segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Fechamento de Julho/2015 e Primeira Parcial do Ranking de Rentabilidades da Blogosfera

No final deste post divulgarei a primeira parcial do ranking de rentabilidades da blogosfera. Este ranking é consolidado no fechamento do último mês do ano e publicado em janeiro do ano seguinte. Vamos ao meu fechamento individual.

Rentabilidades

Em julho amarguei uma perda de -1,98% nos investimentos. Porém continuo positivo no ano em 8,65%. Por pouco não fiquei positivo novamente no histórico geral mas o mercado retomou a tendência de queda e a alta exposição em renda variável continua me prejudicando (-2,81%).


As ações tiveram um desempenho pior que o IBOV. -5,23% da carteira contra -4,17% do IBOV. No ano as ações estão valorizadas em 0,21%.


Os FIIs tiveram um desempenho pior que o IFIX. -0,84% da carteira contra 0,70% do IFIX. No ano os FIIs estão valorizados em 12,48%.


O gráfico a seguir consolida todas as rentabilidades bem como apresenta a evolução dos principais índices de mercado (CDI, poupança, IPCA e IGPM). Infelizmente ainda estou abaixo de todos eles.


Proventos

Em julho recebi poucos proventos de ações (0,13%). Porém os FIIs continuam remunerando muito bem (1%). No geral a yield foi de 0,66% no mês. O yield geral médio é de 0,63% com 0,38% nas ações e 0,94% nos FIIs.


Abaixo o gráfico de yield mês a mês.


Alocações

A seguir apresento a evolução das alocações dos ativos. Estou mantendo uma proporção 2:1 entre FIIs:ações e mantendo uma pequena parte da reserva de emergência na poupança. O reatante está Tesouro Selic e em conta corrente de corretoras. Tinha umas LCIs mas resgatei para comprar ações neste mês.


Rentabilidades da Blogosfera

E finalmente a primeira parcial do ranking. Alguns colegas não estão divulgando o anual. Fiquem atentos.

sábado, 8 de agosto de 2015

Os Canais do IBOV

Opa!

Mercadinho das pulgas está sangrando hein galera?! Mas bem de leve por enquanto, o repique da semana passada durou pouco e ontem tivemos uma bela queda no índice que não via há meses. Vamos dar uma espiada nos gráficos para nos situarmos no momento atual.

Como muitos devem saber, sou um grande fã da análise gráfica. Tenho atenção especial aos canais, de alta e de baixa, que se formam nos gráficos de ativos do mercado. No caso do IBOV é possível traçar 3 canais (um de alta e dois de baixa) como pode ser visto no gráfico abaixo:


Vamos analisar o primeiro canal que é o de alta. Esta seria a projeção mais otimista para o índice. Nesta projeção desceremos até 46.500 para depois continuar o movimento de alta. Dado o contexto atual do país e as perspectivas para os próximos dois anos, esta seria realmente uma projeção muito otimista, mas é possível, no mercado tudo é possível. Vejam no gráfico a região assinalada de amarelo. Esta é a região de toque na LTA. Região de fortíssimo suporte em que estarei realizando alguns aportes em ações, provavelmente já nesta semana que entra.


Na segunda projeção, visualizada no gráfico abaixo, vemos um canal de baixa. Neste cenário, mais pessimista, o mercado comprou o risco-Brasil pra valer e chegamos por volta de 43.500. Isto ocorreria mais ou menos daqui três meses com um agravamento da crise política e também com uma ajuda variáveis externas como Dólar chegando nos 4 reais, índices americanos desabando, etc.


Na terceira projeção, a mais pessimista de todas, chegaríamos lá pelos 37.000, quiçá 35.000. Muto difícil de ocorrer de uma tacada só como ocorreu na crise do sub-prime. Seria um cenário de degradação da economia de forma lenta e gradual, algo que já está sendo verificado desde 2010. Neste cenário atingiríamos um valor próximo da crise de 2008. Pela forma como o índice tem caído, o gráfico projeta este cenário para o ano que vem. Fatos internos que poderiam contribuir para este movimento seriam o ministro da fazenda deixar o cargo, o governo atual perder grande parte da base aliada, a inflação oficial atingir 2 dígitos, as agências de avaliação de risco internacionais rebaixarem o grau de investimento do país, o Dólar ultrapassar os 4 reais, etc...


