Consulta rápida ao Wikipédia: Homo homini lupus é uma sentença latina que significa: o homem é o lobo do homem. Foi criada por Plauto (254-184) em sua obra Asinaria. Bem mais tarde foi popularizada por Thomas Hobbes, filósofo inglês do século XVIII.
A expressão “o homem é o lobo do homem” pode ter os mais diversos significados. Atrevo-me a dizer que o homem, no alto da sua “superioridade”, por motivos histórico-sociais, acaba por denegrir, ridicularizar, humilhar e tentar diminuir um indivíduo da própria raça.
Após a vitória do Santos diante do Grêmio na quinta-feira última, na Arena Grêmio, em duelo válido pelas oitavas de final da Copa do Brasil, o goleiro Aranha deixou o gramado acusando a torcida gaúcha de racismo. Segundo o jogador, torcedores do Grêmio xingaram de “preto fedido”.
As câmeras de televisão da ESPN Brasil registraram o momento em que os torcedores imitam macaco em coro das arquibancadas para provocar o jogador. O mais curioso é que pelas imagens da TV podemos ver, no grupo de torcedores, várias pessoas negras se manifestando. Além disso, as imagens mostram uma torcedora xingando o goleiro de macaco.
Horas depois, como não podia deixar de ser, a garota foi bombardeada nas mídias sociais com frases do tipo: "é uma vaca", "é uma branquela horrorosa", "é uma desgraçada" bla, bla, bla... e também os próprios gremistas foram vítimas de insultos como: "os homens do sul não gostam de aranha" e bla bla bla. Ou seja, insultos gerando insultos, discriminação racial gerando homofobia, uma verdadeira guerra entre pessoas.
Fatos Recentes
Não é de hoje que estamos vendo pelos noticiários estes lamentáveis episódios no futebol e também em outras esferas da sociedade. Recentemente, a jornalista potiguar Micheline Borges fez um comentário em sua página pessoal no Facebook sobre a aparência de médicos cubanos que chegaram ao Brasil. A postagem ganhou repercussão nacional e fez com que a jornalista apagasse o perfil nas redes sociais.
Para ela, a postagem não foi preconceituosa. Mas a opinião pública logo se espalhou pelas redes sociais. Muitos internautas reproduziram a postagem e fizeram comentários criticando a frase da jornalista, que mesmo assim continuou se defendeu na rede social durante algumas horas.
"Se eu chegar numa consulta e encontrar um médico com cara de acabado ou num escritório de advocacia e o advogado mal vestido vou embora", comparou, antes de encerrar a conta no Facebook.
Se você leitor é negro, tenho certeza que já foi vítima de algum tipo de discriminação racial na vida. Eu não sou negro, mas sou mestiço e tenho muitos parentes que são negros. E a pergunta que não quer calar é: quando este tipo de comportamento irá acabar?
Cada um terá sua resposta a esta pergunta, a minha é: “daqui décadas, séculos ou mesmo milênios quando a raça humana será extinta”. Meu pensamento pessimista vem da minha constatação de que o ser humano está em uma guerra permanente, invisível, velada e subestimada. Sou partidário do pensamento de Hobbes que desmonta o valor retórico da liberdade e da igualdade. Para ele, a igualdade leva à guerra de “todos contra todos”.
No lamentável episódio da partida de futebol, esporte este que vez ou outra transforma os estádios em campos de batalha, dentro e fora do gramado, a torcedora não admite que seu time apresentou menor desempenho no campo e parte para o ataque com a única arma que tem naquele momento: “seu grito inflamado”. Grito este que não é articulado pela razão e sim pela emoção, sendo esta o resultado de anos e anos de distorções sociais introjetadas na sua mente.
Conceituação
"Racismo" é um termo amplo utilizado para descrever variados tipos de crenças e atos que negam a igualdade fundamental de todos os seres humanos, em função da percepção de diferenças de "raça", ascendência, cor ou aparência.
A maioria das pessoas usa a idéia de raça, ou de aparência relacionada à raça, como maneira de identificar a si mesmos ou aos outros. Entretanto, a ciência nos ensina que existe apenas uma raça: a raça humana, ponto final!
A discriminação racial é o racismo em ação: Qualquer distinção, exclusão, restrição ou preferência baseada em raça, cor, ascendência ou origem nacional ou étnica que tenha como finalidade ou efeito anular ou impedir o reconhecimento, gozo ou exercício, em pé de igualdade, de direitos humanos e liberdades fundamentais nos campos político, econômico, social e cultural, entre outros, da vida pública.
