sexta-feira, 26 de maio de 2023

Ferreomodelismo, miniaturas, Lego e outros hobbies...

Fala pessoal! Tudo bem com vocês? 

Como estão os investimentos? Aqui perdendo muito dinheiro com esse ciclo de alta da taxa de juros já que estou full alocado em small caps. Mais uma vez o mercado me pegou desprevenido. Será que um dia aprendo? rs

Bom, passando aqui hoje só para divulgar o canal de Youtube do meu filho. Não, ele não é Youtuber, nem quero que seja, mas estamos colocando lá alguns vídeos dos hobbies que temos aqui. Se você também curte Ferreomodelismo, miniaturas, Lego, etc... dê uma passadinha por lá.

Abraço a todos!

quinta-feira, 22 de setembro de 2022

A Finansfera morreu?

Depois que eu "migrei" para o Twitter, fiquei pouco frequente por aqui no blog. Confesso que tenho saudades daqueles tempos, o ambiente aqui na finansfera é mais saudável do que o que existe hoje nas redes sociais. Claro que aqui também existiam as tretas, mas o pessoal era mais unido, eu acho.

Depois de alguns meses sem entrar aqui tomei um susto com o blogroll. Praticamente a maioria parou de postar. É um verdadeiro cemitério de blogs. Curioso que grande parte parou durante a pandemia. Parece que o Covid deu uma desanimada na galera. Espero que ninguém tenha morrido pelo menos.

Bom, passei aqui mesmo só para dar um alô. Espero que todos estejam bem. Fiquem com Deus!


Stifler Pobre
Há 4 meses

Mundo Soul
Há 5 meses

IFologia Pop
Há 5 meses

Tiozinho da ZL
Há 5 meses

Minha Renda Fixa
Há 5 meses

Livre do Chefe
Há 6 meses

Bed Stuy apresenta...
Há 6 meses

Investir para Viver
Há 7 meses

Galo Milhonário - Finanças, economia, investimentos
Há 7 meses

Blog do Calvin
Há 7 meses

Concursado Investidor
Há 7 meses

Sábado Nunca Mais
Há 7 meses

Elsewhere
Há 7 meses

Contabilidade & Métodos Quantitativos
Há 8 meses

Um Gordo Tetinha
Há 8 meses

Jovem Poupador
Há 8 meses

Foco no Milhão
Há 8 meses

Investidor Wannabe
Há 9 meses

Quantum Trader BR
Há 9 meses

Jovem Aportador
Há 9 meses

Lucrando na Bolsa
Há 10 meses

Investidor Internacional
Há 10 meses

Executivo Pobre
Há 10 meses

Sniper Investidor
Há 10 meses

Dinheiro, Investimento e Lazer
Há 11 meses

Gari Advogado
Há 11 meses

Finanças & Pensamentos
Há 11 meses

Executivo Investidor
Há 11 meses

Economicamente Incorreto
Há um ano

O Pobre Sofredor
Há um ano

Vira Lata Investidor
Há um ano

Ministro do Investimento
Há um ano

Investimentos 2016
Há um ano

HEAVY METAL Investidor
Há um ano

Pobre Japa
Há um ano

Milionário aos 40
Há um ano

Mestre dos Centavo$
Há um ano

Aposente aos 40 - Um guia para quem busca a indep. financeira / aposentadoria antecipada (FIRE)
Há um ano

Investidor Convicto
Há um ano

Investcenter
Há um ano

Investidor Troll
Há um ano

Jovem de Sucesso
Há um ano

Mr.Dividendos
Há um ano

Steynd B.
Há um ano

Jornada do Poupador
Há um ano

Goku Investidor
Há um ano

Tio Investidor
Há um ano

O Viajante Investidor
Há um ano

Trabalhador do Mercado Financeiro
Há um ano

O Engenheiro Investidor
Há um ano

PATO POBRE
Há um ano

Hank Investidor
Há um ano

Simplicidade
Há um ano

Maestro Investidor
Há um ano

O Aportador
Há um ano

Professor Investe
Há um ano

Simples&Próspero
Há um ano

IR Finanças
Há um ano

blog do corey
Há um ano

Pecúnia
Há um ano

∴ Funcionário Público Investidor ∴
Há 2 anos

Sequoia Investments
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RK INVESTIMENTOS
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Capitalista
Há 2 anos

Bastidores da Bolsa
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Lawyer Investidor
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Quero Viver de Dividendos
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Investidor das Exatas
Há 2 anos

MÉDICO INVESTIDOR
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Investidor Disciplinado
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Punk de gravata
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Zé Ninguém Investimentos S/A
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Investidor de Risco
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Viver de aluguel
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CAPITALISMUS
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Engenheiro pobretão
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O Valor
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Frugal Aportador
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Antípoda
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Almofadinha Amarrado
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Joselito, Investimento Sem Noção
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Enriquecimento Progressivo
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Dividendos para uma vida toda
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O Burguês Inglório
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Resenha Virtual – Finanças Pessoais
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Seu Madruga Investimentos
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SrIF365 | INDEPENDÊNCIA FINANCEIRA | RENDA PASSIVA | BRASIL
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INVESTINDO NA IF... O BLOG DESCOMPLICADO
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Viver de dividendos e rendimentos!
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Messier 109
Há 3 anos

Viver de Aluguel de Temporada
Há 3 anos

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Há 3 anos

Samurai Financeiro
Há 3 anos

Geração 65
Há 3 anos

Retiring Early in Brazil
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MoneyMike
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Corrida dos Ratos - A FUGA
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Vença por você
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Apenas um Ser Lixo
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Investidor Invisível - Jornada em busca da Liberdade
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iO
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Ativos for Change
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Termos Reais
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terça-feira, 8 de março de 2022

Imposto de Renda 2022

Chegou o momento que todos esperavam. Já está disponível para download o programa do imposto de renda 2022. Porém, a declaração pré-preenchida para quem tem acesso prata ou ouro no eGov só estará disponível no dia 15. Confira esta e outras novidades no Manual do Imposto de Renda 2022.



sexta-feira, 21 de janeiro de 2022

Quem tem apenas uma renda não tem nenhuma!

Algo que não ensinam nas escolas: tenha pelo menos duas rendas! Ensinam apenas que você precisa estudar, se formar e arrumar um emprego. Normal, o sistema está formatado para alimentar a corrida dos ratos. Isso não irá mudar. Mas se você caiu aqui, talvez ainda tenha uma chance. Comece hoje seu projeto de renda extra, só assim você poderá deixar de ser um rato correndo dentro de uma gaiola atrás do queijo.

Qual projeto seria esse? Não tenho a mínima ideia. Mas uma coisa te falo: todo mundo tem pelo menos uma habilidade extraordinária. Descubra qual é a sua e depois basta colocar a mão na massa. Eu sempre pensei que a minha era desenvolvimento de sistemas. Acredito que ainda é, afinal é isso que faço desde 1993. Tenho uma empresa de T.I. em conjunto com outro sócio. Mas quis o destino me dar outra habilidade extraordinária. Graças a ela tenho hoje uma renda extra que em alguns meses chega ser superior ao que recebo com minha atividade principal.

Na próxima segunda receberei do Google um valor que posso chamar de excelente. Ainda mais considerando que é uma renda extra que - depois dos impostos - será toda investida em ações. Quem me acompanha desde 2015 sabe que não foi simples chegar nesse valor, teve todo um planejamento e alguns revezes no meio do caminho. E sei que terão outros. Por isso é uma renda extra e continuará sendo. Não me iludo pois sei que internet é terra de ninguém.

Excelente 2022 a todos!

sábado, 27 de fevereiro de 2021

Guia do Imposto de Renda 2021

Você já começou fazer a sua declaração de imposto de renda 2021? Tem alguma dúvida? Se tiver dificuldade em algum tema pode perguntar que tentarei responder. Mas antes, confira os tutoriais listados abaixo.


O prazo para prestar contas com o Leão começa no dia 1 de março e vai até o às 23h59 do dia 30 de abril. A obrigação de declarar, assim, atinge cada vez mais assalariados e autônomos, que, por mérito ou por negociação, conseguiram um reajuste salarial e terão que declarar, pois o valor de isenção permaneceu o mesmo de R$ 28.559,70 e, no caso de atividade rural, cuja receita bruta tenha excedido a quantia de R$ 142.798,50. Ainda estão obrigados a declarar, quem teve rendimentos não tributáveis acima de R$ 40 mil; ganho de capital na alienação de bens ou direitos; realizou operações na bolsa de valores; tem bens acima de R$ 300 mil; passou a residir no Brasil; e quem ganhou com imóveis e não comprou outro num prazo de seis meses também deve prestar contas.

Uma das novidades deste ano é que a pessoa física que tenha recebido auxílio emergencial em 2020, em qualquer valor, e outros rendimentos tributáveis em valor anual superior a R$ 22.847,76 está obrigada a declarar. Saiba aqui como declarar o auxílio emergencial no imposto de renda 2021. Confira também qual é o CNPJ do Auxílio Emergencial.

As restituições serão pagas em cinco lotes, assim como foi no ano passado. O primeiro lote será pago no fim de maio e o último será depositado em setembro:

1º lote: 31 de maio de 2021;
2º lote: 30 de junho de 2021;
3º lote: 30 de julho de 2021;
4º lote: 31 de agosto de 2021;
5º lote: 30 de setembro de 2021.

Tutoriais do Imposto de Renda 2021

> Como Baixar e Instalar o Programa do Imposto de Renda?
> Como Declarar Dinheiro em Espécie?
> Como Declarar Conta Corrente?
> Como Declarar Poupança?
> Como Declarar Salário?
> Como Declarar FGTS?
> Como Declarar PIS?
> Como Declarar Seguro-Desemprego?
> Como Declarar Rescisão de Trabalho?
> Como Declarar Despesas Médicas?
> Como Declarar Aluguel?
> Como Declarar Imóvel?
> Como Declarar Veículo?
> Como Declarar Divórcio?
> Como Declarar Gastos com Educação?
> Como Declarar Doação?
> Como Declarar Empréstimo?
> Como Declarar Consórcio?
> Como Declarar Previdência Privada?
> Como Declarar Dólar?
> Como Declarar BitCoin?
> Como Declarar Fundos de Investimento?
> Como Declarar Tesouro Direto?
> Como Declarar Ações?
> Como Declarar FIIs?
> Como Declarar Opções?
> Como Declarar BDR?
> Como Declarar CDB?
> Como Declarar LCI e LCA?
> Como Declarar Debêntures?
> Como Declarar COE?
> Como Declarar Imposto de Renda pela Primeira Vez?



quinta-feira, 4 de junho de 2020

Racismo Estrutural e Invisível no Brasil

Consulta rápida ao Wikipédia: Homo homini lupus é uma sentença latina que significa: o homem é o lobo do homem. Foi criada por Plauto (254-184) em sua obra Asinaria. Bem mais tarde foi popularizada por Thomas Hobbes, filósofo inglês do século XVIII.

A expressão “o homem é o lobo do homem” pode ter os mais diversos significados. Atrevo-me a dizer que o homem, no alto da sua “superioridade”, por motivos histórico-sociais, acaba por denegrir, ridicularizar, humilhar e tentar diminuir um indivíduo da própria raça.

Após a vitória do Santos diante do Grêmio na quinta-feira última, na Arena Grêmio, em duelo válido pelas oitavas de final da Copa do Brasil, o goleiro Aranha deixou o gramado acusando a torcida gaúcha de racismo. Segundo o jogador, torcedores do Grêmio xingaram de “preto fedido”.

As câmeras de televisão da ESPN Brasil registraram o momento em que os torcedores imitam macaco em coro das arquibancadas para provocar o jogador. O mais curioso é que pelas imagens da TV podemos ver, no grupo de torcedores, várias pessoas negras se manifestando. Além disso, as imagens mostram uma torcedora xingando o goleiro de macaco.

Horas depois, como não podia deixar de ser, a garota foi bombardeada nas mídias sociais com frases do tipo: "é uma vaca", "é uma branquela horrorosa", "é uma desgraçada" bla, bla, bla... e também os próprios gremistas foram vítimas de insultos como: "os homens do sul não gostam de aranha" e bla bla bla. Ou seja, insultos gerando insultos, discriminação racial gerando homofobia, uma verdadeira guerra entre pessoas.

Fatos Recentes

Não é de hoje que estamos vendo pelos noticiários estes lamentáveis episódios no futebol e também em outras esferas da sociedade. Recentemente, a jornalista potiguar Micheline Borges fez um comentário em sua página pessoal no Facebook sobre a aparência de médicos cubanos que chegaram ao Brasil. A postagem ganhou repercussão nacional e fez com que a jornalista apagasse o perfil nas redes sociais.


Para ela, a postagem não foi preconceituosa. Mas a opinião pública logo se espalhou pelas redes sociais. Muitos internautas reproduziram a postagem e fizeram comentários criticando a frase da jornalista, que mesmo assim continuou se defendeu na rede social durante algumas horas.

