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quinta-feira, 14 de julho de 2016

Empresas que se Beneficiam com a Alta do Dólar

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Ontem fiz um post aqui sobre a participação da Embraer na mais importante feira de aviação do mundo (Farnborough Airshow) e neste post um leitor deixou um questionamento interessante: qual é a correlação do preço do papel EMBR3 com a cotação do dólar?

Já é de conhecimento de todos que um dólar mais alto beneficia diretamente as empresas que tem parte da receita em moeda americana. Mas existe realmente uma correlação direta? Para tentar responder esta questão irei analisar 6 casos...

Legenda: Linha Azul - Empresa / Linha Vermelha - Dólar

Embraer (EMBR3)

O gráfico abaixo confronta a cotação do papel com a cotação do dólar futuro. A correlação não é totalmente perceptível, a cotação do papel iniciou um ciclo de alta bem anterior à alta da moeda. De qualquer forma, a queda recente está alinhada entre os dois ativos.

Embraer - dólar

Em 2015 a receita total da Embraer totalizou 88% para o mercado externo. É sem dúvida uma das maiores exportadoras do país.

Embraer - receita dólar

Minerva Foods (BEEF3)

O gráfico abaixo confronta a cotação do papel com a cotação do dólar futuro. A exemplo da Embraer, a correlação não é totalmente perceptível. A cotação do papel iniciou um ciclo de alta bem anterior à alta da moeda. Porém a queda recente está alinhada entre os dois ativos.

Minerva Foods - dólar

70% das receitas de vendas de carnes desta empresa é proveniente do mercado externo.

Minerva Foods - receita dólar


Suzano Papel e Celulose (SUZB5)

As empresas de celulose são as mais agraciadas com alta da moeda americana. Estas empresas tiveram grande valorização dos seus papéis com a alta recente do dólar. Porém, iniciaram um forte movimento de correção com a queda recente da moeda.


71% das receitas de vendas de papel e celulose da Suzano é proveniente do mercado externo.

Suzano - receita dólar


Fibria (FIBR3)

A exemplo da Suzano, a Fibria é outra empresa do setor de papel e celulose que se beneficia com a alta do dólar. O gráfico abaixo mostra claramente que o preço do papel esta demasiadamente descolado do preço da moeda (muito acima em termos percentuais de valorização) e no atual momento está abaixo (mercado penalizando em demasia a queda da moeda).

Fibria - dólar

Mais de 90% da receita desta empresa é proveniente do mercado externo.

Fibria - receita dólar

Tupy (TUPY3)

Esta é uma das empresas desconhecidas da bolsa. A Tupy fabrica peças para o setor automotivo e possui grande parte da receita proveniente do mercado externo. Abaixo vemos claramente que a cotação do papel subiu junto com a subida do dólar e atualmente apresenta queda elevada em comparação com a queda da moeda.

Tupy - dólar

Mais de 80% da receita da Tupy é proveniente do mercado externo.

Tupy - receita dólar

Mahle Metal Leve (LEVE3)

A exemplo da Tupy, a Metal Leve também está situada no mercado de peças automotivas e possui grande parte da receita atrelada à moeda americana. Mas ao contrário da Tupy, a cotação da Metal Leve não está sentindo a queda da moeda.

Metal Leve - dólar

Cerca de 51% da receita desta empresa é proveniente do mercado externo.

Metal Leve - receita dólar

A conclusão óbvia é que realmente a cotação das empresas que possuem forte exposição ao mercado externo segue os movimentos de alta e queda do dólar. Porém, cada caso é um caso. É interessante analisar o percentual da receita que está atrelada à moeda. É também muito importante analisar os fundamentos da empresa e não só a exposição ao mercado externo. Outro ponto importante é o percentual das dívidas da empresa em dólar bem como o percentual de matérias prima provenientes do exterior.

Não é uma análise trivial, de qualquer forma, o passado mostra que comprar papéis de exportadoras nos ciclos de alta da moeda é uma estratégia interessante. Mas como eu sempre digo... passado não garante futuro. Então não se iluda.

Veja também os outros posts da série Dólar:

Por que o Dólar Parou de Cair? Swap Cambial Reverso.
Está na Hora de Comprar Dólar?!
O Dólar Cairá Mais?

Bons investimentos!

quinta-feira, 9 de junho de 2016

O Dólar Cairá Mais?

"O mercado é basicamente uma transferência de valor dos mais aflitos para os mais pacientes." W.B.

No pregão de ontem o dólar fechou no menor valor frente ao real dos últimos 12 meses. A moeda já vem caindo há alguns dias mas o aumento da percepção de que o Banco Central tolerá uma taxa de câmbio mais apreciada fez os vendedores atuarem com apetite no dia de ontem. No fechamento, o dólar comercial caiu 2,31% chegando a R$ 3,3691, o menor valor desde Julho de 2015. Já no mercado futuro o papel fechou em R$ 3,3905.


Analista disseram que ontem se formou uma "pequena tempestade perfeita" em torno da moeda. O dólar teve uma sessão de perdas em todo o mundo pressionado pelo esfriamento das expectativas sobre altas de juros nos E.U.A. Isto impulsionou commodities, bolsas de valores e bônus de países emergentes, reduzindo prêmios de risco e amparando o cenário de fluxo para mercados em desenvolvimento como o Brasil.

O Real se destacou ainda mais que seus pares após o mercado avaliar que o Banco Central poderá ser menos ativo no câmbio. O câmbio teria então espaço para responder mais aos elementos externos. A percepção de que o Banco Central deixará o câmbio "correr mais solto" veio das declarações do indicado à presidência Ilan Goldfajn.

Goldfajn defendeu esforços para restabelecer no país o "tripé macroeconômico" formado por responsabilidade fiscal, controle da inflação e câmbio flutuante.

"Considero haver praticamente consenso de que é preciso reconstruir o quanto antes o tripé macroeconômico formado por responsabilidade fiscal, controle da inflação e regime de câmbio flutuante, que permitiu ao Brasil ascender econômica e socialmente em passado não muito distante. O preço do dólar não será conduzido. Será flutuante. Cambio flutuante é e continuará de extrema ajuda. Ter uma taxa de câmbio flutuante faz com que consiga equilibrar internamente e externamente a economia brasileira."

Até então muitos analistas no mercado via um piso nos R$ 3,50 e as declarações do Ilan contrariaram essa tese, Há sim espaço para o dólar recuar ainda mais, mas ninguém neste momento arrisca uma aposta.

Se do ponto de vista fundamentalista ninguém consegue estimar um piso para a moeda no cenário atual, vamos então recorrer à análise gráfica para tentar achar pontos de possível suporte.

No gráfico do dólar futuro mostrado acima, o próximo suporte de preços está na região dos R$ 3,29. Porém arrisco a dizer que a queda tem força para alcançar os R$ 3,2 como possível ponto de retorno. Acho pouco provável que a moeda venha abaixo de R$ 3 reais, mas se acontecer, o ponto de retorno estaria em torno de R$ 2,9.


Como já havia anunciado anteriormente, em R$ 3,2 sou comprador da moeda. Assim falou Zaratustra.

Fonte