sexta-feira, 29 de maio de 2020

Tramontina: O Porteiro de Puteiro que se Tornou um dos Maiores Empresários do Brasil

Embrenhado nos cafundós do Judas, num lugar de difícil aceso e  retirado a dois dias de mula do centro comercial mais próximo, existia um pequeno povoado, de moradores muito humildes, lugar esquecido e de pouco interesse dos políticos, cuja única fama, que mais o denegria do que o exaltava, era a existência de um puteiro que recebia homens de toda a região.

Foi neste ambiente caboclo que nasceu Valentin, um gauchinho filho de mãe solteira, que logo após o nascimento a mãe veio a falecer. O rebento foi adotado por compaixão pelas prostitutas colegas de labuta da mãe falecida. O menino cresceu e, criado neste fim de mundo em ambiente tão adverso, não recebeu das mães de criação a possibilidade de frequentar uma escola. Assim, não aprendeu a ler nem escrever e já rapaz não aprendeu outra atividade ou profissão senão servir de guarda na portaria da pequena casa de diversão.

Um dia, entrou como novo gerente do puteiro um sujeito cheio de ideias, e assim decidiu modernizar o estabelecimento. Planejou as mudanças e chamou os funcionários e funcionárias para passar as novas instruções. Ao porteiro disse:

– A partir de hoje, o senhor, além de ficar na portaria, vai preparar um relatório semanal onde registrará a quantidade de clientes e seus comentários e reclamações sobre nossos serviços.
– Eu adoraria fazer isso, senhor. Mas eu não sei ler nem escrever!
– Ah! Quanto eu sinto! Mas se é assim, já não poderá seguir trabalhando aqui.
– Mas senhor, não pode me despedir, eu trabalhei aqui a minha vida inteira, não sei fazer outra coisa.
– Olhe, eu compreendo, mas não posso fazer nada pelo senhor. Vamos dar-lhe uma boa indenização e espero que encontre algo que fazer. Eu sinto muito e que tenha sorte.

Sem mais nem menos, deu meia volta e foi embora. O porteiro sentiu como se o mundo desmoronasse. Que fazer? Lembrou que no prostíbulo, quando quebrava alguma cadeira ou mesa, ele a consertava, com cuidado e zelo. Pensou que esta poderia ser uma boa ocupação até conseguir um emprego. Mas só contava com alguns pregos enferrujados e um alicate mal conservado. Usaria o dinheiro da indenização para comprar uma caixa de ferramentas completa.

Como o povoado não tinha casa de ferragens, deveria viajar dois dias em uma mula para ir ao povoado mais próximo para realizar a compra. E assim o fez. No seu regresso, um vizinho bateu à sua porta:

– Venho perguntar se você tem um martelo para me emprestar.
– Sim, acabo de comprá-lo, mas eu preciso dele para trabalhar … já que..
– Bom, mas eu o devolverei amanhã bem cedo.
– Se é assim, está bom.

Na manhã seguinte, como havia prometido, o vizinho bateu à porta e disse:

– Olha, eu ainda preciso do martelo. Porque você não o vende para mim?
– Não, eu preciso dele para trabalhar e além do mais, a casa de ferragens mais próxima está a dois dias de viagem sobre a mula.
– Façamos um trato – disse o vizinho.

Eu pagarei os dias de ida e volta mais o preço do martelo, já que você está sem trabalho no momento. Que lhe parece?

Realmente, isto lhe daria trabalho por mais dois dias…. aceitou.Voltou a montar na sua mula e viajou.
No seu regresso, outro vizinho o esperava na porta de sua casa.

– Olá, vizinho. Você vendeu um martelo a nosso amigo.

Eu necessito de algumas ferramentas, estou disposto a pagar-lhe seus dias de viagem, mais um pequeno lucro para que você as compre para mim, pois não disponho de tempo para viajar para fazer compras.Que lhe parece?

O ex-porteiro abriu sua caixa de ferramentas e seu vizinho escolheu um alicate, uma chave de fenda, um martelo e uma talhadeira. Pagou e foi embora. E nosso amigo guardou as palavras que escutara: ‘não disponho de tempo para viajar para fazer compras’.

Se isto fosse certo, muita gente poderia necessitar que ele viajasse para trazer as ferramentas. Na viagem seguinte, arriscou um pouco mais de dinheiro trazendo mais ferramentas do que as que havia vendido. De fato, poderia economizar algum tempo em viagens. A notícia começou a se espalhar pelo povoado e muitos, querendo economizar a viagem, faziam encomendas.