"Se eu chegar numa consulta e encontrar um médico com cara de acabado ou num escritório de advocacia e o advogado mal vestido vou embora", comparou, antes de encerrar a conta no Facebook.

Se você leitor é negro, tenho certeza que já foi vítima de algum tipo de discriminação racial na vida. Eu não sou negro, mas sou mestiço e tenho muitos parentes que são negros. E a pergunta que não quer calar é: quando este tipo de comportamento irá acabar?

Cada um terá sua resposta a esta pergunta, a minha é: “daqui décadas, séculos ou mesmo milênios quando a raça humana será extinta”. Meu pensamento pessimista vem da minha constatação de que o ser humano está em uma guerra permanente, invisível, velada e subestimada. Sou partidário do pensamento de Hobbes que desmonta o valor retórico da liberdade e da igualdade. Para ele, a igualdade leva à guerra de “todos contra todos”.

No lamentável episódio da partida de futebol, esporte este que vez ou outra transforma os estádios em campos de batalha, dentro e fora do gramado, a torcedora não admite que seu time apresentou menor desempenho no campo e parte para o ataque com a única arma que tem naquele momento: “seu grito inflamado”. Grito este que não é articulado pela razão e sim pela emoção, sendo esta o resultado de anos e anos de distorções sociais introjetadas na sua mente.

Conceituação

"Racismo" é um termo amplo utilizado para descrever variados tipos de crenças e atos que negam a igualdade fundamental de todos os seres humanos, em função da percepção de diferenças de "raça", ascendência, cor ou aparência.

A maioria das pessoas usa a idéia de raça, ou de aparência relacionada à raça, como maneira de identificar a si mesmos ou aos outros. Entretanto, a ciência nos ensina que existe apenas uma raça: a raça humana, ponto final!

A discriminação racial é o racismo em ação: Qualquer distinção, exclusão, restrição ou preferência baseada em raça, cor, ascendência ou origem nacional ou étnica que tenha como finalidade ou efeito anular ou impedir o reconhecimento, gozo ou exercício, em pé de igualdade, de direitos humanos e liberdades fundamentais nos campos político, econômico, social e cultural, entre outros, da vida pública.

História

O racismo, como o percebemos hoje, é algo relativamente recente na história na humanidade. Até por volta da Idade Média, os principais fatores de discriminação eram religiosos, políticos ou referentes à nacionalidade e à linguagem do indivíduo.

No século XV, quando os europeus desembarcaram na África, e principalmente com o início do tráfico negreiro, usaram a ciência a favor do colonialismo e desenvolveram teorias de superioridade evolutiva, baseadas em diferenças biológicas, que justificavam seus interesses de expansão e poder.

Estava criado o racismo etnocêntrico, fundamentado em doutrinas bíblicas, filosóficas e científicas que não resistiram à evolução dos tempos, mas que deixaram marcas indeléveis e profundas nas sociedades que as usaram para justificar a escravidão, como é o caso da sociedade brasileira.

O Racismo Invisível no Brasil

No final do século XIX, com a abolição da escravatura e ainda sob forte influência das teses de superioridade europeia, começa a ser colocado em prática um projeto de construção de uma nova nação brasileira, que deveria ser melhorada através do “embranquecimento” de seu povo.

Algumas décadas mais tarde, esta teoria lugar à da miscigenação, que acabou criando um dos mitos mais prejudiciais à luta contra o racismo: o mito da democracia racial. Foi ele que, durante décadas, impediu o Brasil de se tornar um país realmente democrático, com tratamento e oportunidade iguais para todos, ao negar reconhecimento a um problema que atinge mais da metade da nossa população.

Mas até hoje pessoas preferem dizer que não existe racismo no país (o pior cego é aquele que não quer ver). Telegramas entre diplomatas americanos e o governo dos Estados Unidos que o site Wikileaks vem vazando, dizem o contrário. Em um pacote de 25 telegramas da embaixada dos Estados Unidos em Brasília e do consulado em São Paulo redigidos entre 2004 e 2009, diplomatas americanos informaram ao seu governo que “Muitos (brasileiros) alegam que o racismo não existe, apesar das evidências esmagadoras do contrário“.


Provavelmente, os americanos, um dos povos mais racistas do mundo, fazem referência ao livro do diretor de jornalismo Ali Kamel: “Não somos racistas”. No livro, publicado em 2006 pela Nova Fronteira, o autor garante que não há discriminação racial no Brasil e que todos vivem em harmonia.

Escrito em plena batalha pela implantação das cotas nas universidades, o livro serviu como instrumento da direita para combater as políticas do governo Lula. Para o jornalista, o racismo não teria peso na cultura nacional e não contaria com o aval das instituições públicas e privadas. Nesse sentido, teorizava o autor, a implantação das cotas raciais teria um efeito inverso, negativo, estimulando o racismo. Eu particularmente tenho um outro ponto de vista para esta questão, mas seria assunto para outro post.

O Racismo no Inconsciente

Se hoje já se admite que o Brasil é um país racista, é preciso admitir também que nossos pensamentos e atitudes são condicionados por essa cultura e essa ideologia racista, pois crescemos introjetando e reproduzindo o que já está estabelecido socialmente.

Um estudo mostrou que as crianças são abertamente preconceituosas, e que essa característica perde força a partir da maturação das estruturas cognitivas que permitem que ela deixe de julgar as pessoas com quem se relaciona apenas pela aparência e passe a levar em conta conceitos como bondade ou amizade.

Mostrou também que o racismo, longe de desaparecer com a idade e a necessidade de socialização, caso não haja nenhuma iniciativa por parte de pais e/ou educadores, é introjetado e velado pelo aprendizado das normas sociais vigentes, passando a se manifestar de forma indireta e, em muitos casos, inconsciente.

Imperativos para o Crescimento Econômico

No mundo atual as forças globais emergentes concorrem para moldar o futuro. Algumas forças ameaçam dividir, empobrecer e criar "vencedores" e "perdedores", enquanto outras acenam com possibilidades de um futuro em que a inclusão torne-se uma necessidade econômica e prática para servir ao bem comum.


Não temos outra alternativa senão combater os efeitos negativos e tirar proveito dos aspectos positivos. Na economia global, a pobreza, a falta de saúde, o desemprego e a falta de acesso à escola para os indivíduos (negros e outros segregados em sua maioria) são obstáculos que atrasam a realização das metas do desenvolvimento nacional.

Estimativas recentes sugerem que Brasil, África do Sul e Estados Unidos poderiam ganhar um aumento conjunto de produtividade econômica equivalente ao Produto Interno Bruto (PIB) da 15a maior economia do mundo, se eliminassem a discriminação racial.

Cada uma das nações precisa dos talentos e habilidades dos negros e de outras pessoas menos favorecidas para poder competir efetivamente por investimentos e crescimento econômico no mercado global.

Fontes consultadas:

Artigo
Reportagem

sexta-feira, 29 de maio de 2020

Tramontina: O Porteiro de Puteiro que se Tornou um dos Maiores Empresários do Brasil

Embrenhado nos cafundós do Judas, num lugar de difícil aceso e  retirado a dois dias de mula do centro comercial mais próximo, existia um pequeno povoado, de moradores muito humildes, lugar esquecido e de pouco interesse dos políticos, cuja única fama, que mais o denegria do que o exaltava, era a existência de um puteiro que recebia homens de toda a região.

Foi neste ambiente caboclo que nasceu Valentin, um gauchinho filho de mãe solteira, que logo após o nascimento a mãe veio a falecer. O rebento foi adotado por compaixão pelas prostitutas colegas de labuta da mãe falecida. O menino cresceu e, criado neste fim de mundo em ambiente tão adverso, não recebeu das mães de criação a possibilidade de frequentar uma escola. Assim, não aprendeu a ler nem escrever e já rapaz não aprendeu outra atividade ou profissão senão servir de guarda na portaria da pequena casa de diversão.

Um dia, entrou como novo gerente do puteiro um sujeito cheio de ideias, e assim decidiu modernizar o estabelecimento. Planejou as mudanças e chamou os funcionários e funcionárias para passar as novas instruções. Ao porteiro disse:

– A partir de hoje, o senhor, além de ficar na portaria, vai preparar um relatório semanal onde registrará a quantidade de clientes e seus comentários e reclamações sobre nossos serviços.
– Eu adoraria fazer isso, senhor. Mas eu não sei ler nem escrever!
– Ah! Quanto eu sinto! Mas se é assim, já não poderá seguir trabalhando aqui.
– Mas senhor, não pode me despedir, eu trabalhei aqui a minha vida inteira, não sei fazer outra coisa.
– Olhe, eu compreendo, mas não posso fazer nada pelo senhor. Vamos dar-lhe uma boa indenização e espero que encontre algo que fazer. Eu sinto muito e que tenha sorte.

Sem mais nem menos, deu meia volta e foi embora. O porteiro sentiu como se o mundo desmoronasse. Que fazer? Lembrou que no prostíbulo, quando quebrava alguma cadeira ou mesa, ele a consertava, com cuidado e zelo. Pensou que esta poderia ser uma boa ocupação até conseguir um emprego. Mas só contava com alguns pregos enferrujados e um alicate mal conservado. Usaria o dinheiro da indenização para comprar uma caixa de ferramentas completa.

Como o povoado não tinha casa de ferragens, deveria viajar dois dias em uma mula para ir ao povoado mais próximo para realizar a compra. E assim o fez. No seu regresso, um vizinho bateu à sua porta:

– Venho perguntar se você tem um martelo para me emprestar.
– Sim, acabo de comprá-lo, mas eu preciso dele para trabalhar … já que..
– Bom, mas eu o devolverei amanhã bem cedo.
– Se é assim, está bom.

Na manhã seguinte, como havia prometido, o vizinho bateu à porta e disse:

– Olha, eu ainda preciso do martelo. Porque você não o vende para mim?
– Não, eu preciso dele para trabalhar e além do mais, a casa de ferragens mais próxima está a dois dias de viagem sobre a mula.
– Façamos um trato – disse o vizinho.

Eu pagarei os dias de ida e volta mais o preço do martelo, já que você está sem trabalho no momento. Que lhe parece?

Realmente, isto lhe daria trabalho por mais dois dias…. aceitou.Voltou a montar na sua mula e viajou.
No seu regresso, outro vizinho o esperava na porta de sua casa.

– Olá, vizinho. Você vendeu um martelo a nosso amigo.

Eu necessito de algumas ferramentas, estou disposto a pagar-lhe seus dias de viagem, mais um pequeno lucro para que você as compre para mim, pois não disponho de tempo para viajar para fazer compras.Que lhe parece?

O ex-porteiro abriu sua caixa de ferramentas e seu vizinho escolheu um alicate, uma chave de fenda, um martelo e uma talhadeira. Pagou e foi embora. E nosso amigo guardou as palavras que escutara: ‘não disponho de tempo para viajar para fazer compras’.

Se isto fosse certo, muita gente poderia necessitar que ele viajasse para trazer as ferramentas. Na viagem seguinte, arriscou um pouco mais de dinheiro trazendo mais ferramentas do que as que havia vendido. De fato, poderia economizar algum tempo em viagens. A notícia começou a se espalhar pelo povoado e muitos, querendo economizar a viagem, faziam encomendas.

Agora, como vendedor de ferramentas, uma vez por semana viajava e trazia o que precisavam seus clientes. Com o tempo, alugou um galpão para estocar as ferramentas e alguns meses depois, comprou uma vitrine e um balcão e transformou o galpão na primeira loja de ferragens do povoado.

Todos estavam contentes e compravam dele.Já não viajava, os fabricantes lhe enviavam seus pedidos. Ele era um bom cliente. Com o tempo, as pessoas dos povoados vizinhos preferiam comprar na sua loja de ferragens, a ter de gastar dias em viagens.

Um dia ele lembrou de um amigo seu que era torneiro e ferreiro e pensou que este poderia fabricar as cabeças dos martelos.E logo, por que não, as chaves de fendas, os alicates, as talhadeiras, etc… E após foram os pregos e os parafusos… Em poucos anos, nosso amigo se transformou, com seu trabalho, em um rico e próspero fabricante de ferramentas.

Certo dia decidiu doar uma escola ao povoado. Nela, além de ler e escrever, as crianças aprenderiam algum ofício. No dia da inauguração da escola, o prefeito lhe entregou as chaves da cidade, o abraçou e lhe disse:

– É com grande orgulho e gratidão que lhe pedimos que nos conceda a honra de colocar a sua assinatura na primeira página do livro de atas desta nova escola.
– A honra seria minha – disse o homem. Seria a coisa que mais me daria prazer, assinar o livro, mas eu não sei ler nem escrever, sou analfabeto.
– O Senhor?!?! – Disse o prefeito sem acreditar. O senhor construiu um império industrial sem saber ler nem escrever? Estou abismado. Eu pergunto:
– O que teria sido do senhor se soubesse ler e escrever?
– Isso eu posso responder. – Disse o homem com calma.
Se eu soubesse ler e escrever… ainda seria o PORTEIRO DO PUTEIRO!!!

