Ferreira, instalou-se na Atlântica, só que bem adiante, no número 4.112. Ainda na orla de Copacabana, na direção oposta, número 1.440, a poucos quarteirões de Tancredo e de Magalhães, vivia José Aparecido de Oliveira, udenista que não apoiou o golpe e perdeu, em 10 de abril de 1964, o mandato de deputado federal, também por força e obra do Ato Institucional número 1 (AI-1). Havia outros mineiros por ali: o senador e ex-ministro Eliseu Resende e os ex-governadores de Minas Rondon Pacheco e Benedito Valadares.

“Passei grande parte de minha vida no Rio de Janeiro, e as minhas férias em Barbacena”, revela Maria da Conceição Bias Fortes Pereira da Silva, que, em sua juventude, foi secretária do pai, o ex-governador José Francisco Bias Fortes. “Recebíamos lá em casa JK, Benedito Valadares, muitos, muitos políticos”, lembra, em seus 82 anos, com precisão de datas. “Em geral, os políticos mineiros dormiam cedo. Era o caso do meu pai. Não de JK. Nós o chamávamos de pé de valsa, porque, além de gostar muito de dançar, ele sempre dizia: ‘Dormir, só quatro horas chega’. O resto era vivendo”, conta Maria da Conceição. “A noite em casa era sempre uma prosa armada até as 22h30, com muito café, pão de queijo e biscoito de polvilho”, recorda.

Os anos que se seguiram ao golpe militar de 1964 foram difíceis para mineiros como JK e José Aparecido de Oliveira, ambos com os direitos políticos cassados. Enquanto JK tentava articular em silêncio, sob a vigilância da ditadura, junto inclusive a ex-adversários da UDN, uma frente ampla que pregava a reabertura democrática, a casa de José Aparecido se tornara point de intelectuais, artistas e jornalistas. “Era um entra e sai interminável”, lembra a mulher dele, Maria Leonor. Casos do período, não são poucos.

A data é fevereiro de 1969. O Ato Institucional número 5 (AI-5) havia sido decretado em 13 de dezembro de 1968 e o país vivia sob a mão pesada do aparato repressor do regime militar. O Antonio’s, no Leblon, era o clube de intelectuais e boêmios. O “encontro marcado” era, em geral, com uísque e críticas veladas à ditadura militar.

Numa dessas incursões, o inflamado jornalista e escritor Otto Lara Resende subiu em uma cadeira, discursou contra os militares. Um dos quatro inseparáveis mineiros à mesa, para fazer troça, saiu-se com esta: “Cuidado, Otto. Aqui ao lado tem um general que te observa”, lembra Maria Leonor. Sem perder a pose, Lara Resende continuou o discurso subindo o tom: “E, para que ninguém tenha dúvidas quanto à minha posição, declaro que me chamo José Aparecido de Oliveira”. Na sequência, anunciou: “Que privilégio morar na Rua Guimarães Rosa!”, dando o endereço errado do amigo. José Aparecido, que estava longe dali, em sua casa na Atlântica, não pôde deixar de rir, quando lhe telefonaram do bar, contando a história.

Fonte

Passado está vivo na orla carioca onde influentes políticos mineiros tomaram decisões

O passado ainda vive nos corredores e portarias dos edifícios da orla carioca onde influentes políticos mineiros tomaram decisões importantes para o país. Não faltam histórias e lembranças aos vizinhos e funcionários mais antigos da nata mineira do poder. O Golden Gate, construído no fim da década de 1940, por exemplo, recebeu o carinhoso apelido de “edifício dos mineiros”, porque lá viveram simultaneamente o presidente Tancredo Neves e o ex-governador de Minas Magalhães Pinto. Havia ainda vizinhos importantes, como o ex-proprietário do Unibanco Walter Moreira Salles e a amante de Juscelino Kubitschek por 18 anos, Maria Lúcia Pedroso, uma jovem senhora loura, casada com o deputado José Pedroso, que só não parava o trânsito porque costumava sair sempre de carro.