Agora, como vendedor de ferramentas, uma vez por semana viajava e trazia o que precisavam seus clientes. Com o tempo, alugou um galpão para estocar as ferramentas e alguns meses depois, comprou uma vitrine e um balcão e transformou o galpão na primeira loja de ferragens do povoado.

Todos estavam contentes e compravam dele.Já não viajava, os fabricantes lhe enviavam seus pedidos. Ele era um bom cliente. Com o tempo, as pessoas dos povoados vizinhos preferiam comprar na sua loja de ferragens, a ter de gastar dias em viagens.

Um dia ele lembrou de um amigo seu que era torneiro e ferreiro e pensou que este poderia fabricar as cabeças dos martelos.E logo, por que não, as chaves de fendas, os alicates, as talhadeiras, etc… E após foram os pregos e os parafusos… Em poucos anos, nosso amigo se transformou, com seu trabalho, em um rico e próspero fabricante de ferramentas.

Certo dia decidiu doar uma escola ao povoado. Nela, além de ler e escrever, as crianças aprenderiam algum ofício. No dia da inauguração da escola, o prefeito lhe entregou as chaves da cidade, o abraçou e lhe disse:

– É com grande orgulho e gratidão que lhe pedimos que nos conceda a honra de colocar a sua assinatura na primeira página do livro de atas desta nova escola.
– A honra seria minha – disse o homem. Seria a coisa que mais me daria prazer, assinar o livro, mas eu não sei ler nem escrever, sou analfabeto.
– O Senhor?!?! – Disse o prefeito sem acreditar. O senhor construiu um império industrial sem saber ler nem escrever? Estou abismado. Eu pergunto:
– O que teria sido do senhor se soubesse ler e escrever?
– Isso eu posso responder. – Disse o homem com calma.
Se eu soubesse ler e escrever… ainda seria o PORTEIRO DO PUTEIRO!!!

Lição desta história:  Geralmente as mudanças são vistas como adversidades e obstáculos, principalmente quando estamos em zonas de conforto. Mas estas adversidades podem ser bênçãos. As crises estão cheias de oportunidades. Se alguém lhe fechar as portas, não gaste energia com o confronto, procure janelas para abrir.

Valentin Tramontina: O Porteiro do Puteiro

 

Essa história é atribuída a um grande industrial chamado Valentin Tramontina, fundador da Tramontina, que hoje tem 7.000 empregados e produz 18.000 itens que vão desde colheres de mesa a sofisticadas ferramentas e exporta para mais de 120 países. A cidadezinha é Carlos Barbosa e fica no interior do Rio Grande do Sul.

valentin tramontina porteiro de puteiro

Quase todo mundo que lê este conto fica emocionado e inspirado com a história de superação e sucesso do protagonista. Mas esta bela história é fantasiosa e foi elaborada por alguém para dar uma lição motivadora. Valentin nunca foi porteiro de prostíbulo. Era um colono artesão, oriundo de Santa Bárbara, interior do município de Bento Gonçalves, filho da imigrantes italianos da aldeia de Poffabro, município de de Frisanco, na região do Friuli-Venezia Giulia, nordeste da Itália.

Tramontina

 

A história da Tramontina começa em 1911, quando Valentin Tramontina chega à cidade de Carlos Barbosa, no Rio Grande do Sul, para montar o seu próprio negócio. Das mãos deste filho de italianos, natural de Santa Bárbara (RS), nasce a ferraria Tramontina: uma pequena oficina estabelecida em um terreno alugado.

Após cumprir o serviço militar obrigatório, Valentin retoma suas atividades e investe no futuro, transferindo a empresa para um galpão maior. Terra e mata, algum instrumento de trabalho, foi o início do barraco provisório, do esquartejo do pinheiro, da derrubada da mata, da construção da casa definitiva, dos cercados, galpões e as plantações.

Para o imigrante que deixou a Itália no final do século 19, o principal anseio era a propriedade da terra. O contato com a Revolução Industrial ocorrido na Europa foi de grande valia para o colono italiano. O trabalho na fábrica, ainda que temporário, o familiarizou com o novo modo de produzir. Algumas máquinas, fruto da revolução industrial, foram trazidas pelos imigrantes.

