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quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Preço do Petróleo Atualizado: Um Panorama do Cenário de Queda e seus Impactos na Economia

O preço do petróleo segue em queda nos mercados internacionais. Na manhã de hoje o Brent está sendo negociado a US$ 46,42, menor valor em 6 anos. É a pior queda de preços desde 2008, quando os preços do petróleo perderam mais da metade de seu valor em plena crise financeira internacional.

Os principais causadores de tamanha queda são o aumento de produção, em especial nas áreas de xisto dos EUA, e uma demanda menor que a esperada na Europa e na Ásia. Com o boom do xisto nos últimos anos, a produção norte-americana disparou com mais de 9 milhões de barris por dia.

Quem Ganha e Quem Perde

A queda dos preços afeta diretamente as empresas que exploram petróleo e os investimentos no setor. Já os grandes importadores e dependentes do petróleo levam vantagem, como Filipinas e China, que estão aproveitando os preços baixos para impulsionar o crescimento econômico ou reverter a desaceleração econômica.

O preço mais baixo do petróleo também reduz a inflação no mundo todo e é provável que retarde as altas nas taxas de juros nos países ricos.

Grandes comerciantes de petróleo do mundo também têm aproveitado o momento para contratar superpetroleiros para armazenar estoques de barris no mar à espera de uma recuperação dos preços. A estratégia também está elevando as taxas de frete de navios-tanque, e as empresas de transporte têm visto os preços de suas ações subirem.

Grandes consumidores de combustível como as companhias aéreas também podem, em tese, ser beneficiados com o combustível mais barato e levar essa economia para uma redução nos preços.

E a Petrobras?


A queda do preço do petróleo no mercado internacional, em tese, também diminui a rentabilidade dos projetos de exploração do pré-sal, que foram planejados inicialmente levando em conta um preço mínimo do barril de US$ 45 para a produção poder ser considerada economicamente viável.

Porém, de acordo com a diretora de Exploração e Produção da Petrobras, Solange Guedes, o custo de extração de petróleo na camada pré-sal não para de cair e atingiu o patamar de US$ 9 o barril - abaixo da média da estatal, de US$ 14,6 por barril, e da média das empresas do setor, de US$ 15 por barril.

A executiva, que apresentou um panorama do pré-sal no almoço-palestra “Pre-Salt: What Has Been Done So Far and What is Coming Ahead” (“Pré-sal: o que já foi feito e o que vem pela frente”), na Offshore Technology Conference 2015, em Houston (EUA), disse que a produtividade do pré-sal excedeu as expectativas e o custo de produção tende a cair ainda mais no futuro próximo.

“Atualmente, a média de produção no pré-sal da bacia de Santos ultrapassa 25 mil barris de petróleo por dia (bpd). Cinco poços produzem, cada um, mais de 30 mil barris por dia. E os campos de Sapinhoá e Lula possuem poços em que a média de produção pode atingir 40 mil barris por dia”, informou.

A petroleira brasileira tem conseguido também reverter parte da perda acumulada no ano passado da defasagem entre os preços dos combustíveis no mercado internacional e os cobrados no mercado interno. Atualmente, o preço nacional da gasolina já está quase 70% acima do preço internacional do combustível importado pela companhia, segundo levantamento do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE).

Mercado Futuro

Operadores de petróleo estão se posicionando para lucrar com mais uma queda nos preços da commodity, tomando grandes posições vendidas nos contratos futuros norte-americanos. Os operadores esperam um consumo menor em refinarias depois do verão norte-americano, enquanto o enfraquecimento de economias asiáticas e alta produção global de petróleo elevam as preocupações sobre o excedente de oferta.

Dados do mercado mostram que especuladores fizeram grandes apostas em novas quedas. O interesse aberto para posições vendidas nos preços do petróleo norte-americano, que mostra o número de negócios apostando em preços mais baixos, quase dobrou desde o início de agosto, para cerca de 247 mil contratos, mesmo com a queda dos preços de quase 15 por cento.