Lição desta história:  Geralmente as mudanças são vistas como adversidades e obstáculos, principalmente quando estamos em zonas de conforto. Mas estas adversidades podem ser bênçãos. As crises estão cheias de oportunidades. Se alguém lhe fechar as portas, não gaste energia com o confronto, procure janelas para abrir.

Valentin Tramontina: O Porteiro do Puteiro

 

Essa história é atribuída a um grande industrial chamado Valentin Tramontina, fundador da Tramontina, que hoje tem 7.000 empregados e produz 18.000 itens que vão desde colheres de mesa a sofisticadas ferramentas e exporta para mais de 120 países. A cidadezinha é Carlos Barbosa e fica no interior do Rio Grande do Sul.

valentin tramontina porteiro de puteiro

Quase todo mundo que lê este conto fica emocionado e inspirado com a história de superação e sucesso do protagonista. Mas esta bela história é fantasiosa e foi elaborada por alguém para dar uma lição motivadora. Valentin nunca foi porteiro de prostíbulo. Era um colono artesão, oriundo de Santa Bárbara, interior do município de Bento Gonçalves, filho da imigrantes italianos da aldeia de Poffabro, município de de Frisanco, na região do Friuli-Venezia Giulia, nordeste da Itália.

Tramontina

 

A história da Tramontina começa em 1911, quando Valentin Tramontina chega à cidade de Carlos Barbosa, no Rio Grande do Sul, para montar o seu próprio negócio. Das mãos deste filho de italianos, natural de Santa Bárbara (RS), nasce a ferraria Tramontina: uma pequena oficina estabelecida em um terreno alugado.

Após cumprir o serviço militar obrigatório, Valentin retoma suas atividades e investe no futuro, transferindo a empresa para um galpão maior. Terra e mata, algum instrumento de trabalho, foi o início do barraco provisório, do esquartejo do pinheiro, da derrubada da mata, da construção da casa definitiva, dos cercados, galpões e as plantações.

Para o imigrante que deixou a Itália no final do século 19, o principal anseio era a propriedade da terra. O contato com a Revolução Industrial ocorrido na Europa foi de grande valia para o colono italiano. O trabalho na fábrica, ainda que temporário, o familiarizou com o novo modo de produzir. Algumas máquinas, fruto da revolução industrial, foram trazidas pelos imigrantes.

Saber como as máquinas eram produzidas era um atalho para a produção de novas ferramentas e artefatos. Tudo o que escrevemos até agora é para dizer que a família Tramontina tinha em seu sangue o destemor da maioria dos imigrantes que aportaram nessa região inóspita e ingrime do estado mais meridional do Brasil.

Ao chegar na região colonial do Rio Grande do Sul, o imigrante trazia o conhecimento de algumas atividades e as precondições para a produção de outras. Eram extremamente engenhosas.Um córrego, a ser canalizado, em todo ou em parte, foi a grande engenhosidade dos imigrantes. A roda d’água foi o embrião da metalurgia da região.

Valentin Tramontina, em 1911, montou sua ferraria na então vila de Carlos Barbosa. A família de Valentin morava em Santa Bárbara, localidade pertencente ao município de Bento Gonçalves, atualmente fazendo parte do município de Monte Belo do Sul, e lá fabricava ferramentas agrícolas.

Valentin veio a Carlos Barbosa porque a chegada da ferrovia significava perspectiva de expansão. Até 1930, a produção da ferraria era modesta. Valentin prestava serviços a empresas, entre elas Arthur Renner, proprietário de uma refinaria de banha, onde eram abatidos mais de 150 suínos por dia. Fazia consertos nas empresas e fabricava facas e canivetes. Podia ser considerado um ferreiro urbano.

Em 1924, a empresa de Arthur Renner se transfere para Montenegro. A partir de então, ocorrem algumas mudanças na linha de produção. O tradicional cabo de madeira das facas e canivetes é substituído pelo cabo de chifre, e vários modelos são lançados, entre eles um denominado "Santa Bárbara".

fabrica tramontina

Em 1932, Valentin agrega os primeiros colaboradores. São pessoas que residem na vila, trabalham na agricultura em tempo parcial e começam a fazer facas e canivetes nos porões de suas casas.

Valentin Tramontina, nascido em 1893, falece com 46 anos de idade, no ano de 1939. A partir daí, assume a ferraria, dona Elisa Tramontina, esposa de Valentin, que desponta como uma empreendedora nata e arrojada. Ela é quem embarca no trem da estação da vila de Carlos Barbosa e vai vender a produção nos mercados regionais e na capital do Estado.

Durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), caso não existisse a determinação e a coragem de Elisa, a ferraria teria sucumbido.

O ano de 1949 pode ser considerado um marco na história do Grupo. Trata-se da data em que Ruy José Scomazzon, barbosense de 20 anos, amigo de Ivo Tramontina, cursando a Faculdade de Ciências Econômicas da PUC – Porto Alegre, começa a prestar assessoria à Tramontina. Ruy, com espírito de liderança, implanta planos ambiciosos, enfatizando a organização em todos os setores. Inaugura-se uma nova etapa. O caráter artesanal dá lugar a uma produção manufatureira.

Na década de 50, a empresa contava com 30 empregados e alguns representantes comissionados espalhados pelo Estado.

Os canivetes representavam 90 por cento do faturamento. Vem da Itália a tradição de ter no bolso um canivete, cuja denominação é "brítola". Trata-se de um canivete com formato de pequena foice utilizado principalmente na poda da parreira, para cortar vime. A Tramontina sempre se destacou na fabricação deste canivete. A empresa se capitaliza rapidamente, com inovações tecnológicas: laminadores, marteletes, máquinas de esmerilhar e forjar, que dinamizam a produção em série.

Com a presença do governador Ildo Meneghetti, em dezembro de 1956, foi inaugurada a ampliação das instalações da empresa e o novo escritório. Intensifica-se a produção de facas e ferramentas agrícolas. O ano de 1958 marca a fundação da Metalúrgica Forjasul, em Porto Alegre, e posteriormente transferida para Canoas.

Em 1961 falece a grande baluarte Elisa Tramontina. As décadas de 60 e 70 são marcadas pela instalação de empresas do Grupo em Garibaldi, Farroupilha e na Bahia, e também pela admissão de novos empregados.

A história de sucessão começou em 1949, quando Ivo Tramontina seguiu os passos do pai e passou a comandar o negócio, junto com seu amigo, Ruy J. Scomazzon. Nas décadas seguintes, a dupla foi responsável por expandir o empreendimento e levar a Tramontina para cerca de 120 países.

A tradição da família continuou quando Clóvis Tramontina, filho de Ivo, deu sequência aos negócios, assumindo, em 1992, a presidência da companhia. Mas ele não caiu de paraquedas no cargo. Antes de alcançá-lo, foi preparado para isso. Passou por vários setores da empresa e estudou, se formando em Administração e fazendo alguns outros cursos depois, como pós-graduação e MBA.

loja tramontina

Houve um salto gigantesco. Dos 30 empregados existentes em 1950, a empresa passou a ter em seu quadro 557 funcionários no final dos anos 60. Hoje o Grupo emprega quase 7.000 pessoas, exporta para mais de 120 países e é uma marca conhecida no mundo inteiro. Nas suas 10 unidades produz mais de 18 mil itens. A organização das fábricas se dá da seguinte forma:

  1. Tramontina Belém, localizada na cidade de Belém/PA, produz móveis de madeira para áreas internas e externas, utilidades domésticas e cabos para ferramentas.
  2. Tramontina Cutelaria, localizada na cidade de Carlos Barbosa/RS, produz facas de cozinha, profissionais e esportivas, utensílios de cozinha, talheres para uso diário, panelas, frigideiras, formas e assadeiras, tesouras, potes plásticos, uma linha infantil e uma linha de produtos e acessórios para churrasco.
  3. Tramontina Delta, localizada na cidade de Recife/PE, produz mesas, cadeiras, brinquedos, estantes, vasos, lixeiras, caixas organizadoras, gaveteiros e poltronas de plástico injetado ou rotomoldado.
  4. Tramontina Eletrik, localizada na cidade de Carlos Barbosa/RS, produz tomadas, interruptores, disjuntores, duchas, extensões, conduletes, acessórios para eletrodutos, aparelhos à prova do tempo, iluminação, injeção de alumínio sob encomenda e produtos para atmosferas explosivas.
  5. Tramontina Farroupilha, localizada na cidade de Farroupilha/RS, produz panelas, talheres e uma linha para servir de aço inoxidável, cozinhas profissionais e eletroportáteis.
  6. Forjasul Canoas, localizada na cidade de Canoas/RS, produz morsas, machados, marretas, ganchos para içamento de cargas, forjados sob encomenda e ferragens eletrotécnicas para linhas de transmissão e subestações de alta e extra-alta tensão e para redes aéreas de distribuição de energia elétrica.
  7. Tramontina Garibaldi, localizada na cidade de Garibaldi/RS, produz ferramentas industriais e organizadores metálicos para o setor industrial e automotivo, ferramentas profissionais para a construção civil e ferramentas manuais para uso doméstico.
  8. Forjasul Madeiras, localizada na cidade de Encruzilhada do Sul/RS, produz painéis de pinus, prateleiras retas e de canto, estantes e utilidades domésticas.
  9. Tramontina Multi, localizada na cidade de Carlos Barbosa/RS, produz equipamentos dirigíveis, ferramentas e equipamentos para jardinagem, agricultura e construção civil.
  10. Tramontina TEEC, localizada na cidade de Carlos Barbosa/RS, produz tanques, pias/cubas, coifas, cooktops, fornos, lixeiras, cachepôs e acessórios.

Fonte



domingo, 10 de maio de 2020

A Filosofia do Chaves: Não Tenha Nada para não Ter Nada a Perder! Só Assim Você Será Livre.

Um tema pelo qual tenho me interessado muito é a Intersubjetividade: a capacidade do homem de se relacionar com o seu semelhante. Jean-Paul Sartre resumiu seu ponto de vista sobre este assunto em uma frase presente na sua peça de teatro Entre Quatro Paredes: “o inferno são os outros”.

Para Sartre, a principal característica do homem é a sua liberdade fundamental. Sendo assim, mesmo alguém mantido sob a pior forma de dominação, no fundo permanece livre em seu ser, em sua consciência. Em outras palavras, um homem jamais conseguirá dominar completamente o outro.

Isto explica, em parte, porque as relações humanas são em geral conflituosas: na presença do outro há um confronto entre minha liberdade e a dele. E porque o outro também é livre, não podemos controlar o que ele pensa e o que ele nos diz. Porém, ao mesmo tempo preciso dele, de seu olhar crítico, ainda que, muitas vezes, esse olhar veja algo em nós que não gostamos.

Esta questão da liberdade dos indivíduos me remete a uma entrevista que vi recentemente no Youtube do Mario Sérgio Cortella. Neste vídeo, o professor discorreu sobre o conceito de ética e liberdade fazendo um paralelo com o seriado Chaves. Irei transcrever na íntegra a sua fala para que o leitor não perca nenhum detalhe:

"No contexto da discussão sobre ética. Você tem que lembrar que o Chaves, o personagem da TV, ele é alguém que se inspirou num pensador clássico chamado Diógenes. Diógenes foi um filósofo grego pós-socrático que morava num barril. Tal como Sócrates viveu solto na praça, discutindo, e o Chaves mora num barril, Diógenes, que era um alguém da escola cínica na Filosofia, morava num barril e vivia nu. Aliás, porque ele não tinha propriedade alguma pra não ser propriedade de nada. Se você já observou na série “Chaves”, ninguém tem animal de estimação naquela vilinha, porque o único ser ali que é um animal de estimação é o próprio Chaves. Segundo, é o único que é livre, o único que pode dizer o que quer, ele não tem nada a perder."


O Cortella só cometeu um pequeno equívoco pois o Chaves não mora no barril segundo palavras dele mesmo:

"Eu não moro no barril, eu só entro no barril porquê... bem, você sabe... pra... "
"Só por esporte."
"Isso!"
(Diálogo entre Chaves e Kiko)


Bom fim de semana a todos!

Ah, abaixo a entrevista citada...

terça-feira, 31 de março de 2020

Quanto Preciso Poupar para Aposentar?

Considerando que precisarei de 2 mil dólares por mês para viver dignamente bem na minha idade senil e considerando que irei iniciar minha poupança para aposentadoria no dia de hoje aos 45 anos (não é o caso mas estou apenas fazendo um exemplo didático), considerando também que não quero deixar dinheiro para herdeiros (ficarão apenas com os bens - o que já está de bom tamanho), e considerando que viverei até os 100 anos, então a planilha é a seguinte:

Idade Poupança em Dólares
45 24000
46 48000
47 72000
48 96000
49 120000
50 144000
51 168000
52 192000
53 216000
54 240000
55 264000
56 288000
57 312000
58 336000
59 360000
60 384000
61 408000
62 432000
63 456000
64 480000
65 504000
66 528000
67 552000
68 576000
69 600000
70 624000
71 648000
72 672000
73 648000
74 624000
75 600000
76 576000
77 552000
78 528000
79 504000
80 480000
81 456000
82 432000
83 408000
84 384000
85 360000
86 336000
87 312000
88 288000
89 264000
90 240000
91 216000
92 192000
93 168000
94 144000
95 120000
96 96000
97 72000
98 48000
99 24000
100 0

Ou seja, preciso poupar 24 mil dólares por ano até completar 72 anos. Depois disto é só ir sacando 24 mil dólares por ano até os 100 anos de idade.