Saber como as máquinas eram produzidas era um atalho para a produção de novas ferramentas e artefatos. Tudo o que escrevemos até agora é para dizer que a família Tramontina tinha em seu sangue o destemor da maioria dos imigrantes que aportaram nessa região inóspita e ingrime do estado mais meridional do Brasil.

Ao chegar na região colonial do Rio Grande do Sul, o imigrante trazia o conhecimento de algumas atividades e as precondições para a produção de outras. Eram extremamente engenhosas.Um córrego, a ser canalizado, em todo ou em parte, foi a grande engenhosidade dos imigrantes. A roda d’água foi o embrião da metalurgia da região.

Valentin Tramontina, em 1911, montou sua ferraria na então vila de Carlos Barbosa. A família de Valentin morava em Santa Bárbara, localidade pertencente ao município de Bento Gonçalves, atualmente fazendo parte do município de Monte Belo do Sul, e lá fabricava ferramentas agrícolas.

Valentin veio a Carlos Barbosa porque a chegada da ferrovia significava perspectiva de expansão. Até 1930, a produção da ferraria era modesta. Valentin prestava serviços a empresas, entre elas Arthur Renner, proprietário de uma refinaria de banha, onde eram abatidos mais de 150 suínos por dia. Fazia consertos nas empresas e fabricava facas e canivetes. Podia ser considerado um ferreiro urbano.

Em 1924, a empresa de Arthur Renner se transfere para Montenegro. A partir de então, ocorrem algumas mudanças na linha de produção. O tradicional cabo de madeira das facas e canivetes é substituído pelo cabo de chifre, e vários modelos são lançados, entre eles um denominado "Santa Bárbara".

fabrica tramontina

Em 1932, Valentin agrega os primeiros colaboradores. São pessoas que residem na vila, trabalham na agricultura em tempo parcial e começam a fazer facas e canivetes nos porões de suas casas.

Valentin Tramontina, nascido em 1893, falece com 46 anos de idade, no ano de 1939. A partir daí, assume a ferraria, dona Elisa Tramontina, esposa de Valentin, que desponta como uma empreendedora nata e arrojada. Ela é quem embarca no trem da estação da vila de Carlos Barbosa e vai vender a produção nos mercados regionais e na capital do Estado.

Durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), caso não existisse a determinação e a coragem de Elisa, a ferraria teria sucumbido.

O ano de 1949 pode ser considerado um marco na história do Grupo. Trata-se da data em que Ruy José Scomazzon, barbosense de 20 anos, amigo de Ivo Tramontina, cursando a Faculdade de Ciências Econômicas da PUC – Porto Alegre, começa a prestar assessoria à Tramontina. Ruy, com espírito de liderança, implanta planos ambiciosos, enfatizando a organização em todos os setores. Inaugura-se uma nova etapa. O caráter artesanal dá lugar a uma produção manufatureira.

Na década de 50, a empresa contava com 30 empregados e alguns representantes comissionados espalhados pelo Estado.

Os canivetes representavam 90 por cento do faturamento. Vem da Itália a tradição de ter no bolso um canivete, cuja denominação é "brítola". Trata-se de um canivete com formato de pequena foice utilizado principalmente na poda da parreira, para cortar vime. A Tramontina sempre se destacou na fabricação deste canivete. A empresa se capitaliza rapidamente, com inovações tecnológicas: laminadores, marteletes, máquinas de esmerilhar e forjar, que dinamizam a produção em série.

Com a presença do governador Ildo Meneghetti, em dezembro de 1956, foi inaugurada a ampliação das instalações da empresa e o novo escritório. Intensifica-se a produção de facas e ferramentas agrícolas. O ano de 1958 marca a fundação da Metalúrgica Forjasul, em Porto Alegre, e posteriormente transferida para Canoas.

Em 1961 falece a grande baluarte Elisa Tramontina. As décadas de 60 e 70 são marcadas pela instalação de empresas do Grupo em Garibaldi, Farroupilha e na Bahia, e também pela admissão de novos empregados.

A história de sucessão começou em 1949, quando Ivo Tramontina seguiu os passos do pai e passou a comandar o negócio, junto com seu amigo, Ruy J. Scomazzon. Nas décadas seguintes, a dupla foi responsável por expandir o empreendimento e levar a Tramontina para cerca de 120 países.

