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Pergunta do Internauta: Investi dinheiro em NTN-B Principal (Tesouro IPCA). No início meu capital subiu, mas agora está caindo, será que fiz a coisa certa?!
Esta pergunta não foi feita para mim, li este questionamento em um site de finanças que não me lembro o nome agora. Mas esta é uma pergunta muito recorrente entre os investidores iniciantes e achei pertinente respondê-la aqui no blog. É comum ao investidor ler uma indicação de compra ou mesmo receber uma recomendação de um assessor financeiro, muitas vezes o gerente do banco, em seguida fazer um investimento e só depois tomar a real consciência da ação tomada. Eu mesmo já fiz isto algumas vezes, e só depois de vermos a conta ficar vermelha é que vamos a fundo nos conceitos que estão por trás daquele ativo financeiro. Se você já está familiarizado com os conceitos de juros, taxa SELIC e títulos da dívida pública então pode ir direto ao penúltimo tópico deste post.
O que são Juros?
Antes de responder de fato a questão do internauta, vou recorrer primeiramente a uma das definições de juros mais interessantes que já li e retirada do livro “O Valor do Amanhã” de autoria do filósofo e economista Eduardo Giannetti...
“A vida é breve, os dias se devoram e nossas capacidades são limitadas” (p. 21) Neste contexto, os recursos que podem satisfazer nossos desejos são limitados e não há como satisfazer o desejo de todos ao mesmo tempo. Alguns – os credores – aceitam adiar a realização de seus desejos. Outros – os devedores – escolhem realizar seus desejos agora, importando recursos do futuro, pagando a conta depois. Esta alocação de recursos na linha do tempo gera um prêmio para os credores e um custo para os devedores: os juros.
Os juros são, portanto, o prêmio da paciência para quem aceita emprestar agora e viver depois e o custo da impaciência para quem decide viver agora e pagar depois. Segundo Giannetti, este é um dos grandes dilemas não só do homem como de todos os seres vivos, uma lógica presente na natureza, nas religiões, na vida dos indivíduos e na vida em sociedade: “A tensão entre presente e futuro – agora, depois ou nunca – é uma questão de vida ou morte que permeia toda a cadeia do ser.” (p. 43)
Giannetti procura mostrar que o fenômeno dos juros é inerente a toda e qualquer forma de troca em diferentes períodos no tempo, representando os ganhos decorrentes da transferência de valores do presente para o futuro, ou os custos de antecipar valores do futuro para o presente. Neste ponto de vista, os juros monetários são apenas uma pequena fatia do conceito geral de juros.
O economista discorre também sobre o conceito da “miopia temporal”, quando o indivíduo dá elevada importância ao que está mais próximo no tempo, e seu espelho, a “hipermetropia temporal”, quando é atribuído um valor excessivo ao amanhã, em prejuízo das demandas correntes. De um lado, o sujeito que vive o carpe diem de forma hedonista ou mesmo irresponsável, e do outro lado, o que adia tanto seu viver que o hoje vira um enorme vazio. Se o míope com freqüência é vítima do remorso, porque o futuro chega e cobra seu preço pelo passado despreocupado, o hipermétrope normalmente sofre com o arrependimento pelo desperdício de oportunidades perdidas com o excesso de zelo pelo amanhã.
O que é a SELIC?