Me conte aí qual é a sua estratégia para aposentadoria. Dividendos de ações? Aluguel de imóveis? Tesouro Direto?

Depois desta crise aprendi que "cash is king!" rs


terça-feira, 4 de fevereiro de 2020

Planilhas de Controle: Uma Hora Você Não Vai mais Precisar Delas

Eu já fui o rei das planilhas, era assim que minha esposa me chamava quando me conheceu. Eu tinha planilha para tudo, de controle de gastos a controle do crescimento do filho. Mas já tem uns dois anos que eliminei todas as planilhas da minha vida. Minto, sobrou apenas uma: a de rendimentos para fins de imposto de renda.


No inicio da minha vida adulta a planilha de controle de gastos se tornou indispensável para minha reorganização financeira. Era uma planilha bem detalhada (veja aqui), e me divertia em controlar até os centavos que deixava para o flanelinha.

Depois vieram as planilhas de controle de rendimentos. Meu Deus, eu ficava ansioso para a chegada do último dia do mês para fazer o famoso "fechamento mensal". E foi por isto que criei este blog anos atrás, para divulgar meus fechamentos e participar de rankings de rentabilidade. Também era muito divertido fazer aquilo, até ver que isto não passa de um "game" sem sentido.

E chegou um dia que não vi mais necessidade para fazer estes controles. Chega-se em um ponto da vida que você entra em modo "voo de brigadeiro". Para de sentir turbulências, e a única coisa que precisa é ligar o piloto automático.

Se me perguntar quando gastei nos últimos dois anos... não sei. Se me perguntar qual foi minha rentabilidade de investimentos nos últimos dois anos... também não sei. E quer saber? Isto não faz mais a menor diferença para mim.

Mas caso você esteja iniciando sua vida financeira, caso não tenha nenhuma ideia para aonde seu dinheiro está indo, recomendo fortemente que tenha pelo menos uma planilha de controle de gastos, e torne sistemático o hábito de registrar suas despesas e rendimentos até o momento que sua vida entrar em piloto automático e não precisar mais daquilo.

sexta-feira, 24 de janeiro de 2020

FIRE e a Sua Geração de Valor

Na finansfera agora só se fala de FIRE, para quem não conhece o termo, significa "Financial Independence and Retirement Early". Basicamente é se aposentar o mais cedo possível após conquistar a independência financeira.

O que venho chamar atenção aqui é para o "RE", isto é, a aposentadoria antecipada. O "FI" está OK, todo mundo deve buscar a independência financeira, mas a busca do "RE" pode dar um nó na cabeça do indivíduo se não for bem trabalhada.

Geralmente as pessoas buscam a aposentadoria antecipada simplesmente porque detestam o seu trabalho. Ou até gosta da profissão escolhida mas a mesma é tão desgastante que não vale a pena os benefícios em função do custo.

Poderia vir aqui com aquele papinho de que você deve procurar uma atividade que ama pois assim seu trabalho torna-se prazeroso. Mas não é assim, mais cedo ou mais tarde a atividade tão amada torna-se também enfadonha e maçante.

Também não vejo com bons olhos o indivíduo gastar tanto tempo de estudos e especializações para aprender fazer algo na vida e de repente jogar toda aquela bagagem fora. Estamos aqui falando de geração de valor.

Basicamente nossa vida é uma troca de valores entre pessoas. Cada um tem sua potencialidade e a usa para gerar valor para as outras pessoas. Se você gerar muito valor irá receber dinheiro em troca disto. Usará então este dinheiro para extrair valor de outras pessoas. Irá acumular parte deste dinheiro para, no futuro, ainda continuar obtendo valores das pessoas quando você não mais tiver condições de gerar valor.

O meu alerta está neste período em que você já conquistou a independência financeira mas ainda tem plenas capacidades de continuar gerando valor para as outras pessoas. Se você simplesmente parar de gerar valor poderá ter sérios problemas psicológicos.

Gerar valor é umas das coisas mais gratificantes para o ser humano, além de ser importantíssimo para manter a sanidade mental. Use para isto suas potencialidades, seus aprendizados de vida. Todo mundo é muito bom em algo, e esta potencialidade não pode ser desperdiçada, mesmo que você já atingiu o "FI", pense bem a respeito do "RE".

Termino este post deixando a dica de um excelente documentário que tem no Netflix sobre o sushiman mais famoso do Japão. Para comer um sushi lá você precisa entrar em uma fila de espera de 3 meses. A potencialidade deste japones é fazer o melhor sushi do mundo, é nisto que ele é muito bom, esta é a sua bagagem de vida. Este é o valor que ele gera para as outras pessoas.

No subsolo de uma estação de metrô em Tóquio trabalha o maior e mais renomado Sushiman do Japão, Jiro Ono, que com seus 85 anos ainda cuida diariamente de seu restaurante o Sukibayashi Jiro. Este documentário retrata de forma magnífica a história, desafios e a busca incessante pelos melhores ingredientes e o aprimoramento da arte de fazer sushi. Por que um simples sushi de arroz e peixe produzido por este homem, tem um nível de qualidade tão grande que possa chamar a atenção dos maiores chefs do mundo?

 

quarta-feira, 9 de outubro de 2019

Você é Um Acumulador Compulsivo? Conheça a História da Bernadeth!

No meu último post, o colega Calvin que escreve no Blog do Calvin deixou o seguinte comentário...


Fico feliz de escrever algo que toca uma determinada pessoa em um determinado momento da sua vida. Muitas vezes a pessoa está angustiada com alguma situação mas na verdade está apenas precisando ouvir algo para que as coisas passem a fazer sentido.

Esta questão do aporte, da acumulação, é algo que aflige quem está em busca da liberdade financeira no futuro próximo. Mas temos que ter em mente que nem sempre será possível aportar o que queremos. E qual o problema disto? Nenhum.

Eu mesmo já fiquei, em alguns momentos da minha vida, meses e meses sem aportar nenhum tostão nas corretoras. Nem por isto deixei de viver. O importante é termos a consciência de entender que a vida é composta de momentos diferentes e, se não estamos ganhando dinheiro, com certeza estaremos ganhando experiência de vida. Afinal, dinheiro é apenas um papel pintado, experiência de vida vale muito mais do que isto.

Mas sim, precisamos acumular. A dúvida que surge é: em qual medida? 10%? 20%? 60% dos rendimentos? Não há resposta, aporte o que der, o que sobrar. Não pode é cair na cilada da acumulação compulsiva, despropositada, patológica.

Me lembrei agora de um caso curioso, que foi mostrado em uma reportagem do Fantástico. Transcreverei abaixo parte da reportagem:

Imagine uma pessoa guardar objetos de todos os tipos dentro de casa. Mas de todo tipo mesmo, milhares de coisas empilhadas até o teto. E, no meio dessa confusão, dólares e barras de ouro.

Uma funcionária pública aposentada do Rio Grande do Sul fazia exatamente isso: escondia um tesouro no meio de uma bagunça gigantesca. Mas, enquanto ela estava viva, ninguém sabia. A verdade só surgiu depois que a mulher morreu. Uma morte misteriosa, que intriga a família e os amigos.

Bernadeth se formou em medicina veterinária. Passou em um concurso público e se tornou fiscal do ministério da Agricultura. Foram 24 anos de carreira, até se aposentar. Bernadeth era solteira, não tinha filhos e escondia um grande segredo. “Ninguém tinha acesso à casa dela. Ela não abria a porta para ninguém”, diz a amiga de Bernadeth

A aposentada tinha um transtorno psiquiátrico: era uma acumuladora compulsiva de objetos.

Os três quartos do apartamento estão cheios de roupas, malas, cobertores, sacolas e outros objetos. Mas o mais impressionante é o banheiro. O box está lotado. Não é possível nem entrar para tomar banho. “A pessoa perde a noção de higiene, não se alimenta adequadamente. Isso vai em uma bola de neve até que você se isola do mundo”, afirma Patrícia Picon.

Amigos e parentes dizem que Bernadeth não fazia nenhum tipo de tratamento médico. “Ela juntava coisas na rua, no lixo. Mas ela sempre dizia que era para doar para alguém”, conta a vizinha que não quis ser identificada.

A vida secreta da aposentada só foi descoberta depois que ela morreu, em julho de 2012, aos 67 anos. A Dona Bernadeth dormia em um quarto, que tem uma coleção de jarros, copos, pilhas de papéis, livros, dezenas de almofadas de todos os tipos e tamanhos. É difícil até de caminhar dentro. E ela foi encontrada morta no quarto ao lado, embaixo de uma pilha de roupas que, segundo a perícia, chegava a quase dois metros de altura.

As roupas cobriam o corpo dela. Os laudos da polícia gaúcha apontaram que o apartamento não foi arrombado, que a aposentada estava morta havia de três a cinco dias e que o corpo não apresentava sinais de violência.

No apartamento, no meio de toda essa bagunça, a aposentada guardava mais de três quilos de ouro e 37 mil dólares, que equivalem a cerca de R$ 115 mil. Uma fortuna que estava dentro de potes de café. Somando isso tudo e mais imóveis e aplicações financeiras, Dona Bernadeth tinha um patrimônio estimado em R$ 2 milhões. 


Então amigo, cuidado para não se tornar uma Bernadeth. Acumular é importante mas deve ser o meio e não o objetivo. Sei que é difícil encontrar um equilíbrio entre o gasto e a acumulação. Mas encontrei um jeito simples: eu alterno meu pensamento de tempos em tempos. Hora faço coisas como se eu fosse morrer amanhã, hora me comporto como se fosse morrer com 100 anos de idade, assim consigo abranger os dois espectros comportamentais, do carpe diem ao frugal life style (risos).

sexta-feira, 13 de setembro de 2019

Não Existe Renda Passiva!

Fala galera da Finansfera!

Tudo bem com vocês?

Já tem bastante tempo que não posto algo útil aqui neste blog, e nem sei se o que postarei hoje será útil para alguém, mas andei pensativo nos últimos dias sobre esta tal de Independência Financeira que todo mundo por aqui está em busca.

Por coincidência me deparei com o post do grande colega André "Independência financeira passiva ou ativa? Qual se ajusta mais a você?" que por sua vez fez o post motivado pelo colega "Frugal Não existe independência financeira passiva".

Os assuntos que eles trataram vieram de encontro a algumas elucubrações minhas, à respeito de rendas. Afinal o que é renda? Claro que todo mundo tem uma noção do que se trata, mas não custa revisitarmos o conceito:

Renda, segundo a economia clássica, é a remuneração dos fatores de produção: salários (remuneração do fator trabalho), aluguéis (remuneração do fator imóvel), juros e lucros (remuneração do capital). 

Como podemos ver, renda nada mais é que a forma de remuneração por algo que se tem. Seja sua força de trabalho, seja uma propriedade, seja seu dinheiro alocado em algo.

Existe particularidades em cada tipo de renda. Por exemplo, quando você recebe um salário por sua força de trabalho na verdade você está recebendo uma renda que advém da venda do seu tempo. Isto mesmo, você está trocando tempo de vida por dinheiro. Por isto que existe a célebre frase "tempo é dinheiro".

Quando você recebe um aluguel por um imóvel, na verdade você está trocando um uso por dinheiro. Algo que a princípio deveria ser usado por você é então usado por outra  pessoa e você recebe uma renda por isto.

E quando você recebe juros por um investimento, na verdade você está sendo remunerado pela sua abdicação daquele capital. Quanto mais tempo você suporta não ter aquele capital em mãos maior será a remuneração que você recebe (a mágica dos juros compostos). A remuneração também poderá ser proporcional ao risco que você tem de não receber aquele capital de volta (relação risco x retorno).

Definições feitas, vamos voltar então ao tema do post. Existe então renda passiva? Existe uma forma de você ser remunerado por algo passivamente? Sim existe, mas só existe uma: a mesada que você recebeu do seus pais. Se você nunca recebeu mesada na vida, sinto dizer mas você nunca mais terá renda passiva na sua pobre vida.

Renda passiva então, é toda a remuneração que você recebe sem ter que fazer nada. OK, você então vai me dizer que acumulou 3 milhões de dólares e que seu dinheiro está todo aplicado em bonds americanos, REITs e ações das melhores empresas americanas e não precisa se preocupar com nada. Apenas dar uma olhadinha nos relatórios anuais e fazer um rebalanceamento ou outro.