A tradição da família continuou quando Clóvis Tramontina, filho de Ivo, deu sequência aos negócios, assumindo, em 1992, a presidência da companhia. Mas ele não caiu de paraquedas no cargo. Antes de alcançá-lo, foi preparado para isso. Passou por vários setores da empresa e estudou, se formando em Administração e fazendo alguns outros cursos depois, como pós-graduação e MBA.

loja tramontina

Houve um salto gigantesco. Dos 30 empregados existentes em 1950, a empresa passou a ter em seu quadro 557 funcionários no final dos anos 60. Hoje o Grupo emprega quase 7.000 pessoas, exporta para mais de 120 países e é uma marca conhecida no mundo inteiro. Nas suas 10 unidades produz mais de 18 mil itens. A organização das fábricas se dá da seguinte forma:

  1. Tramontina Belém, localizada na cidade de Belém/PA, produz móveis de madeira para áreas internas e externas, utilidades domésticas e cabos para ferramentas.
  2. Tramontina Cutelaria, localizada na cidade de Carlos Barbosa/RS, produz facas de cozinha, profissionais e esportivas, utensílios de cozinha, talheres para uso diário, panelas, frigideiras, formas e assadeiras, tesouras, potes plásticos, uma linha infantil e uma linha de produtos e acessórios para churrasco.
  3. Tramontina Delta, localizada na cidade de Recife/PE, produz mesas, cadeiras, brinquedos, estantes, vasos, lixeiras, caixas organizadoras, gaveteiros e poltronas de plástico injetado ou rotomoldado.
  4. Tramontina Eletrik, localizada na cidade de Carlos Barbosa/RS, produz tomadas, interruptores, disjuntores, duchas, extensões, conduletes, acessórios para eletrodutos, aparelhos à prova do tempo, iluminação, injeção de alumínio sob encomenda e produtos para atmosferas explosivas.
  5. Tramontina Farroupilha, localizada na cidade de Farroupilha/RS, produz panelas, talheres e uma linha para servir de aço inoxidável, cozinhas profissionais e eletroportáteis.
  6. Forjasul Canoas, localizada na cidade de Canoas/RS, produz morsas, machados, marretas, ganchos para içamento de cargas, forjados sob encomenda e ferragens eletrotécnicas para linhas de transmissão e subestações de alta e extra-alta tensão e para redes aéreas de distribuição de energia elétrica.
  7. Tramontina Garibaldi, localizada na cidade de Garibaldi/RS, produz ferramentas industriais e organizadores metálicos para o setor industrial e automotivo, ferramentas profissionais para a construção civil e ferramentas manuais para uso doméstico.
  8. Forjasul Madeiras, localizada na cidade de Encruzilhada do Sul/RS, produz painéis de pinus, prateleiras retas e de canto, estantes e utilidades domésticas.
  9. Tramontina Multi, localizada na cidade de Carlos Barbosa/RS, produz equipamentos dirigíveis, ferramentas e equipamentos para jardinagem, agricultura e construção civil.
  10. Tramontina TEEC, localizada na cidade de Carlos Barbosa/RS, produz tanques, pias/cubas, coifas, cooktops, fornos, lixeiras, cachepôs e acessórios.

Fonte



domingo, 10 de maio de 2020

A Filosofia do Chaves: Não Tenha Nada para não Ter Nada a Perder! Só Assim Você Será Livre.

Um tema pelo qual tenho me interessado muito é a Intersubjetividade: a capacidade do homem de se relacionar com o seu semelhante. Jean-Paul Sartre resumiu seu ponto de vista sobre este assunto em uma frase presente na sua peça de teatro Entre Quatro Paredes: “o inferno são os outros”.

Para Sartre, a principal característica do homem é a sua liberdade fundamental. Sendo assim, mesmo alguém mantido sob a pior forma de dominação, no fundo permanece livre em seu ser, em sua consciência. Em outras palavras, um homem jamais conseguirá dominar completamente o outro.

Isto explica, em parte, porque as relações humanas são em geral conflituosas: na presença do outro há um confronto entre minha liberdade e a dele. E porque o outro também é livre, não podemos controlar o que ele pensa e o que ele nos diz. Porém, ao mesmo tempo preciso dele, de seu olhar crítico, ainda que, muitas vezes, esse olhar veja algo em nós que não gostamos.

