domingo, 10 de maio de 2020

A Filosofia do Chaves: Não Tenha Nada para não Ter Nada a Perder! Só Assim Você Será Livre.

Um tema pelo qual tenho me interessado muito é a Intersubjetividade: a capacidade do homem de se relacionar com o seu semelhante. Jean-Paul Sartre resumiu seu ponto de vista sobre este assunto em uma frase presente na sua peça de teatro Entre Quatro Paredes: “o inferno são os outros”.

Para Sartre, a principal característica do homem é a sua liberdade fundamental. Sendo assim, mesmo alguém mantido sob a pior forma de dominação, no fundo permanece livre em seu ser, em sua consciência. Em outras palavras, um homem jamais conseguirá dominar completamente o outro.

Isto explica, em parte, porque as relações humanas são em geral conflituosas: na presença do outro há um confronto entre minha liberdade e a dele. E porque o outro também é livre, não podemos controlar o que ele pensa e o que ele nos diz. Porém, ao mesmo tempo preciso dele, de seu olhar crítico, ainda que, muitas vezes, esse olhar veja algo em nós que não gostamos.

Esta questão da liberdade dos indivíduos me remete a uma entrevista que vi recentemente no Youtube do Mario Sérgio Cortella. Neste vídeo, o professor discorreu sobre o conceito de ética e liberdade fazendo um paralelo com o seriado Chaves. Irei transcrever na íntegra a sua fala para que o leitor não perca nenhum detalhe:

"No contexto da discussão sobre ética. Você tem que lembrar que o Chaves, o personagem da TV, ele é alguém que se inspirou num pensador clássico chamado Diógenes. Diógenes foi um filósofo grego pós-socrático que morava num barril. Tal como Sócrates viveu solto na praça, discutindo, e o Chaves mora num barril, Diógenes, que era um alguém da escola cínica na Filosofia, morava num barril e vivia nu. Aliás, porque ele não tinha propriedade alguma pra não ser propriedade de nada. Se você já observou na série “Chaves”, ninguém tem animal de estimação naquela vilinha, porque o único ser ali que é um animal de estimação é o próprio Chaves. Segundo, é o único que é livre, o único que pode dizer o que quer, ele não tem nada a perder."


O Cortella só cometeu um pequeno equívoco pois o Chaves não mora no barril segundo palavras dele mesmo:

"Eu não moro no barril, eu só entro no barril porquê... bem, você sabe... pra... "
"Só por esporte."
"Isso!"
(Diálogo entre Chaves e Kiko)


Bom fim de semana a todos!

Ah, abaixo a entrevista citada...

terça-feira, 31 de março de 2020

Quanto Preciso Poupar para Aposentar?

Considerando que precisarei de 2 mil dólares por mês para viver dignamente bem na minha idade senil e considerando que irei iniciar minha poupança para aposentadoria no dia de hoje aos 45 anos (não é o caso mas estou apenas fazendo um exemplo didático), considerando também que não quero deixar dinheiro para herdeiros (ficarão apenas com os bens - o que já está de bom tamanho), e considerando que viverei até os 100 anos, então a planilha é a seguinte:

Idade Poupança em Dólares
45 24000
46 48000
47 72000
48 96000
49 120000
50 144000
51 168000
52 192000
53 216000
54 240000
55 264000
56 288000
57 312000
58 336000
59 360000
60 384000
61 408000
62 432000
63 456000
64 480000
65 504000
66 528000
67 552000
68 576000
69 600000
70 624000
71 648000
72 672000
73 648000
74 624000
75 600000
76 576000
77 552000
78 528000
79 504000
80 480000
81 456000
82 432000
83 408000
84 384000
85 360000
86 336000
87 312000
88 288000
89 264000
90 240000
91 216000
92 192000
93 168000
94 144000
95 120000
96 96000
97 72000
98 48000
99 24000
100 0

Ou seja, preciso poupar 24 mil dólares por ano até completar 72 anos. Depois disto é só ir sacando 24 mil dólares por ano até os 100 anos de idade.

Me conte aí qual é a sua estratégia para aposentadoria. Dividendos de ações? Aluguel de imóveis? Tesouro Direto?

Depois desta crise aprendi que "cash is king!" rs


terça-feira, 4 de fevereiro de 2020

Planilhas de Controle: Uma Hora Você Não Vai mais Precisar Delas

Eu já fui o rei das planilhas, era assim que minha esposa me chamava quando me conheceu. Eu tinha planilha para tudo, de controle de gastos a controle do crescimento do filho. Mas já tem uns dois anos que eliminei todas as planilhas da minha vida. Minto, sobrou apenas uma: a de rendimentos para fins de imposto de renda.