Aí podemos entrar na discussão que o André pontuou no seu texto. Tipo, você tem um enorme prazer em ler relatórios financeiros e isto para você não é trabalho, é diversão. OK. Tudo bem. Você não está mais trabalhando, está se divertindo. Mas pera aí, como você conseguiu acumular 3 milhões de dólares?

A não ser que recebeu uma farta herança ou ganho em alguma loteria, este capital foi o resultado de anos e anos de trabalho. Ele nada mais é do que o resultado da sua força de trabalho e da sua abdicação pelo uso daquele recurso no momento em que recebeu. etc

Na minha forma de ver, visão esta que poderá ser tranquilamente refutada por você pois é algo que depende de ponto de vista próprio, você simplesmente pegou parte da remuneração pela venda do seu tempo e jogou para o futuro. No final das contas, quem gasta todo o salário hoje ou pega metade dele e aplica para gastar no futuro está na verdade gastando a mesma renda, ou seja, a renda ativa.

Em outras palavras, a renda continua sendo ativa de toda forma pois demanda tempo mantê-la saudável, mesmo que você ame fazer isto, como ela continua sento ativa pois você teve que vender grande parte do seu tempo de vida em função daquele acumulo de capital.

Mas onde quero chegar com este bla bla bla? Em lugar nenhum. Apenas farei uma pontuação: o importante é viver a vida com satisfação. O resto é resultado de bons hábitos e maus hábitos. Você não deve focar no fim e sim no meio, na trajetória. Tá, isto é mensagem motivacional de coach, mas é a mais pura verdade.

Vejamos o caso do nosso saudoso colega Viver de Construção. Ele tinha uma obstinação pelo primeiro milhão, por IF, etc. Infelizmente se foi muito jovem. Mas será que valeu a pena acumular o tal do milhão com tanta obstinação e não ter usufruído nada disto? Acredito que sim, pelo pouco que sei dele era uma pessoa que vivia bem a vida, inclusive teve o problema enquanto jogava futebol com amigos. Era casado com uma boa pessoa, tinha um bom carro, fazia boas viagens, etc.

Por outro lado, se ele estivesse se matando de trabalhar, sem convívio com as pessoas queridas, sem praticar esportes, etc, teria valido a pena acumular o primeiro milhão? Sei que você já tem a resposta, e sei também que você, mesmo sabendo a resposta, pode estar pecando em algum ponto da sua vida com maus hábitos. Quem nunca?

Resumo da história: preocupe-se menos com independência financeira e renda passiva. Se você está obstinado com isto é porque sua vida atual está muito fodida. Amigo, a vida é o que acontece agora, não é o que acontecerá nos 40 ou 50 anos. Tenha bons hábitos, simples assim. Sem excessos, sem exageros, equilíbrio sempre.

Claro, não vá deixar de focar nas suas rendas ativas de hoje, para dormir tranquilo tenha pelo menos uma renda extra. Minha vó já dizia que quem tem um não tem nenhum. Dormir todo dia com o fantasma da falta de renda no mês seguinte não faz bem pra ninguém. Eu estou dando meus pulos aqui. Além da minha renda principal que advém da minha empresa de T.I., tenho hoje uma renda extra que é 7x a renda média do brasileiro. Sim, não é algo que se atinge do dia da noite, tenho perseguido isto há uns 4 anos, mas com o tempo as coisas começam a dar certo. Na planilha abaixo você poderá ver a evolução...

Renda dos sites e das operações de swing e day trade com mini-contratos de índice e dólar.

Somando a renda da minha empresa, dos meus dividendos e aluguéis de FIIs com esta renda extra tenho então uma renda ativa que nunca pensei em ter na vida. E o que é mais legal, a cada dia que passa aumenta mais. Claro que tem muito trabalho envolvido, muito tempo desprendido, mas não posso reclamar de nada pois faço tudo dentro da minha casa e tenho o imenso prazer de poder almoçar com meu filho todo dia, levá-lo para escolinha, parar tudo para ir na apresentação da sua turma e outras coisas do cotidiano.

Neste momento, por exemplo, parei tudo para escrever este post. E escrevo este post sem camisa pois tá fazendo um calor infernal e não tenho ar condicionado. Mas você acha que isto me incomoda? Estaria mais incomodado se estivesse em um escritório com um ar condicionado gelado, com um monte de gente enfurnada nas suas baias em volta, e um chefe despreparado que não conhece nada de motivação, fazendo um serviço chato pra cacete só para poder receber meu salário no final do mês para acumular e chegar na minha independência financeira aos 40 anos e assim obter aquela maravilhosa renda passiva que de passiva não tem nada.

E a mensagem final? Mesmo que você conseguiu acumular seus 3 milhões de dólares, com muito suor e privações, se você não fizer mais nada de útil na vida tudo perderá sentido. O que move o ser humano é o medo. Se você não tem mais medo de nada então você morreu. Achar que a renda "passiva" te dará a felicidade plena de vida é um baita equívoco. Você ficará entediado e poderá até desenvolver uma depressão. Termino aqui e deixo este vídeo para você refletir...


segunda-feira, 29 de julho de 2019

B3, Ambev, Weg, Renner e Rumo para o Longuíssimo Prazo...

Sempre bom ouvir o Florian... disse que tem planos para vir para o Twitter mas não o fez por falta de tempo para fazer bem feito. Disse que gosta da B3, Ambev, Weg, Renner e Rumo para o longuíssimo prazo. Ficaria fora de meios de pagamento (Cielo). Confira a entrevista do gestor.

domingo, 26 de maio de 2019

Dinheiro Preso na Negocie Coins: Golpe ou Bug?!

Estava tudo indo bem. A estratégia funcionou conforme planejado. Foi feito um aporte de 6 mil reais em uma exchange para a compra de uma criptomoeda. O objetivo era surfar uma onda de alta de uns 200% no mínimo. Foram realizados então 3 compras de 2 mil reais. Bastaria aguardar o próximo pump no mercado de criptos, que de fato ocorreu neste mês de maio. Operação encerrada na última segunda feira. Bastava então solicitar o resgate (em reais) para a conta bancária e embarcar para uma viagem de férias no nordeste e torrar o lucro da operação. #SQN...

https://www.infomoney.com.br/mercados/bitcoin/noticia/8344488/bitcoin-banco-denuncia-golpe-de-r-50-mi-em-exchanges

Agora estou com 20 mil reais presos nesta exchange. Pediram um prazo de 48 horas que não foi respeitado. Mas o discurso mudou, falam agora de um prazo até o final do mês. A exchange tinha a melhor reputação dentre todas no site ReclameAqui, e este foi um dos motivos pelo qual escolhi para fazer esta operação.


Contudo as reclamações explodiram nos últimos dias. A maioria relativa a saque não realizado...


A empresa alega que sofreu um golpe de retirada em duplicidade, no qual teve um prejuízo de 50 milhões de reais. De fato foi constatada uma falha na plataforma (link aqui). Um bug primário do sistema permitia o saque simultâneo quando usados dois computadores diferentes. Como é mostrado no vídeo do link, bastava você logar na conta em dois computadores e solicitar o saque simultaneamente. É um erro de software grotesco para não dizer infantil. O fato é que pessoas inescrupulosas descobriram esta vulnerabilidade no sistema e aproveitaram para realizar diversos saques em duplicidade. Pelo menos é o que está sendo ventilado nas redes sociais até o momento. Segue nota do Portal Bitcoin...

Segundo o comunicado do Bitcoin Banco, o crime foi cometido por pelo menos 30 pessoas foi denunciado à delegacia de Estelionato de Curitiba. O caso ficará a cargo do delegado Emanoel David, que deve abrir um inquérito.

A investigação interna do grupo de Curitiba vem sendo feita desde a semana passada, quando surgiram as primeiras suspeitas sobre o golpe. Os técnicos da área de TI identificaram súbito aumento de patrimônio de alguns clientes, decorrente de operações suspeitas de trade (compra e venda de criptomoeda).

De acordo com a nota, para evitar mais prejuízos com saques fraudulentos, o Bitcoin Banco adotou a operação manual dos pagamentos solicitados, o que gerou lentidão no atendimento aos clientes desde 16/5.

Ainda conforme o comunicado, a empresa conseguiu monitorar cada pedido feito e começar a identificar os fraudadores. O ritmo mais lento, por sua vez, acabou provocando um acúmulo atípico de solicitações de saques e até mesmo o cancelamento de algumas ordens de venda. Operações que levavam até 24 horas passaram a demorar, em alguns casos, até 96 horas, situação agravada nesta semana com o encerramento da conta das corretoras pelo banco Brasil Plural.

A empresa afirmou que não haverá qualquer prejuízo para os clientes. As operações de trade e transferências interexchanges serão mantidas.


O Grupo Bitcoin Banco


O Grupo Bitcoin Banco pode ser considerado uma holding com diversos negócios dentre eles a exchange Negocie Coins. Começou fazer barulho no mercado poucos meses atrás com os altíssimos volumes de negociação na exchange. Em evento realizado recentemente com a presença de famosos e celebridades, Claudio Oliveira, presidente do grupo, reuniu 100 convidados, entre investidores, fornecedores e amigos, para fazer anúncios importantes do grupo. "Estamos passando por uma fase bem arrojada na empresa, onde daremos um passo fora do Brasil para mostrar que temos um sistema de criptomoedas descentralizado e organizado", afirmou o empresário.


Claudio Oliveira recebe convidados famosos em noite de gala. Fonte

Sediado em Curitiba, o Grupo Bitcoin Banco afirma ser líder nacional em movimentação de bitcoins e uma das vinte maiores do segmento no mundo. "Vamos transformar a criptomoeda e deixá-la disponível para todos, não só para os apaixonados", disse ele para uma plateia de fãs do assunto e por interessados em investir na moeda. Um deles é o apresentador Ratinho, convidado da noite, ao lado do também apresentador Amaury Jr. "Tenho um filho, o Gabriel, que já investe em bitcoin e sempre tive interesse de saber mais", disse o apresentador do SBT.

Quem é Cláudio Oliveira?


O empresário Claudio Oliveira está à frente da Financeira CLO, que é proprietária do Grupo Bitcoin Banco. Hoje mora me Curitiba onde fica a sede da empresa que comanda mas aos 17 anos foi para a Suíça estudar e lá ficou anos morando. Formou-se em engenharia financeira e sempre atuou no mercado financeiro. Fez fortuna no mercado financeiro tradicional e hoje concentra todo foco no mercado de criptomoedas.


Claudio Oliveira e sua cachorrinha em uma das sua viagens no seu jato particular - Fonte

segunda-feira, 18 de março de 2019

Empiricus: Vale a Pena?

A Empiricus está novamente no centro das atenções, com o viral da Bettina, a empresa tem alcançado uma audiência acima da média. Nada que se compare à matadora campanha "O Fim do Brasil", mas o reboliço gerado no mercado financeiro foi grande. Alguns leitores não sabem mas na finansfera também temos uma Bettina. Semanas atrás ela deixou um comentário lá no Abacus...


Imagino que seja a Fernanda que escrevia nestes blogs:

http://fernandainvestidora.blogspot.com/
http://mulherinvestidora-oretorno.blogspot.com/

Veja agora a resposta do CEO às críticas...



Aproveitando o momento, estou republicando este post que fiz sobre a Empiricus tempos atrás para quem não teve a oportunidade de ler...


Nas minhas andanças pelas redes sociais nos últimos dias, tenho me deparado com uma chamada que dá título a este post: “O Fim do Brasil”. Primeiramente não dei muita bola pensando se tratar apenas de mais uma projeção acerca de uma possível reeleição da presidenta ou então mais uma “tempestade perfeita” se formando nos céus do Brasil - bem que estamos precisando de chuva, não seria de todo ruim. Mas adentrando um pouco mais nos links, percebi se tratar de uma “carta aberta aos brasileiros” proveniente de uma empresa de análise de investimentos chamada Empiricus. Vamos aos fatos...

A Empiricus Research


Trata-se de uma casa de pesquisa independente voltada a investimentos do Brasil. O negócio principal da empresa é a venda de relatórios destinados a pequenos investidores. Segundo palavras da própria empresa: “Fornecemos recomendações amparadas em estudos financeiros e econômicos, privilegiando a linguagem simples e direta.”

A empresa ficou então conhecida recentemente por projetar a ‘morte econômica’ do Brasil em caso de reeleição de Dilma Rousseff. Em anúncio na internet lançam um diagnóstico atual da economia brasileira, formulam algumas projeções catastróficas com base no diagnóstico, e, ao final do texto, apresentam outros relatórios (pagos) onde o investidor encontrará informações valiosas para se proteger da inflação, do governo propriamente dito, aprender a “regra dos 100%” que é um segredo para “fazer” dinheiro quando os mercados estão arriscados, e por último, prometem apresentar ao investidor o único ativo capaz de proteger sua família do caos. Que ativo é este? Fiquei deveras curioso.