Esta questão da liberdade dos indivíduos me remete a uma entrevista que vi recentemente no Youtube do Mario Sérgio Cortella. Neste vídeo, o professor discorreu sobre o conceito de ética e liberdade fazendo um paralelo com o seriado Chaves. Irei transcrever na íntegra a sua fala para que o leitor não perca nenhum detalhe:

"No contexto da discussão sobre ética. Você tem que lembrar que o Chaves, o personagem da TV, ele é alguém que se inspirou num pensador clássico chamado Diógenes. Diógenes foi um filósofo grego pós-socrático que morava num barril. Tal como Sócrates viveu solto na praça, discutindo, e o Chaves mora num barril, Diógenes, que era um alguém da escola cínica na Filosofia, morava num barril e vivia nu. Aliás, porque ele não tinha propriedade alguma pra não ser propriedade de nada. Se você já observou na série “Chaves”, ninguém tem animal de estimação naquela vilinha, porque o único ser ali que é um animal de estimação é o próprio Chaves. Segundo, é o único que é livre, o único que pode dizer o que quer, ele não tem nada a perder."


O Cortella só cometeu um pequeno equívoco pois o Chaves não mora no barril segundo palavras dele mesmo:

"Eu não moro no barril, eu só entro no barril porquê... bem, você sabe... pra... "
"Só por esporte."
"Isso!"
(Diálogo entre Chaves e Kiko)


Bom fim de semana a todos!

Ah, abaixo a entrevista citada...

quinta-feira, 23 de abril de 2020

Como a Crise do Corona Vírus Está me Afetando

Olá colegas!
Tudo bem com todos?
Espero que sim.

Estamos vivendo tempos difíceis, nem preciso entrar em detalhes pois afetou todo mundo: do rico ao pobre, do negro ao branco, até animais acabam sendo afetados. Quem não foi afetado mesmo é a natureza, agora ela está respirando aliviada.

Este será um post rápido só para compartilhar com os senhores o que mudou na minha vida. De vez em quando é bom falar, compartilhar experiências, afinal este é um blog pessoal.


Como a Crise Afetou a Vida Pessoal

 

Confesso que minha vida pessoal não mudou muito. Costumo brincar que estou em quarentena já há anos. Como trabalho em casa desde 2008, então as mudanças foram poucas. Faço parte do grupo dos privilegiados, estes que podem trabalhar em casa. Mas algumas mudanças ocorreram. Antes da crise eu levava o Uozinho para a escolinha logo após o almoço e buscava às 19:00. Agora eu fico com ele até às 16:00 para fazer o homeschooling. Então volto trabalhar e vou até lá pelas 21:00. Considerando que começo trabalhar por volta das 9:00, então são 12 horas por conta de atividades.

A esposa agora também está em home office, não sabemos até quando, mas isto acaba ajudando um pouco pois ela pode ficar com o Uozinho enquanto eu trabalho. A carga de trabalho dela é menor, 6 horas, pois é funcionária pública. Então consegue ficar mais tempo com o Uozinho.

Desta forma estamos ficando praticamente trancados dentro de casa, saindo apenas para fazer compras de alimentos. Moramos com a mãe da esposa, idosa, e o Uozinho é asmático, então todo cuidado é pouco.

Como a Crise Afetou a Vida Profissional


Estou produzindo menos desde que a crise começou, antes eu até conseguia trabalhar umas 10 horas por dia mas agora tenho acordado mais tarde além de esta ficando mais tempo com a família. Tenho então trabalhado em torno de 8 horas. Destas 8, acabo ficando umas 2 horas nos sites e me sobra 6 horas para me dedicar à minha empresa. Não posso trabalhar menos que 6 horas nos projetos da empresa pois senão começo atrasar as entregas e os faturamentos, o que não é bom. No fim de semana ainda consigo trabalhar mais algumas horinhas então acaba compensando um pouco a redução de trabalho durante a semana.

Do ponto de vista dos projetos da empresa, a crise ainda não afetou o andamento dos trabalhos. Meus clientes atuais são grandes siderúrgicas e continuam operando, apesar de terem reduzido a produção, com o abafamento de alto-fornos.

Temos atualmente quatro projetos em andamento. Meu sócio está lidando com dois e eu com os outros dois. São dois projetos grandes de dois pequenos. Então temos trabalho para pelo menos os próximos 6 meses.

Como a Crise Afetou a Vida Financeira


Quando a ficha caiu o mercado deu o recado. Foi fulminante. Nunca se viu tantos circuit breaks seguidos nas bolsa. Até os gestores mais experimentes não estavam entendendo nada. Não existia precedente, perdeu-se as referências.