No inicio da minha vida adulta a planilha de controle de gastos se tornou indispensável para minha reorganização financeira. Era uma planilha bem detalhada (veja aqui), e me divertia em controlar até os centavos que deixava para o flanelinha.

Depois vieram as planilhas de controle de rendimentos. Meu Deus, eu ficava ansioso para a chegada do último dia do mês para fazer o famoso "fechamento mensal". E foi por isto que criei este blog anos atrás, para divulgar meus fechamentos e participar de rankings de rentabilidade. Também era muito divertido fazer aquilo, até ver que isto não passa de um "game" sem sentido.

E chegou um dia que não vi mais necessidade para fazer estes controles. Chega-se em um ponto da vida que você entra em modo "voo de brigadeiro". Para de sentir turbulências, e a única coisa que precisa é ligar o piloto automático.

Se me perguntar quando gastei nos últimos dois anos... não sei. Se me perguntar qual foi minha rentabilidade de investimentos nos últimos dois anos... também não sei. E quer saber? Isto não faz mais a menor diferença para mim.

Mas caso você esteja iniciando sua vida financeira, caso não tenha nenhuma ideia para aonde seu dinheiro está indo, recomendo fortemente que tenha pelo menos uma planilha de controle de gastos, e torne sistemático o hábito de registrar suas despesas e rendimentos até o momento que sua vida entrar em piloto automático e não precisar mais daquilo.

sexta-feira, 24 de janeiro de 2020

FIRE e a Sua Geração de Valor

Na finansfera agora só se fala de FIRE, para quem não conhece o termo, significa "Financial Independence and Retirement Early". Basicamente é se aposentar o mais cedo possível após conquistar a independência financeira.

O que venho chamar atenção aqui é para o "RE", isto é, a aposentadoria antecipada. O "FI" está OK, todo mundo deve buscar a independência financeira, mas a busca do "RE" pode dar um nó na cabeça do indivíduo se não for bem trabalhada.

Geralmente as pessoas buscam a aposentadoria antecipada simplesmente porque detestam o seu trabalho. Ou até gosta da profissão escolhida mas a mesma é tão desgastante que não vale a pena os benefícios em função do custo.

Poderia vir aqui com aquele papinho de que você deve procurar uma atividade que ama pois assim seu trabalho torna-se prazeroso. Mas não é assim, mais cedo ou mais tarde a atividade tão amada torna-se também enfadonha e maçante.

Também não vejo com bons olhos o indivíduo gastar tanto tempo de estudos e especializações para aprender fazer algo na vida e de repente jogar toda aquela bagagem fora. Estamos aqui falando de geração de valor.

Basicamente nossa vida é uma troca de valores entre pessoas. Cada um tem sua potencialidade e a usa para gerar valor para as outras pessoas. Se você gerar muito valor irá receber dinheiro em troca disto. Usará então este dinheiro para extrair valor de outras pessoas. Irá acumular parte deste dinheiro para, no futuro, ainda continuar obtendo valores das pessoas quando você não mais tiver condições de gerar valor.

O meu alerta está neste período em que você já conquistou a independência financeira mas ainda tem plenas capacidades de continuar gerando valor para as outras pessoas. Se você simplesmente parar de gerar valor poderá ter sérios problemas psicológicos.

Gerar valor é umas das coisas mais gratificantes para o ser humano, além de ser importantíssimo para manter a sanidade mental. Use para isto suas potencialidades, seus aprendizados de vida. Todo mundo é muito bom em algo, e esta potencialidade não pode ser desperdiçada, mesmo que você já atingiu o "FI", pense bem a respeito do "RE".

Termino este post deixando a dica de um excelente documentário que tem no Netflix sobre o sushiman mais famoso do Japão. Para comer um sushi lá você precisa entrar em uma fila de espera de 3 meses. A potencialidade deste japones é fazer o melhor sushi do mundo, é nisto que ele é muito bom, esta é a sua bagagem de vida. Este é o valor que ele gera para as outras pessoas.

No subsolo de uma estação de metrô em Tóquio trabalha o maior e mais renomado Sushiman do Japão, Jiro Ono, que com seus 85 anos ainda cuida diariamente de seu restaurante o Sukibayashi Jiro. Este documentário retrata de forma magnífica a história, desafios e a busca incessante pelos melhores ingredientes e o aprimoramento da arte de fazer sushi. Por que um simples sushi de arroz e peixe produzido por este homem, tem um nível de qualidade tão grande que possa chamar a atenção dos maiores chefs do mundo?