Segundo o colunista Paulo Nogueira, do Diário do Centro do Mundo, o autor do relatório Felipe Miranda, um dos sócios da Empiricus, é bom de marketing. Mas sua peça é contra a decência e com ela se credencia a ser mais um colunista da Veja ou da Folha: Basta falar mal do PT e o resto não importa.

Estratégias de marketing à parte, o fato é que a empresa está faturando alto com a venda dos seus relatórios. Dados de uma reportagem de maio deste ano, já antigos portando, apontavam que 10 mil pessoas já compraram pelo menos um relatório da empresa e havia 5 mil assinantes dos periódicos da casa. 

Os críticos costumam dizer que a Empiricus faz muita graça com coisas sérias. Alguns os comparam a humoristas. Também já houve momentos em que a credibilidade da casa foi posta à prova. Em um deles, os críticos não gostaram da ideia de que a Empiricus também tivesse uma gestora de fundos. Para eles, haveria, no mínimo, um conflito de interesses.

Um Pouco de História - Iguatemi Galleas FIA

A Empiricus destaca que “a análise é o começo, meio e fim do nosso negócio”. Mas a empresa já foi gestora de um fundo de investimento, o Empiricus Galleas. A administração deste fundo foi passada à Gradual em meados de 2011 mas a escolha dos ativos do fundo continuou a cargo dos analistas da Empiricus. Em 2013 o fundo foi rebatizado para Iguatemi Galleas e, em seguida, encerrado com um prejuízo total de R$ 45 milhões aos seus cotistas.

O gráfico abaixo apresenta o tamanho do rombo que o fundo deixou. Conforme a lâmina do FIA que pode ser acessada aqui o objetivo era superar o Ibovespa com grande diferença no longo prazo, a partir de seleção de ações com disparadores de valor, como incremento do fluxo de  caixa acima do estimado ou de eventos corporativos, ou de antecipação de tendência de indústria. Mas a coisa não saiu conforme esperado...


Me coloquei no lugar dos investidores deste fundo e fiquei um pouco desconfortável imaginando como deve ser a sensação de perder tanto dinheiro pela má gestão de um fundo de investimento. Na carta derradeira da gestora aos cotistas foi escrito:

“O terceiro trimestre de 2013 marca o fim da trajetória do Fundo Iguatemi Galleas. Nosso principal caso, a HRT, falhou em materializar seu valor potencial tanto nas empreitadas de Solimões com na Namíbia. (...) Com o esvaziamento do case HRT, encontramo-nos sem opções para reverter a rentabilidade do Fundo no curto e médio prazo. A combinação de cotas depreciadas e de resgates constantes fez com que o Fundo diminuísse muito de tamanho, ficando economicamente inviável mantê-lo na forma atual.”

Em carta anterior, de março de 2013, a gestora mostrava-se ainda otimista quanto ao case:

“Estamos particularmente otimistas com o mês de abril. Primeiro, por um ponto bastante óbvio: no momento em que estas linhas são escritas, as ações de HRT acumulam alta de 30% no mês. Entendemos que esse é apenas o começo de um movimento mais extenso de recuperação. Entre o final de abril e o início de maio, HRT pode anunciar os primeiros resultados de suas duas perfurações em curso, uma na Bacia do Solimões (HRT-11, no prospecto Cajazeira) e outra na Namíbia (prospecto Wingat), sobretudo se optar por anunciar resultados intermediários dos reservatórios.”

“Ademais, diante da iminência do resultado das duas perfurações, este é o momento mais apropriado para atrair-se investidores para o capital de HRT interessados na materialização do racional de qualquer oil junior company, de destravamento de valor associado a eventuais descobertas e muita assimetria entre perdas e ganhos potenciais.”

Convenhamos, um fundo de ações apostando em uma empresa pré-operacional é algo corriqueiro de encontrar por aí (pelo menos era antes da decorrada do império X), mas apostar mais de 50% do capital é algo que pode ser considerado bizarro. Esta história não poderia mesmo terminar bem.

Meu Passado me Condena

A Empiricus foi uma das casas que mais apostaram no potencial da OGX. Até 2012 ainda recomendavam a compra de ações da empresa. Em um momento quando o preço da ação estava em R$ 6,25, após já ter caído 73,26% desde seu topo histórico de R$ 23,37, a casa emitiu um relatório ao mercado destacando: “Encontramos bastante atratividade no valuation da companhia”.

A carteira recomendada da casa de research referente a julho de 2012 também indicava compra das ações da companhia, mesmo após uma queda de 40% em uma semana anterior ao relatório. Nesta época, outras casas já estavam retirando a recomendação de compra da OGX de forma permanente dos seus relatórios: “Embora o sistêmico ainda desfavorável a cases de óleo e gás - especialmente os de alto componente de pré-operacionalidade, e a crise de confiança instaurada sobre a empresa, entendemos que o mercado exagerou (...)”.

Outro momento de crença da Empiricus na empresa foi em 2011. Após um relatório da OGX sobre reservas de poços que frustrou o mercado, casas como Bank of América e Citi cortaram a recomendação da companhia mas a Empiricus reforçou. Um dos analistas da empresa, na ocasião, em entrevista a um portal de notícias recomendou as ações da OGX para investidores com “estômago para volatilidade”.

Recuando um pouco mais no tempo, no auge da febre X, em fins de 2009, as ações da OGX estavam cotadas em torno de R$ 16,00. A Empiricus, naquele momento, destacou que a empresa tinha potencial para subir mais de 100%.

"Gradativamente mais confiantes em OGX: Recomendamos a compra de OGX na última terça-feira. Na semana, as ações acumulam valorização superior a 15%. Reforçamos nosso otimismo com a empresa após mais uma notícia positiva ontem. Em Fato Relevante, a companhia disse que: “identificamos um intervalo com hidrocarbonetos na seção aptiana no poço 1-OGX-2A-RJS, localizado no bloco BM-C-41, em águas rasas da parte sul da Bacia de Campos”. A OGX tem 100% de participação neste bloco. O X-Men Paulo Mendonça comentou que os resultados até o momento dão mais confiança de que a companhia encontrou uma nova província petrolífera na parte sul da Bacia de Santos, em mais uma belíssima demonstração de sua capacidade de comunicação com o mercado. Gostamos disso. Reconhecemos que o downside não é pequeno, mas o potencial de valorização é muito maior - a assimetria aqui joga a seu favor, meu caro. Pode ser uma grande porrada em Bolsa caso as coisas continuem dando certo como estão."

Com notícias deste tipo se espalhando, muita gente comprou ações da OGX (sabem de nada inocentes). E as ações subiram um pouco num primeiro momento, pela própria procura, para em seguida começar a grande queda. O resto da história todos já conhecem. Devo confessar que eu também comprei ações da OGX, só que lá na casa dos 20 centavos, era um trade meio loco que acabou me dando um bom lucro, mas acabei ficando com um residual na carteira para contar história para os netos, rs.

Meu Passado me Condena 2

Outro grande equívoco da equipe de analistas da Empiricus foi a aposta na empresa HRT. Em maio de 2012, em um momento em que as ações da empresa apresentavam forte desvalorização, a Empiricus afirmava ser um bom ponto de entrada no papel.

Em relatório, os analistas da Empiricus afirmavam que o desempenho negativo das ações já era esperado, mas que ele se devia apenas a uma “interpretação equivocada e enviesada de curtíssimo prazo, colocando sob uma mesma cesta coisas bastante distintas”.

Escarafunchando um pouco mais sobre o flerte fatal da Empiricus com a HRT encontrei no blog da casa um post do analista Felipe Miranda (sim, o mesmo que prega o “fim do brasil” e diz ter a fórmula para se proteger disto). Neste texto, o analista faz um desabafo apontando os principais erros em relação ao case:

“No caso de HRT, ao menos do ponto de vista superficial e mais pragmático, errei duplamente. Na posição de analista, sugeri ações que posteriormente vieram a cair. Como investidor, comprei os papéis e perdi dinheiro. Poderia até dizer que triplamente, posto que referendei as ações a amigos e meu sogro, o que me confere constrangimento quando das reuniões em família.”

O Fim do Brasil

Polêmicas à parte, considero que o relatório da Empiricus foi bem costurado e conseguiu reunir de forma clara e detalhada tudo o que temos lido e ouvido no decorrer destes últimos anos de sofrimento econômico. Resolvi copiar os pontos mais interessantes para colocar aqui no blog, mas o leitor poderá ter acesso ao relatório completo neste link e realizar seu próprio julgamento.

Fim do Brasil: A Profecia

Esta esperada crise encontra suas raízes no colapso do sistema financeiro de 2008 (...). Para tentar neutralizar impactos do tsunami externo por aqui, o Brasil abandonou os pilares tradicionais de política econômica e seguiu uma série de medidas heterodoxas, com implicações trágicas (...).

Para nosso caso, os problemas a ser vistos nos próximos meses serão muito piores do que os vivenciados em 2008 (...).

Adiantando um pouco, tão logo haja catálise do que eu projeto, teremos disparada da inflação, aumento destacado do desemprego, interrupção do crédito, maior endividamento da população e grande salto do dólar.

Fim do Brasil: A Ofensa

As palavras a serem ditas aqui gerarão polêmica. Elas podem ofender bastante gente. Esquerdistas, direitas, petistas, tucanos e qualquer outra classificação semelhante. (...).

Minha sensação é de que, ao ler o começo desta carta, você dirá: “Não há espaço para isso acontecer. Não aqui. Não agora.”

A poupança de milhões de pessoas será dizimada. A mudança vai afetar seus negócios e seu emprego. Veremos impactos dramáticos sobre as poupanças, os investimentos e as aposentadorias.

Além de outras implicações menores, mas também importantes. Os destinos de viagem serão alterados, a escola dos filhos pode ser revista, local e forma sua família faz compras talvez mude.

Mais especificamente, faço referência à volta de condições anteriores ao Plano Real. Os mais antigos sabem do tamanho do problema. Os mais jovens podem perguntar a seus pais.

Falo de inflação alta, perda da metade do poder de compra do salário ao longo do mês, congelamento de preços, problemas de desabastecimento, falta de produtos nas prateleiras, impossibilidade de planejamento por consumidores e empresários.

Fim do Brasil: O Colapso

Eu acredito que nós, como brasileiros, estamos prestes a observar um verdadeiro colapso no nosso sistema econômico (...).

Basicamente, há cerca de cinco anos, o Governo brasileiro mudou dramaticamente sua política econômica. (...) Abandonamos o pilar ortodoxo para nos render à maior intervenção do Estado na Economia, a uma economia pautada no assistencialismo e ao estímulo excessivo ao consumo.

Qual o resultado? Falência das contas públicas e impossibilidade das famílias continuarem aumentando o consumo nesta velocidade.

O Brasil tem queimado caixa de maneira sistemática. O total de suas despesas supera suas receitas. Pior ainda, a diferença em desfavor das receitas tem aumentado. O déficit nominal brasileiro, que mede esta relação, mira os 4% ao ano e as contas públicas tiveram em maio seu pior resultado da história, mesmo com uma contabilidade nacional bastante criativa e uma porção de receitas extraordinárias.

Sem confiança, os empresários simplesmente não investem. A relação Investimento sobre PIB, que nunca foi uma maravilha, vem caindo de maneira consistente: depois de atingir o ápice de 19,5% no fim de 2010, recuou para apenas 18,1%.

Fim do Brasil: O PIBinho

O crescimento médio do PIB no governo Dilma, se confirmadas as projeções de consenso para 2014, deve ser de 1,8% ao ano. Veja: esse é o pior resultado desde o governo Collor. Temos a primeira evidência empírica e incontestável de que retornamos as condições anteriores a 1994. 


“Mas este crescimento mais baixo desde a Era Collor não é resultado de uma conjuntura internacional desfavorável?”

A simples observação da imagem abaixo comprova a resposta negativa. O gráfico compara a evolução do PIB brasileiro nos governos Dilma, Lula, FHC, Itamar e Collor, contextualizando com o resto do mundo, os países emergentes/pobres e nossos vizinhos latino-americanos. Eis o resultado:



Fim do Brasil: O Dragão da Inflação

A inflação tem sido persistentemente alta e acima do centro da meta, de 4,5% ao ano. Simplesmente, temos ignorado esses 4,5% e observado, de maneira sistemática, uma inflação beirando o teto da meta.
 

Sim, há coisas ainda mais desagradáveis a respeito da inflação. Já teríamos estourado o teto da meta não fosse pelo controle de preços. Ou seja, estamos artificialmente maquiando a inflação, ao represar alguns preços, com exemplos mais claros nos setores de energia e combustíveis.

Sem desonerações, a inflação ronda 8,50% ao ano.

O represamento de preços tem consequências conhecidas e desastrosas, como sugestão de maior inflação futura, desalinhamento de preços relativos e destruição de determinados setores.

