segunda-feira, 25 de agosto de 2014

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Giannetti x Mansueto: Dois Pesos, Uma Medida!


Tomo emprestado a célebre expressão do filósofo Sócrates "um peso, duas medidas", que significa ter condutas diversas diante de situações idênticas, para dar título a este post. Mesmo que o assunto não seja direito e sim política econômica, penso que o título exemplifica bem o que será apresentado: dois pesos pesados posicionados em lados diferentes no contexto da oposição política mas convergindo em idéias e propostas acerca dos problemas da economia brasileira.


Mansueto Facundo de Almeida Jr é formado em economia pela Univeridade Federal do Ceará, Mestre em Economia pela Universidade de São Paulo e cursou Doutorado em Políticas Públicas no MIT, mas não defendeu a tese. Já assumiu os seguintes cargos em Brasília: coordenador-geral de Política Monetária e Financeira na Secretaria de Política Econômica no Ministério da Fazenda (1995-1997), assessor da Comissão de Desenvolvimento Regional e de Turismo do Senado Federal (2005-2006) e Assessor Econômico do Senador Tasso Jereissati. É funcionário de carreira do IPEA em Brasília, mas a partir de junho de 2014 passou a gozar de licença sem vencimento do instituto.

Mansueto, como é mais conhecido o conselheiro de Aécio Neves, nos últimos anos erigiu para si um púlpito no debate econômico nacional ao dissecar as manobras fiscais do governo Dilma em seu ‘Blog do Mansueto‘, que rapidamente se tornou leitura obrigatória para o mercado financeiro.

Cearense, Mansueto mudou-se para São Paulo nos anos 90 para fazer mestrado em economia na USP. Nos últimos anos, sua expertise em contas públicas e os efeitos negativos da política industrial fizeram dele uma voz requisitada junto a empresários e investidores preocupados com o rumo macroeconômico do País.

Eduardo Giannetti da Fonseca (Belo Horizonte, 23 de fevereiro de 1957) é um economista brasileiro, formado na Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade e em Ciências Sociais pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas ambas da Universidade de São Paulo.

Doutorado em economia pela Universidade de Cambridge, onde foi professor entre 1984 e 1987 e de 1988 a 2001. Lecionou na FEA/USP. Atualmente é professor integral no Insper (Instituto de Ensino e Pesquisa), conhecido anteriormente como Ibmec São Paulo. É autor de diversos livros e artigos, tendo ganhado dois prêmios Jabuti: em 1994, com o livro Vícios privados, benefícios públicos? (Cia. das Letras, 1993) e, em 1995, com As partes & o todo (Siciliano, 1995).

Giannetti é prata da casa entre os empresários da FIESP e um intelectual combativo no debate de ideias. Frequentemente reconhecido como filósofo, é autor de livros como “Auto-engano”, “O Valor do Amanhã” e “A Ilusão da Alma”. Desde a campanha de 2010, o economista pela USP e doutor por Cambridge se tornou o principal assessor econômico de Marina Silva.

Homens com trajetórias diferentes, representando diferentes partidos de oposição, poderiam divergir mas o que se vê é o oposto: Mansueto e Giannetti essencialmente falam a mesma coisa e quase completam as frases um do outro.

Anos de contabilidade criativa, hipertrofia do gasto público e uso temerário do balanço do BNDES produziram, para o Governo Dilma, a união inequívoca da oposição, se não nas candidaturas, na crítica à chamada ‘Nova Matriz Econômica’, que tem gerado inflação alta e crescimento baixo.


Mansueto dedica-se a desconstruir as chicanas que o Governo criou para esconder da sociedade a explosão de seus gastos. Seu maior talento é explicar como todos nós pagamos pelos estímulos que o Governo tenta fazer parecer serem “de graça.” O caso clássico: a fábrica de ‘almoços grátis’ chamada BNDES.

Para permitir que o BNDES emprestasse mais, o Tesouro Nacional teve que injetar dinheiro no banco repetidas vezes nos últimos anos. Não tendo dinheiro vivo, o Tesouro emitiu títulos, que o banco então pôde usar como capital.

O custo dessa dívida, parte do que a oposição chama de ‘Bolsa-Empresário’, faz com que o custo da dívida líquida do setor público hoje seja o mesmo de 2002 — um ano em que a dívida do governo era quase o dobro do que é hoje.

“Ou seja, apesar da dívida ser quase a metade do que era, o custo continua alto, 17% ao ano, porque o subsídio dos sucessivos aportes de recursos do Tesouro nos bancos públicos e o custo de acumulação de reservas aparecem no custo,” diz Mansueto.