 

quarta-feira, 9 de outubro de 2019

Você é Um Acumulador Compulsivo? Conheça a História da Bernadeth!

No meu último post, o colega Calvin que escreve no Blog do Calvin deixou o seguinte comentário...


Fico feliz de escrever algo que toca uma determinada pessoa em um determinado momento da sua vida. Muitas vezes a pessoa está angustiada com alguma situação mas na verdade está apenas precisando ouvir algo para que as coisas passem a fazer sentido.

Esta questão do aporte, da acumulação, é algo que aflige quem está em busca da liberdade financeira no futuro próximo. Mas temos que ter em mente que nem sempre será possível aportar o que queremos. E qual o problema disto? Nenhum.

Eu mesmo já fiquei, em alguns momentos da minha vida, meses e meses sem aportar nenhum tostão nas corretoras. Nem por isto deixei de viver. O importante é termos a consciência de entender que a vida é composta de momentos diferentes e, se não estamos ganhando dinheiro, com certeza estaremos ganhando experiência de vida. Afinal, dinheiro é apenas um papel pintado, experiência de vida vale muito mais do que isto.

Mas sim, precisamos acumular. A dúvida que surge é: em qual medida? 10%? 20%? 60% dos rendimentos? Não há resposta, aporte o que der, o que sobrar. Não pode é cair na cilada da acumulação compulsiva, despropositada, patológica.

Me lembrei agora de um caso curioso, que foi mostrado em uma reportagem do Fantástico. Transcreverei abaixo parte da reportagem:

Imagine uma pessoa guardar objetos de todos os tipos dentro de casa. Mas de todo tipo mesmo, milhares de coisas empilhadas até o teto. E, no meio dessa confusão, dólares e barras de ouro.

Uma funcionária pública aposentada do Rio Grande do Sul fazia exatamente isso: escondia um tesouro no meio de uma bagunça gigantesca. Mas, enquanto ela estava viva, ninguém sabia. A verdade só surgiu depois que a mulher morreu. Uma morte misteriosa, que intriga a família e os amigos.

Bernadeth se formou em medicina veterinária. Passou em um concurso público e se tornou fiscal do ministério da Agricultura. Foram 24 anos de carreira, até se aposentar. Bernadeth era solteira, não tinha filhos e escondia um grande segredo. “Ninguém tinha acesso à casa dela. Ela não abria a porta para ninguém”, diz a amiga de Bernadeth

A aposentada tinha um transtorno psiquiátrico: era uma acumuladora compulsiva de objetos.

Os três quartos do apartamento estão cheios de roupas, malas, cobertores, sacolas e outros objetos. Mas o mais impressionante é o banheiro. O box está lotado. Não é possível nem entrar para tomar banho. “A pessoa perde a noção de higiene, não se alimenta adequadamente. Isso vai em uma bola de neve até que você se isola do mundo”, afirma Patrícia Picon.

Amigos e parentes dizem que Bernadeth não fazia nenhum tipo de tratamento médico. “Ela juntava coisas na rua, no lixo. Mas ela sempre dizia que era para doar para alguém”, conta a vizinha que não quis ser identificada.

A vida secreta da aposentada só foi descoberta depois que ela morreu, em julho de 2012, aos 67 anos. A Dona Bernadeth dormia em um quarto, que tem uma coleção de jarros, copos, pilhas de papéis, livros, dezenas de almofadas de todos os tipos e tamanhos. É difícil até de caminhar dentro. E ela foi encontrada morta no quarto ao lado, embaixo de uma pilha de roupas que, segundo a perícia, chegava a quase dois metros de altura.

As roupas cobriam o corpo dela. Os laudos da polícia gaúcha apontaram que o apartamento não foi arrombado, que a aposentada estava morta havia de três a cinco dias e que o corpo não apresentava sinais de violência.

No apartamento, no meio de toda essa bagunça, a aposentada guardava mais de três quilos de ouro e 37 mil dólares, que equivalem a cerca de R$ 115 mil. Uma fortuna que estava dentro de potes de café. Somando isso tudo e mais imóveis e aplicações financeiras, Dona Bernadeth tinha um patrimônio estimado em R$ 2 milhões. 


Então amigo, cuidado para não se tornar uma Bernadeth. Acumular é importante mas deve ser o meio e não o objetivo. Sei que é difícil encontrar um equilíbrio entre o gasto e a acumulação. Mas encontrei um jeito simples: eu alterno meu pensamento de tempos em tempos. Hora faço coisas como se eu fosse morrer amanhã, hora me comporto como se fosse morrer com 100 anos de idade, assim consigo abranger os dois espectros comportamentais, do carpe diem ao frugal life style (risos).