História
O racismo, como o percebemos hoje, é algo relativamente recente na história na humanidade. Até por volta da Idade Média, os principais fatores de discriminação eram religiosos, políticos ou referentes à nacionalidade e à linguagem do indivíduo.
No século XV, quando os europeus desembarcaram na África, e principalmente com o início do tráfico negreiro, usaram a ciência a favor do colonialismo e desenvolveram teorias de superioridade evolutiva, baseadas em diferenças biológicas, que justificavam seus interesses de expansão e poder.
Estava criado o racismo etnocêntrico, fundamentado em doutrinas bíblicas, filosóficas e científicas que não resistiram à evolução dos tempos, mas que deixaram marcas indeléveis e profundas nas sociedades que as usaram para justificar a escravidão, como é o caso da sociedade brasileira.
O Racismo Invisível no Brasil
No final do século XIX, com a abolição da escravatura e ainda sob forte influência das teses de superioridade europeia, começa a ser colocado em prática um projeto de construção de uma nova nação brasileira, que deveria ser melhorada através do “embranquecimento” de seu povo.
Algumas décadas mais tarde, esta teoria lugar à da miscigenação, que acabou criando um dos mitos mais prejudiciais à luta contra o racismo: o mito da democracia racial. Foi ele que, durante décadas, impediu o Brasil de se tornar um país realmente democrático, com tratamento e oportunidade iguais para todos, ao negar reconhecimento a um problema que atinge mais da metade da nossa população.
Mas até hoje pessoas preferem dizer que não existe racismo no país (o pior cego é aquele que não quer ver). Telegramas entre diplomatas americanos e o governo dos Estados Unidos que o site Wikileaks vem vazando, dizem o contrário. Em um pacote de 25 telegramas da embaixada dos Estados Unidos em Brasília e do consulado em São Paulo redigidos entre 2004 e 2009, diplomatas americanos informaram ao seu governo que “Muitos (brasileiros) alegam que o racismo não existe, apesar das evidências esmagadoras do contrário“.
Provavelmente, os americanos, um dos povos mais racistas do mundo, fazem referência ao livro do diretor de jornalismo Ali Kamel: “Não somos racistas”. No livro, publicado em 2006 pela Nova Fronteira, o autor garante que não há discriminação racial no Brasil e que todos vivem em harmonia.
Escrito em plena batalha pela implantação das cotas nas universidades, o livro serviu como instrumento da direita para combater as políticas do governo Lula. Para o jornalista, o racismo não teria peso na cultura nacional e não contaria com o aval das instituições públicas e privadas. Nesse sentido, teorizava o autor, a implantação das cotas raciais teria um efeito inverso, negativo, estimulando o racismo. Eu particularmente tenho um outro ponto de vista para esta questão, mas seria assunto para outro post.
O Racismo no Inconsciente
Se hoje já se admite que o Brasil é um país racista, é preciso admitir também que nossos pensamentos e atitudes são condicionados por essa cultura e essa ideologia racista, pois crescemos introjetando e reproduzindo o que já está estabelecido socialmente.
Um estudo mostrou que as crianças são abertamente preconceituosas, e que essa característica perde força a partir da maturação das estruturas cognitivas que permitem que ela deixe de julgar as pessoas com quem se relaciona apenas pela aparência e passe a levar em conta conceitos como bondade ou amizade.
Mostrou também que o racismo, longe de desaparecer com a idade e a necessidade de socialização, caso não haja nenhuma iniciativa por parte de pais e/ou educadores, é introjetado e velado pelo aprendizado das normas sociais vigentes, passando a se manifestar de forma indireta e, em muitos casos, inconsciente.
Imperativos para o Crescimento Econômico
No mundo atual as forças globais emergentes concorrem para moldar o futuro. Algumas forças ameaçam dividir, empobrecer e criar "vencedores" e "perdedores", enquanto outras acenam com possibilidades de um futuro em que a inclusão torne-se uma necessidade econômica e prática para servir ao bem comum.
Não temos outra alternativa senão combater os efeitos negativos e tirar proveito dos aspectos positivos. Na economia global, a pobreza, a falta de saúde, o desemprego e a falta de acesso à escola para os indivíduos (negros e outros segregados em sua maioria) são obstáculos que atrasam a realização das metas do desenvolvimento nacional.