Nos últimos dias, Mansueto descobriu a última malandragem do Tesouro, envolvendo o Bolsa Família, que é pago pela Caixa com recursos repassados pelo Tesouro.

Quando o Tesouro atrasa os repasses, seu saldo no final do mês fica negativo na Caixa. (Quem nunca?) Mas, na contabilidade pública, isso faz parecer que existe mais dinheiro no caixa do Tesouro do que de fato há, inflando artificialmente o tamanho da economia que o Governo fez no mês, o chamado superávit primário, e iludindo a sociedade.

De 2007 a 2011, o governo atrasou repasses para a Caixa uma única vez. Em 2012 e 2013, atrasou quatro vezes por ano. E neste ano, quatro vezes em cinco meses.


Giannetti, em palestra recente, apontou o que seriam os quatro paradoxos do governo atual:

1. O governo estatizante quebrou as duas principais estatais do país (Petrobrás e Eletrobrás), deprimindo seu valor patrimonial e tolhendo sua capacidade de investimento.

2. O governo com viés nacional desenvolvimentista foi responsável pela maior desindustrialização da história do país.

3. O governo com a bandeira de reduzir os juros vai entregar o país com a Selic maior do que pegou. Movido pela intenção louvável de reduzir o custo dos investimentos, o governo fez da queda da Selic sua grande bandeira. Mas não criou condições estruturais para isto, e ao forçar uma redução prematura, viu a inflação extrapolar o teto da meta. Resultado: o Brasil volta a ostentar a maior taxa de juros do planeta.

4. O governo com bandeira de crescimento entregou o menor crescimento do PIB de todo regime republicano, excetuados os governos de Floriano Peixoto e Fernando Collor. No acumulado de 2011 a 2014 nosso crescimento deverá ficar em 61% do verificado na América Latina.

Segundo o economista, os motivos que impedem o país de atingir o chamado crescimento sustentável são tanto estruturais como conjunturais.

Ele destaca como estruturais os oriundos da Constituição de 1988: "A carga tributária do país era de 24% do PIB em 1988, normal para um país de renda média. Mas, hoje, é de 36,5%. Como o Estado (União, estados e municípios somados) gasta 3,5% do PIB a mais do que arrecada, cerca de 40% do PIB transita pelo setor público, mas entrega em investimento apenas 2,5%.”

Entre os fatores conjunturais, de acordo com ele, está a piora da política econômica. A gestão do “tripé macroeconômico” (formado por câmbio flutuante, metas de superávit primário e de inflação), na visão de Giannetti, mantido no primeiro mandato de Lula, se deteriorou. “Com crescimento baixo, não deveria ter inflação preocupante”, exemplifica.

Sobre o controle da inflação, Giannetti faz um diagnóstico incisivo: "A inflação tecnicamente está acima da meta, porque está artificialmente controlada. As medidas que têm de ser tomadas de imediato é uma correção plena e imediata dos preços que ficaram defasados. Se não se fizer isso imediatamente, as expectativas de inflação futura vão ficar altas e isso realimenta a inflação".

Termino o post usando as palavras do Giannetti filósofo: “o passado não pode ser mudado - é lenha calcinada. Mas o futuro será o que fizermos dele - é promessa de combustão. Daí que todas as nossas escolhas na vida prática, como ensina George Shackle, se dão sempre entre pensamentos, pois será sempre tarde demais para escolher sobre os fatos”.

Palestra com o Giannetti economista:


Bate papo com o Giannetti pensador:

 

Fontes consultadas:

Folha 1
Folha 2
Rede Brasil Atual
A Tarde
Veja

7 comentários:

  1. Muito bom, Uó!

    A Marina está montando uma equipe econômica competente; com Gianetti então.... acho q ganhou meu voto! (o Gianetti, não ela)

    []s!

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    1. Ainda não li o programa de governo deles, pretendo fazer isto em breve.
      Realmente o Giannetti trás certa credibilidade à chapa.
      Abraço!

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  2. Uó,

    Ambos são grandes economistas e muito melhores do que esse asno do Guido Mantega.

    Abraços.

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  3. Gianetti deve ser o ministro da fszenda de um eventual governo de Marina, mas dificilmente Mansueto sera ministro de um eventual governo de Aecio. Arminio Fraga deve ser o cara do Aecio.

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  4. Uma andorinha só não faz verão.

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