Estarei realizando aportes em ações nas três regiões assinaladas em amarelo (se ocorrerem). Pequenos aportes, não superiores a 1.1000 reais cada, nas melhores empresas listadas no mercado. A minha estratégia para o mercado acionário é esta, comprar nos momentos de pânico e vender (um pouco) nos momentos de euforia.

No mercado do fundos imobiliários minha postura já é diferente, adotei desde o início deste ano uma estratégia de aportes periódicos visando o aumento do fluxo de caixa para uma aposentadoria baseada em aluguéis de imóveis. Neste sentido sigo comprando todo mês bons FIIs (três aportes mensais). De qualquer forma, vamos dar uma espiada no gráfico do IFIX só para nos situarmos...


Vejam que o índice está realizando uma correção que já era esperada. Desde dezembro último estamos presenciando uma alta fantástica nos FIIs. Em plena crise imobiliária ninguém esperava este movimento. Muitos tem atribuído esta alta ao baixo valor das cotas se comparadas com o valor patrimonial dos ativos o que atraiu muitos investidores. Pessoas físicas e instituições viram uma janela de investimento a partir de dezembro. Porém, uma nova variável entrou no mercado: as altas taxas dos títulos públicos. Isto naturalmente poderá desencadear um movimento de migração dos FIIs para o TD o que acarretará em novas quedas no IFIX (bom para quem quer comprar mais).

Vejam pessoal, as possibilidades de investimentos são inúmeras. Os gráficos estão aí para nos ajudar. Eles não ditam as regras, apenas apresentam em forma de linhas os diversos cenários possíveis que temos do atual momento para frente. Quem foi esperto e acumulou dinheiro em LFT e LCIs/LCAs que estão vencendo agora já pode começar  estudar os aportes em NTN-Bs, ações e FIIs. Quem não quer comprar o risco que continue aportando nas LFTs e comprando as LCIs/LCAs enquanto não houver desconto de IR.

Um bom fim de semana a todos!

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

NTN-B Principal 2035 (Tesouro IPCA) com 7% de Taxa?!

Não, ainda não chegou lá, mas está quase...


Hora de começar vender umas LTFs para comprar umas NTN-Bs... Porém, o mercado está suspenso até o momento devido a alta volatilidade nas taxas de juros nesta manhã. A expectativa é que o mercado abra às 11:30. Vamos aguardar.

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Juros Futuros, Dólar e Tesouro Direto

As taxas de juros futuros operam com forte alta nesta quinta-feira, enquanto o dólar (gráfico abaixo) avança e já atinge uma alta de quase 20% desde o último fundo formado em abril deste ano.


A alta dos juros ocorre após a divulgação da ata da última reunião do COPOM. O Comitê afirmou que os avanços no combate à inflação mostram que estratégia de política monetária está na direção correta e que a convergência da inflação à meta em 2016 tem se fortalecido. Porém, mesmo com o tom positivo da ata, o mercado não reagiu bem, sinal de descrédito.

As taxas dos contratos futuros de juros (gráfico abaixo) avançam reagindo à alta do dólar e ao aumento da tensão no cenário político local. O risco de rebaixamento do ‘rating’ pela Moody’s também continua permeando o cenário adverso.


O aumento do risco político tem provocado a alta dos prêmios de risco na curva de juros. O avanço das investigações da operação Lava-Jato também podem piorar a governabilidade da presidente Dilma.

Com o avanço do dólar parte do mercado começa a ver a possibilidade do Banco Central ser obrigado a retomar o ciclo de aperto monetário, apesar de ele ter sinalizado o fim do ciclo de alta de juros no comunicado da última reunião.

Ontem o vice-presidente da Presidência da República, Michel Temer, afirmou que a situação é grave, que há uma crise política e uma crise econômica que precisam ser ajustadas, e se disse preocupado com a repercussão no exterior.