Além de apostar em novas quedas no petróleo norte-americano, operadores também têm assumido agressivamente opções de vendas, que lhes dão o direito de vender um contrato assim que ele cair a um determinado patamar, em valores tão baixos quanto 35 dólares ou até 30 dólares por barril.


Ações da Petrobras

Seguindo a cotação internacional do petróleo, as ações da Petrobras seguem em queda livre na bolsa de valores. É fácil ver, ao comparar o gráfico do papel PETR4 abaixo com o gráfico do Brent acima, a forte relação entre as cotações.


Para os especuladores de plantão, que gostam de se posicionar neste papel na tentativa de alavancar o capital, sugiro não tomar posições compradas no momento. Circulei em amarelo, no indicador de força relativa (IFR), os pontos de reversão de tendência de curto prazo passados. Um novo clico de alta poderá ocorrer, porém o sinal ainda não foi dado.

Fonte 1
Fonte 2
Fonte 3

terça-feira, 16 de setembro de 2014

Minério de Ferro: O Fim de Uma Era...


O nome "ferro" deriva do latim "ferrum", enquanto o anglo-saxónico "iron" tem origem no escandinavo "iarn". Tem-se indícios do uso de ferro procedente de meteoritos, quatro milênios a.C., pelos sumérios e egípcios. Na pré-história descobriram alguns objetos de ferro em explorações arqueológicas na pirâmide de Gizé, no Egipto; na China, estima-se que a utilização do aço remonta a 2550 a.C.. Também nos é indicado pelos poetas védicos que os seus antepassados pré-históricos possuíam o ferro, e que os seus artesãos já tinham adquirido técnica considerável na transformação de ferro em utensílios. O minério de ferro tem importância histórica como, por exemplo, o uso deste mineral como suporte para a Revolução Industrial.

Fim de Uma Era?

Com uma baixa de 40% em 2014, há quem diga o minério de ferro vive o fim de sua era dourada. A cotação de US$ 81,90 registrada no dia 11/09/2014 no mercado à vista chinês foi a menor desde 22 de setembro de 2009, ano marcado pelos efeitos da crise financeira global. Iniciada no final de agosto, a sequência de baixas do minério é provocada por aumento na oferta do produto e por uma expansão mais lenta da demanda na China.


Para alguns analistas, a queda não está relacionada apenas aos soluços da demanda chinesa, mas também a um novo perfil de produção. "Na nossa visão, 2014 é o ponto de inflexão onde novas capacidades finalmente alcançam o crescimento da demanda, e as margens de lucro começam uma reversão ante a média histórica. Em outras palavras, o fim da era do ferro chegou", diz Christian Lelong, analista do Goldman Sachs, em relatório.

O analista se refere aos novos projetos de grandes mineradoras, que, nos últimos anos, investiram bilhões visando o baixo custo. Assim como a brasileira, outras mineradoras investiram em projetos com logística integrada para reduzir os custos e garantir mercado. São elas que devem prevalecer na nova era do setor, pois os preços não devem voltar aos US$ 130 do final de 2013.

Logística Deficiente

A forte queda nos preços do minério de ferro acentuou a preocupação de que mineradoras sem logística integrada possam ter comprometidos projetos de expansão e reduzam os embarques da commodity. Um grupo de empresas que inclui grandes siderúrgicas como Gerdau, Usiminas e ArcelorMittal, além das mineradoras Ferrous e MMX, comprometeram entre R$ 4 bilhões e R$ 5 bilhões para aumentar a produção de minério de ferro em Minas Gerais. Mas, no atual cenário de preços, essas empresas poderão ter que rever a sua posição se as cotações não se recuperarem e se não houver um ajuste nos preços dos serviços logísticos para exportar.


A logística é fundamental na mineração. Empresas que não contam com uma estrutura própria de ferrovia e porto ligando-se às minas são obrigadas a operar com custos mais altos e, em cenário de queda nos preços, perdem competitividade. Nas contas do Goldman Sachs, as mineradoras sem logística própria gastam cerca de US$ 32 por tonelada para colocar o minério de ferro nos navios, na costa brasileira, mais US$ 24 por tonelada de frete marítimo. A estimativa do Goldman Sachs é de que Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), Usiminas e Gerdau teriam perdas exportando no nível de preços atuais da commodity.