Ao lado do prédio com entrada de mármore, tapete vermelho e fachada arredondada – que amplia a área interna dos apartamentos de cerca de 650 metros quadrados, transformando as varandas numa espécie de jardim de inverno – subiu o Silver Gate, quase 15 anos depois. Ali morou JK e sua Sarah, quando ele ainda era presidente. Construído pelo mesmo engenheiro, o edifício tem o mármore mais escuro e detalhes no guarda-corpo. O apartamento é um pouco maior, mas a estrutura dos imóveis é basicamente a mesma: grande salão à frente, cozinha e área de serviço no meio e os cinco quartos nos fundos, no canto mais silencioso. O condomínio custa R$ 3.250.

Pagam-se aproximadamente R$ 15 mil pelo IPTU e certamente é um dos metros quadrados mais caros da Cidade Maravilhosa. O Golden Gate, por causa do presidente, mudou de nome anos depois. O número 2.016 da Avenida Atlântica ganhou homenagem a Tancredo, que tinha em seu apartamento obras dos pintores Di Cavalcanti e Guignard, além de um grande abacaxi como luminária no hall de entrada. Numa obra de revitalização, a síndica retirou a placa de metal e a família Neves chiou. “Foi deselegante”, comenta uma moradora. Hoje há outra placa instalada próxima à entrada, mas sem tanta pompa como no passado.

Tancredo morava no 10º andar e Magalhães Pinto, no 4º, em imóveis que ainda pertencem aos parentes. A família Pedroso, que vendeu o apartamento, também costumava receber nomes importantes, como o presidente Artur da Costa e Silva. As reuniões, porém, aconteciam em outro apartamento, onde não havia tantos holofotes. A discrição mineira era importante naquele momento e o elevador, que leva o visitante direto ao luxuoso imóvel, servia como redoma. “As reuniões políticas iam até a madrugada.

Os homens se fechavam com uísque e charuto, e suas mulheres iam passear no Copacabana Palace. Um dia, só desligando o ar-condicionado para acabar com o encontro deles. Tudo saiu dali: alianças, decisões e traições”, conta sorridente a mulher de um político da época.

A quase dois quarteirões dali, em direção ao Leme, janelões de vidro fumê marrom guardam as memórias dos eventos do embaixador José Aparecido de Oliveira no apartamento de 480 metros quadrados, também de frente para o mar. Ministro da Cultura no governo de José Sarney e secretário do presidente Jânio Quadros, José Aparecido era anfitrião de jantares e festas no Palacete Atlântica, que nunca passavam da meia-noite. Quatro empregados, sempre os mesmos, cuidavam dos canapés e pratos finos. A bebida importada, segundo funcionários, vinha de uma delicatessen do bairro.

“Já fizeram festas para 50 pessoas, encontros reservados para grupos políticos ou jantares para artistas”, conta o porteiro Abinadabe Azevedo de Oliveira, de 33 anos. “Já vi por aqui as atrizes Lucélia Santos e Fernanda Montenegro, quando o embaixador era ministro, na década de 1990. O presidente de Portugal, Mário Soares, era muito amigo dele e veio muitas vezes passar o réveillon. Lembro quando o prefeito Cesar Maia veio jantar e o presidente Itamar Franco se apresentou para mim e pediu para interfonar”, diz o rapaz, apaixonado por política.

Em 2002, uma reunião fechada no apartamento de José Aparecido teria definido a aliança em apoio a Aécio Neves. O apartamento hoje está alugado. O valor, comenta-se pelos corredores, atinge a cifra de R$ 15 mil. A venda não sai por menos de R$ 4 milhões, apesar de o prédio estar precisando de reformas. Abinadabe tem uma grande admiração por José Aparecido e diz, orgulhoso, que fez trabalhos de confiança no apartamento que o embaixador comprou do ex-deputado Magalhães Pinto, quando o Banco Nacional ainda funcionava.