O setor de etanol foi simplesmente destruído pelo controle deliberado do preço da gasolina. Veja o que diz matéria do jornal Valor Econômico, do dia 17 de junho de 2014:

“A indústria de etanol do Brasil enfrenta tanto pressões de aumento do custo da terra e da mão de obra, como tornou-se uma vítima não intencional do controle de preços da gasolina para frear a inflação, avalia a Agência Internacional de Energia.”

E completa:

“No Brasil, a AIE nota que o aumento da capacidade de produção de etanol estagnou, várias plantas foram fechadas e mais capacidade pode estar em risco.”

Esses dois primeiros pontos já seriam suficientes para provarmos o argumento do quão grave é o problema atual. Combinamos simplesmente baixíssimo crescimento econômico e inflação alta.

Temos, portanto, o mais negativo dos mundos, a chamada estagflação.

Mas, calma. Há coisas graves ainda pela frente, capazes de reforçar o prognóstico de algo simplesmente catastrófico para os próximos 12 meses. Falamos de inflação que pode chegar a 15% ao ano, forte redução do poder de compra, aumento do desemprego para 10% e interrupção súbita do crédito, com consequente dificuldade das famílias em arcar com suas obrigações financeiras.

Fim do Brasil: A Deterioração das Contas Públicas

As contas públicas estão completamente desajustadas, de tal sorte que o Governo brasileiro vai, em breve, encontrar grandes dificuldades para se financiar. Ou seja, as taxas de juro devem subir com vigor, impactando fortemente o orçamento das famílias e a capacidade de crédito.

Nossa economia para pagar dívida e juros, o chamado superávit primário, foi, na média, de 3,1% do PIB no intervalo de 2001 a 2008, sem considerar aqui receita de dividendos e concessões.

Considerando agora o intervalo de 2009 a 2013, esse percentual caiu para 1,5% do PIB. Para 2014, devemos terminar com menos de 1% do PIB, algo que é, obviamente, insuficiente para estabilizar dívida bruta ou líquida.


Isso sem nenhum incremento significativo do investimento público. O que tem aumentado é o consumo do governo – esta métrica bateu 22% do PIB, o nível mais alto da série histórica iniciada em 1995.

Fim do Brasil: O Déficit da Conta Corrente

O resultado de nossas relações com o resto do mundo, que já era péssimo, fica cada vez pior. O chamado déficit em transações correntes, medida do saldo de nossas contas com o exterior sem considerar as movimentações de capital, vem crescendo sistematicamente e atinge níveis preocupantes.

Em maio, o déficit brasileiro em conta corrente montou a US$ 6,635 bilhões, o mais alto para um mês de maio em toda a série histórica.

O desempenho é inclusive pior do que projetado pelo próprio BC, em US$ 6 bilhões. Soma-se ao já delicado resultado apresentado até abril, conforme demonstrado por gráfico abaixo:


Qual o problema disso?

Para que não haja saída líquida de dólares do Brasil e perda de reservas internacionais, precisamos da entrada de moeda estrangeira por meio da conta de capital.

Por sua vez, a conta de capital possui, grosso modo, duas subdivisões: i) Investimento Estrangeiro Direto (IED); e ii) Investimentos de portfólio.

O ponto nevrálgico aqui é que o IED está inferior ao déficit em conta corrente. Portanto, para fechar nosso balanço com o resto do mundo, estamos dependendo do investimento em portfólio, que é muito volátil e sensível à menor das mudanças das condições da economia mundial.

Por enquanto, com o Brasil oferecendo um juro estratosférico e os Bancos Centrais mundiais mantendo juro zero, parece não haver grande problema.

Mas a situação está próxima de mudar. O Banco Central norte-americano deve começar a subir sua taxa de juro em 2015, voltando a atrair recursos para os títulos dos EUA hoje presentes nos mercados emergentes.
Neste momento, vai faltar dólar no Brasil. Teremos uma disparada da taxa de câmbio, com impactos diretos sobre a inflação, sobre os importadores e sobre as empresas com dívida em dólar.

Fim do Brasil: O Enfraquecimento do Mercado de Trabalho

A criação líquida de postos de trabalho em maio foi de 58.836, segundo dados do Caged. Trata-se do pior mês de maio desde 1992. Estamos com novo argumento de situação sem precedentes desde o Plano Real.
Por que o desemprego, então, ainda não aumentou?

Simplesmente, por uma questão de forma de se medir. Só é considerado desempregado quem está procurando emprego, mas não encontra.

O desemprego não aumenta simplesmente porque as pessoas têm desistido de procurar emprego.

Fim do Brasil: O Último que Sair Apaga a Luz

Os analistas do banco Brasil Plural escreveram relatório recentemente apontando uma pequena chance de 100% de racionamento de energia ainda em 2014. De acordo com eles, o nível dos reservatórios chegará a 10% em novembro, a se manter o atual ritmo.

Sejamos justos aqui. Há um único culpado para o nível tão baixo dos atuais reservatórios: São Pedro. Agora, a falta de planejamento, a concentração da matriz energética e o impedimento ao aumento da capacidade de oferta de energia é culpa total e irrestrita do Governo.

Em setembro de 2012, foi anunciada a famosa MP 579, que alterou as regras para concessões de energia, com o objetivo de reduzir as tarifas de eletricidade – de novo, o tal controle de preços.

A medida destruiu a rentabilidade de empresas de energia, adicionou incerteza jurídica ao  marco regulatório do setor e, portanto, afastou iniciativas em prol de novos investimentos.

Além disso, desrespeitou contratos existentes.

O exemplo de Cemig é emblemático. A companhia tinha concessões vencendo em 2015, com renovação automática prevista para mais 20 anos, conforme definido em contrato inicial.

Quando se fala em renovação automática de qualquer contrato, supõe-se, obviamente, preservação das mesmas condições iniciais.

Então, veio a MP 579 propondo condições completamente diferentes para a renovação das concessões, ferindo com clareza o pressuposto de “automática”.

O resultado foi a devolução, pela Cemig, das usinas de São Simão, Jaguara e Miranda, por não aceitar a aplicação das novas regras.

Fim do Brasil: O Petróleo é Nosso

O gráfico acima apresenta a evolução das ações da Petrobras nos últimos cinco anos.


O patrimônio nacional sendo simplesmente reduzido a 1/3 de seu valor. Quem tinha R$ 40 mil em ações da Petrobras chegou à mínima de R$ 12.570.

Além de ser historicamente motivo de orgulho, Petrobras tem em sua base de acionistas milhares de brasileiros, de forma direta ou através da aplicação de seu FGTS.

Estamos mexendo com a poupança do cidadão comum.

Chegamos a essa situação simplesmente porque a empresa tem o preço de seus produtos controlado pelo Governo. Quando impede-se o reajuste de preço da gasolina, Petrobras se vê obrigada a comprar produtos por um preço superior a seu preço de venda.

O resultado? Queimas sucessivas de caixa, num momento em que a companhia tem um ambicioso plano de investimento para tocar, e explosão de sua dívida líquida.

Mais uma conquista para o Brasil: Petrobras hoje apresenta a maior dívida corporativa de todo o mundo. A evolução abaixo resume a questão.


Com inveja da Petrobras, a Eletrobras, outra estatal relevante, também foi destruída.

Eletrobras nunca foi exemplo de eficiência. A empresa é historicamente reduto do PMDB, possui rentabilidade sobre o patrimônio baixa e entra em projetos ruins, para atender anseios políticos.

Sempre foi assim. E a empresa, de uma forma ou de outra, se virava. Mas a situação degringolou a partir da MP 579. O gráfico abaixo traz a trajetória das ações de Eletrobras nos últimos cinco anos. Não é muito diferente de Petrobras:


A situação de Eletrobras é ainda mais complicado do que aquela apresentada acima para Cemig. A empresa também foi exposta a condições piores (e de baixíssima rentabilidade) para renovar concessões.

Mas, diferentemente de Cemig e de outros participantes de mercado, Eletrobras aceitou termos que implicavam retornos negativos para determinados projetos.

Isso porque era do interesse da União (principal acionista e que votou proporcionalmente às suas ações em Assembleia) manter as concessões pouco rentáveis.

A resposta foi imediata. Suas ações simplesmente derreteram em Bolsa.

Fim do Brasil: A Desindustrialização


A produção industrial brasileira está simplesmente atônita. Isso num Governo que supostamente tinha uma política industrial explícita.

O tal Plano Brasil Maior, lançado em 2011, tinha objetivos muito bem definidos para 2014. Eram eles:

- Aumentar a taxa de investimento dos 18,4% vistos em 2010 para 22,4% do PIB;
- Elevar dispêndio empresarial de Pesquisa e Desenvolvimento como percentual do PIB de 0,59% para 0,90%; e
- Diversificar a pauta de exportações, aumentando a participação brasileira no comércio internacional de 1,36% para 1,60%.

Pronto. Chegamos em 2014, o que nos dá a prerrogativa de analisar se atingimos os resultados. A conclusão é assustadora. Não cumprimos nenhum dos três objetivos.

A relação Investimento sobre PIB não somente descumpriu a meta de 22,4%, como inclusive caiu frente ao ponto inicial. Dos 18,4%, batemos vergonhosos 18,1%.

Sobre o investimento em P&D, ainda não há dados muito atualizados. Mas pesquisas feitas para 2011 apontaram uma enorme subida da razão gastos em P&D sobre PIB de 0,49% para 0,50%. Alguém, em sã consciência, admitiria um crescimento dessa relação para 0,90% em três anos?

A respeito das exportações, a coisa fica ainda mais pitoresca. Não diversificamos nossa pauta, tampouco aumentamos nossa representatividade na corrente de comércio mundial.  A participação dos produtos manufaturados nas exportações era de 39,4% em 2010. Passou a 38,7% em 2013. Tínhamos 1,35% da exportação mundial em 2010. Encerramos o ano passado em 1,29%.

Fim do Brasil: O Tripé Econômico Ficou Manco

O Brasil, tal qual nós conhecemos hoje, nasceu em 1994, com a estabilização da economia.

Antes disso, tínhamos um outro país, em que famílias, amedrontadas com a inflação, corriam para o supermercado tão logo recebiam seus salários, empresários não investiam por conta da falta de confiança na moeda e da incerteza jurídica, consumidores não compravam porque a inflação era galopante e não existia crédito.

O Plano Real marca, inequivocamente, um novo Brasil. Com isso, até mesmo o maior dos radicais, de esquerda ou direita, há de concordar.

A inflação desabou com o real.

Em paralelo, houve vigoroso crescimento econômico, sob empurrão da demanda reprimida, confiança nos negócios e recomposição dos salários reais.

O crescimento da economia em 1994 foi de 5,9%. A indústria andou muito bem e também a agropecuária, cuja evolução foi de 5,5%, rendendo-a o apelido de “âncora verde do real.”
O surto de crescimento durou pouco.

Para manter a inflação baixa, foi usada a chamada “âncora cambial”. O real foi forçadamente sobrevalorizado por meio de taxas de juros muito altas.

A consequência foi óbvia: baixo crescimento econômico e disparada das importações nos anos seguintes.

Para manter o câmbio apreciado e oferecer dólares ao mercado na taxa desejada, chegamos a perder US$ 1 bilhão de reservas internacionais por dia, durante vários dias.

Duas crises simultâneas como resultado: nas contas externas e nas contas públicas.

A semente da destruição estava plantada. O estouro do modelo era inevitável.

A resposta veio em 1999, quando inicia-se uma nova fase, marcada pelo famoso tripé macroeconômico. Abandona-se a âncora cambial, com o novo regime sendo detalhado em junho.

Ficaram definidos como elementos centrais da política econômica:

1 – câmbio flutuante;
2 – metas de superávit primário; e
3 – sistema de metas de inflação.

O tripé caracteriza o final do Governo FHC e também o primeiro mandato do Governo Lula.

Durante esse período, observamos dois ciclos de crescimento no Brasil. O primeiro veio do rali das commodities. O preço dos produtos que vendemos ao exterior ficou 40% mais caro frente ao preço dos produtos que compramos do setor.

Com 40% de ganho chegando de navio do exterior, pudemos distribui-los entre os cidadãos brasileiros.

E o segundo ciclo representou a explosão do consumo sob empurrão do crédito.

Qual o problema? Ambos acabaram.

As commodities andam de lado ou até mesmo caem desde a crise de 2008. E as famílias brasileiras, sem crescimento econômico, já muito endividadas e enfrentando juros muito altos, não conseguem mais crescer seu consumo.

Fim do Brasil: A Nova Matriz Econômica

Em resposta à crise de 2008, o Governo brasileiro abandonou o clássico tripé macroeconômico e adotou a chamada nova matriz econômica. Entre as medidas mais emblemáticas da nova política econômica, destaco:

- Aumento dos gastos públicos;
- Maior intervenção do Estado na Economia;
- Leniência no combate à inflação;
- Incremento da participação do BNDES, com estímulo à criação e ao fortalecimento de gigantes nacionais;
- Controle de preços;
- Atuações pesadas e frequentes no mercado de câmbio;
- Novo marco regulatório do setor petróleo e publicação da MP 579 (aquela do setor elétrico;
- Criatividade na contabilidade nacional; e
- Concessões mal feitas, fixando-se simultaneamente taxa de retorno e qualidade – é, óbvio, numa bivalência inatingível.