A Vale tem um custo de produção até o porto na faixa de US$ 22 por tonelada e seu minério chega aos portos da China, o principal mercado consumidor da empresa, em torno de US$ 46 por tonelada considerando o frete marítimo atual de US$ 24 por tonelada. Para o Goldman Sachs, só a Vale, entre as mineradoras brasileiras, poderá gerar fluxo de caixa operacional positivo com os atuais preços do minério de ferro. Já o Citi afirmou que somente Vale e CSN têm logística integrada para cobrir todos os custos de maneira sustentável no atual patamar de preços abaixo de US$ 90 por tonelada.

O Citi informou também que a entrada em operação do Porto Sudeste, em Itaguaí (RJ), poderá reduzir marginalmente os custos para MMX, Usiminas e Gerdau, entre outros exportadores. Segundo o Goldman Sachs, excluindo Vale e Samarco (controlada de pelotização), as pequenas e médias mineradoras representaram 16% das exportações de minério de ferro do país no primeiro semestre do ano.

Desvantagem em Relação aos Pares

O mercado de fretes marítimos para o minério de ferro entre o Brasil e a China, hoje na faixa de US$ 24 por tonelada, tem se mantido estável nos últimos meses, mas, no médio prazo, o cenário é de alta. "A tendência do frete para os próximos anos é crescente", disse José Carlos Martins, diretor de ferrosos e estratégia da Vale. Para a mineradora, mais importante do que o número absoluto, porém, o que conta é a diferença em relação à Austrália, onde estão suas principais concorrentes: Rio Tinto e BHP Billiton.

Os australianos têm um custo de cerca de US$ 9 a tonelada para transportar o minério de ferro até o mercado chinês. Isso faz com que a diferença em relação ao Brasil fique atualmente na casa de US$ 15 por tonelada. A China é o principal mercado para o minério de ferro da Vale e responde por cerca de 50% das vendas.

Em 2008, houve meses em que o frete Brasil-China para o minério de ferro chegou a US$ 100 por tonelada, enquanto o custo da Austrália era de US$ 40 por tonelada. O diferencial naquele período chegou, portanto, a US$ 60 por tonelada no mercado "spot" (à vista).


A Vale tem trabalhado para "minimizar" o diferencial de fretes com a Austrália, embora não vá conseguir igualar a relação de custos por uma questão geográfica. A mineradora brasileira montou uma estratégia logística para chegar à Ásia de forma mais competitiva: construiu um centro de distribuição em Omã, na Península Arábica, e deve concluir uma instalação semelhante na Malásia, no Sudeste asiático, até o fim do ano. Nas Filipinas, a empresa conta com duas estações de transferência.

Toda essa estrutura logística permite à Vale atingir os mercados da Ásia e Oriente Médio com os mineraleiros Valemax, com capacidade individual de 400 mil toneladas, armazenar e redistribuir o minério de ferro até o destino final em navios menores. Até agora, os Valemax atracaram nos portos de Taranto (Itália), Roterdã (Holanda), Oíta e Kimitsu (Japão), Mindanao (Filipinas), Sohar (Omã) e Ponta da Madeira e Tubarão (Brasil), além de operações nas estações flutuantes de transferência nas Filipinas.

Esse modelo logístico vem sendo desenvolvido enquanto a Vale aguarda para chegar à China com os Valemax, hoje sem autorização para atracar nos portos chineses. A longo prazo, a empresa também planeja montar centros de distribuição na China.

Os portos chineses concedem autorizações para navios de até 350 mil toneladas, segundo Martins. Mas quando a Vale decidiu investir nos Valemax havia uma regulamentação geral que permitia a entrada dos navios. Cabia ao porto decidir se a embarcação poderia atracar ou não. Em uma fase posterior, essa decisão passou a ser tomada pelo governo central da China.