Aqui não foi diferente, a queda patrimonial foi significativa, no ápice da crise, lá pela última semana de março, estava vendo uma queda de cerca de 700 mil reais no patrimônio, mas agora melhorou um pouco. Meu prejuízo só não foi maior porque em janeiro vendi parte das minhas ações para comprar um carro novo, cerca de 140 mil reais, então consegui "salvar" um pouco.

Agora estou fortemente posicionado em bolsa novamente, última vez que me vi nesta situação de alocação quase 100% foi em fevereiro de 2016. Daqui pra frente todo dinheiro que sobrar vai para bolsa, sem pensar duas vezes. Quando a economia normalizar aí vou parar os aportes na renda variável, enquanto estiver tudo fodido vou continuar comprando.

Os sites continuam pagando bem, verifiquei uma queda de 30% no CPC mas o tráfego continua alto. Graças à alta do dólar neste mês de abril tive o maior recebimento do Google até hoje, 22 mil reais e uns quebrados, não foi o maior rendimento em dólares mas foi em reais. Este dinheiro cai hoje no banco e será devidamente distribuído entre 2 corretoras. Comprarei BOVA11 e algumas ações. Não tenho FIIs mais, só ações small caps e BOVA11.

Grande abraço!
Saúde e paz para todos!
Bons investimentos!

terça-feira, 31 de março de 2020

Quanto Preciso Poupar para Aposentar?

Considerando que precisarei de 2 mil dólares por mês para viver dignamente bem na minha idade senil e considerando que irei iniciar minha poupança para aposentadoria no dia de hoje aos 45 anos (não é o caso mas estou apenas fazendo um exemplo didático), considerando também que não quero deixar dinheiro para herdeiros (ficarão apenas com os bens - o que já está de bom tamanho), e considerando que viverei até os 100 anos, então a planilha é a seguinte:

Idade Poupança em Dólares
45 24000
46 48000
47 72000
48 96000
49 120000
50 144000
51 168000
52 192000
53 216000
54 240000
55 264000
56 288000
57 312000
58 336000
59 360000
60 384000
61 408000
62 432000
63 456000
64 480000
65 504000
66 528000
67 552000
68 576000
69 600000
70 624000
71 648000
72 672000
73 648000
74 624000
75 600000
76 576000
77 552000
78 528000
79 504000
80 480000
81 456000
82 432000
83 408000
84 384000
85 360000
86 336000
87 312000
88 288000
89 264000
90 240000
91 216000
92 192000
93 168000
94 144000
95 120000
96 96000
97 72000
98 48000
99 24000
100 0

Ou seja, preciso poupar 24 mil dólares por ano até completar 72 anos. Depois disto é só ir sacando 24 mil dólares por ano até os 100 anos de idade.

Me conte aí qual é a sua estratégia para aposentadoria. Dividendos de ações? Aluguel de imóveis? Tesouro Direto?

Depois desta crise aprendi que "cash is king!" rs


terça-feira, 4 de fevereiro de 2020

Planilhas de Controle: Uma Hora Você Não Vai mais Precisar Delas

Eu já fui o rei das planilhas, era assim que minha esposa me chamava quando me conheceu. Eu tinha planilha para tudo, de controle de gastos a controle do crescimento do filho. Mas já tem uns dois anos que eliminei todas as planilhas da minha vida. Minto, sobrou apenas uma: a de rendimentos para fins de imposto de renda.


No inicio da minha vida adulta a planilha de controle de gastos se tornou indispensável para minha reorganização financeira. Era uma planilha bem detalhada (veja aqui), e me divertia em controlar até os centavos que deixava para o flanelinha.

Depois vieram as planilhas de controle de rendimentos. Meu Deus, eu ficava ansioso para a chegada do último dia do mês para fazer o famoso "fechamento mensal". E foi por isto que criei este blog anos atrás, para divulgar meus fechamentos e participar de rankings de rentabilidade. Também era muito divertido fazer aquilo, até ver que isto não passa de um "game" sem sentido.

E chegou um dia que não vi mais necessidade para fazer estes controles. Chega-se em um ponto da vida que você entra em modo "voo de brigadeiro". Para de sentir turbulências, e a única coisa que precisa é ligar o piloto automático.

