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terça-feira, 19 de setembro de 2017

Investimento em NTNB Principal

Fico lendo posts antigos e percebo como minha estratégia de investimento muda ao longo dos anos. Se é que posso chamar isto de estratégia. Ao ler este post de março de 2014 lembrei da época em que comprava NTN-B Principal para "aposentadoria". Naquela época acreditava piamente que ia me aposentar de NTN-Bs. Hoje já não tenho mais nenhum título público em carteira, life changes...

21/03/2014: Comprando NTNBs com taxa de 7%...

Seguindo a estratégia de investimento em NTN-B Principal 2035 para longuíssimo prazo (aposentadoria) que estabelece aportar nesta modalidade nos momentos de taxas de juros elevadas, já estou apto a comprar títulos no atual momento. Conforme mostra a tabela a seguir, já temos 3 dias com as taxas acima de 7%.


Nos gráficos a seguir podemos visualizar de forma mais clara a evolução das taxas no decorrer do ano:




Ontem o mercado apresentou uma interessante taxa de 7,11% e hoje iniciou o dia com uma taxa de 7,02%. Ainda não constatei nos agentes de mídia o motivo da ligeira diminuição verificada no dia de hoje mas acompanharei o noticiário para definir os critérios de aportes para este mês.

Edição (porque caiu no dia de hoje): Sem susto com IPCA-15 de março, juros futuros caem - Depois de uma rodada expressiva de alta ao longo da semana, em meio ao agravamento das preocupações com a inflação, os juros futuros recuaram hoje na BM&F. Investidores aproveitaram a apreciação do real e o IPCA-15 de março levemente abaixo do esperado para embolsar lucros e reduzir parte dos prêmios elevados carregados pelos DIs. Fonte: http://www.valor.com.br/financas/3489646/sem-susto-com-ipca-15-de-marco-juros-futuros-caem

Ainda conheço pouco sobre o funcionamento do mercado de juros futuros e a correlação deste com as taxas praticadas pelo governo no tesouro direto, mas pelo que notei existe uma relação direta entre os juros futuros e as taxas definidas pelo governo. O leitor que puder dar mais informações a respeito será bem vindo no espaço de comentários.

De qualquer forma acredito que a alta das taxas de juros nas últimas semanas está fortemente relacionada à expectativa de inflação maior no mês de março bem como à questão nebulosa do setor elétrico.

A título de curiosidade realizei uma pesquisa nestes primeiros meses do ano tentando correlacionar a evolução das taxas de juros com o cenário econômico. O gráfico abaixo pontua os principais acontecimentos do ano e o próprio leitor poderá tirar suas conclusões.


segunda-feira, 3 de agosto de 2015

NTN-B Principal (Tesouro IPCA): Por que Está Caindo?!

Veja meu novo site Aqui 

Pergunta do Internauta: Investi dinheiro em NTN-B Principal (Tesouro IPCA). No início meu capital subiu, mas agora está caindo, será que fiz a coisa certa?!


Esta pergunta não foi feita para mim, li este questionamento em um site de finanças que não me lembro o nome agora. Mas esta é uma pergunta muito recorrente entre os investidores iniciantes e achei pertinente respondê-la aqui no blog. É comum ao investidor ler uma indicação de compra ou mesmo receber uma recomendação de um assessor financeiro, muitas vezes o gerente do banco, em seguida fazer um investimento e só depois tomar a real consciência da ação tomada. Eu mesmo já fiz isto algumas vezes, e só depois de vermos a conta ficar vermelha é que vamos a fundo nos conceitos que estão por trás daquele ativo financeiro. Se você já está familiarizado com os conceitos de juros, taxa SELIC e títulos da dívida pública então pode ir direto ao penúltimo tópico deste post.

O que são Juros?

Antes de responder de fato a questão do internauta, vou recorrer primeiramente a uma das definições de juros mais interessantes que já li e retirada do livro “O Valor do Amanhã” de autoria do filósofo e economista Eduardo Giannetti...

“A vida é breve, os dias se devoram e nossas capacidades são limitadas” (p. 21) Neste contexto, os recursos que podem satisfazer nossos desejos são limitados e não há como satisfazer o desejo de todos ao mesmo tempo. Alguns – os credores – aceitam adiar a realização de seus desejos. Outros – os devedores – escolhem realizar seus desejos agora, importando recursos do futuro, pagando a conta depois. Esta alocação de recursos na linha do tempo gera um prêmio para os credores e um custo para os devedores: os juros.


Os juros são, portanto, o prêmio da paciência para quem aceita emprestar agora e viver depois e o custo da impaciência para quem decide viver agora e pagar depois. Segundo Giannetti, este é um dos grandes dilemas não só do homem como de todos os seres vivos, uma lógica presente na natureza, nas religiões, na vida dos indivíduos e na vida em sociedade: “A tensão entre presente e futuro – agora, depois ou nunca – é uma questão de vida ou morte que permeia toda a cadeia do ser.” (p. 43)

Giannetti procura mostrar que o fenômeno dos juros é inerente a toda e qualquer forma de troca em diferentes períodos no tempo, representando os ganhos decorrentes da transferência de valores do presente para o futuro, ou os custos de antecipar valores do futuro para o presente. Neste ponto de vista, os juros monetários são apenas uma pequena fatia do conceito geral de juros.

O economista discorre também sobre o conceito da “miopia temporal”, quando o indivíduo dá elevada importância ao que está mais próximo no tempo, e seu espelho, a “hipermetropia temporal”, quando é atribuído um valor excessivo ao amanhã, em prejuízo das demandas correntes. De um lado, o sujeito que vive o carpe diem de forma hedonista ou mesmo irresponsável, e do outro lado, o que adia tanto seu viver que o hoje vira um enorme vazio. Se o míope com freqüência é vítima do remorso, porque o futuro chega e cobra seu preço pelo passado despreocupado, o hipermétrope normalmente sofre com o arrependimento pelo desperdício de oportunidades perdidas com o excesso de zelo pelo amanhã.

O que é a SELIC?