Até hoje, só dois Valemax atracaram em portos chineses em condições especiais, carregados com volumes menores e com adaptações. A pressão contra os Valemax partiu de armadores locais que encaram a Vale como concorrente, visão que a empresa considera inapropriada, pois parte do transporte é feito em navios alugados das próprias companhias de navegação chinesas.

Valemax

A Vale informou na sexta-feira última ter firmado acordo com a China Ocean Shipping Company(Cosco) [COSCO.UL] para cooperação estratégica no transporte marítimo de minério de ferro, um movimento que pode ajudar a mineradora brasileira a resolver um custoso embargo de dois anos da China aos navios gigantes Valemax.

Pelo acordo, quatro navios VLOCs com capacidade de 400 mil toneladas, que atualmente pertencem e são operados pela Vale, serão transferidos para a Cosco e afretados para a Vale em contrato de 25 anos. A companhia também deve assinar um contrato de afretamento de longo prazo com a Cosco para transportar minério de ferro do Brasil por dez novos navios Valemax, que serão construídos pela Cosco. O acordo é parte de um contínuo esforço da Vale para poder se concentrar no negócio de mineração.


A proibição para a Vale atracar seus grandes navios nos portos chineses tem frustrado as tentativas da mineradora de reduzir os custos de frete e competir com rivais australianas, como BHP Billiton e Rio Tinto, que estão mais perto de China. Armadores chineses se opuseram ao acesso para os grandes navios da Vale, dizendo que eles poderiam agravar uma oferta excedente de embarcações. 

Impactos em Minas

A queda de preço do ferro já é sentida nas cidades de Minas Gerais onde a mineração é importante fonte da economia. No Estado, os repasses da Compensação Financeira pela Exploração Mineral (Cfem) caíram 29% de janeiro a julho deste ano. Mas, em cidades como Itabira, maior produtora de ferro, a queda foi ainda mais acentuada e ficou em 62,1%.

Na cidade, o prefeito Antônio Carlos Noronha Bicalho (PDT) já havia se reunido antes do fim do primeiro semestre com seus secretários para pedir o corte de gastos na prefeitura. Medidas parecidas foram adotadas em Nova Lima, onde no semestre a arrecadação com o minério caiu 35,2%, e em Brumadinho, cuja queda foi de 33,4%.


De acordo com a Associação dos Municípios Mineradores de Minas Gerais (Amig), as cidades mineradoras têm até 85% do orçamento dependente dos impostos e contribuições gerados pela mineração. Além da contribuição pela exploração do solo por grandes companhias, são muitos funcionários e empresas que dependem do setor para sobreviver.

Mercados

Na BM&FBovespa, as ações das siderúrgicas estão entre as maiores quedas do Ibovespa em 2014. O baixo preço da commodity agrava a situação dessas companhias, que sofrem com a desaceleração da demanda por aço no país. As ações da Usiminas amargam perda de 42,5% no ano, os papéis da CSN caem 31,8% e os da Gerdau, 29,6%. A Vale acumula queda de 20,8%, enquanto o Ibovespa sobe 13,9%.


Pequeno Suspiro

Os preços à vista do minério de ferro registraram ontem (15/09/2014) a maior alta diária desde março, com preços mais firmes do aço na China impulsionando uma recuperação ante as recentes mínimas de cinco anos. Houve uma enxurrada de negócios no mercado à vista em plataformas de negociação, com vendedores elevando os preços em meio à firmeza dos mercados futuro.

O minério com teor de 62 por cento de ferro para entrega imediata, uma referência para o mercado na China, subiu 3,9 por cento, para 85,20 dólares por tonelada, ampliando a alta de 0,4 por cento de sexta-feira, segundo dados do Steel Index.

O quarto trimestre costuma ser um período de recomposição de estoque. Espera-se uma pequena recuperação, portanto este pode ser o começo disso, embora as perspectivas ainda sejam frágeis. Ainda há nervosismo, especialmente sobre o setor de construção civil na China.


Fontes:

Notícias de Mineração
Exame
Uol