Se me perguntar quando gastei nos últimos dois anos... não sei. Se me perguntar qual foi minha rentabilidade de investimentos nos últimos dois anos... também não sei. E quer saber? Isto não faz mais a menor diferença para mim.

Mas caso você esteja iniciando sua vida financeira, caso não tenha nenhuma ideia para aonde seu dinheiro está indo, recomendo fortemente que tenha pelo menos uma planilha de controle de gastos, e torne sistemático o hábito de registrar suas despesas e rendimentos até o momento que sua vida entrar em piloto automático e não precisar mais daquilo.

sexta-feira, 24 de janeiro de 2020

FIRE e a Sua Geração de Valor

Na finansfera agora só se fala de FIRE, para quem não conhece o termo, significa "Financial Independence and Retirement Early". Basicamente é se aposentar o mais cedo possível após conquistar a independência financeira.

O que venho chamar atenção aqui é para o "RE", isto é, a aposentadoria antecipada. O "FI" está OK, todo mundo deve buscar a independência financeira, mas a busca do "RE" pode dar um nó na cabeça do indivíduo se não for bem trabalhada.

Geralmente as pessoas buscam a aposentadoria antecipada simplesmente porque detestam o seu trabalho. Ou até gosta da profissão escolhida mas a mesma é tão desgastante que não vale a pena os benefícios em função do custo.

Poderia vir aqui com aquele papinho de que você deve procurar uma atividade que ama pois assim seu trabalho torna-se prazeroso. Mas não é assim, mais cedo ou mais tarde a atividade tão amada torna-se também enfadonha e maçante.

Também não vejo com bons olhos o indivíduo gastar tanto tempo de estudos e especializações para aprender fazer algo na vida e de repente jogar toda aquela bagagem fora. Estamos aqui falando de geração de valor.

Basicamente nossa vida é uma troca de valores entre pessoas. Cada um tem sua potencialidade e a usa para gerar valor para as outras pessoas. Se você gerar muito valor irá receber dinheiro em troca disto. Usará então este dinheiro para extrair valor de outras pessoas. Irá acumular parte deste dinheiro para, no futuro, ainda continuar obtendo valores das pessoas quando você não mais tiver condições de gerar valor.

O meu alerta está neste período em que você já conquistou a independência financeira mas ainda tem plenas capacidades de continuar gerando valor para as outras pessoas. Se você simplesmente parar de gerar valor poderá ter sérios problemas psicológicos.

Gerar valor é umas das coisas mais gratificantes para o ser humano, além de ser importantíssimo para manter a sanidade mental. Use para isto suas potencialidades, seus aprendizados de vida. Todo mundo é muito bom em algo, e esta potencialidade não pode ser desperdiçada, mesmo que você já atingiu o "FI", pense bem a respeito do "RE".

Termino este post deixando a dica de um excelente documentário que tem no Netflix sobre o sushiman mais famoso do Japão. Para comer um sushi lá você precisa entrar em uma fila de espera de 3 meses. A potencialidade deste japones é fazer o melhor sushi do mundo, é nisto que ele é muito bom, esta é a sua bagagem de vida. Este é o valor que ele gera para as outras pessoas.

No subsolo de uma estação de metrô em Tóquio trabalha o maior e mais renomado Sushiman do Japão, Jiro Ono, que com seus 85 anos ainda cuida diariamente de seu restaurante o Sukibayashi Jiro. Este documentário retrata de forma magnífica a história, desafios e a busca incessante pelos melhores ingredientes e o aprimoramento da arte de fazer sushi. Por que um simples sushi de arroz e peixe produzido por este homem, tem um nível de qualidade tão grande que possa chamar a atenção dos maiores chefs do mundo?

 

sábado, 18 de janeiro de 2020

Quanto Paga o Adsense Atualmente?

Recebi esta pergunta de um leitor...

Quanto você ganhava no início dos seus sites? eu vi seus sites e esses números me parecem bem altos pra maioria da média, mas... não estou aqui pra duvidar. teria como você postar uma imagem de toda sua trajetória com o AdSense (relatório de todo período)?

A imagem está abaixo. Coloquei alguns valores escondidos pois são proibidos pelo Google para divulgação.