Em entrevista ao Valor em dezembro de 2012, Márcio Holland, secretário de Política Econômica, apresentou os pontos do novo tripé da seguinte forma: i) taxa de juro baixa; ii) taxa de câmbio competitiva; e iii) consolidação fiscal amigável ao investimento.

Sobre a taxa de juro, Holland destacou a queda de 5,25 pontos percentuais em 12 meses, num processo que permitiria aos agentes econômicos rever seus modelos de negócio e criar um ambiente favorável ao crescimento.

O governo Dilma havia começado com taxa Selic de 10,75% ao ano, levara o juro básico num primeiro momento a 12% para combater a inflação e logo implementara afrouxamento monetário vigoroso, levando o juro ao piso histórico de 7,25% ao ano.
Não há mentiras nisso. Mas há uma nuance de interpretação.

Atingimos a mínima histórica para os juros simplesmente por uma janela de oportunidade criada pelo contexto internacional, com juros reais negativos em todo mundo, como resposta dos Bancos Centrais desenvolvidos à quebra da Lehman Brothers em setembro de 2008.

Não houve qualquer novo equilíbrio de taxa de juro.

A Selic já é superior àquela do início do Governo Dilma. E deve subir (muito) mais para combater a inflação em 2015.

Fim do Brasil: A Fuga das Galinhas

A política cambial brasileira tem sido desastrosa. Simplesmente ignoramos o pressuposto do câmbio flutuante.

Primeiro, a tentativa do Governo era depreciar o real, para poder aumentar a competitividade das nossas exportações e estimular a indústria. Dá-lhe IOF e coisas parecidas.

Agora, o Banco Central usa o câmbio como instrumento de combate à inflação, deixando claro nas atas de suas reuniões que precisa do dólar a R$ 2,20 para manter a Selic no nível atual.

A turma de Alexandre Tombini vem sistematicamente vendendo dólares (de forma direta ou por meio de swaps cambiais) para impedir a inflação.

Com isso, reduz reservas internacionais num momento de farta liquidez global. Estamos queimando munição quando mais precisaríamos guardá-la.

Com isso, tornamo-nos cada vez mais frágeis às vésperas do início do ciclo de alta das taxas de juro pelo mundo. Quando efetivamente precisaremos vender dólares, estaremos com nível de reservas no limite. De novo, vai faltar dólar.

Para encerrar o ponto e combater em caráter definitivo a hipótese de taxa de câmbio competitiva, não há qualquer ganho de competitividade das exportações vindo da melhora dos fundamentos da economia brasileira.

A desvalorização do real nos últimos tempos é resultado exclusivo do elevado déficit externo e da falta de poupança pública.

Fim do Brasil: A Cereja do Bolo

Ficou para o final a questão fiscal. Não foi à toa. Aqui temos a cereja do bolo.

A política fiscal brasileira tem sido ultrajante, não havendo qualquer tipo de consolidação, muito menos amigável ao investimento. O governo tem, cada vez mais, ocupado o espaço do investimento privado, sem ele mesmo preencher adequadamente essa lacuna.

Na entrevista em questão, Márcio Holland foi categórico. “No ano que vem (2013), voltamos à meta de superávit cheia, sem desconto.” Ou seja, falávamos de um primário de 3,1% do PIB para 2013.

E o que aconteceu, de fato? O superávit primário do ano passado foi de 1,9% do PIB, mesmo com as receitas extraordinárias do campo de Libra e do Refis. Filtrando por esses elementos, teríamos um primário pífio de 0,9% do PIB.

Alguém poderia argumentar que o primário foi menor porque o próprio governo resolveu fazer investimentos, tendo notado ausência desse componente no setor privado. Isso já seria ruim, per se, dado o impacto de queda média da produtividade. Mas nem sequer é verdadeiro.

Tirando as estatais, o investimento público da União passou de R$ 59,4 bilhões em 2012 (equivalente a 1,35% do PIB) para R$ 63,2 bilhões em 2013 (1,31% do PIB).

Então, pergunta-se: a que consolidação fiscal se refere o governo?

Fim do Brasil: O Sonhou Acabou

Há pouco tempo, o Brasil era destino certo do investidor estrangeiro. O queridinho entre os BRICs (grupo que reúne também Rússia, Índia e China).

Atraímos a Copa do Mundo, seremos sede das Olímpiadas. Em pouco tempo, ganharíamos posto da quinta maior economia do mundo, algo impensável antes.

Protagonizamos a capa da revista The Economist, talvez a mais importante do mundo sobre economia e finanças.


Pouco tempo depois, como resultado da desastrosa “nova matriz econômica”, aquele conjunto de medidas adotada pelo governo brasileiro em resposta à crise de 2008, as coisas haviam mudado completamente.


Exatos quatro anos depois, a mesma The Economist, também em reportagem de capa de 14 páginas, questionava: o Brasil estragou tudo?


Bastaram quatro anos para destruirmos todo o otimismo.

A ideia de quinta maior economia do mundo foi abandonada, a presença entre os BRICs foi até mesmo questionada e especialistas apontam legado nulo dos grandes eventos esportivos.

Talvez você ainda esteja anestesiado pelo futebol da Copa do Mundo. Mas peço que saia do escopo esportivo por um minuto.

Veja, por exemplo, o que diz matéria da CNBC publicada no dia 26 de junho:

“Especialistas em mercados emergentes estão pessimistas em investir no Brasil, a despeito da Copa do Mundo. (…) 

‘Não há potencial positivo algum neste Governo, mesmo se tudo der certo’, afirma Drausio Giacomelli, responsável por pesquisa de mercados emergentes do Deutsche Bank.

‘Não se trata de ganhar ou não a Copa. Falemos do que interessa: um Governo incapaz de entregar os anseios populares por educação, transporte e infraestrutura no geral. Eles podem entregar estádios, mas não o que realmente importa’, diz ele.


Giacomelli também critica a condução da política monetária na administração Dilma: ‘Eles fizeram tudo errado desde o começo. Colocaram-se na pior posição possível para um mercado emergente, de estagflação (baixo crescimento e alta inflação).”

O economista Ricardo Amorim, aquele que comenta no programa Manhattan Connection, foi outro que recentemente alertou.

Em matéria com o economista, o site InfoMoney, citando Amorim, trouxe o seguinte: “a inflação está alta e grávida. Os preços administrados terão de subir após as eleições porque os governos vêm represando todo tipo de tarifa pública há dois anos. A conta deverá ser parcelada porque, se subir tudo de uma vez, a inflação das tarifas pode chegar a 14% em 2015.”

Fim do Brasil: E Agora, José

A metáfora com a gravidez é clássica. Não existe inflação um pouco alta. Inflação necessariamente cresce. E deve crescer muito.

Marcio Garcia, professor de Economia da PUC-RJ, trouxe tese semelhante em resposta ao jornal Valor Econômico de 27 de junho: “A inflação não vai ficar parada nos 6,5%, há uma inflação represada de 1,5 ponto percentual; os [preços] monitorados vão ter que subir; o câmbio não pode ficar muito tempo nesse nível de R$ 2,20 porque o déficit em conta corrente continua crescendo e é elevado. Tudo isso vai colocar pressão na inflação. Se você não tiver um BC que leve a inflação de volta à meta, passamos por um outro regime. Um regime turco, argentino ou até venezuelano.”

Depois de represar preços por dois anos, o Governo precisará soltar as amarras em 2015.  Somente esse movimento, supondo uma liberação única, deve colocar a inflação brasileira em 10% ao ano.

O Banco Central norte-americano deve começar a subir sua taxa básica de juro justamente em 2015. Isso vai causar um grande retorno de recursos para os EUA, com maior demanda por dólar. Ou seja, a taxa de câmbio pode caminhar rapidamente para cima.

Temos dois problemas importantes derivados dessa subida de taxa de juro nos EUA.

O primeiro é a grande dificuldade para fechar nossas contas com o exterior. Lembre-se que estamos dependendo da conta de capitais para fechar o balanço – e observaremos justamente fuga de capitais. Pela terceira vez, faço o alerta: vai faltar dólar.

E o segundo relacionado ao reforço importante ao problema da inflação, através do famoso repasse cambial. A disparada do dólar significa aumento do preço dos produtos transacionados no mercado internacional, os chamados tradeables. Aos poucos, também os não tradeables, por uma questão de preços relativos, também vão reagindo. Em certo tempo, temos uma escalada generalizada dos índices de preços apenas por conta do efeito câmbio.

E toda essa disparada do dólar vai também impactar sobre a inflação.

Combinando o repasse integral das tarifas públicas represadas e a desvalorização esperada do câmbio, entendo que a inflação brasileira pode chegar a 12% ao ano, para uma meta de 4,5%.

Não há saída para uma inflação bem acima da meta. O Banco Central terá de subir a taxa Selic. E como a diferença entre a inflação projetada e a meta é grande, o movimento dos juros terá de ser expressivo.

Não haveria surpresa em vermos taxa Selic de 15% ao ano.

A implicação imediata de um juro básico desse tamanho é óbvia: recessão.

Imagino que você entenda esse conceito.

Se o Brasil cresce 1% ao ano com juro básico de 11% ao ano, quanto vai crescer com a Selic a 15%?
Falamos de estagnação da economia, queda dos salários, aumento dramático do desemprego, esgotamento do crédito, queda vertiginosa do preços dos imóveis (muito sensíveis às taxas de juro) e aumento do endividamento das famílias.

Tudo isso num ambiente de inflação alta.

Já temos: o menor crescimento econômico desde o Governo Collor, a menor criação de postos de trabalho para um mês de maio desde 1992, o pior resultado das contas públicas para um mês de maio de toda a série histórica e o maior déficit em conta corrente para um mês de maio em toda a série histórica do Banco Central.

E teremos: a maior taxa Selic desde 2006 e descumprimento da meta de inflação, com a maior variação de preços desde 2002.

Rasgamos o que foi construído em 1994 e aperfeiçoado em 1999, sob o pretexto de implementação de uma nova matriz econômica, heterodoxa.

Temos um único resultado prático: voltamos a 1993.

Se, metaforicamente, nasce um novo País em 1994, com a estabilização da economia, podemos dizer que a nova matriz econômica e suas consequências representam o falecimento desse Brasil.

O Ativo mais Valioso em Tempos de Crise


A título de curiosidade, encerro este post revelando qual é o ativo mais valioso em tempos de crise. Sinto lhe dizer que não são FIIs, ações, títulos de governo, ouro e muito menos dólar.

Na verdade, desde 1970, um ano antes do então presidente dos Estados Unidos Richard Nixon anunciar o fim do padrão ouro para o dólar, encerrando o sistema monetário internacional de Bretton Woods que ajudou a tornar o dólar a moeda de reserva mundial, este investimento ultrapassou facilmente as ações e o ouro.

Veja o gráfico abaixo …


Então qual é este ativo mágico?

Estamos falando de terras agrícolas. O gráfico acima mostra o retorno total de terras agrícolas nos EUA contra o retorno total do mercado de ações (incluindo dividendos) e os retornos totais de ouro (o que, naturalmente, não paga dividendos).

Os retornos de terras agrícolas vêm de duas fontes: Cerca de metade dos retornos totais vêm da valorização da terra real. A outra metade vem do “aluguel” das terras. Você pode cultivar sua terra ou contratar alguém para fazer isso por você. Adicione estes componentes juntos, e é fácil ver por que os retornos totais de terras agrícolas ultrapassaram ouro e ações.

Alguns chamam terras “de ouro com yield”

Qual é a mágica?

Quando os preços dos alimentos sobem, os preços das terras agrícolas sobem. E mesmo em épocas de crise profunda não há falta de bocas para alimentar.

E com um benefício adicional: retornos de campos agrícolas têm pouca correlação com os retornos de ações e títulos. Terra não cai em um único trimestre durante a crise financeira.

Claro, terra tem um outro grande benefício, ela pode realmente salvar a sua família durante uma grave crise.

Barton Biggs, em seu excelente livro, Riqueza, Guerra, e Sabedoria , relata que terras eram a única coisa que salvou famílias na França ocupada, Polônia, Holanda, Alemanha e Itália.

Uma fazenda sem ostentação, e não uma grande propriedade, é provavelmente o melhor. Tijolos e argamassa, imobiliário podem ser desapropriados ou bombardeados, mas a terra sempre estará lá.

Durante a Segunda Guerra Mundial, na maioria dos países ocupados, se você tivesse uma fazenda auto-suficiente, você poderia agachar sobre ela e, com sorte, esperar o desastre. No mínimo vocês foram abastecidos com alimentos em um país faminto.

E você o que acha? Seriam terras agrícolas o ativo mais valioso do mundo em tempos de crise?

Fonte: http://flyinggaruda.blogspot.com.br/2011/01/worlds-most-valuable-asset-in-time-of.html