Estimativas recentes sugerem que Brasil, África do Sul e Estados Unidos poderiam ganhar um aumento conjunto de produtividade econômica equivalente ao Produto Interno Bruto (PIB) da 15a maior economia do mundo, se eliminassem a discriminação racial.
Cada uma das nações precisa dos talentos e habilidades dos negros e de outras pessoas menos favorecidas para poder competir efetivamente por investimentos e crescimento econômico no mercado global.
Fontes consultadas:
Artigo
Reportagem
Um blog sobre investimentos, economia, política, futebol e outros assuntos de butequim...
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quinta-feira, 4 de junho de 2020
terça-feira, 29 de agosto de 2017
sábado, 11 de junho de 2016
Um Olhar Através dos Séculos: Religião e Tecnologia
Até o século 19 as pessoas rezavam antes de sair de casa. Era uma forma de se sentirem seguras fora da segurança do lar. No século 20 os jornais assumiram o lugar dos livros santos. Era fundamental conhecer as recentes notícias logo pela manhã. Lia-se na mesa do café ou no percurso até o local de trabalho...
Agora no século 21 as pessoas não rezam mais e também não leem jornais como antigamente. A janela para o mundo está em um aparelho conhecido como celular. Costumes mudam de século para século ou até de década para década. Estamos cada vez mais conectados porém cada vez mais isolados.
Pesquisando mais a fundo na internet sobre a transformação destes hábitos ao longo dos séculos no intuito de corroborar a minha tese de que as pessoas estão cada vez menos religiosas e cada vez mais "digitalizadas" acabo concluindo que uma coisa não exclui a outra. As pessoas agora rezam por aplicativo, é o sinal dos tempos... ou do fim dos tempos...
Bom fds!
Registro fotográfico do metrô de Nova York em 1946 pelo jovem Stanley Kubrick (Fonte)
Agora no século 21 as pessoas não rezam mais e também não leem jornais como antigamente. A janela para o mundo está em um aparelho conhecido como celular. Costumes mudam de século para século ou até de década para década. Estamos cada vez mais conectados porém cada vez mais isolados.
Registro fotográfico do metrô de Pequim em 2012 por fotógrafo desconhecido (Fonte)
Pesquisando mais a fundo na internet sobre a transformação destes hábitos ao longo dos séculos no intuito de corroborar a minha tese de que as pessoas estão cada vez menos religiosas e cada vez mais "digitalizadas" acabo concluindo que uma coisa não exclui a outra. As pessoas agora rezam por aplicativo, é o sinal dos tempos... ou do fim dos tempos...
Bom fds!
segunda-feira, 1 de setembro de 2014
Alphaville: Fuga da Realidade
Dirigido por Jean-Luc Godard, Alphaville (1965) é uma ficção científica inspirada em filmes noir cuja temática é focada em aspectos filosóficos e existenciais tendo como pano de fundo os avanços tecnológicos que o futuro pode proporcionar. Godard nos apresenta um longa futurista e sombrio, que remete diretamente ao lado negro da humanidade, quando esta deixa de dar o devido valor aos sentimentos e a relação humana para favorecer a tecnologia.
Alphaville é uma das cidades mais estéreis e opressoras que o cinema já viu. É governada por um computador que dita como todas as pessoas da cidade devem viver - todas as emoções são proibidas. Em uma cena, um homem pergunta a uma moça se está chorando, ela responde que não, pois é proibido. Em todo lugar há uma bíblia, que na verdade é um dicionário que é constantemente atualizado. Todo dia ele tem palavras cortadas que foram consideradas proibidas.
Nos Alphavilles brasileiros as emoções são permitidas e a mais contundente talvez seja a sensação permanente de aprisionamento. Nestes condomínios - micro-cidades na verdade - os indivíduos têm a sensação de viver em uma cidade “ideal”, porém irreal. Os Alphavilles são a materialização dos contrates sociais na sua forma mais chocante, na medida em que percebemos uma sociedade aparentemente harmoniosa e feliz no lado de dentro dos muros e uma sociedade caótica e conturbada do lado de fora.
Sempre que passei perto de um destes condomínios tentei imaginar como seria viver lá dentro. Seria uma experiência saudável para os pais e filhos esta fuga da realidade? Para adultos que nasceram e cresceram em cidades reais penso que o impacto não é tão grande. Mas para um indivíduo em formação de personalidade e caráter, este isolamento do mundo real pode trazer alguns efeitos colaterais. É o preço que se paga pela fuga da violência das grandes cidades. Nestes dois documentários é possível perceber de forma clara esta tendência.