Note que os ganhos são bem irregulares. Internet é assim, hora você ganha muito, hora ganha pouco. Não queira viver de internet, faça disto apenas uma renda extra.

sexta-feira, 17 de janeiro de 2020

Buffett & Gates

Vídeo um pouco antigo mas só tive contato com ele agora. Gostei muito e por isto estou compartilhando. Este Buffett é uma fanfarrão, tem piada para tudo, baita senso de humor. Deve ser por isto que já está chegando nos 90 mesmo bebendo Coca-Cola todo dia, rs. Já o Gates mais sério nas respostas mas sempre visionário. Estes caras são provas vivas que o capitalismo não é tão perverso como pintam por aí e que o alto acumulo de dinheiro no final da história podem ser revertidos de volta à sociedade. Só tenho agradecer a ambos, um que inclusive roubei meu nick de blogueiro, e outro que me forneceu sistemas os quais usei para construir todo meu patrimônio.


terça-feira, 7 de janeiro de 2020

Qual Carro Sedã Comprar em 2020?

Depois de comprar muitas ações LEVE3, TUPY3 e FRAS3 em 2019, chegou a hora de comprar um carro novo em 2020, afinal temos que fazer a economia girar, senão as ações não decolam, rs. Meu carro está com 49 mil km rodados e é de 2015. Está avaliado em 37.600 na FIPE, mas em função de alguns amassados e da desvalorização rotineira do mercado, está sendo avaliado em 35.000. Fiz uma enquete no Twitter e o resultado ficou em linha com meu pensamento. Os requisitos são: modelo sedã, bom porta-malas e econômico. Máximo de R$ 150 mil. Minha preferência neste momento está sendo...

1 - Honda Civic Touring 



2 - Toyota Corolla Hybrid



3 - Volkswagen Jetta R Line



Estou fazendo este post para saber se algum colega possui ou já teve alguns destes carros e o que podem me dizer sobre eles. Compensa comprar ou não?

segunda-feira, 6 de janeiro de 2020

Quanto Ganhei com Mini Índice e Mini Dólar em 2019

Quem me acompanha sabe que faço alguns trades com mini-índice e mini-dólar há alguns anos. Para ser mais exato comecei em janeiro de 2015. Então já são alguns anos operando diariamente nos pregões da B3. Lá no início a maior parte das minhas operações era de day-trade, mas isto mudou, atualmente, a maior parte das minhas operações são de position-trade.

Em tempo, chamo de position trade as operações que duram mais de 1 dia. Não uso o termo swing-trade, para mim só existem dois tipos de operações: a intra-diária e aquela que começa no dia e não tem data para terminar.

Estes trades tem dois objetivos: o primeiro é de hedge e o segundo é de alavancagem. Hedge é quando percebo que o mercado pode realizar e assim vendo índice para ganhar na queda. Neste mesmo raciocínio posso comprar dólar. Também posso usar com hedge para meus recebimentos em dólar do exterior. Neste caso entro vendido no dólar. Já a alavancagem é quando percebo que o mercado pode subir e assim entro comprado no índice. Para alavancar só uso o índice. Mas estas operações realmente dão dinheiro? Um pouco, confira as planilhas...

Quanto Ganhei com Day Trade em 2019





Quanto Ganhei com Position Trade em 2019




Como podem ver, o resultado do position trade (39.900) foi bem superior ao do day trade (16.754). Eu já vinha percebendo desde 2018 que meu desempenho do position estava sendo melhor que no day trade. Mas aquele vício de querer operar todo dia acaba falando mais alto. E foi só neste ano de 2019 que consegui dar um foco maior para o position. E acho que fiz a coisa certa.

O Canto da Sereia do Mercado


Mas você leitor desavisado que está chegando agora no mercado tome cuidado. Vendo estes meus números acima, que nem são valores tão expressivos, mesmo assim você poderá ficar tentado a entrar no mundo dos trades. Não se iluda, a atividade de trading é traiçoeira. Entrar no mercado fazendo trades é entrar pela porta dos fundos. A forma correta de começar  no mercado é através do investimento de longo prazo, comprando empresas lucrativas e segurando-as enquanto estão dando lucro e crescendo, simples assim.

Ontem me deparei com o caso de uma aposentada que perdeu toda a aposentadoria que acumulou a vida inteira (veja aqui). E ela não está sozinha. Muitos estão perdendo todo o patrimônio na bolsa, mesmo em um bull market como este, em que quase toda ação sobe, tem bastante gente quebrando na bolsa. Lá no Abacus tem um post sobre quebra com trade que está repleto de relatos catastróficos, se você realmente quer se aventurar nisto, sugiro dar uma lida no post e nos comentários.