Como foi explicado no post anterior, a alta dos juros causada pelo aumento do Risco-Brasil tem influência direta nas taxas praticadas pelo Tesouro Nacional no títulos públicos. No gráfico das taxas da NTN-B Principal para 2035 já vemos um rompimento dos últimos topos formados.


Em fevereiro último já tinha feito um post mostrando um possível rompimento destes topos no decorrer do ano. Na ocasião usei uma técnica de análise gráfica que mostrava uma elevação em direção ao topo formado do início de 2014, quando a taxa superou os 7%. Na minha opinião atingiremos este valor em breve, quem esperou um ano e meio (como eu) já pode ir tirando o escorpião do bolso porque estamos quase lá.

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

NTN-B Principal (Tesouro IPCA): Por que Está Caindo?!

Veja meu novo site Aqui 

Pergunta do Internauta: Investi dinheiro em NTN-B Principal (Tesouro IPCA). No início meu capital subiu, mas agora está caindo, será que fiz a coisa certa?!


Esta pergunta não foi feita para mim, li este questionamento em um site de finanças que não me lembro o nome agora. Mas esta é uma pergunta muito recorrente entre os investidores iniciantes e achei pertinente respondê-la aqui no blog. É comum ao investidor ler uma indicação de compra ou mesmo receber uma recomendação de um assessor financeiro, muitas vezes o gerente do banco, em seguida fazer um investimento e só depois tomar a real consciência da ação tomada. Eu mesmo já fiz isto algumas vezes, e só depois de vermos a conta ficar vermelha é que vamos a fundo nos conceitos que estão por trás daquele ativo financeiro. Se você já está familiarizado com os conceitos de juros, taxa SELIC e títulos da dívida pública então pode ir direto ao penúltimo tópico deste post.

O que são Juros?

Antes de responder de fato a questão do internauta, vou recorrer primeiramente a uma das definições de juros mais interessantes que já li e retirada do livro “O Valor do Amanhã” de autoria do filósofo e economista Eduardo Giannetti...

“A vida é breve, os dias se devoram e nossas capacidades são limitadas” (p. 21) Neste contexto, os recursos que podem satisfazer nossos desejos são limitados e não há como satisfazer o desejo de todos ao mesmo tempo. Alguns – os credores – aceitam adiar a realização de seus desejos. Outros – os devedores – escolhem realizar seus desejos agora, importando recursos do futuro, pagando a conta depois. Esta alocação de recursos na linha do tempo gera um prêmio para os credores e um custo para os devedores: os juros.


Os juros são, portanto, o prêmio da paciência para quem aceita emprestar agora e viver depois e o custo da impaciência para quem decide viver agora e pagar depois. Segundo Giannetti, este é um dos grandes dilemas não só do homem como de todos os seres vivos, uma lógica presente na natureza, nas religiões, na vida dos indivíduos e na vida em sociedade: “A tensão entre presente e futuro – agora, depois ou nunca – é uma questão de vida ou morte que permeia toda a cadeia do ser.” (p. 43)

Giannetti procura mostrar que o fenômeno dos juros é inerente a toda e qualquer forma de troca em diferentes períodos no tempo, representando os ganhos decorrentes da transferência de valores do presente para o futuro, ou os custos de antecipar valores do futuro para o presente. Neste ponto de vista, os juros monetários são apenas uma pequena fatia do conceito geral de juros.

O economista discorre também sobre o conceito da “miopia temporal”, quando o indivíduo dá elevada importância ao que está mais próximo no tempo, e seu espelho, a “hipermetropia temporal”, quando é atribuído um valor excessivo ao amanhã, em prejuízo das demandas correntes. De um lado, o sujeito que vive o carpe diem de forma hedonista ou mesmo irresponsável, e do outro lado, o que adia tanto seu viver que o hoje vira um enorme vazio. Se o míope com freqüência é vítima do remorso, porque o futuro chega e cobra seu preço pelo passado despreocupado, o hipermétrope normalmente sofre com o arrependimento pelo desperdício de oportunidades perdidas com o excesso de zelo pelo amanhã.

O que é a SELIC?