Alphaville é uma das cidades mais estéreis e opressoras que o cinema já viu. É governada por um computador que dita como todas as pessoas da cidade devem viver - todas as emoções são proibidas. Em uma cena, um homem pergunta a uma moça se está chorando, ela responde que não, pois é proibido. Em todo lugar há uma bíblia, que na verdade é um dicionário que é constantemente atualizado. Todo dia ele tem palavras cortadas que foram consideradas proibidas.
Nos Alphavilles brasileiros as emoções são permitidas e a mais contundente talvez seja a sensação permanente de aprisionamento. Nestes condomínios - micro-cidades na verdade - os indivíduos têm a sensação de viver em uma cidade “ideal”, porém irreal. Os Alphavilles são a materialização dos contrates sociais na sua forma mais chocante, na medida em que percebemos uma sociedade aparentemente harmoniosa e feliz no lado de dentro dos muros e uma sociedade caótica e conturbada do lado de fora.
Sempre que passei perto de um destes condomínios tentei imaginar como seria viver lá dentro. Seria uma experiência saudável para os pais e filhos esta fuga da realidade? Para adultos que nasceram e cresceram em cidades reais penso que o impacto não é tão grande. Mas para um indivíduo em formação de personalidade e caráter, este isolamento do mundo real pode trazer alguns efeitos colaterais. É o preço que se paga pela fuga da violência das grandes cidades. Nestes dois documentários é possível perceber de forma clara esta tendência.
Nas grandes cidades do pequeno dia-a-dia
O medo nos leva a tudo, sobretudo a fantasia
Então erguemos muros que nos dão a garantia
De que morreremos cheios de uma vida tão vazia
Então erguemos muros que nos dão a garantia
De que morreremos cheios de uma vida tão vazia
Nas grandes cidades de um país tão violento
Os muros e as grades nos protegem de quase tudo
Mas o quase tudo quase sempre é quase nada
E nada nos protege de uma vida sem sentido
O quase tudo quase sempre é quase nada...
Um dia super
Uma noite super
Uma vida superficial
Entre as cobras
Entre as sobras
Da nossa escassez
Nas grandes cidades de um país tão surreal
Os muros e as grades
Nos protegem de nosso próprio mal
Levamos uma vida que não nos leva a nada
Levamos muito tempo prá descobrir
Que não é por aí...não é por nada não
Não, não pode ser...é claro que não é
¿Será?
Meninos de rua, delírios de ruína
Violência nua e crua, verdade clandestina
Delírios de ruína, delitos & delícias
A violência travestida faz seu trottoir
Em armas de brinquedo, medo de brincar
Em anúncios luminosos, lâminas de barbear
Uma voz sublime
Uma palavra sublime
Um discurso subliminar
Entre sombras
Entre escombros
Da nossa solidez
Viver assim é um absurdo, (como outro qualquer)
Como tentar o suicídio (ou amar uma mulher)
Viver assim é um absurdo (como outro qualquer)
Como lutar pelo poder (lutar como puder)
O medo nos leva a tudo, sobretudo a fantasia
Então erguemos muros que nos dão a garantia
De que morreremos cheios de uma vida tão vazia
Então erguemos muros que nos dão a garantia
De que morreremos cheios de uma vida tão vazia
Nas grandes cidades de um país tão violento
Os muros e as grades nos protegem de quase tudo
Mas o quase tudo quase sempre é quase nada
E nada nos protege de uma vida sem sentido
O quase tudo quase sempre é quase nada...
Um dia super
Uma noite super
Uma vida superficial
Entre as cobras
Entre as sobras
Da nossa escassez
Nas grandes cidades de um país tão surreal
Os muros e as grades
Nos protegem de nosso próprio mal
Levamos uma vida que não nos leva a nada
Levamos muito tempo prá descobrir
Que não é por aí...não é por nada não
Não, não pode ser...é claro que não é
¿Será?
Meninos de rua, delírios de ruína
Violência nua e crua, verdade clandestina
Delírios de ruína, delitos & delícias
A violência travestida faz seu trottoir
Em armas de brinquedo, medo de brincar
Em anúncios luminosos, lâminas de barbear
Uma voz sublime
Uma palavra sublime
Um discurso subliminar
Entre sombras
Entre escombros
Da nossa solidez
Viver assim é um absurdo, (como outro qualquer)
Como tentar o suicídio (ou amar uma mulher)
Viver assim é um absurdo (como outro qualquer)
Como lutar pelo poder (lutar como puder)
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