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Ontem fiz um post
aqui sobre a participação da Embraer na mais importante feira de aviação do mundo (
Farnborough Airshow) e neste post um leitor deixou um questionamento interessante: qual é a correlação do preço do papel EMBR3 com a cotação do dólar?
Já é de conhecimento de todos que um dólar mais alto beneficia diretamente as empresas que tem parte da receita em moeda americana. Mas existe realmente uma correlação direta? Para tentar responder esta questão irei analisar 6 casos...
Legenda: Linha Azul - Empresa / Linha Vermelha - Dólar
Embraer (EMBR3)
O gráfico abaixo confronta a cotação do papel com a cotação do dólar futuro. A correlação não é totalmente perceptível, a cotação do papel iniciou um ciclo de alta bem anterior à alta da moeda. De qualquer forma, a queda recente está alinhada entre os dois ativos.
Em 2015 a receita total da Embraer totalizou 88% para o mercado externo. É sem dúvida uma das maiores exportadoras do país.
Minerva Foods (BEEF3)
O gráfico abaixo confronta a cotação do papel com a cotação do dólar futuro. A exemplo da Embraer, a correlação não é totalmente perceptível. A cotação do papel iniciou um ciclo de alta bem anterior à alta da moeda. Porém a queda recente está alinhada entre os dois ativos.
70% das receitas de vendas de carnes desta empresa é proveniente do mercado externo.
Suzano Papel e Celulose (SUZB5)
As empresas de celulose são as mais agraciadas com alta da moeda americana. Estas empresas tiveram grande valorização dos seus papéis com a alta recente do dólar. Porém, iniciaram um forte movimento de correção com a queda recente da moeda.
71% das receitas de vendas de papel e celulose da Suzano é proveniente do mercado externo.
Fibria (FIBR3)
A exemplo da Suzano, a Fibria é outra empresa do setor de papel e celulose que se beneficia com a alta do dólar. O gráfico abaixo mostra claramente que o preço do papel esta demasiadamente descolado do preço da moeda (muito acima em termos percentuais de valorização) e no atual momento está abaixo (mercado penalizando em demasia a queda da moeda).
Mais de 90% da receita desta empresa é proveniente do mercado externo.
Tupy (TUPY3)
Esta é uma das empresas desconhecidas da bolsa. A Tupy fabrica peças para o setor automotivo e possui grande parte da receita proveniente do mercado externo. Abaixo vemos claramente que a cotação do papel subiu junto com a subida do dólar e atualmente apresenta queda elevada em comparação com a queda da moeda.
Mais de 80% da receita da Tupy é proveniente do mercado externo.
Mahle Metal Leve (LEVE3)
A exemplo da Tupy, a Metal Leve também está situada no mercado de peças automotivas e possui grande parte da receita atrelada à moeda americana. Mas ao contrário da Tupy, a cotação da Metal Leve não está sentindo a queda da moeda.
Cerca de 51% da receita desta empresa é proveniente do mercado externo.
A conclusão óbvia é que realmente a cotação das empresas que possuem forte exposição ao mercado externo segue os movimentos de alta e queda do dólar. Porém, cada caso é um caso. É interessante analisar o percentual da receita que está atrelada à moeda. É também muito importante analisar os fundamentos da empresa e não só a exposição ao mercado externo. Outro ponto importante é o percentual das dívidas da empresa em dólar bem como o percentual de matérias prima provenientes do exterior.
Não é uma análise trivial, de qualquer forma, o passado mostra que comprar papéis de exportadoras nos ciclos de alta da moeda é uma estratégia interessante. Mas como eu sempre digo... passado não garante futuro. Então não se iluda.
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