“Era tudo muito chique. Ele tinha uma biblioteca, o teto da sala era rebaixado como uma moldura e o quarto da filha, onde fiz reparos elétricos, tinha uma parede toda pintada pelo cartunista Ziraldo. Tinha a caricatura da família e imagens da fazenda deles no interior do Rio. Havia bancadas de mármore na cozinha e uma mesa grande de madeira maciça, acho que de carvalho”, conta o porteiro.

Segundo Abinadabe, que trabalha no edifício há 16 anos, José Aparecido era um homem “bom e educado”. “Em 1999, a esposa de outro porteiro estava grávida e a criança tinha um problema sério no coração. O embaixador conseguiu que o parto da moça fosse no Hospital do Coração, em São Paulo, onde a menininha foi operada assim que nasceu. Não era política. Ele ajudou de coração.”

Os funcionários mais antigos do edifício onde morou o ex-governador de Minas Gerais Hélio Garcia, na Avenida Vieira Souto, em Ipanema, também falam do enorme coração do político mineiro. “A dona Joana, que trabalhou com a família durante anos, ganhou dele um apartamento no Leme. Ele sempre foi muito atencioso com todos e custeou os estudos da filha dela, que hoje é militar. Em dias de festa, ele mandava comida para a gente aqui na portaria, a mesma que os políticos comiam lá em cima nas reuniões. E era bem generoso com a caixinha do fim de ano”, conta um porteiro que pediu para não ser identificado. O apartamento hoje está fechado e raramente uma das três filhas aparece por lá.

Fonte

Sei que este post deve ter sido inútil para a maioria dos leitores deste blog, mas caso queira conhecer mais sobre este edifícios e seus ilustres moradores indico este forum de onde tirei os textos para montar este post.

17 comentários:

  1. e o que me interessa saber disso?

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    1. Imagino que nada, como escrevi no último parágrafo...

      "Sei que este post deve ter sido inútil para a maioria dos leitores deste blog..."

      Mas de vez em quando é bom escrever amenidades, rs. Deixo a seriedade para meus outros sites.

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    2. por isso fatura tanto com propaganda caçando click descaradamente

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    3. Anon 16:26, o post foi uma homenagem ao VDC.
      Entendedores entenderão.

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    4. Acho que o amigo não percebeu que este blog nem tem propaganda, rs.

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  2. De que adianta um imóvel desse num lixo de cidade como o Hell?

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    1. Já fui umas 7 vezes ao Rio, não é bem assim, este inferno é só para alguns. Quem vive ali na orla está em um mundo paralelo. Veja o apartamento de Marcel Telles sócio do Lemman...
      http://www.bernardesarq.com.br/en/projeto/agua/

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    2. Nao é bem assim? é pior...meu irmao foi morto com bala perdida em copacabana, meu tio esfaqueado no leblon, meu pai assaltado 23x na zona sul

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    3. Meus sentimentos pelo seu irmão. Você mora no Rio? Bom, pode entender mais de Rio do que eu. Sou um mero turista.

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  3. Muito bom tópico Uorrem, parabéns pela pesquisa.
    Interessantes estes tópicos como motivação para manter o cronograma de aportes e investimentos, mesmo que tais empreendimentos não sejam motivo de cobiça dadas as proporções finaceiras.

    Abraços.

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    1. Valeu Anom!
      Foi um off-topic, mas acaba tendo a ver com o tema finanças.
      Abraço!

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  4. Interessante tópico, Os edifícios são bem bonitos

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    1. Já sao bem antigos, mas o local é bem valorizado.

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  5. Veja como são as coisas, se eu tivesse 70 milhões pra pagar num apartamento, jamais moraria no 3° mundo. Mudaria para Paris ou Londres, ou até Ny.

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    1. Só lembrando que estas pessoas que compram estes aps de milhões possuem outros imoveis em outros locais, é o caso do Marcel Teles que criou a Ambev e possui a maior cobertura da Vieira Souto e outro ap caríssimo em Nova York...
      https://economia.uol.com.br/album/2014/07/11/marcel-herrmann-telles.htm

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